sábado, junho 26, 2010

Visto de Marte

Visto de longe, com a nitidez que só a distância consente, este campeonato do mundo revela coisas curiosas! Evidências que escapam aos analistas politicamente correctos.

Se começarmos pelos que ultrapassaram a fase de grupos, reparamos em três selecções siamesas, separadas à nascença pelas fracturas continentais. Estamos a falar da Coreia do Sul, do Japão e do Chile! Tão parecidas na maneira de jogar, a mesma rapidez no intuito de superarem a falta de robustez física, um colectivismo feroz, e mesmo assim, as mesmas dificuldades para se apurarem! Recorde-se que apesar do seu futebol electrizante, a equipa dos Andes esteve sempre à mercê do ferrolho suíço. Mas o ferrolho é isso mesmo, é um ‘relógio’ que não serve para atacar.

Seguem-se as colónias ibéricas, uma mistura de habilidade e força, temperada pela manha do colonizador. Ficaram confortavelmente instaladas nos primeiros lugares e são favoritas. Umas mais que as outras.

Um capítulo para os europeus e aqui temos que clarificar o que se vê de Marte: - vemos claramente a Inglaterra e a Holanda, os donos das minas, e vemos a Alemanha, que sempre quis meter o pé em África. O duelo que se avizinha tem ressonâncias que nem as vuvuzelas conseguem silenciar. A Alemanha, menos forte que o costume, tudo indica que será de novo vencida em terras africanas.
Ah, falta a Espanha! Em África, castelhano... só em Ceuta. A gente trata do assunto.

E chegámos finalmente a África!
Aqui cabe distinguir a única selecção africana que se apurou, e com grande naturalidade – Portugal! É certo que o Ghana também conseguiu passar mas o Ghana não é uma selecção que represente África, é apenas uma selecção de africanos, neste caso ‘ashantis’ do golfo da Guiné. O que é substancialmente diferente. As outras selecções de africanos foram todas afastadas, como era previsível, incluindo o misto franco-guineense que representava a França!
Aliás, isto é tão verdade que o próprio Mandela não teve dúvidas em receber os portugueses num gesto carregado de simbolismo. Foi como se dissesse – vá, joguem e ganhem que é a única maneira de África ganhar!

Não posso terminar sem uma palavra para o madeirense Ronaldo – eh pá, passa a bola!

Saudações desportivas

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