quinta-feira, maio 24, 2018

Similitudes e diferenças


Para além da poeira que um dia há-de assentar a crise que atinge hoje determinado clube é um fenómeno generalizado e que afecta todo o futebol português. O problema da representação, a desactualização dos estatutos, as relações entre os clubes e as SAD’s, as modalidades versus futebol, as claques e o público, tudo isso está a passar à frente dos nossos olhos como num filme mas um filme censurado onde só se mostra aquilo que dá jeito! E agora o que vende e dá jeito são as feridas na careca de um jogador e a violência das claques, última descoberta nacional!

Nem de propósito, escrevi há pouco tempo um postal onde concluía que a representação do actual Belenenses não estava nem na Direcção, nem na SAD. E também não estava nos actuais adeptos divididos entre o clube e a SAD, mas que estava sim na equipa de futebol e nos símbolos que ostenta. Mantenho. E mantenho porque o ponto de partida se mantém. Quem invoca o passado glorioso do Belenenses não se pode pôr em bicos de pés e fingir que está a representar essa quimera.

Portanto seria um erro de palmatória confundir o que eu disse com as teses televisivas ou octavianas que reduzem um clube ao seu treinador e aos actuais jogadores admitindo até a possibilidade de poderem ser eles a decidir quem deve ser o respectivo presidente! Isto é coisa de idiotas.

Totalmente diferente é falar na equipa que entra em campo independentemente dos jogadores que pontualmente a sirvam. Ou o treinador que pontualmente a oriente. A equipa, sendo real e devendo ser a mais forte possível, é neste sentido uma entidade abstracta e intemporal. Nomeadamente em época de crise, em que ninguém se entende.

Estamos no início de uma nova época e seria bom que não confundíssemos as coisas. Ninguém está acima da equipa de futebol. Quando recuperarmos a grandeza perdida, os que a recuperarem, então a conversa já pode ser outra. Mas até lá… Temos todos que trabalhar nesse sentido. Todos.


Saudações azuis

Nota: Na imagem, a equipa do Belenenses que foi campeã em 1927. 

segunda-feira, maio 21, 2018

Uma ave improvável!


A primeira coisa que me ocorre dizer é dar os parabéns ao Desportivo das Aves que ganhou merecidamente a Taça de Portugal! Uma taça que segundo o que fomos ouvindo (em toda a parte) já estava reservada para o Sporting. E assim acabaria tudo em bem com as vítimas de Alcochete transformadas em heróis nacionais. E então seriam só sorrisos misturados com mais alguns recados ameaçadores dirigidos ao grande ausente. Mas como o Aves não colaborou o cenário transformou-se em choro e todos os dedos apontaram ao verdadeiro culpado. José Mota ainda reagiu, sentiu-se desrespeitado mas isso não demoveu a comunicação social. Viram-se realmente algumas imagens da festa na Vila das Aves, mas o autocarro do Sporting a regressar ao hotel continuava a ser o foco principal. Um autocarro verde, silencioso, o que motivava ainda mais falatório. Era preciso averiguar, de todos os ângulos, a responsabilidade de Bruno de Carvalho naquela derrota. Até que alguém furou o discurso oficial e disse aquilo que parece evidente - desde o jogo de Portimão, ganho com um remate feliz de Bruno Fernandes e já muito perto do fim, que o Sporting não tem jogado nada. O atrevido foi imediatamente silenciado e voltámos ao autocarro do Sporting a deslizar pela auto estrada.


Saudações azuis

sábado, maio 19, 2018

Entretanto, noutro país…


Longe dos holofotes, no pequeno espaço que lhes é reservado, os outros clubes da Liga começam a preparar a nova época. Em silêncio porque ninguém se quer meter na zaragata. Esperam naturalmente que tudo acalme até porque estão dependentes dos saldos e empréstimos para comporem o plantel. O Belenenses não foge á regra muito embora eu tenha verificado que há um esforço da SAD em não se deixar capturar, como aconteceu no passado recente, por nenhum dos eucaliptos. Aliás não pode ser outro o caminho do Belenenses. Aquilo que verdadeiramente distingue os grandes clubes, tal como os grandes países, não é a dimensão, é a independência.

Olhando agora para a nossa casa e pela informação disponível constata-se que há vontade em manter Licá o que desde já aplaudo. Trata-se de um jogador que já esteve em alta e por isso tem condições para recuperar a antiga condição.

Outro caso de continuidade que também aplaudo é a renovação do empréstimo de Nathan. É um jogador especial, fora do comum, e pode ser que no Restelo revele toda a sua potencialidade.

A outra questão que gostava de saber diz respeito à recuperação física de Tandjigora. Sofreu uma lesão grave e não sabemos quando estará de volta. É uma dúvida importante porque é um jogador fundamental para atacarmos a próxima época.

Sobre a questão dos passes partilhados a minha opinião mantém-se. É uma matéria complexa e que me parece ter os mesmos inconvenientes dos empréstimos. A federação e a Liga não podem continuar a facilitar. A integridade das competições é o valor fundamental. Voltaremos ao assunto.

