quarta-feira, maio 22, 2019

Desculpem lá, mas...


É preciso fazer um bocadinho mais pelo futebol português. Hoje a Liga está reunida em assembleia e já sabemos que há propostas de alteração incluindo uma da SAD do Belenenses para rever a questão dos empréstimos de jogadores entre clubes que disputam o mesmo campeonato. Não vou comentar o conteúdo da mesma até porque nunca escondi que isto não vai lá com pequenas melhorias. Por detrás de cada melhoria surgem logo dois ou três subterfúgios que a ultrapassam e reduzem a cinzas. Enquanto não pegarmos o toiro pelos cornos, enquanto não houver vontade e coragem para limitar o número de jogadores que cada clube pode ter na sua esfera patrimonial não saímos disto. E isto tem a ver com a maneira como os grandes clubes contornam as leis e asseguram uma parcela do passe de todos os jovens talentos que actuam em Portugal. Uma espécie de direito feudal sobre tudo o que possa valorizar-se no futuro. O esquema, conta com a ajuda das selecções juvenis, uma espécie de centro de triagem, onde os mais aptos são arrematados pelos três grandes, com o entusiástico beneplácito dos papás.
Pergunta-se: - quem consegue escapar a isto?! Talvez o Braga, porque o Belenenses há muito que não consegue segurar as suas joias. Dividido como está, duvido até que fabrique alguma coisa de seu.

Mas o monopólio estende-se a todas as divisões competitivas e veja-se o caso do Luquinhas que eu pensava que era do Desportivo das Aves mas que afinal é metade do Benfica! 

Esta situação só se combate com a tal lei limitativa e enquanto ela não existir teremos de procurar lá fora os jogadores para a equipa principal e até para os Sub 23. Ou então sujeitamo-nos a ficar sempre com o refugo. Com o que os outros não querem.

Quanto aos escalões mais jovens, refiro-me à formação, só vale a pena se conseguirmos blindá-la dos tubarões, o que não é fácil hoje em dia e pelos motivos expostos. Os papás só pensam no Benfica, no Sporting e no Porto. O país está cada vez mais pequeno!


Saudações azuis

domingo, maio 19, 2019

Jamor final!


Fui finalmente ao estádio nacional para assistir à última participação do Belenenses no campeonato que hoje termina. Estava um dia desagradável, cumprimentei a porta-bandeira, subi até à colunata e fiquei-me por aí. Deu no entanto para constatar o abandono a que foi votado o estádio nacional, petrificado, como se fora um museu dos anos cinquenta do século passado!
O investimento do governo e da federação teve e tem outros destinatários como todos sabemos. Vai parar aos cofres da Luz, do Dragão, ou de Alvalade, sempre que a selecção nacional joga em casa!

Quanto ao Belenenses - Nacional podemos dizer que foi um jogo equilibrado mas que acabámos por ganhar com mérito e com três bonitos golos. Ponto final na nossa participação na prova. À hora em que escrevo falta apenas saber quem desce e quem ocupa o quinto lugar num campeonato controverso, suspeito, onde temos que incluir o VAR. Aliás, e como sempre afirmei o vídeo árbitro foi introduzido à pressa, não para assegurar a verdade desportiva, mas para dar uma resposta aos escândalos revelados no caso dos emails. Um procedimento típico de um dirigismo fraco e serviçal.

Mas voltando ao campeonato, ganhou quem tinha que ganhar, e o Belenenses acaba por cumprir os objectivos mínimos traçados no início da época (primeira metade da tabela) ficando-se por um modesto nono lugar. Sabe a pouco até porque houve uma altura em que parecia possível ir mais longe. Este será um tema do defeso, averiguar das causas que expliquem a fraca prestação final. Já inventariei algumas razões, a SAD já puxou pelas estatísticas, e hoje ao olhar para a classificação posso adiantar uma outra.

Por exemplo, enquanto Belenenses, Guimarães e o próprio Moreirense vacilaram muito na recta final, outros emblemas* subiram imenso de produção nesse mesmo período. Refiro-me em particular ao Aves, ao Boavista e ao Rio Ave, embora este último tivesse argumentos desde o início para aspirar a um lugar europeu. Curiosamente todas estas recuperações assentaram na aparição de um 'jóquer' cujo desempenho sobressaiu da mediania e arrastou a equipa para outro nível. O Aves teve o Luquinhas, o Boavista** para além do eterno Mateus beneficiou do regresso de Yusupha e no Rio Ave o regressado Nuno Santos fez a diferença. Parece que não mas os craques ainda são importantes no futebol.

Saudações azuis


*O Benfica, em contraste com o FC Porto, e apesar das ajudas por fora também fez uma grande segunda volta. E também aqui fizeram a diferença a 'recuperação' mental de alguns jogadores (Seferovic e Samaris) e o lançamento de jovens talentos. No Porto nada. Antes pelo contrário. Uma equipa pouco criativa, pesadona, que para marcarem um golo precisam de fazer mil ataques!

