quinta-feira, outubro 28, 2010

Treinador Belenenses

Confesso a minha incapacidade para analisar este assunto neste momento! Aliás o Belenenses actual é um ‘case study’ no que a treinadores diz respeito! Este clube parece ter sido inventado para destruir as teorias mais bem concebidas, e eu até tinha uma, que não sendo genial, acreditava nela, já a escrevi, já a repeti, mas hoje já não digo nada e vou-me esquecendo dela! Num esforço de memória acho que se baseava numa dupla imbatível, uma dupla que partiu de baixo e fez história! Quem eram?! Pinto da Costa e Pedroto, presidente e treinador em grande cumplicidade, unidos num objectivo comum – vencer jogos e campeonatos… contra tudo e contra todos! E conseguiram!

Mas isso não se aplica ao Belenenses. Desde logo porque é preciso reunir algumas condições básicas que muito dificilmente se encontrarão hoje no Belenenses, e nem me vou referir às diferenças entre pessoas e capacidades.
É certo que a derrota, tal como a vitória, são hábitos que se adquirem com o tempo e nós já andamos a perder há muito tempo. É certo que os níveis de ambição vão descendo e vão-se adaptando à nova realidade. É certo que é muito mais difícil construir (ou reconstruir) alguma coisa com ambição e sacrifício do que deixar andar as coisas ao sabor da maré. É certo também que o Belenenses se dispersa por muitas actividades e isso prejudica um esforço focalizado num objectivo central e inquestionável. É certo que em Portugal os presidentes dos clubes que vingam têm necessariamente que dominar o meio futebolístico (Pinto da Costa sempre dominou essa matéria) e a verdade é que já não me lembro de um presidente com essas características no Belenenses!

É evidente que esta lacuna pode ser suprida pelo treinador ou por outro dirigente da confiança do presidente. Mas como agora se diz, poder pode, mas não é a mesma coisa. Mesmo assim, de memória, houve alturas em que utilizámos essa alternativa e progredimos alguma coisa, estou a pensar nos tempos de Rosa Freire, Barcínio Pinto e Marinho Peres, ou mais recentemente, com Cabral Ferreira e Jorge Jesus em que este desempenhava as funções de dirigente e treinador. Mas faltou sempre uma vontade (ou liderança) que sustentasse essa política pelo tempo fora. Digamos que foram momentos, excepções ao contínuo deslizar.

Para concluir, e esta é a minha opinião: - João Almeida (que não é do ‘milieu’ futebolístico) tentou construir, com um treinador da sua confiança, uma alternativa a longo prazo, o que é razoável. Simplesmente isso só poderia dar certo se os resultados não demorassem muito a aparecer. Os resultados ou as exibições. Mas demoraram, pelo menos é o que as pessoas pensam, e o mundo do futebol tem pouca paciência para esperar. Além disso era preciso ter sorte, ou ter a sorte de acertar num treinador jovem que ainda não tinha provado nada. E os jogadores sabem isso, sentem isso, o que pode dificultar as coisas. E se calhar dificultou. Foi uma aposta de grande risco e talvez tivesse sido preferível apostar num treinador experiente, sem nada a provar quer aos jogadores quer aos sócios.

Dir-se-á que não havia (nem há) dinheiro para chegar a tal treinador. Mas esse é o problema nacional! Não vale a pena fazer uma cura orçamental tão restritiva que acabe por matar o paciente. Tem que haver sempre espaço (dinheiro) para investir no futuro. E o treinador é uma peça muito importante nesse futuro.

Saudações azuis

Nota básica: Para quem se sentia incapacitado para analisar o assunto acabo de verificar que escrevi muito… sobre o assunto!

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