terça-feira, abril 05, 2016

Os mártires do Restelo!

Uns conseguem pagar as quotas, outros não, alguns conseguem pagar os blue card, outros não, muitos seguem de longe a vida do clube, em todos a mesma paixão, sem nada em troca - sonham apenas com o regresso do Belenenses ao lugar que já lhe pertenceu!
Esta semana foi particularmente dura e triste para todos eles. São os mártires do Restelo! Quer no aspecto associativo, quer no aspecto desportivo.

No aspecto associativo ficaram a saber aquilo que já se sabia – o Belenenses não tem dirigentes à altura dos seus anseios. Esta é única explicação para os actos de sabotagem que atingiram a equipa de futebol. E também explicam por que razão não saímos da cepa torta. Quando pensamos que é agora, nova desilusão acontece. As razões da decadência não são os árbitros, não são os clubes rivais, ou outras desculpas do género, as razões da decadência estão dentro do clube. Estão à vista de todos.

Podia enfim, no meio de tanta contrariedade, sobrar uma pequena alegria, uma boa exibição e quiçá uma vitória sobre o Sporting! Mas martírio é martírio e Julio Velasquez quando se trata de martírio é para levar a sério. Pensa Velasquez que estamos no mesmo patamar que os nossos rivais! Não estamos. E vá de cometer os mesmos erros que já nos valeram a goleada contra o Benfica. Alterações a mais, laterais a menos, um meio campo frágil perante um meio campo fortíssimo, em suma, uma equipa demasiado aberta perante um adversário demasiado forte.

Trocando por miúdos, não havia necessidade de mexer no que esteve bem na jornada anterior - Filipe Ferreira a defesa esquerdo e André Sousa a descair na ala. Fábio Nunes que até nem jogou mal, não tem rotina posicional de defesa esquerdo e durante a primeira parte deu muito espaço. Fábio Nunes deveria ter sido lançado durante o jogo no lugar onde é mais perigoso - extremo-esquerdo.
A perder por dois a zero ao intervalo, com alguma sorte, diga-se, uma vez que o Sporting falhou um ou dois golos feitos, a verdade, é que no final da primeira parte conseguimos reequilibrar um pouco as operações e por duas vezes ameaçámos a baliza leonina.

Mas Velasquez estava a escrever muito no seu bloco de notas e eu vi logo que vinham aí substituições! Reforçar o meio campo, pensei eu, era boa ideia. Fazer sair Tiago Caeiro e passar Miguel Rosa para o seu lugar seria outra ideia. Mas as minhas ideias não vingaram e Velasquez apressou o martírio – fez sair Tiago Almeida, um defesa direito improvisado mas ainda assim defesa direito, e o Belenenses passou a jogar com três centrais. Lembrei-me então do jogo com o Benfica porque o descalabro também começou assim. O Sporting não se fez rogado e rápidamente esburacou aquele flanco, e só não marcou mais golos porque não quis. A coisa só estabilizou com a entrada de Dias que de facto equilibrou um pouco o sector defensivo. A ideia que me ficou é que devia ter entrado mais cedo. Enfim, esta é a história de mais uma goleada. Uma goleada que quanto a mim e pese a categoria evidenciada pelo Sporting era evitável.

Nas declarações após o jogo Gonçalo Brandão revelou-se um capitão á altura do grande Belenenses - pediu desculpa aos adeptos pela má exibição da equipa, lamentou as ocorrências, mas não se justificou com elas.



Saudações azuis

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