segunda-feira, agosto 07, 2006

Mais um prego no caixão

Se, como tudo leva a crer, a Direcção do Belenenses resolveu alugar de novo o Estádio do Restelo para um ‘evento religioso’, isto quer dizer que não aprendemos nada com o passado e que regressamos à política suicida que vem aniquilando o Clube de Futebol “Os Belenenses”.
A troco de uns cobres, por mais faltam que façam, hipotecamos o futuro e damos mais um passo na destruição da identidade do Clube. Afastam-se os verdadeiros belenenses, aqueles que ainda se identificam com a sua alma, com os símbolos fundacionais, e restam uns quantos, essa meia dúzia que ocupou o clube, que não o larga, e que só o abandonará quando o houver destruído por completo. Fazem-lhes companhia mais alguns associados, cada vez menos, como se vê pelas bancadas em dias de jogo, incapazes de raciocinar, esperançosos num milagre que não chega, e que acabam por viabilizar este estado de coisas.
Não estou a dramatizar, este é o retrato fiel e infeliz deste Clube que chegou ao ponto de convidar os seus próprios inimigos para sua casa e nem percebe que o faz.
O símbolo do Belenenses é a Cruz da Ordem de Cristo, a mesma que viajou nas caravelas que foram a dilatar a Fé e o Império, é a Cruz Católica, e apesar de sermos um Clube que estatutariamente não é confessional, a verdade é que há limites para tudo.
Com efeito alugar o nosso estádio àqueles, sejam as “Testemunhas de Jeová”, seja a “Igreja Universal do Reino de Deus”, que têm como inimigo, que escarnecem, a Igreja Católica, isso bastaria para desaconselhar o citado aluguer.
Quantos católicos, dos milhares que ainda são do Belenenses e só do Belenenses, se sentirão ofendidos quando souberem!?
Os nossos rivais nunca se meteram nisso, nem metem, sabem perfeitamente que seria uma insensatez, não se esquecem que o povo português é maioritáriamente católico, querem ver os seus estádios cheios, utilizam todos os meios para angariar associados enquanto que nós fazemos tudo para os afastar. E se tínhamos e temos uma enorme vantagem sobre eles...que sistematicamente desperdiçamos.
Mas esta Direcção não percebe isso, ou percebe, e então esconde o facto transformando este aluguer num segredo...de polichinelo!
Uma vergonha.
Face a esta eventualidade, que alguns poderão considerar de somenos importância, o Belém Integral não se deixa enganar e há muito que pôs o dedo na ferida que traz o clube moribundo.
Não é a vitória no caso Mateus, nem sequer um bom campeonato, que trarão de volta os associados e os velhos dias de glória; isso só acontecerá quando o Belenenses recuperar a sua alma, quando souber respeitar os seus fundadores e os símbolos que estes escolheram.
Não é o caso.

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