sábado, junho 18, 2005

A redução de Clubes

Conseguiram. Sem qualquer plano para o futuro do futebol português, reduzidos à condição menor de fazerem uns “fretes” aos Grandes Clubes e aos grandes (e obscuros) interesses que gravitam à sua volta, as “luminárias”, lá conseguiram fazer aprovar mais uma proposta avulsa que vai prejudicar todos os clubes pequenos!
Não conheço ainda os resultados da votação mas admito que terá obtido “largo consenso” entre “subservientes”, “saudosistas” e “idiotas úteis”.
Mas, afinal para que serve reduzir a Super Liga de 18 para 16 Clubes? Qual é o objectivo que se pretende alcançar?
Para um adepto com uma inteligência mediana é muito difícil perceber o que é que essa redução “aquece ou arrefece” na melhoria de algum dos aspectos menos positivos, que claramente afectam o futebol português?!
Para lá de se arranjarem mais umas datas, para os Três Grandes fazerem uns quantos jogos particulares para ganharem dinheiro, e para mais uns quantos estágios e jogos das inumeráveis selecções do Dr. Madaíl, não se descortinam outras vantagens nem, repito, qualquer programa para atenuar os profundos desequilíbrios que manifestamente impedem que tenhamos um futebol transparente e rentável!
Efectivamente, quando se pretende reformar alguma coisa, é necessário perceber que objectivos se pretendem atingir.
Os diagnósticos estão feitos mas ninguém quer tirar as conclusões óbvias... Quando se chega à altura das conclusões, o “coraçãozinho” retardado e saudosista fala mais alto e só conseguimos ouvir aquele fado – “oh tempo volta para trás”!!! E surgem então as conclusões ridículas...
Já escrevi sobre isto. Não é preciso ser uma “luminária” para perceber quais são os desequilíbrios do futebol português. Estão à vista de todos, e o objectivo de qualquer reforma deverá ser reduzi-los, e não acentuá-los:
- O público (inclui todos aqueles que se interessam e de certa maneira contribuem para alimentar o fenómeno) constituído esmagadoramente, (como não se vê em mais nenhum País civilizado) por adeptos dos três grandes – e isto vale para todo o território nacional, incluindo a Assembleia da República - é o primeiro grande desequilíbrio e que origina todos os outros. É um problema mental, que convinha não acentuar... Esta redução de clubes, a pedido dos Grandes, não vai remediar nada, antes pelo contrário!
A mentalidade “anti-competitiva” que habita em nós, herdada, adquirida, agora não interessa ao caso, fabricou a sociedade imóvel, receosa, em que vivemos mas que é preciso alterar rapidamente. Porque senão estamos daqui a uns anos a discutir se devemos ou não reduzir o campeonato para quatro ou apenas três clubes!? Mas aí já não devemos ser um País que mereça ser independente...
Podíamos, neste ponto, fazer um exercício de reflexão e perguntar às “luminárias” o seguinte – se na Super Liga, só há adeptos para verem os jogos dos três Grandes, então que pensar sobre a Liga de Honra... e, meu Deus, a II Divisão B? Terão esses clubes algum adepto que seja só desse Clube? Então que sentido faz estar a alimentar campeonatos profissionais que não têm público? Há dinheiro para isso? Ter 2º e 3º clube não será um luxo? Não deveria pagar imposto? As reduções não deveriam começar, e em força, por aqui?
- O outro grande desequilíbrio está na comunicação social que funciona única e exclusivamente, como caixa de amplificação dos interesses dos Grandes. É caso para dizer que o “Robin dos Bosques”, se fosse jornalista português, andava a roubar aos pobres para dar aos ricos!? Por aqui não vale a pena acrescentar mais nada... A redução foi pedida por eles...
- Outro grande desequilíbrio, e também consequência da mesma mentalidade, são as contas (as que se conhecem e as que não se conhecem). O desequilíbrio distributivo é escandaloso e não se vê nenhum dos “reformadores” preocupado com isso (e as vítimas nem reclamam!).
- Finalmente, o desequilíbrio esperado, este de natureza geográfica. Já viram que porção do território nacional é “ocupado” pela Super Liga? Dá-nos a certeza que não estará longe o dia em que só haverá futebol “nacional” em Lisboa e Porto!?
Ora bem, chegados aqui, cansados desta viajem ao interior da ignorância, façamos ao menos justiça ao futebol jogado nas quatro linhas e aos seus intervenientes (inclui jogadores, treinadores, médicos, massagistas e... alguns dirigentes) afinal o sector mais equilibrado (competitivo) do futebol português! Aliás, contra a vontade do “público”, da comunicação social... e das “luminárias”!!!

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