sexta-feira, maio 13, 2005

Belém Sul

Nasci na Junqueira, pertinho de Santo Amaro e não muito longe das Salésias. Aos Domingos ía com o meu pai ao futebol e guardo desses momentos algumas imagens que gosto de recordar. O peão inclinado, de terra batida, a minha minúscula criatura a tentar, desesperadamente e em bicos dos pés, adivinhar o que se passava no relvado e a inevitável pergunta a seguir ao jogo. Então pai, ganhámos? Nas brumas da memória restam a careca do Serafim e as correrias do Narciso!
Depois, mudámo-nos para a Outra Banda.
Nesse tempo, subindo pela Trafaria, Murfacém, Costas do Cão e Pêra, até ao Monte de Caparica, ou descendo pela Fonte Santa até ao Porto Brandão, sem esquecer claro a Vila Nova e a Costa da Caparica, era possível confirmar que o Tejo não nos separava de Belém.
Os anos correram e nós continuámos a atravessar o rio para ver jogar o Matateu e o Yaúca, mas a cada época, a frustração aumentava e a malta ía diminuindo. Belém parecia mais longe.
Hoje, quando as fidelidades enfraquecem e os pais já não transmitem a herança, alguns resistentes ainda sustentam a memória e a esperança. São pequenos grandes baluartes que engrandecem o Belenenses e de quem me orgulho de ser consócio. Quando nos encontramos lembro-me daquela máxima que o meu pai gostava de repetir: “para se ser do Belenenses é preciso ter a coragem de não ser, nem do Sporting nem do Benfica”.

JSM

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