sábado, julho 15, 2006

Ressentimento

É talvez a palavra adequada para exprimir o que me vai na alma, uma enorme frustração, uma sensação de vazio difícil de preencher, sentimentos aparentemente contraditórios se quisermos tomar como padrão a descida aos infernos que foi a época finda, que culminou com a derrota em Barcelos.
Aparentemente estamos um pouco mais aliviados, este ‘caso Mateus’ tem conseguido mascarar algumas coisas, tem sido um pequeno bálsamo junto à ferida que no entanto não há maneira de sarar. Quero eu dizer que ainda que me convença da verdadeira mentira que é o futebol português, o que é verdade, com o seu cortejo de jogos falseados, de cartas marcadas, de trafulhices várias, ainda assim nada disso chega para desmentir uma outra verdade, que se aviva ao mínimo descuido, bastando para tanto relancear os olhos por esses jornais, desportivos ou não, que todos os dias nos lembram a nossa realidade. A verdade a que me refiro, resultado de uma longa e lenta agonia, resumo-a numa curta frase: nunca fomos tão ínfimos.
Isto não é, nem pretende ser uma crítica a esta ou a qualquer Direcção, mais ou menos recente, nem seria este o momento para tal, quando nos vemos envolvidos numa importante batalha jurídica, quando estamos dependentes de decisões de terceiros, determinantes quanto ao futuro próximo do Belenenses. Esta é hora de cerrar fileiras, de estarmos unidos.
Mas nada disso pode escamotear aquela outra tremenda realidade, e por isso repito, nunca fomos tão desnecessários, tão ridiculamente pequenos, tão desprezíveis, como agora, perdidos no meio deste futebol nacionalizado à socapa, desta opereta de má qualidade, verdadeiro nome do futebol português.
E nós a pactuarmos com isto há tanto tempo, a lamentarmo-nos, a chamar nomes aos árbitros, impotência revelada, incapaz de assumir um corte vertical contra toda esta trapaça, incapaz também, noutro sentido, de ser pior que eles, o que ainda assim e no fundo deste pântano talvez fosse preferível! Melhor do que esta inanidade, era concerteza.
Nada, não fizemos nada, deixámo-nos ir na corrente, sem benefício algum, agarrados a quimeras sem perceber bem o que nos estava...o que nos está a acontecer! Este era o estado da nação belenense, pelo menos até ontem, para não dizer... até hoje.
O meu ressentimento vem daqui, ‘há qualquer coisa que não bate certo’, como diz a letra de uma conhecida canção.
Termino pois com o seguinte vaticínio: Quer se ganhe, quer se perca o ‘caso Mateus’, no Belenenses nada poderá ficar como dantes.
Saudações azuis.

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