quinta-feira, agosto 24, 2017

No tempo da escravatura…

Os escravos não tinham direitos nem podiam reclamar dos maus tratos que lhes eram infligidos. A justiça era uma coisa inventada para dirimir conflitos entre senhores. Este tempo está de volta, se é que alguma vez nos abandonou, e seguindo os trâmites usuais quem assumiu as dores da agressão do Eliseu ao nosso jogador Diogo Viana, não foi o Belenenses, foi o Sporting! Isto pode parecer estranho mas em Portugal é assim. O Belenenses pertence àquela categoria de clubes (dos dezoito são quinze!) que estão impossibilitados de se queixar directamente às instâncias judiciais devendo confinar-se aos analgésicos e outras mesinhas para reconfortar o seu jogador. O direito a reclamar pertence, nesta sociedade de esclavagismo avançado, a um dos três clubes do estado e consoante o interesse concreto que essa reclamação lhe possa trazer. Quanto às ‘instâncias’, aquilo que se conhece é que são organismos cheios de reumatismo e que só funcionam se houver a dita reclamação. E mesmo assim, se a dita, interferir com o universo encarnado, o reumatismo da instância aumenta exponencialmente!
Estou a criticar a SAD pela inacção?! Estou. Mas compreendo e sei que nenhum clube, dos quinze mencionados, teria a coragem de se queixar de maus tratos por parte de algum dos três clubes que mandam no futebol português. A escravatura é assim.


Mudando (aparentemente) de assunto:


No Porto Canal desta terça-feira – programa ‘universo Porto bancada’ – um dos intervenientes referiu-se ao ‘nacional benfiquismo’ e aos ‘clubes do estado’, com grande propriedade e acerto! São expressões que utilizo neste espaço e assim não pude deixar de sentir algum conforto espiritual pelo facto de estar a fazer escola entre a juventude… nortenha! O programa foi interessante, revelador, houve mais emails a comprometerem a arbitragem e com ela a verdade desportiva e terminou com um momento de humor. Um momento com três entradas de Eliseu, duas em Chaves e esta última na Luz! Entradas acrobáticas, rápidas, ferozes, todas elas a atestarem o enorme fair play do rapaz. Parece que em Portugal tem uma folha disciplinar imaculada. Quem é que se admira (depois) que estes números circenses continuem?! 


Saudações azuis

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