terça-feira, outubro 16, 2018

A destruição dos campeonatos nacionais!

Como diriam os mais velhos - isto já não é para mim - mas quem cá ficar deve preparar-se para a abolição dos campeonatos nacionais. Em favor, é claro, das provas uefeiras ou de outras entidades supra nacionais que definitivamente tomaram conta do negócio do futebol. Mas afinal a quem servem estas longuíssimas interrupções do campeonato nacional?! Aos clubes mais pequenos, que são a esmagadora maioria, não servem concerteza. Não têm internacionais para valorizar nas selecções, estão parados, e têm de continuar a pagar os ordenados aos seus atletas. 

Mas já agora que raio de prova é esta da Liga das Nações?! Já não tínhamos o campeonato do mundo?! E o campeonato da Europa?! E até os jogos olímpicos! Sem falar nas inúmeras provas que a UEFA organiza para as camadas jovens! Enfim, alguém há-de lucrar, e muito, com isto. Mas já começam a ouvir-se algumas criticas perante tal exagero. Criticas provenientes dos campeonatos mais competitivos e cujo interesse é manifestamente afectado por todas estas interrupções. E com reflexos negativos quer na perfomance dos atletas quer na bilheteira.

Em Portugal pelo contrário, ninguém protesta, a bilheteira não conta, e o povo alimenta-se da selecção. Próprio de órfãos e alienados. Quanto aos três grandes sempre ganham algum com a valorização dos seus inúmeros internacionais. E se pudessem, acabavam com o campeonato nacional desde que lhes fossem garantidos os milhões da UEFA. 


 Saudações azuis

quinta-feira, outubro 11, 2018

Presidentes, palmadinhas nas costas e greves!


Não sei o que se passou na 'reunião dos presidentes', nem preciso de saber, basta-me ouvir a declaração final, desta vez a cargo do presidente do Marítimo.
Tal como previa as reivindicações apresentadas nada têm a ver com o essencial, o básico que assinalei no postal anterior. Portanto o Benfica vai continuar a produzir as transmissões televisivas quando joga no estádio da Luz, e o VAR formará o seu juízo com as imagens produzidas pelos encarnados. A aberração vai manter-se e o grau de suspeição também. Nada que incomode os presidentes dos clubes, muito menos os presidentes da Liga e da Federação. Tutela idem. Está tudo preocupado com a violência no desporto, só que a violência nasce e alimenta-se de alguma coisa. Normalmente é da suspeição e da batota.

Sobre a centralização dos direitos televisivos nem uma palavra. Sinal de que está tudo contente, os grandes com a carne, os pequenos com os ossos. A justificação esfarrapada de que há contratos a cumprir (leia-se recebimentos antecipados) é uma espécie de cheque perpétuo, uma desculpa sem fim à vista. E mais uma vez o silêncio da parte dos organismos que mandam no futebol. O único comentário ao caderno reivindicativo veio do presidente da Liga, avisando o governo (e o país) que a indústria do futebol movimenta muito dinheiro. Talvez movimente mas em circuitos errados. Não existe indústria numa sociedade de senhores e de escravos. A não ser nos regimes totalitários.

Mas quais são afinal as reivindicações dos presidentes?! Reivindicações dirigidas à tutela e com ameaça de greve?!

Acabar com a violência no futebol, dinheiro das apostas desportivas, redução das taxas no seguro dos jogadores. Além duma critica directa à tutela que se tem revelado incapaz e ausente. De acordo e parecem-me justas. Mas convinha fazer primeiro o trabalho de casa. Em especial no caso da violência. Se ela tem a ver com a batota o melhor é acabar primeiro com a batota. E se a batota tem a ver com a enorme desigualdade e a inerente dependência (satelização) dos clubes, o melhor é combater aquela desigualdade e fiscalizar as dependências. Não é preciso inventar nada basta copiar o que fazem os campeonatos mais competitivos. E já estou careca de repetir: – centralização e distribuição equitativa das receitas televisivas e proibir empréstimos (ou falsos empréstimos) de jogadores entre clubes que participam no mesmo campeonato. Proibir e fiscalizar. O resto há-de vir por acréscimo.

