quinta-feira, novembro 14, 2019

Escrita em dia


(Sporting-Belenenses)

Um brilharete táctico que não conseguiu os resultados pretendidos. Assim saímos de Alvalade com mais uma derrota, talvez injusta, mas que até poderia ter sido pior dadas as facilidades que a partir da primeira substituição (saída de Benny e entrada de Marco Matias) começaram a ser concedidas ao ataque leonino. Aliás o nosso treinador, fruto da sua verdura, já não é a primeira vez que ensaia substituições fatais. Isto não tem nada a ver com a prestação deste ou daquele jogador mas com a regra básica de que face a um adversário com mais argumentos, e que estava a lançar avançados, não é boa política fazer o mesmo. Enfraquecer a linha média numa altura daquelas até podia ter dado em goleada.

E por falar em verduras, elas também existem e têm consequências quando se lançam uma série de jogadores jovens (ao mesmo tempo) na equipa principal. Mas é o que temos e nesse sentido penso que Robinho é uma aposta ganha. E não devia ter saído apesar do cartão amarelo por uma falta infantil que não pode acontecer. Agarrar a camisola do adversário dá sempre cartão. Digo que não devia ter saído porque corre o campo todo com enorme generosidade não dando descanso aos defesas do Sporting. E também sabe defender quando é preciso.

Show por sua vez ficou a partir de certa altura demasiado entregue a si próprio naquele meio campo. E voltou a revelar alguma imaturidade num lance em que escapou à expulsão por um triz. É preciso corrigir este tipo de atitudes.

Uma palavra também para a actuação do jovem Nilton Varela que a continuar assim pode aspirar à titularidade no exigente lugar de defesa esquerdo.

Termino este comentário sobre o jogo de Alvalade voltando ao assunto da arbitragem e do VAR que a sustenta. Não foi por causa da arbitragem que o Belenenses perdeu, mas sim porque quando estava na mó de cima não conseguiu marcar qualquer golo. E quando estava na mó de baixo não soube fechar-se como devia. No entanto ficou mais uma vez demonstrado que em Portugal, a tecnologia por melhor que seja, deixa sempre suspeitas. Toda a gente viu, a olho nu, que o segundo golo do Sporting é precedido de um fora de jogo claro. E era essa a decisão que 'toda a gente' esperava que o VAR confirmasse. Mas não foi assim e para surpresa geral o golo foi validado. Ficámos convencidos?! Não.
Mais tarde, os habituais árbitros comentadores, deram razão ao VAR nesse e em todos os lances que acabaram por favorecer o Sporting. Mais palavras para quê?!

Saudações azuis


(Nota final):

Está em curso (mais) uma campanha contra a designação 'Belenenses SAD', campanha essa baseada numa providência cautelar e que ignora propositadamente a acção principal que entretanto decorre e cuja decisão estabelecerá os direitos e deveres de ambas as partes – Clube e SAD. Por isso não se entende esta pressa por parte da actual direcção do Clube em resolver um assunto que nunca ficará resolvido através de uma providência cautelar. Tenha ela os recursos que tiver. Porque a verdade cristalina é esta - enquanto a lei não mudar, o CFB, no que diz respeito ao futebol profissional, já tem uma SAD cuja designação é precisamente Belenenses SAD! E no caso de vender a sua posição na SAD, hipótese que tem vindo a ser ventilada, isso significa que o CFB abdica do futebol profissional. Face à lei vigente não existe outra leitura.

É claro que não é isso que a actual direcção do clube diz aos seus seguidores. No entanto chamo a atenção que a ideia de reaver a maioria do capital da SAD, a grande bandeira que mobilizou as assembleias de outrora, é hoje uma ideia retrógrada e sem qualquer suporte na realidade. Depois do Sporting terão de ser Porto e Benfica a venderem a maioria do capital das respectivas SAD a quem lá queira investir. Até agora têm sido os bancos do estado e os contribuintes que pagam a conta mas isso acabou ou está a acabar. Portanto mesmo que a Codecity aceitasse vender as suas acções ao CFB este teria de arranjar outro investidor que ficasse com elas. Porque ninguém investe se não mandar no seu investimento.

