segunda-feira, setembro 26, 2005

Conformado

Mais sóbrio, por puro masoquismo, revisitei o jogo no Dragão. Sem qualquer dúvida, o Porto jogou muito bem: grande cadência, enorme concentração e humildade, pressão asfixiante, a revelar treino acertado, e apresentou algumas novidades, que a confirmarem-se, serão muito úteis para as suas pretensões ao título – a conseguida integração defensiva de Bosingwa e Bruno Alves (tinha logo de ser contra nós!) e a revelação de dois jogadores mentalmente “renovados” – refiro-me a César Peixoto, em melhor condição física e psicológica, muito compenetrado no jogo, a realizar uma boa exibição, e... Quaresma! Este jogador, a avaliar pelo seu brilhante desempenho (também tinha que ser contra nós), está diferente! Pode ser que o treinador do Porto consiga o milagre de transformar o seu futebol, até agora feito à base de fogachos inconsequentes, num futebol colectivo e adulto, com ganhos para o próprio, para o seu clube e também para o espectáculo desportivo.
Mas ainda assim e apesar de reconhecer a superioridade do Porto neste jogo, eles não são imbatíveis. Quando pressionados, também falharam passes defensivos, susceptíveis de ser melhor aproveitados pelos nossos (inexistentes) avançados.
Não gosto de individualizar comentários negativos à prestação dos nossos rapazes, que sabemos, só não fazem melhor porque não podem ou porque não estão em dia sim. Vou abrir uma excepção, por se tratar do capitão de equipa, guarda-redes de classe e por tudo isso, com acrescidas responsabilidades.
Ao contrário da crítica unânime e nada preocupado com o endeusamento proposto pela nossa massa associativa, declaro que não gostei de algumas distracções e excessos de confiança de Marco Aurélio – é verdade que evitou três golos “certos”, assim como Vítor Baía terá evitado um ou dois. Isso não o habilita a fazer reposições de bola precipitadas, (o segundo e decisivo golo do Porto nasce de uma dessas infantilidades), como não é aceitável num jogador da sua categoria, repetir fífias, como aconteceu em Alvalade! O aplauso geral para o seu toque “argentino” também não me impressionou. Eu quero um “capitão” inconformado mas sóbrio, que transmita essa sobriedade e rigor aos seus colegas de equipa, não quero uma “estrela da companhia”.
E sobretudo o que eu não quero, é continuar na iminência de ser goleado, com a crítica a aplaudir a grande exibição do Marco Aurélio. Mas disso, sejamos justos, o Marco Aurélio já não tem culpa.
Afinal, parece que ainda não estou conformado?!

Nota: Só critico (construtivamente) os grandes jogadores, que ainda por cima se tornaram símbolos do Clube. Marco Aurélio é um desses, a quem aproveito para felicitar pelos seus duzentos jogos oficiais.

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