segunda-feira, dezembro 18, 2006

O triângulo das Bermudas

À saída do tribunal de Gondomar, Gilberto Madaíl explicou o futebol português, pelo menos desde que é o Presidente da respectiva Federação.
Disse mais ou menos isto a um batalhão de jornalistas que o aguardavam: vim aqui prestar declarações na qualidade de amigo do Major Valentim Loureiro, sou economista, não percebo nada de leis e portanto não me perguntem porque é que a Federação não levantou processos disciplinares aos arguidos por corrupção no futebol! E prosseguiu a sua exposição errática dando a entender que isso de corrupção no futebol é com os tribunais comuns, a Federação só deve agir se forem considerados culpados pelos crimes de que são suspeitos! Pelos vistos confunde tudo e deve pensar que a capacidade disciplinar da Federação, que lhe foi delegada pelo Governo, só serve para punir cartões amarelos!!!
Perante este quadro de miséria, verdadeiramente patético, é bem possível que eu tenha razão quando lhe chamei inimputável, e é bem possível que tenham que ser ouvidos em juízo, os altos responsáveis que tutelam o desporto neste país e que dão cobertura a esta situação.
Mas valerá a pena, quando se sabe que Madaíl mantém na sua lista de candidatura a novo mandato, arguidos no processo “Apito Dourado”!
Valerá a pena quando da mesma lista faz parte Hermínio Loureiro, presidente da Liga e actual deputado da Assembleia da República! E que já afirmou não sentir qualquer incompatibilidade pelo facto!
Fecha este misterioso triângulo do nosso futebol um personagem verdadeiramente intrigante! Apetece até perguntar – Veiga, quem és tu?
Sabemos apenas que foi discípulo de Pinto da Costa, que fez negócios com o Sporting quando o Sporting foi campeão, e que desaguou mais recentemente na Luz fazendo dupla com Vieira, e fazendo também o Benfica campeão!
Pelo meio uma série de negócios pouco claros.
Fica assim definido o verdadeiro organigrama do futebol português, a saber:
Consta de dois biombos articulados, um na Federação e outro na Liga, mobília devidamente recomendada pelo Governo, seja ele qual for. Para lá dos biombos e fora das vistas do grande público, existem três buracos negros, do género do ozono, por onde tudo se escapa e justifica. Finalmente, e para gáudio de uma comunicação social sempre atenta e obrigada, temos agora mais um personagem do tipo romanesco – Carolina.
É neste quadro que a Procuradora deve tentar descobrir algo. Peço-lhe apenas que não gaste o seu tempo nem os nossos impostos a descobrir peixe miúdo. Não queremos carapau de gato, queremos os tubarões.
Deixo aí as redes.
Saudações azuis.
JSM

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