quinta-feira, abril 07, 2016

Chegamos ao centenário?!

Começo a ter as minhas dúvidas. Dúvidas que aumentam com o silêncio dos restantes órgãos sociais do clube! Que assim pactuam com as ‘explicações’ da Direcção sobre os actos de sabotagem sem arrependimento! A situação piora se concluirmos que preferem ver o clube a disputar os distritais a abdicarem dos seus pequenos poderes!
É neste ponto que estamos e talvez seja útil reflectir sobre o assunto:

A SAD, quer se goste ou não do respectivo administrador, do seu curriculum, da sua política desportiva, é quem detém o negócio do futebol profissional. Actividade que o clube alienou, de livre e espontânea vontade, por ter chegado ao limite das suas capacidades. Esta é uma verdade insofismável.

Sobre o respectivo percurso convém lembrar que sem a venda da SAD não conseguiríamos inscrever o Belenenses na Liga de Honra o que levaria à extinção imediata do futebol profissional. Resolvida esta questão premente, conseguimos subir rápidamente à primeira Liga, lugar onde estamos, e que é o nosso. Portanto, em termos de perfomance desportiva, não podemos dizer que Rui Pedro Soares defraudou as expectativas.

Subsiste no entanto a dúvida sobre a sua independência financeira, sobre a solidez do investimento, e por mim falo. Mas isso são estados de alma que todos podemos ter e não provam nada. A prova real é feita através dos resultados, jornada a jornada, nas vitórias e nas derrotas, na classificação final obtida. Aí Rui Pedro Soares arrisca não apenas o seu investimento, pouco ou muito, mas sobretudo a confiança dos adeptos. Neste sentido é ele o primeiro interessado em que as coisas corram bem.

Preocupa-me mais a actividade da Direcção. Sem o protagonismo que o futebol profissional confere, incapaz de se adaptar à nova realidade, numa lógica de poder paralelo, quer criar outro Belenenses! Um Belenenses cheio de modalidades e actividades e faz disso prova de vida! Se estes projectos colidem ou não com o futebol profissional pouco interessa. Como aliás se viu no caso da relva no campo nº 2 – a SAD queria um campo de treinos com relva natural! Paciência, porque o clube precisa de um campo de treinos com relva artificial! E fez-se a sua vontade! ‘A SAD que resolva os seus problemas’, fora do Restelo, supõe-se.

 Outro aspecto que me preocupa é que a partir de agora, sem o barómetro do futebol, a Direcção, esta ou outra, deixa de ser avaliada pelos resultados desportivos! Nenhum adepto lhe pedirá contas sobre as vitórias ou as derrotas do futsal ou do triatlo. Esta é uma alteração qualitativa importante e cujas consequências ainda não conseguimos prever. Para já, não se coíbe de criticar as opções da SAD e do treinador.

E fechamos esta reflexão com o desígnio várias vezes anunciado da recompra da SAD pelo Clube. Como não foi revelada nem a forma nem a substância do negócio, podemos especular. 

Assim, e sem prejuízo do que escrevi no postal anterior, onde o acento tónico é colocado numa nova estrutura de poder que concilie a identidade do clube, valor primacial, com os interesses da indústria do futebol, admito que é sempre possível mudar de investidor. 

Mas para isso são necessárias duas coisas: - que o actual detentor esteja disposto a vender e que haja alguém que esteja disposto a comprar. Com mais garantias que o actual. Está fora de questão voltar a ser o clube a gerir o futebol profissional. Isso vai contra a lógica da criação das SAD e no caso do Belenenses seria cavar de novo a mesma sepultura!

Portanto estamos a falar de um novo e hipotético investidor que há-de querer mandar no seu dinheiro, e há-de querer condições, infraestruturas e ambiente, que o tornem rentável. Condições que olhando para o que se vai vendo, não existem. No que diz respeito a infraestruturas, o Restelo está híper ocupado, o campo de treinos não tem relva natural e também está ocupado, um terreno para um centro de treinos fora do Restelo não se vislumbra… Quanto às condições ambientais, como se viu pela semana transacta… não são animadoras. Ou seja, não vai ser fácil arranjar quem se aventure. A não ser que mude muita coisa.

Logo, a pergunta mantém-se: - Chegamos ao centenário?!




Saudações azuis  

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