**O Boavista de Lito fez aquisições cirúrgicas que resultaram – Jubal para defender resultados, Bueno (FCP) para dar alguma classe ao meio campo ofensivo e um brasileiro desconhecido (Gustavo Sauer) que luta e corre que se farta!

quarta-feira, maio 15, 2019

Continuando a sonhar...


Num breve regresso ao passado, apenas para reencontrar o caminho, lembro Artur José Pereira e outros belenenses que jogavam no Benfica ou no Sporting porque não tinham campo em Belém onde jogar, lembro a data da fundação cujo centenário se celebra este ano, lembro também as dificuldades do Pau de Fio, depois lembro-me das Salésias onde fui e de onde fomos despejados pela Câmara, tenho que me lembrar de um Belenenses ganhador, que chegou viu e venceu quatro campeonatos de Portugal!* Lembro mais tarde o Restelo em cuja construção nos arruinámos deixando de discutir o título, e hoje temos nova encruzilhada, com a história a querer repetir-se, com o destino a desafiar-nos de novo.

Impedida de jogar no Restelo, e enquanto este impedimento não se resolve, a equipa do Belenenses tem vindo a utilizar o estádio nacional nas condições precárias que todos conhecemos. Precisa urgentemente de uma casa a que possa chamar sua, para ali instalar uma academia que nunca teve, campos de treino e um campo principal onde possam jogar os sub-23 e as restantes equipas da formação. É aqui que entra o autarca de Oeiras e a sua boa vontade para acolher o Belenenses. A equipa profissional por enquanto deverá continuar no Jamor se isso lhe for permitido pela FPF. Mas terá de haver uma alternativa e estou novamente a pensar em Isaltino.

Poderão interrogar-me porque não escolho o concelho de Almada para aí situar o projecto azul?! Até porque sempre sonhei com essa hipótese! Há três razões que me fizeram mudar. Razões de mobilidade, razões sociológicas e razões políticas. As razões de mobilidade e as razões políticas andam neste caso de braço dado – ao fim de mais de meio século a ponte Salazar mantém-se como a única via terrestre de acesso entre Lisboa e Almada. Isto diz muito sobre a política autárquica de ambas as margens. Quanto ás razões sociológicas a migração interna proveniente do sul esmagou e fez desaparecer a população ribeirinha e piscatória que outrora apoiava maioritariamente o Belenenses. Hoje o concelho de Almada, assim como todos os concelhos do distrito de Setúbal são verdadeiros santuários do Benfica e do Sporting secando tudo à sua volta e não há melhor exemplo que o Vitória de Setúbal que por mais que a cidade cresça tem cada vez menos adeptos!

É claro que este é um fenómeno generalizado, acontece por todo o país, mas tem maior incidência onde o socialismo impera. O que não é o caso de Oeiras. Para além de não ter problemas de mobilidade, a migração interna que o fez crescer tem outra matriz. É mais livre e menos ideológica. Finalmente, a fazer toda a diferença temos um autarca desenvolto, com obra feita e que parece gostar de desafios.

Saudações azuis


*Quem achar que nacional não é sinónimo de Portugal... está à vontade.


terça-feira, maio 14, 2019

'O dia seguinte'


'Aos domingos ainda é possível vencer o Benfica. Às segundas-feiras, é tal e qual como interrogar o Joe Berardo'.

Assim começa o artigo de fundo publicado hoje no jornal O JOGO e assinado pelo seu director – José Manuel Ribeiro. Não posso estar mais de acordo. Na verdade, e volto a citar – 'o Benfica ganhará sempre o dia seguinte, por ser o Joe Berardo da liga e por ter uma estratégia de comunicação que tomou conta das televisões privadas, onde o rácio de comentadores abertamente benfiquistas já atinge uma dimensão cómica. Tão cómica que reduz a pó discussões tão importantes como a do Rio Ave - Benfica de anteontem'.

Ou seja aquilo que Sócrates não conseguiu acabou por conseguir o Benfica! E volto a uma questão incómoda e antiga – onde estava o director do jornal O JOGO quando Bruno de Carvalho proibiu os sportinguistas de participarem nestes mesmos programas onde acabam por fazer o jogo do Benfica?!

Sim, o antigo presidente do Sporting fez muitas asneiras, mas neste ponto pôs o dedo na ferida. Foi criticado por todos, em especial pelas toupeiras encarnadas que não descansaram enquanto não correram com ele. Era o grande obstáculo ao seu plano totalitário.
A solução continua a ser mesma. Quem não quiser ser cúmplice desta vergonha deve denunciá-la e abster-se de participar nestes programas de encomenda. Se ficarem a falar sozinhos os programas acabam logo.

