sábado, abril 02, 2016

O clube recreativo

Já todos conhecem a minha opinião sobre o ecletismo nos clubes profissionais de futebol – deveria ser proibido pelo governo. Em nome do progresso das modalidades. E da transparência do futebol. De facto, na Europa, só em Portugal, e de forma cada vez mais residual em Espanha (Real Madrid e Barcelona) é que persiste esta prática, resultado de uma mentalidade que teve o seu tempo nos anos quarenta e cinquenta do século passado. Nessa perspectiva os estádios de futebol entretanto construídos incluíam pistas de atletismo, caixa de saltos e alguns, como o de Alvalade, pista de ciclismo! Os novos estádios já não são assim, ganha o espectáculo, ganha a equipa da casa que sente os seus adeptos mais perto, e ganha o público em geral porque vê melhor.

Esta transição para um futebol altamente profissionalizado, num contexto cada vez mais competitivo, e exigindo cada vez mais recursos, é fácil de entender, como é fácil de entender que as modalidades não podiam ficar à mercê dos altos e baixos do futebol. Oscilações que têm reflexo imediato nos respectivos orçamentos. Daí que as modalidades se tenham organizado por essa Europa fora em clubes/ modalidade e mesmo entre nós, há experiências disso e com relativo sucesso.
Ora se isto é assim, por que razão não é assim connosco?! Há várias explicações, mas todas elas desagradáveis. Em primeiro lugar cabe às instituições políticas e não aos clubes de futebol, zelar pela prática desportiva, desde a escola à universidade. Esta ‘substituição’ é uma longa mentira e tem servido quase e apenas para receber subsídios e para a propaganda dos grandes clubes de futebol. Porque isto é negócio de grandes, não tenhamos dúvidas. Aliás os progressos e os resultados das modalidades ao longo destes mais de cinquenta anos falam por si – conversa muita, medalhas poucas.

O Belenenses actual, provávelmente fruto da sua inadequada estrutura directiva, parece ter entrado numa nova deriva eclética! Fora de prazo, em contra ciclo, e pela frenética criação de novas actividades, mais parece uma prova de vida da direcção do que uma real aposta nas mesmas. Diz o povo – ‘quem muitos burros toca, algum lhe há-de ficar para trás’! A continuarmos assim é capaz de ser o futebol.


Saudações azuis



Nota: Já depois de ter escrito este postal tomei conhecimento de mais um episódio da guerrilha entre SAD e Direcção! E que infelizmente vem dar razão á minha última frase. Uma profecia.

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