terça-feira, julho 13, 2010

Sete dias depois

A Espanha ganhou, a França comemora amanhã a sua guerra civil, Coentrão está a ser vendido pela comunicação social portuguesa a troco não se sabe de quê, o Belenenses inicia a sua travessia do deserto. Estamos onde estamos e é a partir daqui que temos que caminhar. Pouco interessa falar do passado, inclusive do passado recente onde (segundo parece) mais uma vez demos um tirinho no pé. Normal, já nem damos pelo tiro!

Olhemos então o futuro – um treinador que conhece a casa, tem fama de disciplinador, o que é positivo, é jovem, tem obrigação de ser ambicioso.
Jogadores há muitos e se estivemos atentos ao mundial que decorreu na África do Sul, verificámos que o colectivo (humilde e solidário) triunfou sobre o vedetismo inútil. Isto tem tudo a ver com o nível de quem comanda, com a educação versus selvajaria, e outras pequenas grandes coisas que já fui aflorando… aqui e ali.
Venham pois juniores ou jogadores entradotes, o que precisamos acima de tudo é de comportamentos adultos, aquilo a que o vulgo chama de homenzinhos.

A travessia do deserto será dura, acabaram-se para já os sonhos de grandeza, nem esses sonhos serão úteis, pois não deixam de ser sonhos. Melhor será assumir a realidade e construir a partir daí uma base segura para outros voos. É verdade que investir em Portugal (seja no que for) não compensa, mas sejamos ao menos um bocadinho mais inteligentes que a concorrência. Pode ser que o tempo corra a nosso favor.

Saudações azuis

terça-feira, julho 06, 2010

Um país à sede

Sagres, Vitalis, agora Oranjina, amanhã capilé, o calor aperta e Portugal não tem outro remédio senão beber aquilo que lhe aparece pela frente. Pois muito bem, não podendo ser Sagres, bebamos então a tal orangina, filha ou bisneta da laranjina C, que bebíamos com satisfação para ficarmos com mais sede! A palavra de ordem para todos, de cima a baixo, é respeitar o Clube. Se os dirigentes o respeitarem o exemplo transmite-se em todos os planos e direcções. E os que chegam apercebem-se disso e respeitam também. Importante que os cargos de capitão de equipa sejam entregues, não apenas aos filhos da casa (se ainda os houver!) mas a quem tenha perfil para tal. O perfil detecta-se em campo, emerge nas dificuldades, impõe-se no balneário.
A finalizar este intróito, e como é costume, o Belém Integral endereça aos novos dirigentes as maiores felicidades no desempenho dos cargos para que foram eleitos.

Quem continua com sede de protagonismo é o pobre do Cristiano Ronaldo, a imagem viva dos ídolos do nosso tempo. Pensando doirar a pílula que foi a sua participação no mundial, o seu staff de imagem (!) não achou melhor ideia do que transformar o madeirense num pai solteiro! Que lindo!

Outra novidade lusitana, pós mundial, são as homenagens aos grandes vultos da selecção, porque afinal, e eu não sabia, tivemos um comportamento a todos os títulos meritório! Vai daí, festa nas Caxinas, Coentrão recebido em glória, e o rapaz não se fica por menos, já se considera o melhor defesa-esquerdo do mundo!

Marca registada da nossa televisão, sem novidade, é a obrigatoriedade de falar no Benfica! Seja o Ghana contra o Uruguai, sejam os camarões contra as santolas, o Benfica tem que entrar em jogo! Até faz sede!

Saudações azuis

segunda-feira, julho 05, 2010

Ser belenense

Ser belenense…
É ter um só coração
Olhar o rio
A pensar no mar
Pegar na Cruz
Sem saber rezar!

É escolher o azul para bandeira
E ser fiel a vida inteira!

Fiz estes versos na caixa de comentários do blogue - Belém Livre, no dia 17/05/09. É uma boa altura para os publicar aqui, onde nasceram.

quinta-feira, julho 01, 2010

Eleições

No próximo sábado o Belenenses vai mais uma vez a votos. Mais uma vez ou uma vez mais e não será por falta de eleições que não ganhamos um campeonato há um ror de anos! Mas vai a votos e vai escolher entre duas listas concorrentes que, louve-se a coragem de ambas, se disponibilizam a tomar conta do clube em época de vacas magríssimas e com o futuro bastante comprometido.
Estamos portanto em tempo de contenção, incluindo a escrita que cada vez apetece menos escrever sobre o Belenenses. Mas tinha que alinhavar ao menos duas linhas, repetitivas, como convém em época de cata ventos.
Sem enganos nem esperanças vãs o Belém Integral sempre pugnou pela rotura ao contrário da evolução na continuidade que tem sido a regra geral neste clube. Por isso, o Belém Integral sempre perdeu as eleições.
Existe agora uma nova oportunidade para experimentar outras soluções, com gente nova, e assim pergunto, sem qualquer menosprezo pela outra candidatura que aliás já saudei – será desta?!

