segunda-feira, abril 30, 2018

O doce amargo sabor da derrota


Se o futebol se resolvesse em pura lógica o encontro entre o quarto classificado e o décimo segundo estava desde logo resolvido. E se o assunto fosse comparar orçamentos ainda mais resolvido estava. Porém em futebol nada está garantido e esse é o sortilégio do desporto rei! E foi bonito ver a luta táctica entre dois grandes treinadores – Abel Ferreira e Silas – e mais uma vez foi por um triz que a balança pendeu para o lado do plantel mais forte.

No futebol ganha quem comete menos erros e aquele primeiro lance logo no primeiro minuto de jogo foi esclarecedor. Contra adversários como é o actual Sporting de Braga um erro daqueles equivale práticamente a um golo. André Moreira felizmente defendeu. A partir daí o Belém aprendeu e assistimos a um grande jogo, muito equilibrado, com oportunidades numa e outra baliza. Em minha opinião o Belenenses surpreendeu pela capacidade em ligar o seu futebol como há muito não se via e com uma variante na defesa a cinco. Persson tanto era central como médio de acordo com as movimentações do ataque bracarense. Ataque bracarense que conseguimos travar com categoria e calma. O perigo era perder a bola nalguma transição.

Porquê?! Porque estamos a falar do Braga, uma equipa que como já tenho referido me parece ser, neste momento, a melhor desta primeira Liga. E que marca golos que se farta. O que valoriza ainda mais a exibição azul. E por falar em boas exibições, impressionou-me a desenvoltura de André Sousa e Bouba Saré, este com um futebol simples e eficaz. E assim, o empate em branco com que terminou a primeira parte reflectia o que se tinha passado dentro das quatro linhas.

Na segunda parte, como se esperava, o Braga entrou forte, e Saré, como se esperava, atendendo a que esteve muito tempo parado, dava mostras de cansaço. O Belenenses no entanto sacode a pressão e aos cinquenta e quatro minutos Maurides tem uma grande oportunidade para marcar. E nestes jogos quem marca primeiro adquire de imediato uma enorme vantagem. Mas o cabeceamento passou rente ao poste. Silas entretanto tenta refrescar a equipa. O problema é que as substituições para além de não terem acrescentado nada ao jogo belenense, vieram azaradas! Repare-se, aos 59 minutos saiu Saré e entrou Yebda e por coincidência dois minutos depois sofremos um golo. Golo que não valeu porque tinha sido precedido de uma falta sobre Persson. Entretanto o jogo prossegue e aos setenta minutos há nova substituição – sai Diogo Viana e entra Benny. Um minuto depois sofremos o golo que viria a decidir o encontro. Coincidência?! Azar?! Podemos pensar o que quisermos. Nathan ainda entrou para o lugar de Sousa mas nessa altura o Braga fechou-se e controlou o resultado.

Razão tinha Silas quando disse que havia poucas soluções no banco.


Resultado final: - Belenenses 0 – Braga 1


Saudações azuis

quarta-feira, abril 25, 2018

A república de abril e o futebol



Contas feitas, no futebol, como no resto, pouco ou nada mudou com o 25 de Abril. E hoje passados mais de quarenta anos sobre a celebrada data, podemos concluir que até piorou! Nos primórdios do estado novo, quando o poder político ainda não tinha capturado o futebol para a sua propaganda, o jogo desenvolvia-se dentro das quatro linhas e os mais fortes ganhavam mais vezes que os mais fracos. A competição é assim. Porém a partir do momento em que perder passou a ser uma vergonha, e eu não consigo precisar esse momento, a partir daí tudo se alterou. Digo isto em contraste com a Inglaterra (país que inventou o futebol) onde perder continua a ser apenas e só um dos três resultados possíveis.

Mas regressemos então à república de Abril e ao seu futebolzinho corrupto e batoteiro. Um futebol com cartas marcadas envolvido em escândalos permanentes. E porque é corrupto e batoteiro, tornou-se profundamente desigual fazendo lembrar aquela imagem em que uns jogam de botas cardadas e os outros jogam descalços. E se na república anterior já se começava a sentir algum condicionamento político sobre o futebol, nesta república de Abril a promiscuidade é total. Recordemos como se chegou até aqui.

