quinta-feira, maio 10, 2018

A Liga noutro planeta!


Coimbra foi o palco de mais uma reunião da Liga de Clubes e desta vez com o regresso ao formato do conselho de presidentes. Conselho que, segundo Proença, poderá transformar-se em futuro órgão deliberativo da mesma. Nada a opor, mas o assunto do dia era a reintegração do Gil Vicente na Liga NOS. E ficou decidido que só subirá à primeira Liga daqui a duas épocas. Entretanto o Gil vai ficar a marinar no campeonato de Portugal! Li também nas entrelinhas que quando isso acontecer o que está em cima da mesa é uma nova redução para dezasseis clubes! E os argumentos talvez sejam os mesmos de sempre, calculo eu. 

Assim deve voltar a falar-se da dimensão territorial, de como era antigamente, talvez se fale da desertificação do interior, dos fogos florestais, talvez se esqueçam que antigamente não existiam autonomias regionais e a possibilidade de termos duas ou três equipas da Madeira, e mais uma dos Açores, e vão continuar a bolsar argumentos infantis, incapazes de enfrentar o toiro pelos cornos.

E o que é que temos nos cornos do toiro?! Vou socorrer-me do insuspeito Duarte Gomes, árbitro aposentado e colunista no activo, que chama a atenção para a realidade do nosso futebol profissional! Vou transcrever (em itálico) aquilo que interessa:

 - A diferença pontual entre o quarto e o quinto classificado é de quase trinta pontos. A do décimo para o décimo oitavo de apenas nove. Este fosso merece ou não merece reflexão atenta?

- A diferença orçamental entre os três primeiros e todos os outros não é grande. É gigante. Porto, Sporting e Benfica dispuseram de duzentos milhões de euros. As outras quinze equipas (todas juntas) de sessenta. Vale ou não vale a pena reflectir sobre isto?

Pela minha parte já reflecti e o pontapé de saída passa pela revolução que ainda ninguém quis fazer no futebol português. Passa desde logo pela distribuição mais equitativa dos direitos televisivos o que só acontecerá quando a Liga ou a Federação tiverem a coragem de ir á cara do toiro. Passa pela independência dos clubes actualmente reféns dos três clubes do estado. Isto evidentemente se os senhores permitirem ou os escravos se revoltarem.

Uma última nota a dar conta da ausência do Sporting. Não sabendo qual foi a desculpa apresentada compreendo a ausência enquanto a Liga continuar a fazer de conta que vive noutro planeta.


Saudações azuis

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