terça-feira, fevereiro 23, 2010

É a vida…

A vida está como o Belenenses – em último lugar, cada vez mais isolado, por culpa própria, sem direcção, um deserto sem fim à vista, onde apenas crescem aquelas ervas que não dão flor nem fruto.
Não vi o jogo e recuso-me a vê-lo, em reprise, para sustentar a crónica habitual. Simplesmente porque já não aguento.
Não aguento a tristeza de um clube a definhar, ano após ano, com ligeiras melhoras quando consegue libertar-se um pouco da doença (amplamente diagnosticada) que o asfixia, para logo retomar o inexorável caminho da extinção.
Aqui há uns tempos, quando avaliei o campeonato já decorrido (um terço, se não me falha a memória) ainda não éramos os últimos, mas tudo indicava que para lá caminhávamos. Era uma questão de tempo. Paralelamente, em relação ao adversário que nos visitou ontem, fui dizendo que certamente subiria na tabela e sem quaisquer problemas.
Porquê?!
A Académica teve um mau início de campeonato, foi lanterna vermelha uma série de jornadas, mas soube fazer pela vida. Teve artes para apostar num jovem e promissor treinador, e a verdade é que a partir daí, tudo mudou, o plantel que é praticamente o mesmo, consegue formar uma equipa unida e vitoriosa.
Isto seria possível de acontecer no Belenenses?!
Não.
É aliás (tem sido) um dado adquirido que uma vez caídos nos lugares de despromoção nunca mais dali saímos. A não ser através da secretaria.
Qual é então a diferença entre nós e os outros, neste caso a Académica?!
Respondo, colocando a pergunta de outra maneira – se tivéssemos optado por Villas-Boas, teríamos conseguido subir na tabela classificativa?!
Não, porque não acredito que Villas-Boas aceitasse treinar o actual Belenenses. E com isto ilibo de responsabilidades todos os treinadores que tentaram, sem sucesso, fazer alguma coisa de positivo.
As razões são várias mas a principal tem a ver com um clube sem direcção e entregue a um conjunto de interesses alheios ao futebol. Isto não se passa na Académica nem na restante concorrência.
Estou farto de o dizer, farto de falar em rotura com o passado recente, estou cansado de afirmar que o Belenense tem que se libertar deste ‘lastro’ que o empurra todos os dias para o fundo.
Quem se candidatar, se quiser salvar o Belenenses, tem que eliminar tudo o que não for futebol.
Não há volta a dar.
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PS: - Jaime Pacheco comentou o actual momento do Belenenses e não podia ser mais certeiro, quanto ao diagnóstico e quanto à terapia. É uma revolução (rotura, chamo-lhe eu), doa a quem doer, indispensável à sobrevivência do Clube de Futebol "Os Belenenses". Urgente porque o capital de esperança que ainda existe está a esgotar-se rápidamente.

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