Saudações azuis



Nota: Um dos temas mais candentes no futebol português é a captura dos pequenos clubes pelos grandes. O G15 pretendeu a certa altura ser o arauto de uma revolta contra este estado de coisas. Mas perdeu gaz e parece ter sido instrumentalizado. Digo isto porque a única reivindicação que pode mudar o panorama actual de dependência passa pela centralização dos direitos televisivos  e por uma distribuição mais equitativa dos proventos. Ora não sendo esta a bandeira do G15 todas as outras reivindicações perdem importância. E nestas condições a corrupção e a batota vão continuar.

sexta-feira, maio 18, 2018

O ajuste de contas!


À hora a que escrevo já toda a gente pediu a demissão de Bruno de Carvalho. Uns de forma velada, como o presidente da república, outros vociferantes, como o presidente da assembleia da república, o desfile na televisão é ininterrupto, a programação alterou-se e nos diversos canais só dá Bruno de Carvalho! E a gente pergunta-se?! Mas afinal quem é este homem que resiste à evidência democrática dos painéis televisivos?! À chantagem dos jogadores e equipa técnica?! À ameaça dos banqueiros?! Quem é que ele pensa que é?! Se não sai a bem sai a mal! Porque é que a justiça não assume um mandato de captura?! O que é que falta para o assalto final ao bunker de Alvalade?!

É que se isto continua não sei onde é que vamos parar! O país precisa de paz e sossego. Isto só dá para dois. E ele não percebe.


quarta-feira, maio 16, 2018

Cronica de guerra


Nada melhor que o beijo do fiscal de linha para iniciar uma crónica de guerra. Este beijo, que não devia ter acontecido, explica muito sobre o futebol que temos e sobre o que aí vem. E o que aí vem é uma guerra sem quartel entre os três clubes do estado num campeonato de denúncias onde todos se acusam mas todos prevaricam ou querem prevaricar. Não há aqui inocentes e já que estamos em maré de responsabilidades devíamos começar por cima. E quem está em cima é o governo. É pelo menos isso que todos esperamos.

Noutra perspectiva e face ao alarme social provocado pelos acontecimentos de Alcochete há uma medida que, pelo que se vê e ouve, parece recolher o consenso da população - responsabilizar Bruno de Carvalho, cortar-lhe o pio e condená-lo ás galés. Não havendo galés e se mesmo assim a corrupção e a violência continuarem há uma série de medidas que poderiam ter algum efeito. Já as enunciei várias vezes mas posso repetir. Assim, ao correr da pena vão tomando nota:

Suspender as claques ou grupos organizados de adeptos durante um ano. Sabemos que nos grandes clubes portugueses as claques funcionam como guarda pretoriana dos presidentes. Também sabemos que são um bom abrigo para marginais e criminosos de toda a espécie. E suspeitamos que gostam mais de cantar do que de futebol. Quando digo cantar é força de expressão. Gostam de ofender os adversários.
Portanto qualquer indício de que esta norma não estivesse a ser cumprida isso implicaria que o clube prevaricador jogasse os próximos jogos em casa á porta fechada.

Estabelecer uma distância higiénica entre todos os actores políticos e o futebol profissional. Falo do governo, dos deputados, dos autarcas, e dos gestores públicos. Quem for apanhado nos camarotes da Luz, Dragão ou Alvalade, o melhor é pedir a demissão do cargo. Se querem ver a bola comprem bilhete e sentem-se nos lugares reservados ao público. Se não houver condições de segurança não vão e criem-nas. Porque a segurança dos cidadãos compete ao governo. Também não podem ser comentadores de futebol nos órgãos de comunicação social.

Por maioria de razão o distanciamento e a independência da justiça ainda são mais prementes. Aí ou acabamos com as toupeiras ou são as toupeiras que acabam connosco. E a questão é tão grave que nem sei o que propor! Espero apenas que as investigações em curso não acabem em águas de bacalhau. Todas elas. Seria catastrófico não apenas para o futebol mas para o país.

Proibir os clubes de futebol profissional de competirem noutras modalidades que não pertençam à mesma federação. Isto é o que acontece nos países onde funciona o clube/modalidade situação que permite que as várias modalidades efectivamente se desenvolvam deixando de estar indexadas aos altos e baixos do futebol. E então é possível sonhar com medalhas olímpicas. A fase do ecletismo foi há mais de cem anos.
A outra grande vantagem é evitar que a corrupção que existe no futebol profissional contamine também as modalidades. Que é o que parece que já está a acontecer.
Haveria evidentemente um prazo para efectivar a mudança. E ninguém retiraria a glória passada a nenhum clube nem a nenhum atleta.

Chamar á responsabilidade o presidente da federação portuguesa de futebol e demitir o conselho de justiça da mesma. Quem despenaliza cotoveladas que o país inteiro viu não pode esperar que a violência diminua. Nem dentro  nem fora das quatro linhas.

À atenção de Fernando Santos: - quem premeia um jogador violento convocando-o para ir ao mundial, que exemplo é que está a dar?!