Era isto que eu queria ver no caderno reivindicativo. Porque é disto que o futebol português precisa para sair do atoleiro onde está metido. Isto, sim, merece uma greve. O resto são palmadinhas nas costas.


Saudações azuis


Nota básica: Faltou falar das claques e suas variantes, aparentemente a face mais visível da violência no futebol. Repito, aparentemente. No entanto a estratégia tem que ser igual. Trabalho de casa por parte dos clubes e posterior intervenção do governo que se tem alheado das suas funções com medo de perder votos. E aqui não há claques boas e claques más. Há claques à rédea solta. Por isso as coisas chegaram ao ponto a que chegaram. Assim, se querem a minha opinião, o melhor é suspender temporariamente todas as claques e grupos organizados de adeptos devolvendo o futebol ao público que é afinal quem paga o espectáculo. E tem direito a ver o jogo sem ser incomodado. E sabendo que os clubes não conseguem assegurar a lei e a ordem dentro dos seus recintos também não é justo que sejam os contribuintes a pagar uma espécie de tributo de guerra... quando ainda não chegámos lá.

quarta-feira, outubro 10, 2018

Os jogos da corrupção


Em Portugal deve morar o campeonato mais corrupto da Europa! E não vou mais longe para não me envergonhar. Baseio aquela afirmação em factos que entram pelos olhos dentro. Vou enumerar alguns:

Somos o único país da Europa onde se permite que um dos concorrentes (o Benfica, claro) produza as imagens dos jogos realizados em sua casa; 

Somos o único país da Europa (com excepção da Ucrânia, suponho) onde os direitos televisivos não estão centralizados numa única entidade que depois os divide segundo critérios conhecidos e justos; ao contrário, em Portugal reina a anarquia, cada qual negoceia como quer, ou como pode, e no fim o resultado acentua, a cada época que passa, o fosso entre clubes grandes e pequenos. Nesta matéria somos campeões europeus crónicos. Nem precisamos de golos do Éder.

Este conjunto de aberrações, e não se vislumbra quem lhe ponha a mão, teria que desembocar numa caricatura de campeonato, completamente artificial, inviável, e que só não abre falência porque o estado e os bancos do regime são os seus principais credores. E também estão falidos. Neste ambiente floresce a corrupção, uma corrupção generalizada, que vai ensaiando fugas para a frente... a ver se pega! E pega mesmo com o inestimável contributo de uma comunicação social rasteira e conivente. Para fingir que não é, 'desvenda' casos de lana caprina, omite casos importantes e ressuscita convenientemente os bodes expiatórios do costume. Tenta assim baralhar a opinião pública. A tutela faz o mesmo. Ou seja, quando o Benfica está apertado isto parece uma orquestra!

Reaparece Vale e Azevedo o 'único criminoso nacional'! Pede-se a captura imediata! E talvez prisão perpétua!

Reaparece Bruno de Carvalho porque há setecentos mil euros sem facturas! Sem esquecer o caso de Alcochete! Desígnio nacional: - prender este Bruno que tanto mal nos fez!

Vieira não é arguido no caso dos emails! E provávelmente nunca será! Isso também vai para a conta do Paulo Gonçalves!

Outras notícias importantes:

Para compensar o Sporting pela derrota a justiça desportiva aplica uma multa ao corte da relva em Portimão!

Para compensar o Porto pela derrota a justiça desportiva aplica uma multa ao paso doble tocado na Luz. Estava desafinado. Pegar o toiro (da corrupção) pelos cornos, isso está quieto!

Um procurador afecto ao FC Porto foi condenado por pressionar uma testemunha. A Tânia Laranjo anda em cima disto. Cuidado.


Um dia talvez tenhamos que fazer como no Brasil. Dar uma varridela nisto tudo.


Saudações desportivas


Nota: Taça de Portugal – sorteio: Amora-Belenenses


segunda-feira, outubro 08, 2018

Lições de ataque


Quem tenha visto o jogo de ontem em Portimão ficou esclarecido sobre as virtualidades atacantes dos algarvios ou de qualquer equipa que pretenda marcar golos com regularidade. Seja a que adversário for. Precisa de ter bola a meio campo e precisa de um municiador que para além das suas capacidades técnicas individuais decida cada lance a pensar no colectivo! Esta é a grande qualidade de Nakajima. Uma qualidade rara que define os grandes jogadores tenham eles o tamanho que tiverem. O quarto golo do Portimonense ilustra bem o que quero dizer. O passe era óbvio mas quantos jogadores decidiriam tão depressa e tão bem?!