A seguir ao golpe militar e face à inevitável desordem, o futebol, assustado, fugiu para o norte para onde fugiram também a produção e o emprego. O Porto e o Boavista aproveitaram para ganhar terreno à concorrência lisboeta. Abaixo do paralelo de Rio Maior reinava o ‘povo unido’ e os clubes do sul foram naturalmente varridos do mapa. Barreirense, Seixal, CUF, Amora, Lusitano de Évora, etc., quem se lembra deles na primeira divisão?!

O próprio Belenenses, que nunca foi o clube do regime, essa benesse cabia ao casalinho verde rubro, também não escapou à febre revolucionária. Mudou o nome ao estádio encheu-se de esquerdistas e maçons, e apesar de ter beneficiado de rios de dinheiro provenientes do Bingo, ganhou apenas uma Taça de Portugal e, verdadeiramente, nunca mais foi o mesmo.

Entretanto, lá fora, na república laica e socialista as coisas pioravam. As empresas do norte faliram, más notícias para o Porto, o país passou a viver dos subsídios de Bruxelas, boas notícias para os burocratas de Lisboa, pois era o governo central quem iria distribuir aquelas verbas. Altura ideal para voltarmos ao antigamente. Momento oportuno para um apito dourado com alvos definidos – Porto e Boavista. E de facto foi no consulado de Sócrates que se deu a reviravolta. O antigo primeiro-ministro, quando ainda era comentador, sempre disse na televisão que ‘Lisboa já merecia ter novamente um clube campeão europeu de futebol’.

A partir daqui tudo se torna compreensível desde o controle da comunicação social à falência dos bancos, desde os campeonatos da treta ao almejado penta. É uma democracia totalitária a funcionar - um regime, um partido, um clube! Como também é compreensível que Sócrates tenha sido constituído arguido por corrupção, tráfico de influências e branqueamento de capitais. O 25 de Abril deu nisto. E a pergunta que se coloca é esta: - terá este regime capacidade para se regenerar por si próprio?! Duvido. No entanto o desafio é esse e os dados estão lançados. Veremos se a justiça tem resposta ou se já está, por sua vez, também ela contaminada?!

Pelo que sabemos já há suspeitos identificados. Quanto ao resto da camarilha, posso dar uma pista: - comecem pelos ‘peregrinos de Évora’! E depois puxem o novelo.



Saudações desportivas

terça-feira, abril 24, 2018

Rectificação e aulas de arbitragem

Ainda sobre o golo anulado ao Estoril e confrontando melhor as imagens do referido lance constata-se que o fiscal de linha não assinalou fora de jogo e começou a correr para o meio campo, sinal de golo válido. Foi então o árbitro, em conluio (ou não) com o VAR, que decidiu invalidar o golo. Uma originalidade atendendo a que estava pior colocado que o seu auxiliar para avaliar o lance. O VAR, de acordo com o protocolo deveria manter-se em silêncio, uma vez que se trata de um lance duvidoso. E para o provar basta verificar a diferente atitude de árbitro e fiscal de linha. É verdade que só ouvindo as gravações poderíamos ficar a saber o que terá dito o VAR ao árbitro de campo. Se calhar é por isso que não podemos saber das gravações...

E daqui partimos para uma pequena aula de arbitragem especialmente destinada aos comentadores televisivos, e afins, cuja ignorância parece não ter limites! A regra básica do fora de jogo tem a ver com a posição da bola no momento do passe. Se o companheiro de equipa que a recebe está em linha ou mais atrasado em relação à mesma bola, nunca há fora de jogo. Os adversários, incluindo o guarda redes, até podem estar todos na outra baliza. Ou na bancada a confraternizar com as claques que não existem. É por isso que na marcação dos cantos ninguém está em fora de jogo. E também por isso se aconselha a que os cruzamentos sejam feitos o mais perto possível da linha de fundo. No lance em questão só havia que interpretar isto. E parece que o jogador do Estoril (que marca o golo) estava atrás da linha da bola. Ou quando muito em linha... com a bola.



Saudações azuis 

segunda-feira, abril 23, 2018

Afinal sempre é verdade...


Afinal é verdade, o nacional benfiquismo que temos vindo a denunciar, existe, o movimento foi lançado em 2012, os quadros do movimento reuniram-se, e as directrizes constam de um power point agora tornado público. Que não faz mais do que confirmar aquilo que já todos desconfiávamos: - que o caso dos emails é apenas a ponta do icebergue. Claro que há sempre a possibilidade de ser tudo falso, tudo forjado, mas é cada vez mais difícil acreditar nisso. Certo, certo, é que os resultados, desportivos e não só, estão à vista. Quatro campeonatos seguidos, dois ou três bancos falidos, dívidas escondidas nos lugares mais esquisitos, e toupeiras por todo o lado. Toupeiras de alto gabarito, ocupando os mais altos cargos quer na política, quer  na justiça, quer nos organismos desportivos. Quanto à comunicação social pouco há a acrescentar. Foi a primeira a render-se sem condições. A propaganda asfixiante é uma prova irrefutável!