Saudações desportivas


Nota: E uma vez que este fim de semana foi como de costume pontuado pelo VAR, o grande bastião da 'verdade desportiva', convém lembrar o tempo de análise que demorou a decisão para marcarem um penalty contra o Belenenses (acho que convocaram um microscópio!) e a ligeireza com que se ignoram off sides de metros! Dá que pensar.

segunda-feira, maio 13, 2019

Presente e futuro


Silas diz que os jogadores desligaram, os jogadores dizem que não, Rui Pedro Soares diz que é uma crise de crescimento, e provávelmente todos têm um pouco de razão. A realidade porém, implacável, também nos diz outras coisas: - temos uma equipa com um dos orçamentos mais baixos da primeira Liga, mas que apesar disso conseguiu durante a primeira volta grandes resultados, em especial fora de casa, graças sobretudo a uma excelente organização defensiva, com muita posse de bola, e lançamentos venenosos. Não é por acaso que somos o rei dos empates. Nas nossas casas emprestadas, Jamor e Bonfim, obrigados a arriscar mais contra adversários retraídos, as dificuldades para ganhar foram sempre muito grandes. Pode dizer-se no entanto que foi uma primeira volta digna de registo, aliás muito elogiada pela crítica.

Chegados a Janeiro perdemos dois titulares, a que podemos acrescentar o impedimento de Keita, e as lesões de jogadores fundamentais, Nuno Coelho por exemplo. Os substitutos não se evidenciaram, antes pelo contrário. E a equipa começou a desequilibrar-se. A ideia um tanto sobranceira que podíamos continuar a discutir os jogos da mesma maneira começou a custar-nos pontos e mais golos sofridos. Por fim retirar defesas (claudicantes ou não) e arriscar tudo para reverter um score desfavorável, tem acabado em goleada. O filme é o mesmo – perdida a bola, cada contra ataque adversário pode ser golo na nossa baliza. E isto tanto vale com o Aves como com o Sporting ou o Guimarães. Há que descer à terra.


Falando agora do futuro, no jogo com o Sporting (de má memória) vi Isaltino ao lado de Rui Pedro Soares e pareceu-me que poderá passar por ali uma solução para o Belenenses. Sem saudosismos nefastos, sem o município de Belém (que já não existe), tratados pela Câmara de Lisboa como parentes pobres, talvez seja altura de associarmos a nossa ambição à ambição de um autarca que não desdenharia ter no seu concelho uma equipa a lutar pelo título! Um contra poder face a Benfica e Sporting. É um concelho populoso, ocidental, junto ao Tejo, espaço natural de expansão azul, assim a SAD consiga fazer jus à história de grandeza do CFB.



Saudações azuis

segunda-feira, maio 06, 2019

O silêncio apenas


Nas grandes derrotas, naquelas que deixam marcas, e esta foi seguramente uma delas, não há que fazer grandes comentários. O silêncio e a expressão dos adeptos perante o avolumar do resultado foi tudo o restou daquele fim de tarde no Jamor. Perder com o Sporting ou com o Benfica, rivais de sempre na mesma cidade, há-de ser sempre difícil de aceitar, são jogos que valem mais que três pontos, e quem não perceber isto não percebe nada do Belenenses. Silas deveria saber disto melhor que ninguém. Já sentiu o peso daquela camisola, já escutou o silêncio das bancadas onde a alma azul se recusa a morrer. Por isso uma goleada destas ninguém esquece nem se pode desvalorizar.

terça-feira, abril 30, 2019

Lugares cativos

Acabem com as discussões, poupem-nos à batota, é um mau exemplo para a juventude, dispensem os árbitros, o VAR também, e desliguem as televisões que vivem disso! Se houver coragem entreguem a decisão do título e dos lugares de honra à assembleia da república. Que não pode ser hipócrita, há apenas três candidatos oficiais - Benfica, Sporting, Porto - são eles que representam a esmagadora maioria dos adeptos e está provado que não é possível contrariá-los. Os números não mentem: - desde que o estado tomou conta do futebol, já lá vão quase oitenta anos, só por duas vezes foi quebrada essa lei de ferro! Refiro-me ao Belenenses e ao Boavista sendo que este haveria de ser posteriormente castigado pela ousadia. 
Portanto, a conclusão é óbvia, o método pode ser o sorteio,  assim escusam de jogar, há menos violência e as forças policias podem ocupar-se de tarefas mais úteis. Quanto aos outros emblemas não é difícil convencê-los. O Braga depois daquele penalty deve ter ficado convencido de vez. Os que  aceitam empréstimos, esses já foram convencidos há muito tempo. Já tenho lembrado que a decadência do Belenenses começou quando vendeu o Yaúca ao Benfica.


Saudações azuis


Nota: Espero não me enganar quando reconheço que a SAD do Belenenses, em matéria de empréstimos, está a seguir o trilho certo. O único que garante independência, e faz jus à história de grandeza do Belenenses. E talvez permita sonhar.