Mas o jogo de Portimão ensinou outra coisa. O futebol actual, cada vez mais fechado, a equipa que defende com onze jogadores atrás da linha da bola, para furar aquilo são precisos extremos. Fortes no um para um e com a velocidade que se exige a um extremo. O que é diferente de defesas laterais que avançam no terreno. Manafá, por exemplo, marcou aquele golo porque era um extremo embora estivesse a jogar a defesa. Um lateral de raiz podia chegar à área mas duvido que marcasse. É a minha opinião. Sem falar em Tabata que, no outro lado do campo, semeava o pânico na defesa leonina.

Olhemos agora para o Belenenses. É verdade, não temos um Nakajima mas isso nem o Porto tem. Herrera demoraria uma eternidade a soltar a bola, Octávio tentaria driblar alguém antes do passe e Sérgio Oliveira nem veria o companheiro desmarcado. No Benfica admito que Pizzi pudesse igualar o japonês e Bruno Fernandes no Sporting talvez fizesse o mesmo. Portanto isto só vem provar que há muitos jogadores com técnica mas poucos com cabeça e técnica ao mesmo tempo. O desafio é apostar em jogadores que compensem em inteligência (humildade e sentido colectivo) o que lhes falta em técnica. E esses jogadores que antigamente chamávamos de 'operários', por oposição aos artistas, também levam a carta a Garcia.

E precisamos pelo menos de um extremo. Licá é um ponta de lança que cai nas alas e Diogo Viana embora saiba jogar nas faixas não tem a velocidade indispensável a um extremo. Os laterais que temos, que até são bons, não resolvem esta lacuna.*

Saudações azuis

*Esqueci-me de Dálcio que é de facto um extremo embora esteja a jogar no meio campo. Silas procura tirar partido do seu sentido de passe e visão de jogo, que os tem, mas ainda em fase de aprendizagem. 

domingo, outubro 07, 2018

Futebol sem balizas


A crónica deste jogo é simples de escrever. Basta usar a lógica. O Feirense explicou a sua invencibilidade no Marcolino de Castro. O Belenenses explicou a sua invencibilidade fora de casa. E ambas as equipas explicaram a sua aversão às balizas adversárias. Em sete jogos Belenenses e Feirense marcaram apenas quatro golos! Um bocadinho mais que meio golo por jogo. Assim torna-se difícil conquistar os três pontos em disputa. Interessa agora analisar as razões de tudo isto no que se refere obviamente ao Belenenses.

Ora bem, a equipa que iniciou o jogo foi a mesma que jogou contra o Braga e como bem notou o comentador Luís Freitas Lobo o problema da improdutividade azul está ligado à ausência do meio campo na construção ofensiva. Meio campo que parece reduzido aos aspectos táctico/defensivos. Neste sentido a decantada posse não passa pelo meio campo, fica lá atrás nas trocas de bola entre os defesas ou nos atrasos para Muriel que põem em franja os nervos dos adeptos. A sequência é então um passe longo para os avançados (Licá ou Keita) que assim recebem a bola em condições limite. Uma vez por outra Reinildo consegue arrancar na direcção da baliza adversária. É como se o jogo estivesse partido desde o início. E há uma pergunta que se impõe: - isto é mesmo assim ou é o pessoal do meio campo que não tem capacidade para segurar e transportar a bola para a frente?! Esta resposta vamos tê-la nos próximos jogos. Desta resposta dependem os golos que temos que marcar.

Resultado final: Feirense 0 – Belenenses 0


Saudações azuis

segunda-feira, outubro 01, 2018

As teimosias de Silas


Silas chegou ao Belenenses e começou logo a aprender. Mas cuidado porque no Jamor o Belenenses (e Silas) ou aprendem rápidamente ou temos o caldo entornado.

