segunda-feira, abril 24, 2017

A realidade e os objectivos

A realidade ficou á vista de todos na Madeira. Também está visível na contabilidade do goal-average, 22 golos marcados e 39 sofridos! Estes números (o segundo pior ataque da Liga!) e uma defesa que tem vindo a sofrer muitos golos, são números que apontam para a descida de divisão. Portanto os trinta e dois pontos alcançados, e que ainda não garantem a permanência, são mesmo assim um milagre! Mas não há milagres no futebol, aqui e ali a sorte e o azar podem bater à porta, mas não é sempre. E o Belenenses tinha realmente alguns jogadores na sua espinha dorsal que faziam a diferença. Refiro-me antes de mais ao guarda – redes Joel Pereira, cuja entrada na equipa correspondeu ao nosso melhor período, assim como o Palhinha, um trinco que disfarçava no jogo aéreo algumas deficiências dos centrais. Escrevi em tempos que o Palhinha não me entusiasmava, nomeadamente na transição ofensiva, mas tenho que reconhecer que teve um papel importante nos poucos golos que sofremos até Janeiro. Na Madeira assistimos a cruzamentos em que os centrais estão de frente para a bola e mesmo assim são batidos! O trinco também não ajuda e estou a falar do sueco Persson, demasiado lento a fazer-se aos lances. Quanto ao Cristiano, ao contrário do Joel, não sabe sair da baliza.
Depois temos um meio campo fraquinho e um ataque inexistente. Como referi noutro postal nestas condições insistir em jogar de igual para igual com adversários melhor apetrechados é certo e sabido que vamos sofrer muitos golos. Foi o que aconteceu neste jogo só aparentemente dividido.

Passemos aos objectivos entretanto enunciados pelo presidente da SAD e que li no jornal Record. Objectivos menores e além do mais discutíveis. Menores porque Rui Pedro Soares pode dizer mil vezes que sem ele o Belenenses estava nos distritais, o que até pode ser verdade, mas também não é mentira, e isso digo-lho eu, que mesmo nos distritais o Belenenses tem um ADN, ou seja, uma marca, que só é comparável com os outros três rivais. Portanto ou se rentabiliza uma marca destas como deve ser ou andamos a perder tempo e a destruir aquilo que resta.

Objectivos discutíveis no sentido em que quarenta pontos ainda podem fazer uma série de equipas que passaram este campeonato perto da linha de água. O Belenenses se ganhar em casa ao Paços de Ferreira e ao Moreirense quase que lá chega. Para dizer que este objectivo pode servir para o Chaves mas não serve para o Belenenses. Como também não serve o discurso da Taça de Portugal, um toque de demagogia na medida em que se trata de uma prova aleatória onde não se podem nem se devem criar muitas expectativas.

Da entrevista concorda-se com a análise que faz às infra estruturas que faltam ao futebol azul, e à necessidade de uma equipa B*. Referir também que concordamos que é preciso fazer alguma coisa pelo futebol português, cada vez mais corrupto, cada vez mais violento dentro e fora das quatro linhas, um futebol polvo que tem o seu epicentro nos poderes públicos, nas ligações perigosas entre a banca nacionalizada, as empresas públicas e alguns clubes de futebol. E na impunidade que se assiste. Impunidade para a qual contribuem os media que mais parecem papagaios ao serviço dos infractores. Pena é que o Belenenses atendendo á situação de guerra civil em que vive não possa dar o seu contributo positivo e regenerador.

Saudações azuis


* Sugeri em tempos a reabilitação de um campeonato de reservas organizado pela Associação de Futebol de Lisboa que teria por certo mais interesse e mais público que as equipas B que para além de interferirem com a verdade desportiva na Liga secundária, são um projecto dispendioso e estafante. 

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