segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Aceitar a realidade

Aceitar a realidade custa, se custa, ainda por cima aos mais antigos, àqueles que já conheceram outros sóis. Esta lua não me ilumina daí que esteja cada vez mais parco na escrita no que ao Belenenses diz respeito. Travessias do deserto?! Já fiz tantas que o deserto mudou-se cá para casa. Enfim, a título de consolação, ganhámos e ganhámos bem em andebol. Ao Sporting! Um jogo quase azul - uma equipa azul muito jovem de um lado, e do outro lado, uma série de jogadores ex-azuis que ano após ano vamos fornecendo aos nossos principais adversários. No futsal idem. No resto idem. Clube formador (e pequeno) será esse o nosso fado?!
Mas ganhámos.
No futebol perdemos mas segundo rezam as crónicas estamos um bocadinho mais competitivos. Menos mal.

Porque continuo a gostar de futebol e com algumas pretensões de sapiência, recuperei o que escrevi sobre o Porto de Hulk. Mais uma vez acertei e se ao princípio Villas Boas parecia querer construir uma equipa de futebol em que Hulk era apenas mais uma peça, o que aconteceu depois é conhecido. Incapaz de se libertar da memória dos cinco a zero, o treinador do Porto construiu a equipa à volta das iniciativas individuais do brasileiro, iniciativas que têm resolvido (mal) o assunto, até um dia… E esse dia já chegou. Com as consequências que se adivinham… A derrota no Dragão contra o Benfica e o que mais se verá. E não havia necessidade de dar novo alento aos lampiões (também mérito de Jesus) e podia poupar-me, poupar-nos, ao regresso em força do nacional-benfiquismo. O país todo encarniçado, um horror.
A alternativa seria (não sei se ainda vai a tempo!) construir a equipa em torno do raro talento de um dos melhores jogadores portugueses, Ruben Micael. Que joga e faz jogar tudo e todos (quase sempre ao primeiro toque) e que define como ninguém o último passe! Libertando-o é claro de grandes tarefas defensivas. Pelo contrário, alinhando com Hulk, e mais dois avançados (sem classe) que também não defendem, o Porto tem que jogar com uma série de médios recuperadores…das bolas infantilmente perdidas pelo Hulk. A piorar a situação a ausência de uma referência na área que prenda os centrais adversários, que o Hulk também não é, nem prende. Aliás as jogadas do Hulk são cada vez mais previsíveis. Mas há mais, os livres, as bolas paradas, uma das especialidades (europeias) de Micael, não é ele que as marca (pois se nem joga!), é o Hulk, para as nuvens, o Moutinho que marca um golo por época, seja de livre ou não, ou até um rapazinho chamado James!
Entretanto, (e também era previsível), no banco, sem jogar, Ruben Micael está óbviamente menos confiante, mas continua a ser um grande maestro, um exímio (e rápido) pensador do jogo. Um jogador raro que é um crime (de lesa futebol) não ser bem aproveitado.
Crónica longa, eu sei, mas tinha que dizer isto.

Saudações azuis
.
.PS: - Aliás, e ainda a propósito de livres e bolas paradas, gostaria de ser esclarecido porque é que o jogador com melhor qualidade de passe no plantel azul e branco, que mete a bola onde quer - Ruben Micael - não é ele a marcar esses lances??? Será porque nos treinos os outros marcam muitos golos desse tipo?! Pois, nos treinos... o problema é nos jogos e nos jogos o Micael marca... já vimos esse filme no Nacional da Madeira. Tem é que ter as mesmas oportunidades que os outros... que falham. A pergunta mantém-se.

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