Outro aspecto do problema e esse sim aberto a discussão é a 'defesa da marca'. E aqui cabe aos clubes através das suas direcções estabelecerem um protocolo que salvaguarde esse aspecto. Protocolo que pode ser denunciado pelos clubes se estiver em causa o prestígio da marca, nomeadamente em termos desportivos. Ora bem convenhamos que neste contexto a Codecity pode ser acusada de tudo, inclusivé de não investir o suficiente na equipa de futebol. O suficiente em termos da nossa ambição azul. Mas a verdade é que tem garantido aquilo que o clube através das várias direcções já não garantia há muito tempo – a presença entre os maiores do nosso futebol. E enquanto assim for, o melhor é preparar o tal protocolo. Protocolo que entretanto deverá ter o apoio legal da tutela. Acabando-se assim com a maior parte dos conflitos entre clubes e sads.

quarta-feira, novembro 06, 2019

Intranquilidades


Começa a ser difícil escrever crónicas sobre os jogos do Belenenses e por isso tenho optado por algum silêncio. Não possuo bagagem nem conhecimentos para descodificar o que se passa no futebol azul, desde as opções tácticas à irregularidade exibicional, das surpresas nas convocatórias aos mistérios por desvendar!

Assim e para não defraudar as expectativas dos raros viajantes desta página, vou apenas relatar as minhas emoções. E faço-o num zapping pelas últimas coisas positivas de que me lembro. Foi a primeira parte em Famalicão, foram os surpreendentes quinze minutos na segunda parte em Guimarães, e foi a capacidade para recuperar por duas vezes frente ao Aves.

Neste encontro com o Paços de Ferreira, a memória está mais fresca, e posso descrever o que senti com mais precisão - os sustos iniciais (aquela perda de bola do André Sousa no primeiro minuto...) a garantia de agilidade e os reflexos prontos de Koffi, passando depois a um período de maior tranquilidade, com menos perdas de bola e passes errados, até ao paraíso final com um golo quase milagroso. Pelo meio o Silvestre Varela*, mentalmente bloqueado, sem dar saída aos lances, contrastando com a desenvoltura de um Robinho que vai a todas. E finalmente o acerto nas substituições, desta vez sem o radicalismo de outras de má memória, e que culminaram no golo de Cassierra. Uma felicidade para os adeptos algo descrentes pois esperavam mais desta época. É certo que ainda não acabou, mas que começou mal disso ninguém tem dúvidas.

Saudações azuis

*Silvestre Varela tem as suas qualidades e os seus defeitos e posso concordar que pode trazer coisas positivas ao futebol do Belenenses. Mas não faz parte do seu curriculum, nunca fez, ser um especialista na marcação de grandes penalidades. Aliás a relação com o golo também não é historicamente famosa. A sua especialidade, graças à capacidade técnica que possui sempre foi saber guardar a bola, driblar e quando tinha a força dos vinte anos, arrancar deixando os adversários para trás. Espera-se agora que use a maturidade para assegurar a transição, descobrindo linhas de passe, fazendo tudo isto sem perdas de tempo e rodriguinhos inúteis.


Nota: Ficou um penalty por assinalar a favor do Belenenses por derrube do pé de apoio de Marco Matias. O VAR deve ter ido tomar um café e o árbitro poderia ter ido ver o lance outra vez. E começa a perceber-se que em Portugal a tecnologia afinal também tem clube. E são do estado. 

segunda-feira, outubro 28, 2019

Desafio total!


Podia ser o título de um filme mas aplica-se a este jogo, que ganhámos bem, mas que podíamos ter perdido. Sei que o futebol é isto e acabam por ser os pormenores a fazer a diferença numa Liga de facto muito equilibrada, tirando é claro aqueles clubes que já conhecemos. E os pormenores foram basicamente a ousadia atacante, a inspiração de Licá* e a capacidade técnica de Varela. Dos dois Varelas, para ser mais preciso. Sem esquecer a movimentação constante de Robinho, movimentação com talento, diga-se, embora ainda lhe falte outra eficácia no remate.

Em sentido contrário tivemos o nervosismo do guarda redes e as dificuldades, que já não são novas, em jogar com os pés. Um nervosismo que normalmente se comunica a toda a defesa. Tivemos também e durante muito tempo um sistema defensivo bastante permeável pelo lado direito além da ausência de um trinco mais posicional. Aliás este jogo fez-me lembrar a primeira parte dos sub 23 contra o Portimonense! Uma partida que ganhámos mas que estivemos a perder por duas bolas a zero. As rectificações ao intervalo fizeram toda a diferença independentemente de estarmos a jogar contra uma equipa reduzida a dez unidades. Aqui no Jamor só com a entrada de Calila é que conseguimos estabilizar defensivamente.