A primeira lição que aprendemos na vida é o tamanho da nossa ambição! E consequentemente as armas que temos para lá chegar. Silas se não abdica de sair a jogar e se na teimosia desse processo obriga o guarda-redes a intervir permanentemente, então tem que mudar de guarda-redes. E tem que mudar de guarda-redes porque Muriel não é um vulgar esquerdino, é um esquerdino total! E que por isso sente enormes dificuldades quando a bola lhe é passada para o lado direito. Isto vê-se da bancada, não é preciso ser treinador. Apesar destas evidências os companheiros de equipa continuam a atrasar bolas para o lado direito de Muriel e este, sem dar parte de fraco, continua a tentar jogá-las. Acontece que contra um adversário de superior qualidade, que não perdoa determinados erros, as coisas complicam-se. Foi o caso deste jogo com o Braga.
Concluindo este ponto: - para jogar com Muriel tem que alterar o sistema de saída de bola. Até porque os adversários vão aprendendo...

É verdade que também houve displicência defensiva, perdas de bola arriscadas, lentidão a recuperar, além do erro de Sasso que deixou fugir (nas suas costas) o veloz Wilson Eduardo. Aliás já tinha havido uma primeira vez que Muriel conseguiu safar milagrosamente.

Outra das teimosias de Silas tem a ver com o posicionamento e com a forma de jogar de Fredy. Transformado em elemento fulcral da transição ofensiva mas sem a necessária vocação para isso – individualista, sem visão de jogo nem espontaneidade no passe – a maioria das nossas tentativas atacantes não passavam de Fredy! Ainda por cima encostado ao flanco esquerdo foi facilmente anulado pela defensiva do Braga. Na primeira parte contei apenas uma transição bem conseguida pelo lado esquerdo. Muito graças à velocidade de Reinildo. Tentativa que deu canto e daí nasceram duas boas ocasiões para abrirmos o marcador.

Concluindo este ponto: - o lugar de Fredy é no meio e neste jogo só poderia jogar perto de Keita, como segundo avançado. Aliás deveríamos ter jogado apenas com dois avançados próximos um do outro na expectativa dos raides dos nossos laterais. Em especial Reinildo e mais tarde Zacarias.

Adianto ainda uma última teimosia muito embora perceba as condicionantes existentes em termos de lesões. Refiro-me ao meio campo. Aquilo tem que levar uma volta porque senão não conseguimos marcar. O trio (ou quarteto) actual é muito defensivo, lento e previsível. Precisamos de injectar ali mais mordente. 

Saudações azuis

Nota básica: Escrevi isto sabendo que defrontámos uma das melhores (senão a melhor) equipa do campeonato. Uma equipa cujo mérito não depende de factores estranhos ao futebol. Pelo menos por enquanto.



quinta-feira, setembro 27, 2018

Joaquinzinhos outra vez!


Passe a ironia sobre uma coisa boa que pode estar a resvalar para uma coisa má, a verdade é que, como já escrevi várias vezes, eu apoio o G 15 desde a primeira hora. Mais, e vou repetir-me, gabo-me de ter sugerido nestas páginas, e há alguns anos, uma organização semelhante. Basta procurar e ler.

Mas então pergunta-se: - se ele está aí porque insisto eu em criticá-lo?! Não será bem assim e explico. Eu só critico o G15 quando desconfio que pode estar a ser instrumentalizado por um dos três clubes que sabemos. E que não fazem parte do G 15. Podem ser suspeitas infundadas, admito, mas se forem basta clarificá-las rápidamente. E o porta voz do G 15 (Rui Pedro Soares) não o fez. Limitou-se a repetir os argumentos dos cartilheiros do Benfica. E isso irritou-me. 

Então, numa altura destas em que a credibilidade dos campeonatos está posta em causa, em que ficou patente a violência das claques e a incapacidade dos clubes de as conterem dentro dos limites da lei, então é nesta altura, repito, em que pela primeira vez se ousa afrontar o nacional benfiquismo vigente, que o G 15 resolve vir a terreiro irresponsabilizar os clubes pelos monstros que criaram e apadrinharam no seu seio?! Não me pareceu oportuno.

E a hipótese sugerida de atirar para as polícias e para o governo tudo o que diz respeito à segurança do público isso sim implicaria a menorização dos clubes de futebol por se mostrarem incapazes de organizar o espectáculo.

Saudações azuis


Nota: Dramé foi uma boa e oportuna aquisição.