Centralizar os direitos televisivos na Liga ou na Federação, custe o que custar, distribuindo a respectiva receita de forma equitativa pelos competidores. Sem esquecer o apoio devido a quem desce de divisão. Entregar a produção e transmissão televisivas a uma única entidade, independente dos competidores.

Há mais medidas imediatas mas estas para começar já chegavam para diminuir a corrupção e com ela a violência no desporto.



Saudações azuis

terça-feira, maio 15, 2018

‘É só fumaça…’


É incontornável, não há notícias sem Bruno e todas as notícias são contra Bruno! O que costuma ser sinal de isolamento e força ao mesmo tempo. Sempre ouvi dizer – digam bem de mim, digam mal de mim, mas falem de mim! Estamos obviamente a falar (também nós!) de Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, e que segundo consta gosta de tomar exemplos do seu tio-avô, o almirante Pinheiro de Azevedo.

Pois bem e para lá da opinião que eu possa ter sobre Bruno de Carvalho, já o elogiei pontualmente a propósito da ‘contabilidade dos títulos’, a verdade é que há aqui qualquer coisa que não bate certo! Uns dirão que quem não bate certo é ele, enquanto outros não sabem o que dizer. Mas há também aqueles que, encarniçadamente, dizem mal dele. E a palavra ‘encarniçadamente’ não é inocente. De facto não há ‘cartilheiro’ benfiquista que não dispare, diáriamente, contra Bruno de Carvalho toda a artilharia conhecida e alguma até desconhecida. Uma cruzada que dá que pensar! Ainda para mais quando é rematada com aquela frase que já todos ouvimos – ‘que seja presidente do Sporting por muitos e bons anos porque assim o Benfica vai continuar a ser campeão’!

É claro que esta frase tem um erro no fim – o Benfica já não foi campeão este ano. O penta foi-se. E se relacionarmos este fracasso com a denúncia dos ‘vouchers’ feita pelo próprio Bruno de Carvalho, denúncia que despoletou outras denúncias que a judiciária está a investigar, talvez indo por aí encontremos uma explicação mais lógica para tanto ódio e para a palavra – encarniçadamente – que aqui utilizei.

E se esta lógica for válida então podemos concluir que Bruno de Carvalho é o grande adversário das águias e o que poderá pôr fim ao respectivo reinado. Sendo assim ainda se torna mais incompreensível que alguns ditos sportinguistas alinhem na campanha encarnada para apear Bruno de Carvalho!

Registo de interesses: Só tenho um clube, sou belenense de alma e coração, mas não ando distraído. O futebol português vive subjugado pela batota e por outros interesses que é preciso combater. Assistir a tudo isto quieto e calado não é da minha índole. E prejudica o Belenenses.



Saudações azuis 

domingo, maio 13, 2018

A pensar no futuro…


Só hoje consegui ler as declarações de Silas relativas ao encontro de ontem com o Boavista. Isto remete-nos para a impossibilidade (regulamentar) de ouvir a reacção do nosso treinador no final dos jogos. Uma contrariedade, a juntar a tantas outras, que nos afasta ainda mais da realidade mediática. Realidade que só tem olhos e ouvidos para três clubes.

Mas então o que disse Silas?! Disse, em síntese, que este jogo já é parte do futuro! E isto merece o seguinte comentário: - em jogos oficiais o Belenenses deve apresentar-se sempre na sua máxima força. Está em causa o seu prestígio além de que há sempre coisas para ganhar. Ou para perder. Como aliás poderia ter sido o caso de ontem se o Boavista aproveitasse todo aquele embaraço inicial - erros de posicionamento defensivo, passes e perdas de bola inacreditáveis, incapacidade do meio campo para segurar a bola e sair a jogar! Em condições normais, sem experiências temerárias, julgo que a nossa resposta teria sido outra.

Não foram porém só os nossos erros que ameaçaram a baliza de Muriel. Há que dar mérito a Jorge Simão e à sua brigada ligeira que, sem avançados de raiz, aniquilou quase todas as nossas tentativas para sair a jogar. Curiosamente, na segunda parte e reduzidos a dez jogadores, Silas jogou também sem avançados. Maurides saiu para entrar Nathan e o Belenenses melhorou bastante. Mas não chega, nem chegou.

Portanto, para falar do futuro o melhor é não olharmos muito para este jogo e pensarmos antes nas mudanças que terão de ocorrer para o Belenense ter (finalmente) futuro. Em próximo postal faremos esse balanço.

Resultado final: - Boavista 1 – Belenenses 0


Saudações azuis


Nota sobre a arbitragem: - Não é meu costume perder muito tempo com 'os padres ordenados na catedral da Luz', e  nem sei se este é um deles! Mas seja ou não seja o que se notou mais foi a tendência para a estupidez. Deixou passar em claro as cotoveladas do central boavisteiro Rossi mas foi lesto a estragar o jogo castigando Pereirinha com dois amarelos rigorosos. Diga-se que Pereirinha também não esteve muito clarividente neste jogo.