quarta-feira, agosto 01, 2007

Ecletismo de fachada

Há quem diga que é psicose, mania da perseguição, inveja, mau perder, talvez tenham razão, mas não consigo evitar, é mais forte do que eu! Em minha defesa argumento com a coerência dos princípios que venho proclamando, seja qual for o clube que insista em tal prática. Sugeri, em escritos anteriores, que deveria ser o Governo a impedir que os clubes de futebol profissional utilizem atletas de outras modalidades em termos que apenas visam auferir tempo de antena extra, com os correspondentes ganhos publicitários. Quando não são os próprios subsídios públicos que estão em causa, a coberto da formação e fomento de determinada modalidade com expressão olímpica!
Reajo assim à notícia entusiástica de que Telma Monteiro, judoca de reconhecidos méritos, assinou ontem contrato com o Benfica! Benfica que até ontem não tinha secção de Judo; Telma Monteiro que até ontem pertencia a outro clube, que lhe deu formação e a lançou na modalidade; clube que entretanto, na lógica da globalização, foi incorporado no Benfica sob a forma de aluguer até 2010 com a aparente finalidade de explorar a participação de Telma Monteiro nos jogos olímpicos de 2008! Ora bem, eu acredito que a legalidade esteja a ser cumprida, calculo que estão todos satisfeitíssimos, desde a Telma, ao clube do Feijó, desde a federação de judo, ao comité olímpico português, acredito até que haja quem acredite que tudo isto é inovador, e bom para o país. Em termos financeiros não tenho dúvidas que é bom para o Benfica e para os outros grandes clubes do futebol português, dado que todos eles têm enveredado por este caminho.
Mas esta prática não é comum na europa a que fazemos questão de pertencer, não é comum nos países desportivamente mais desenvolvidos, aqueles que ganham as medalhas, nesses países vigora com sucesso o clube/modalidade, e é nesses países que vivem e treinam os atletas de alta competição portugueses que assinaram contratos com os grandes clubes do futebol português!
Daí o meu espanto perante a persistência neste ecletismo de fachada, ao sabor dos apetites e dos dissabores do futebol profissional, o que deixa no ar uma imagem de negócio de ocasião verdadeiramente preocupante. Por fim, o alheamento e a permissividade governamentais dão a ideia da redescoberta de uma velha fórmula de propaganda política que já julgávamos ultrapassada, mas que pelos vistos não está, e que passa pela utilização e manipulação da actividade desportiva!
Saudações azuis.

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