sexta-feira, julho 28, 2006

Se eu fosse candidato...

Não se assustem, ou não se entusiasmem, consoante o consoante, não vou abrir nenhum processo eleitoral no Belenenses. É da Liga que vos quero falar, supondo que era eu o candidato!
Eis o meu programa:
- A palavra de ordem seria: valorizar os campeonatos nacionais, da primeira e da segunda Liga. Quero dizer muito claramente que estes campeonatos existem por si, e para esta Direcção, são mais importantes e têm preferência sobre as competições europeias. Estou aliás convencido que a inversão deste princípio, nunca claramente assumido, mas sempre praticado, é um provincianismo que tem acarretado graves prejuízos para o futebol português e um dos responsáveis por termos campeonatos internos falidos, sem público, e pouco competitivos. Três males que andam sempre juntos.
Nestas condições o programa de qualquer candidato, simples e complexo ao mesmo tempo, resume-se a corrigir e eliminar os três males acima enunciados.
Antes porém, convinha tomar algumas medidas higiénicas: o candidato deve demarcar-se de tudo, e de todos aqueles, que têm as maiores responsabilidades neste autêntico ‘estado de sítio’ em que se transformou o futebol português. Por isso, não apoiarei a candidatura do anterior presidente da Direcção ao cargo de Presidente da Assembleia-geral da Liga!
Outra das medidas higiénicas tem a ver com a participação da Olivedesportos em várias, se não em todas as SAD! Acabou, é pouco transparente e pode diminuir a liberdade de voto dos clubes participados. Deve aliás ser caso único na Europa civilizada a que queremos pertencer.
Outra novidade tem a ver com as receitas televisivas: serão negociadas exclusivamente pela Direcção da Liga que distribuirá o bolo em fatias de diferente tamanho consoante a classificação da época anterior. Serão de diferente tamanho mas o leque distributivo terá de ser equilibrado, o contrário do que agora se passa. Ou seja: acabou a ditadura dos três grandes.
Outra das novidades será a ‘avaliação de dívidas’ a efectuar pela Direcção da Liga de modo a reduzir também o respectivo leque diferencial, trazendo alguma moralidade à competição desportiva. Quero dizer que doravante não será possível pôr em confronto directo equipas de clubes que devem milhões face a outras que devem tostões. O princípio que aqui vigora é também simples e popular: quem não tem dinheiro não tem vícios, ou há moralidade ou comem todos.
Perguntam-me: então vai deixar de haver competições em Portugal?
Respondo: a Liga vai organizar competições desportivas e não jogos de batota.
Por esta altura da campanha eleitoral já devo ter os ouvidos a arder, um mandato de captura atrás de mim, um colete-de-forças à minha espera, mas ainda arrisco dois pareceres: a arbitragem fora da Liga e da Federação, num organismo independente; tal como os órgãos jurisdicionais.
O outro parecer é sobre os cartões amarelos: a partir do quinto, começa a não poder jogar um jogo de cada vez que sofrer novo cartão amarelo. Agradece o espectáculo e agradecem as canelas dos adversários.
Falta dizer muita coisa, este é apenas o primeiro comício da campanha.
Votem em mim.

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