Bem, mas deixemos as considerações técnico-tácticas para os profissionais porque aqui cabe-me realçar a importância desta vitória, e os primeiros golos que marcámos no Jamor. Aliás o que este campeonato português nos ensina, e já não é de agora, é que quem tem a eficácia (e os respectivos goleadores) acaba sempre por subir na tabela. Se juntarmos a isso uma defesa sólida podemos sonhar com outros voos. O grande progresso desta vez é que o Belenenses criou oportunidades e marcou. E por isso os destaques vão para os avançados e não, como era costume, para o guarda redes ou para os defesas.

Resultado final: Belenenses 3 – Aves 2


Saudações azuis


*Quando se fala em inspiração quer dizer que foi servido como deve ser. No caso de Licá nunca pode ser de costas para a baliza mas sim em corrida.

Nota final: De realçar o desportivismo de Esgaio perante a lesão de um adversário que com ele disputava o lance. Lance perigoso para a baliza do Aves.

domingo, outubro 20, 2019

Pevidém, campeões por decreto e centralização dos direitos televisivos no próximo século!


Escrever qualquer coisa sobre este país, ou espécie de país, não é tarefa fácil, sendo que o melhor é abordar cada tema com algum cuidado. Vamos por partes, vamos até Pevidém onde o Belenenses conseguiu eliminar a equipa local, fugindo assim a um destino que nos últimos anos não tem sido brilhante. 

Sabemos muito pouco sobre o jogo o que também não é novidade numa semana recheada de acontecimentos importantes. O avanço da Turquia sobre a Síria, o Brexit iminente, tumultos em Barcelona, e claro, a deslocação do Sporting a Alverca do Ribatejo! Este sem dúvida o acontecimento número um para os nossos media e com honras de transmissão em directo no canal público. Ontem, para compensar o Coimbrões, transmitiram outro jogo da Taça, desta vez com a participação do FC Porto. Porque se trata ainda das primeiras eliminatórias imagino que a partir dos quartos de final a RTP já tenha a programação repleta. 

Os campeões por decreto é outra das conclusões a que podemos chegar sempre que a FPF e a Liga se juntam para tomar 'decisões'. E lá surgem os 'grupos de trabalho' para estudar as alterações que nos outros países já vigoram há alguns anos, mas que em Portugal só podem ser implementadas se não houver nenhum prejuízo para o Benfica, Sporting e Porto. Sendo que os outros clubes é como se não existissem. Portanto admito que daqui a dez anos a centralização dos direitos televisivos entre em vigor em Portugal. Numa altura em que provávelmente o resto da Europa já está noutra onda. Atraso é isso mesmo. Gostar de ser atrasado, é um vício.

Mas não podia terminar sem falar mais um pouco do Belenenses e da sua trajectória. Começámos a marcar golos, quer na vitória dos sub 23 sobre o Famalicão, quer na eliminatória com o Pevidém. Começando pelos sub 23, um projecto que julgo todos os belenenses acompanham, esta vitória coloca a equipa num lugar que dá apuramento para segunda fase e que seria útil manter mesmo sabendo que os objectivos principais não são esses. Mas os adeptos precisam de conquistas para se animarem.

Sobre a vitória na Taça nem se fala. E fez bem o treinador em levar a melhor equipa para não haver qualquer surpresa. Como afirmei em cima não sei quase nada sobre o que se passou mas a presença de Show no onze inicial pareceu-me uma boa notícia assim como o golo de Robinho. E já agora o de Licá que tem andado com má pontaria neste início de época.

Saudações azuis

quinta-feira, outubro 10, 2019

Perdão de dívidas, concorrência desleal, etc.


Quando oiço falar em 'reestruturação da dívida' lembro-me do Bloco de Esquerda e do PCP e instintivamente agarro-me à carteira! Já sei que em última análise serei eu, na qualidade de contribuinte, quem vai pagar o calote. Dito e feito. O meu banco, e os outros, hoje falidos e semi-nacionalizados, não conseguem mudar de vida. E desta vez o feliz contemplado foi o Sporting. Como já tinham sido (encapotadamente) os outros dois clubes do estado. Mas existe agora uma diferença, houve escândalo, e já se começa a falar na inevitável venda da SAD a um investidor externo privado! Se for para começar aqui uma nova história do futebol português, uma história mais clara, mais leal, e menos batoteira... não se perdeu tudo.

Marcar golos é preciso

Isso terá percebido a SAD do Belenenses e foi ao mercado contratar avançados mais experientes e conhecedores do campeonato indígena. Silvestre Varela embora com um histórico de falhar golos fáceis terá amadurecido entretanto e parece-me uma boa aposta. Marco Matias conheço mal. Mas o caminho do equilíbrio entre a juventude e a experiência é fundamental. O pior é o campeonato quase sempre parado! Ou são os feriados que celebram o nosso atraso, ou são as eleições que o robustecem, ou à falta de melhor é a Taça da Liga que todos desvalorizam. E claro, a bendita selecção. Esta é para os patrioteiros de trazer por casa.