Saudações azuis

terça-feira, junho 29, 2010

Os imbecis

É para isto que serve um blog, para descarregar raivas e frustrações, minhas naturalmente, quem não gosta não lê, mas fica registado. Daqui a alguns anos pode ser que este texto desconexo ganhe algum sentido! Acontece muito.
Perdemos quando não podíamos perder, contra uma selecção que faz bilros o tempo todo. Perdemos a jogar práticamente em casa, e quando se joga em casa enfrenta-se o adversário olhos nos olhos, não ficamos à espera dele, recuados, dando-lhe esse suplemento vitamínico que ele à partida não tinha. Perdemos porque não podemos depender de um jogador, por mais credenciado que seja, alimentando ilusões e expectativas que a realidade se encarregou de desfazer. Cristiano Ronaldo bem quis corresponder mas tudo lhe saía mal, ao ponto de parecer um principiante a jogar à bola!
E não foi só neste jogo, foi em todos.
Perdemos porque não houve a coragem de denunciar o exibicionismo dos livres tipo play station, lances que poderiam ter sido melhor aproveitados já que dispomos de grandes especialistas no jogo aéreo. Especialistas que íam lá à frente... em vão! E depois aqueles locutores enervantes mais preocupados em ‘vender’ o ‘benfiquista’ Coentrão do que em valorizar a selecção portuguesa. É também por aqui que perdemos, e é por aqui que nos tornamos minúsculos.
Ilacções positivas, duas, o que já não é mau: - evitamos que a propaganda republicana (mais o seu centenário) contamine o que resta da unidade nacional; e espero eu, esperamos todos, que durante uns tempos o Ronaldo nos poupe aos saltinhos de calcanhar e outras imbecilidades semelhantes. Se jogar à bola, simples, pode ser que para a próxima... venha a ser útil à equipa portuguesa.

sábado, junho 26, 2010

Visto de Marte

Visto de longe, com a nitidez que só a distância consente, este campeonato do mundo revela coisas curiosas! Evidências que escapam aos analistas politicamente correctos.

Se começarmos pelos que ultrapassaram a fase de grupos, reparamos em três selecções siamesas, separadas à nascença pelas fracturas continentais. Estamos a falar da Coreia do Sul, do Japão e do Chile! Tão parecidas na maneira de jogar, a mesma rapidez no intuito de superarem a falta de robustez física, um colectivismo feroz, e mesmo assim, as mesmas dificuldades para se apurarem! Recorde-se que apesar do seu futebol electrizante, a equipa dos Andes esteve sempre à mercê do ferrolho suíço. Mas o ferrolho é isso mesmo, é um ‘relógio’ que não serve para atacar.

Seguem-se as colónias ibéricas, uma mistura de habilidade e força, temperada pela manha do colonizador. Ficaram confortavelmente instaladas nos primeiros lugares e são favoritas. Umas mais que as outras.

Um capítulo para os europeus e aqui temos que clarificar o que se vê de Marte: - vemos claramente a Inglaterra e a Holanda, os donos das minas, e vemos a Alemanha, que sempre quis meter o pé em África. O duelo que se avizinha tem ressonâncias que nem as vuvuzelas conseguem silenciar. A Alemanha, menos forte que o costume, tudo indica que será de novo vencida em terras africanas.
Ah, falta a Espanha! Em África, castelhano... só em Ceuta. A gente trata do assunto.

E chegámos finalmente a África!
Aqui cabe distinguir a única selecção africana que se apurou, e com grande naturalidade – Portugal! É certo que o Ghana também conseguiu passar mas o Ghana não é uma selecção que represente África, é apenas uma selecção de africanos, neste caso ‘ashantis’ do golfo da Guiné. O que é substancialmente diferente. As outras selecções de africanos foram todas afastadas, como era previsível, incluindo o misto franco-guineense que representava a França!
Aliás, isto é tão verdade que o próprio Mandela não teve dúvidas em receber os portugueses num gesto carregado de simbolismo. Foi como se dissesse – vá, joguem e ganhem que é a única maneira de África ganhar!

Não posso terminar sem uma palavra para o madeirense Ronaldo – eh pá, passa a bola!

Saudações desportivas

sexta-feira, junho 18, 2010

A verdade nua e crua

Sem subterfúgios, resolveu um dos candidatos dizer aquilo que muitos sabiam e todos temiam - o Clube de Futebol "Os Belenenses" há muito que não cumpre o seu objecto social, há muito que não tem condições para competir nas ligas profissionais de futebol, pelo menos ao nível das expectativas dos seus adeptos. As receitas pagam apenas a estrutura que foi crescendo à sombra das glórias do futebol. Acabaram-se as glórias mas a estrutura ficou, e as sucessivas direcções limitaram-se a ignorar (e a iludir) esta realidade. Mas ela aí está, indesmentível, aparentemente irreformável. Será que ainda existe capacidade e coragem para salvar o Belenenses? A última palavra pertence aos sócios... que restam. A ver vamos.
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Saudações azuis