sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Poucos euros e muita conversa

Se hoje abrirmos as páginas dos jornais portugueses naquela parte em que falam dos clubes do estado, constatamos de imediato que estão a preparar-se para pedir mais dinheiro ao Orçamento de todos nós.
Senão vejamos:

O jornal “A Bola” debruça-se sobre a abertura das SAD a capitais exteriores, que assim se tornariam nos donos do futebol em cada clube, na linha do que vem acontecendo em alguns países europeus, nomeadamente em Inglaterra onde foi notícia a recente aquisição do Manchester United por dois milionários americanos ligados… ao basebol. Para lá da experiência em curso no Beira-mar, a reportagem faz referência a conhecidas declarações de antigos e actuais dirigentes do Belenenses, no caso, Ramos Lopes e Cabral Ferreira, mas também Carlos Pereira do Marítimo e Bagão Félix dão a sua opinião sobre o assunto.
As razões são as mesmas: o mercado é pequeno, a globalização assim o exige, e insiste-se na redução de clubes ‘inviáveis’.

Noutro plano, mas com o mesmo intuito e via DN, a célebre empresa ‘Deloitte’, especialista em estudos encomendados e que têm servido para alicerçar posteriores decisões das cúpulas do futebol em Portugal, vem anunciar que graças à campanha europeia de 2005/2006, o Benfica figura no vigésimo lugar entre os clubes que mais receita desportiva obtiveram (85,1 milhões de euros). O primeiro, o Real Madrid, obteve 292,2 milhões de euros.
De seguida apressa-se a esclarecer que a presença do Benfica na lista da “Futebol Money League” reflecte o impacto da construção do novo estádio, do sucesso desportivo alcançado (quartos de final da Champions League) e da acção inovadora no mercado nacional de angariação de novos sócios. Adicionalmente, o facto de o Benfica apresentar contas consolidadas (Clube, SAD, Estádio SA, entre outras) contribuiu para entrada neste ranking”.
Segundo a Deloitte, a distinção do Benfica não esconde ‘gap’ entre Ligas – “Esta situação está relacionada com as receitas previstas provenientes da televisão que estão associadas à dimensão do mercado. Neste contexto e enquanto as regras de distribuição das receitas do marketpool da Champions League não forem alteradas dificilmente um clube português poderá ambicionar competir de forma igual num contexto europeu”.

Finalmente e também no DN, com o título – “Sporting pede ajuda a Carmona Rodrigues” – pode ler-se:
“Filipe Soares Franco e José Filipe Nobre Guedes, do Sporting, e representantes da empresa MDC, reuniram-se ontem com o presidente da CML, para pedir celeridade na aprovação do PDM relativo aos terrenos junto ao estádio José Alvalade e do interface do Metro, nas imediações da Alvaláxia.
Em causa estão os 35 milhões de euros que o Sporting tem a receber da empresa MDC, pelos terrenos ao lado do estádio e que só serão transferidos para a conta leonina quando o município der o aval para a construção. O que ainda não aconteceu”

Depois destas notícias, três comentários apenas:
Clubes inviáveis?!
Se calhar a continuarmos assim, somos todos inviáveis, a começar pelos que mais gastam e mais devem.
Novas regras de distribuição das receitas de televisão na Champions?!
Estamos todos de acordo, mas o melhor é começar cá dentro. Porque o problema dos clubes do estado lá fora é o mesmo que têm todos os outros clubes cá dentro.
Acelerar e aprovar o PDM para o Sporting beneficiar do eterno ‘interface do metro’?!
Já nem sei o que diga! O melhor é o Belenenses pedir igualdade de tratamento. Já chega de discriminação.
Saudações azuis.

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