Saudações azuis

sábado, outubro 05, 2019

Dia de reflexão


Se há alguns anos me perguntassem se os clubes deveriam ser maioritários nas respectivas SAD, eu diria que sim embora a minha opção não tivesse qualquer base lógica a suportá-la. De facto as SAD nasceram porque as receitas dos clubes não conseguiam acompanhar as exigências colocadas pela crescente indústria do futebol. Tornava-se assim necessário recorrer ao investimento externo para manter a competitividade das equipas de futebol profissional. O problema é que ninguém investe se não mandar no investimento que faz. E isso exige ter a maioria no capital da SAD. Branco é galinha, o põe!

Nestas circunstâncias a questão que se põe é saber como funcionam as SAD onde isto não acontece, ou seja, aquelas onde clube detém a maioria na SAD, os investidores aceitam ser minoritários, e quem põe e dispõe sobre o seu dinheiro acabam por ser os sócios que elegem os órgãos sociais do mesmo clube! Isto é uma anomalia, acontece em Portugal, pelo menos nos três clubes chamados grandes, e talvez por isso ninguém questiona a situação! E aqui levanta-se uma montanha de perguntas e ao mesmo tempo de suspeições, perguntas que não têm resposta, suspeições que nos levam à teoria do 'biombo' que esconde 'negócios' que não são devidamente escrutinados.

No entanto a fórmula que rege as relações entre os clubes e as respectivas SAD já foi inventada. Ela é aliás praticada nos países civilizados e nos clubes normais. Veja-se o caso de Inglaterra que inventou o futebol. Porque os interesses entre clube e SAD não podem deixar de ser coincidentes. O clube e os seus adeptos querem ganhar campeonatos para honra e glória da respectiva colectividade. O investidor também quer ganhar campeonatos para valorizar o seu investimento. O resto é atraso de vida. Ou outra coisa pior.


Saudações azuis

domingo, setembro 29, 2019

Triste sina!


Foi de facto um sábado terrível e se não retirarmos rápidamente ilacções sobre os acontecimentos não sei onde vamos parar! Com efeito e tal como acontecera na parte da manhã contra o Sporting, à noite perdemos um jogo em Famalicão que também não merecíamos perder. Pelo menos até à altura em que o treinador Pedro Ribeiro começou a arriscar demasiado. Com efeito após o empate (desatenção de Sousa e frango de Koffi) não havia necessidade de desarmar o meio campo (e os corredores) daquela maneira. Não era essa a intenção mas foi o que aconteceu. É fácil falar depois mas creio que o treinador do Belenenses, a quem tiro o chapéu pela bela exibição produzida, se pudesse voltar atrás, não teria feito aquelas substituições.

Na verdade, as saídas quase de seguida de André Sousa e André Santos desequilibraram a equipa e o Famalicão agradeceu. É certo que ainda houve oportunidade para nos adiantarmos outra vez no marcador mas as probabilidades de cometermos erros defensivos aumentaram muito. E não aumentaram assim tanto as hipóteses de marcarmos. E um erro clássico na saída de bola deu o segundo golo aos minhotos traçando definitivamente o nosso destino. Que ainda podia ter sido pior. Com a saída de Beny, e com o jogo partido, ainda mais expostos aos contra ataques, sofremos naturalmente o terceiro golo. E não sofremos mais porque entretanto o jogo acabou.
Esta é a parte triste de uma história que poderia ter tido outro desfecho. E volto a repetir, até ao segundo golo do Famalicão o Belenenses justificou sempre outro resultado. Se isto for uma lição para o futuro, tudo bem. Se não for, tudo mal.

Não vou entrar em análises individuais porque a equipa valeu pelo colectivo. Um colectivo que funcionou exemplarmente durante grande parte da partida. Ainda assim alguns erros individuais acabaram por marcar o resultado. Koffi, que sempre tenho elogiado, pareceu-me algo nervoso e tem responsabilidades no primeiro golo. Que reparte com a deficiente marcação ao jogador famalicense que cabeceou à vontade. Esgaio, que marcou um golo pleno de oportunidade, deixou-se desarmar no lance crucial (em zona crucial) que deu o segundo golo. E no ataque Licá fica ligado à enorme ineficácia que revelámos. Teve nos pés duas ou três oportunidades que normalmente aproveitava.

Resultado final: - Famalicão 3 – Belenenses 1

Saudações azuis