Duas notas ainda: - em primeiro lugar e a confirmarem-se os conteúdos dos emails já revelados, só um idiota pode prometer campeonatos com outra cor que não seja o encarnado. A outra nota e que vem reforçar a primeira é a seguinte: - nestes anos de (natural e total) hegemonia o Benfica nunca precisou de vencer os seus rivais no chamado campeonato dos grandes. Bastou-lhe meter os pequenos no bolso. E aqui as palavras têm o valor que cada um lhes queira dar.


Saudações azuis


Adenda: O VAR, tal com tinha previsto, passou a ser uma arma contra os mais fracos. O golo anulado ao Estoril comprometeu e de que maneira o entendimento que tínhamos do protocolo. Trata-se de um lance duvidoso, o árbitro assinalou golo, e o VAR não poderia intervir. Mas interveio descortinando um fora de jogo milimétrico. Se fosse ao contrário não temos dúvidas que seria golo, o VAR ficaria em silêncio, e os comentadores diriam em uníssono... que estava em linha.

domingo, abril 22, 2018

Exibição personalizada e um ponto importante!

Ontem demos mais um passo para a consolidação da equipa e do seu futebol. Atendendo ao histórico, o normal nestas circunstâncias seria sairmos de Paços de Ferreira derrotados e sem apelo nem agravo. Não aconteceu assim porque a equipa manteve a sua personalidade, foi igual a si própria, mostrou que está noutro patamar! Porque uma coisa é fazer uma surpresa, e nisso o Belenenses sempre foi pródigo. Outra bem diferente é confirmar credenciais. E foi precisamente isso que o Belenenses conseguiu contra os pacenses. Uma equipa muito difícil no seu terreno e que estava desesperada por pontos.

Feito este elogio passemos aos aspectos que me chamaram mais a atenção: - em primeiro lugar a consistência da equipa face às ausências, nomeadamente no eixo central da defesa, ausências que apenas se fizeram sentir no início do jogo. Na verdade existiu alguma descoordenação nos cruzamentos e foi por aí que o Paços se adiantou no marcador.

O segundo aspecto tem a ver com a subida de forma de muitos jogadores, alguns que até a mim me surpreendem! Refiro-me por exemplo ao Diogo Viana, fisicamente mais escorreito, e a mostrar predicados importantes. Tem apenas que melhorar na finalização.

Um terceiro apontamento e que se relaciona com o primeiro tem a ver com a rotatividade que Silas vem introduzindo e que admito se prende já com a avaliação para a próxima época.

Último apontamento e que até foi realçado pelos comentadores da Sport TV diz respeito à geometria variável que a equipa é capaz de assumir dentro do próprio jogo, passando da defesa a cinco para a defesa a quatro sem (grandes) danos colaterais.

Resultado final: - Paços de Ferreira 1 – Belenenses 1


Saudações azuis

terça-feira, abril 17, 2018

Rescaldo da batota!

Ontem quis ouvir as opiniões dos comentadores árbitros que enchem as nossas televisões, o objectivo era confirmar ou emendar aquilo que escrevi sobre os lances mais polémicos do jogo no Restelo. Qual quê?! Só dava a derrota do Benfica e trezentas mil repetições de um hipotético penalty a favor dos encarnados! As imagens tinham sido emprestadas pela BTV e por aqui se vê a idoneidade do futebol que temos. Tiveram azar desta vez. Já levam dez penalidades de avanço contra três do Porto. É muita fruta.

Sobre os lances polémicos do Restelo foi tudo muito telegráfico. Não interessava falar no assunto. Lá admitiram que o Rui Patrício fez penalty; que no terceiro golo do Sporting o VAR teve uma branca; e que o Acuña fez penalty sobre o Licá. Acontece que este estava isolado e o cartão em vez de amarelo deveria ter sido encarnado. O problema é que assim ficava o Sporting em inferioridade numérica e isso é contra os regulamentos em vigor. Portanto, erros naturais, compreensíveis, e sem influência no resultado. Finalmente sobre o lance que deu origem à pressurosa intervenção do VAR para que fosse marcado o penalty que deu a vitória ao Sporting, aí também foi tudo normal.

