terça-feira, junho 28, 2005

Arbitragem

Vou-me repetir. “Portugal tem realmente um problema sério com a arbitragem”. Basta ver a antecedência e o frenesim com que todos, desde os partidos, organizações, cidadãos comuns, se vêm envolvendo, pressionando, discutindo, sobre quem será ou devia ser, o próximo “árbitro” do regime?!
No futebol é o mesmo. Já se discutiu tudo, já se analisou tudo. Ninguém dá o passo em frente! Porque será?
Estou, neste caso, com o Presidente do Sporting: só o Estado pode resolver o assunto que aparentemente é simples de solucionar! Claro que este grito de incapacidade, lançado pelo Presidente de um dos principais clubes nacionais já diz tudo sobre o chamado movimento associativo e sobre a sociedade que somos... Mas adiante.
A estrutura da arbitragem tem que se constituir em Organismo autónomo, (da Liga e principalmente da Federação), deve ser dirigido pelos próprios árbitros e reportar directamente a uma entidade do Estado, que seja por sua vez responsabilizável. Aliás, como tudo deveria ser na vida pública.*
Ora o Estado, qualquer Estado, costuma concretizar-se em organismos, que por sua vez são constituídos por pessoas, no nosso caso, por portugueses. E é aqui que começam os problemas!
Os portugueses que pertencem a esses organismos que compõem o Estado (parece que são muitos), quando são chamados a pronunciar-se sobre este assunto, e porque têm sempre afinidade com um dos clubes grandes, tendem a envolver-se e a reproduzir as posições que esses mesmos clubes defendem no momento, e sendo assim, normalmente, anulam-se uns aos outros. Esta é a atitude da grande maioria dos funcionários, porque outros, mais atrevidos e mais comprometidos com o sistema, resolvem fazer uma campanha “surda” por um dos três clubes, naturalmente por aquele com quem têm ligações (normalmente perigosas).
Quando se chega à altura da decisão, normalmente a cargo de um funcionário governativo, a coisa é empurrada para baixo do tapete, não vá o partido ser penalizado nas próximas eleições!
Em todo este processo, em lugar de destaque, estão sempre os escribas da comunicação social (sem esquecer a Televisão e a rádio) que vão fazendo o seu “trabalho de sapa” a favor dos interesses dos Grandes e dos grandes interesses...
Ora bem, tanta conversa, tanta discussão, tanta incapacidade, tanta batota, só pode significar que não há, nunca houve, nem vai haver “arbitragem” nenhuma! O sistema está onde sempre esteve – ao serviço dos três Grandes, que por sua vez estão envolvidos ou dão cobertura a grandes e inconfessáveis interesses. Se alguma coisa, de vez em quando se agita, é porque isto já não está a dar para os três, e... vamos lá, a globalização transmitida em directo pela televisão, acaba por produzir comparações que nos inferiorizam demasiado. E só porque fica feio sermos assim vistos “lá fora”, é que alguns começam a querer mudar qualquer coisa...
No fundo, temos a arbitragem que merecemos, muito parecida com a outra... a do Regime.

* Como já expus em anterior postal (“Diga 33”) a prevista “comissão de análise” sobre o desempenho dos árbitros, deve ter uma composição concreta e diversificada. O grande princípio nesta área é sempre o mesmo: a responsabilidade gera a transparência e a transparência exige a responsabilidade. Queremos a cara e os nomes das pessoas que tomam as decisões. Não queremos gente escondida atrás de “comissões”, “grupos de acompanhamento”, ou seja lá o que for.

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