segunda-feira, maio 02, 2005

DIGA 33

Pois é, são quinze da super Liga mais dezoito da Liga de Honra. Este grupo precisa de se organizar para defender os seus interesses específicos deixando de ser manipulado e instrumentalizado pelos três Grandes. A Liga de Clubes tal como está não funciona. O Grupo dos 33, deverá fazer-se representar através de um mandatário comum e só assim está em condições de negociar em pé de igualdade com os três Grandes. Não se trata de reivindicar quaisquer regalias injustas mas tão só e de uma vez por todas curar o Futebol Português da sua longa enfermidade colocando-o ao nível de um País civilizado. Não é fácil, põe em causa muitos interesses, muitas subserviências e cumplicidades, muita mentalidade retrógrada e conformista, mas tem de ser.
A lista de necessidades está na cabeça de todos os verdadeiros adeptos e podemos relacionar algumas:

Código de admissibilidade nas competições organizadas pela Liga de Clubes:

a) Contas auditadas por uma mesma Entidade. Limitação de passivos, estabelecendo um tecto de referência de forma a introduzir um mínimo de justiça competitiva;
Estamos a falar de espectáculos onde a vertente desportiva é fundamental e nestas condições não é aceitável pôr frente a frente duas equipas em que uma delas tem um passivo de milhões e a outra de tostões. A engenharia financeira não pode continuar a “explicar” tudo.

b) Impostos e Contribuições em dia com Certificação da responsabilidade de uma Entidade Oficial. Não podemos voltar à vergonha das Certidões falsas ou capciosas nem às Comissões de Acompanhamento que não descobrem, não verificam nem denunciam fraudes e evasões quando estão em causa os Clubes do seu coração (e são sempre os mesmos!).

c) Salários e Seguros em dia com Verificação Responsável e Obrigatória pelo Sindicato dos Jogadores e pela Liga de Clubes;

d) Redistribuição mais equitativa das receitas das transmissões televisivas dos jogos da Super Liga que também devem contemplar os Clubes da Liga de Honra. A Liga deve negociar o “bolo” com o Operador Televisivo repartindo-o por ordem classificativa, mas em proporção mais equilibrada, por todos os Clubes inscritos na Liga. O princípio que deve vigorar nesta matéria é o seguinte: “todos os Clubes têm a mesma importância e todos são indispensáveis para o êxito das provas organizadas pela Liga de Clubes”. Quero dizer, em síntese, o que é óbvio: “só há vencedores porque há vencidos”.

Sobre as receitas das competições Europeias de Clubes também deve recair uma taxa a favor da Liga porque o princípio acima enunciado volta a fazer sentido; O objectivo final deste conjunto de medidas redistributivas seria, para além de um acto de justiça, uma forma de diminuir o fosso actualmente existente entre a Super Liga e a Liga de Honra deixando de ser um drama financeiro a descida de Divisão;

e) Verificação de Incompatibilidades e Dependências;
Referimo-nos como é bem de ver à transparência sobre os reais detentores do capital das SAD e às promiscuidades várias em que o nosso futebol é fértil.
Escândalos como o recente Estoril-Benfica jogado no Algarve não podem voltar a acontecer.

f) Arbitragem fora da Liga e em Organismo Autónomo gerido pelos próprios árbitros que reportariam em termos de responsabilidade a uma Secção da A.R. Os jogos da Super Liga seriam todos televisionados e observados para efeitos de classificação dos árbitros por uma Comissão onde teriam lugar obrigatório representante: dos árbitros, dos Clubes (na nossa óptica teriam que ser dois em que um deles seria o mandatário do Grupo dos 33), dos treinadores, dos jogadores, dos médicos e massagistas;

g) Campo de jogo de acordo com as normas UEFA;

h) Salvaguarda do princípio do contraditório nas intervenções mediáticas onde estejam em causa os interesses competitivos do Grupo dos 33. Refiro-me nomeadamente aos Órgãos da Comunicação Social Pública onde normalmente só se tratam os problemas do Futebol Português na perspectiva dos interesses dos 3 Grandes. Em Portugal um espectador desprevenido que assista a um desses programas da rádio ou da televisão sobre futebol fica invariavelmente com a sensação de que jogam sozinhos! Daí a sugestão proposta.

i) Proibição de inscrição de jogadores emprestados por Clubes concorrentes no mesmo Campeonato;


Existem decerto outras medidas necessárias mas estas, a serem efectivadas, já têm pano para mangas.
È também muito claro que só com a intervenção do Governo se poderão implementar aquelas disposições embora também se saiba que os nossos Governantes não se querem comprometer com nada que lhes retire popularidade e votos. Habitualmente refugiam-se na desculpa de que não devem interferir no “livre movimento associativo”. Todos sabemos que não é livre porque está ao serviço dos mesmos e não é movimento porque não revela qualquer intenção de se reformular apostando antes no completo imobilismo.
Por outro lado volto a lembrar que as dificuldades aumentam sabendo que estes 33 Clubes têm poucos adeptos “legítimos”, quero dizer, que sejam só adeptos do Clube da terra, o que reduz o ânimo de mudança da actual situação. Mas temos que continuar a lutar por um futebol credível e rentável. Todos sabem que no nosso futebol há batota e todos sabem também que está falido.
O Belenenses só tem a ganhar com a reforma do nosso futebol.


JSM

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