Conclusão: é fácil roubar pontos ao Belenenses. Eu só gostava que alguns destes opinadores metessem a mão na consciência (se a tiverem) e admitissem publicamente duas coisas: - que se fosse ao contrário o VAR nunca interviria; e em segundo lugar, tratando-se de um lance duvidoso, o VAR deveria ter seguido o protocolo e manter-se calado. O problema é que quando toca a defender os interesses dos ‘clubes do estado’ nunca há dúvidas! E há que seguir a constituição da república: -  Sempre, sempre a favor dos grandes! Sempre, sempre contra os pequenos!

Enfim, deixemos em paz a batota nacional (já devíamos estar habituados a ela) e centremos a nossa atenção no difícil calendário que ainda temos pela frente. Quatro jogos e pelo menos mais dois ou três pontos para ficarmos descansados. O próximo embate é em Paços de Ferreira onde o histórico nos é muito desfavorável. Acresce que eu ouvi as declarações do respectivo treinador após a copiosa derrota imposta pelo Braga. Disse ele que seria o Belenenses a pagar as favas. Espero que isso não aconteça. Pelo contrário, espero que este remoçado Belenenses confirme em Paços que é um novo Belenenses. Um grande Belenenses!


Saudações azuis

segunda-feira, abril 16, 2018

Boa exibição, mau resultado… e o nosso fado!

Ao Belenenses nunca bastou jogar bem para ganhar! Foi sempre preciso superar outras dificuldades, nomeadamente quando jogava contra os seus rivais de Lisboa. Ontem no Restelo cumpriu-se essa sina. E a nomeação de Bruno Paixão, um árbitro que mesmo sem querer acaba por interferir com os resultados, anunciava já esse cenário. O VAR, ao princípio, ainda deu ideia de imparcialidade quando avisou Bruno Paixão para o facto de Rui Patrício, guarda-redes do Sporting, ter atingido o Yazalde na cara, derrubando-o, e não ter tocado na bola. Isto é um penalty clássico em qualquer parte. O problema é o sistema de compensações que começou imediatamente a funcionar. Na primeira parte não foi preciso. O Sporting empatou pouco tempo depois e numa desatenção azul (livre rápidamente marcado) chegou à vantagem. O terceiro golo leonino, perto do intervalo, já revelou a verdadeira identidade do VAR que temos. Desatento quando convém. O golo é precedido de falta e deveria por isso ter sido invalidado.

E veio a segunda parte, e com ela a capacidade do Belenenses para dar a volta ao texto. Com o empate soaram os alarmes na cidade do futebol. O VAR concentrou-se, foi buscar a lupa, e na molhada que habitualmente acontece nos pontapés de canto, descobriu um braço do Yebda a tocar na cabeça do Bas Dost! Nenhum deles tocou na bola e nem se pode falar naquela molhada em qualquer oportunidade de golo para ninguém. Bruno Paixão, aliás, não assinalou nada. Mas esta era a oportunidade para um Sporting em nítida quebra física de conseguir chegar à vantagem. E, como se esperava, Paixão recuou e marcou penalty. Curiosamente o VAR não viu nesse lance o derrube de Nathan por parte, suponho, do mesmo Bas Dost! O Sporting tinha que ganhar.

E para aqueles comentadores que questionaram a marcação do penalty cometido por Rui Patrício dizendo que se tinha aberto uma ‘caixa de pandora’, neste último penalty sim, abre-se um precedente que a ser seguido vai transformar cada canto ou cada ’molhada’ num manancial de grandes penalidades ao sabor das inclinações do VAR. E nós já sabemos quais são essas inclinações.

Sobre o jogo própriamente dito ele já foi escalpelizado por tanta gente que não vale a pena acrescentar grande coisa. O Belenenses está diferente para melhor e não é todos os dias que assistimos a um duelo de treinadores em que o vencedor foi o aluno e não o mestre! Silas até com dez jogadores conseguiu manter a equipa no jogo. Não há melhor elogio.

A única nota negativa tem a ver com a expulsão de Sasso, já depois do jogo acabar. Compreendo a sensação de injustiça dos jogadores mas não vale a pena dizer nada ao árbitro. Até porque Bruno Paixão reagiu como se tivesse algum peso na consciência.

Resultado final: - Belenenses 3 – Sporting 4


Saudações azuis