domingo, setembro 30, 2007

Vitória sofrível mais

Vitória sofrível porque podíamos sofrer menos. Sofrível mais, porque acabou como devia ter começado. Explico: o futebol é um jogo simples e já deu para perceber que sem um extremo, que seja mesmo extremo, a nossa equipa tem grandes dificuldades em marcar um golo. Desta vez não estávamos a defrontar nenhum colosso e mesmo assim, não conseguíamos criar perigo! Durante a primeira parte, altura em que tivemos o controle das operações, contam-se por uma mão os remates que efectuámos à baliza do Paços de Ferreira. Valeu o golo marcado perto do intervalo, um excelente passe de Silas a descobrir Roncatto que não perdoou!
Veio o segundo tempo e com ele a esperada reacção dos amarelos, Ricardinho empunhou a batuta, obrigando a nossa equipa a recuar no terreno. Costinha teve então que se empregar a fundo para evitar o empate. O contra ataque podia ter funcionado mas não funcionou, excepto numa ocasião soberana construída e desperdiçada por Weldon! Até que no jogo das substituições Jesus resolveu fazer entrar Amaral para defesa direito, fazendo subir Cândido Costa para o lugar de extremo, o tal extremo que faltava. Descansei e comigo descansaram muitos belenenses, faltavam dez minutos para o fim, mas o Paços acabou aí. A bola fixou-se nas imediações da área adversária sem mais sustos para a nossa baliza.
Foi uma vitória importante, como são todas.
Resultado: Belenenses 1 – Paços de Ferreira 0
Melhor em campo: Cândido Costa.

Outras impressões:

Costinha – Muito bem!
A defesa em linha esteve impecável e contou com a colaboração e atenção dos fiscais de linha!
Weldon – exibição positiva, melhorou com o decorrer do jogo!
Roncatto – um excelente golo e alguma capacidade de retenção de bola!
Zé Pedro – a subir de rendimento!
Silas – idem.

Saudações azuis.

O árbitro

Reduzida ao único interesse de saber quem é que consegue ficar nos lugares de acesso ao dinheiro da Champions, a nossa Liga está por isso completamente dependente das ‘boas’ arbitragens, aquelas que favorecem esses altos desígnios! Envolvidos no esquema, completamente dependentes dessas receitas extraordinárias, estão os três clubes do estado, que sabem bem que se forem excluídos dessa competição não terão como disfarçar as respectivas falências técnicas. É à volta disto, e da propaganda das selecções, que se constrói todo o edifício do futebol português, onde se inclui uma comunicação social missionária, para além de outros interesses que nada tem a ver com o futebol jogado nas quatro linhas. Já tracei este retrato mil vezes, já repeti mil vezes que os campeonatos internos não interessam para nada, que os restantes clubes são meros figurantes desta farsa, e por isso não é de estranhar que só tenham eco os casos de arbitragem que envolvam os clubes do estado, que se vigiam mutuamente, não vá um deles ser mais beneficiado que os outros. A única certeza que temos é que os pequenos clubes são sempre prejudicados quando os defrontam. A regra em Portugal é conhecida – na dúvida a favor dos grandes.
Reportando-me apenas ao passado recente, foi assim em Alvalade contra o Vitória de Setúbal, onde o árbitro e os respectivos auxiliares não viram uma falta assassina dentro da grande área leonina, que inclusivamente poderia ter posto em risco a integridade física do atacante sadino, mas depois conseguiram ver uma infracção milimétrica, porque era a favor do Sporting… e o Sporting estava a perder. Na Reboleira foi o que se sabe, ao minuto noventa, defronte para o lance, o árbitro viu por certo o defensor do Estrela devolver a bola de cabeça, mas porque o fiscal de linha levantou a bandeirola, resolveu seguir a sua indicação, acabando por favorecer o Benfica. Pediu desculpas depois, mas revelou o estado de irresponsabilidade em que vivemos. Explico: o árbitro é quem decide, os auxiliares servem apenas, como o nome indica, para auxiliar o árbitro e quando este sente necessidade disso. Nestas condições, se o árbitro não marca uma falta é porque não tem dúvidas, se entretanto o fiscal de linha levanta a bandeirola, o árbitro que está em contacto com o seu auxiliar, via rádio, deve prosseguir o jogo e o jogo tem que prosseguir. Assume assim a responsabilidade pelo que julga estar certo, e só em caso de dúvida, deve parar o jogo e consultar o seu auxiliar. E assim chegamos ao mais recente erro de arbitragem ocorrido ontem, no Benfica-Sporting, em que o árbitro resolveu desta vez responsabilizar-se... irresponsávelmente! Pedro Henriques estava mal colocado para visionar o lance que envolveu Katsouranis, teve dúvidas porque foi consultar o seu auxiliar, e nestas condições deveria ter seguido a respectiva indicação, que toda a gente percebeu qual era – marcar um penalty contra o Benfica. Porque é que não marcou? Eis a dúvida insanável!
Mas não crucifiquemos apenas a arbitragem porque aqui, sim, é obrigatório distribuir as responsabilidades pelos outros agentes desportivos, especialmente por quem tem a responsabilidade última de decidir... que tipo de competição é que queremos organizar. Esta que temos ou uma competição mais séria, a sério!
Saudações azuis.

quarta-feira, setembro 26, 2007

“O povo é sereno…”

A frase é do Almirante Pinheiro de Azevedo, foi proferida no Terreiro do Paço, numa situação bastante complicada… e acrescentou – “é só fumaça”!
Será?!
Esperemos que sim porque eu hoje não queria envolver-me nas más notícias que os jornais divulgam – ordenados em atraso no andebol, problemas entre a liga e a federação de basquetebol, que irão certamente sobrar para a liga, onde o Belenenses participa. Em relação ao PEC (Plano Extrajudicial de Conciliação), nomeadamente no que toca às garantias patrimoniais exigidas pelo fisco, a situação também não é líquida. A Direcção vai apresentar o assunto à consideração dos sócios na próxima Assembleia-geral, mas ouviu previamente a opinião do Conselho Geral, cujo comunicado é do seguinte teor:
- “Após uma ampla e objectiva discussão que alargou uma análise genérica das questões colocadas, designadamente assinatura do contrato relacionado com o PEC, intermediado pelo IAPMEI, não se obteve uma posição de unanimidade, se bem que tenham havido manifestações de apoio às orientações da Direcção”.
Bem, amanhã se verá, mas espero que a proposta da Direcção passe sem mais problemas. Afinal não queria envolver-me… e já me envolvi, pois a mera enunciação das questões pendentes já chega para me preocupar.
Antes de me despedir porque daqui a bocado temos o Belém a jogar, deixo ainda duas pequenas notas: a primeira tem a ver com o excelente comportamento da equipa portuguesa de rugby, que se bateu com muita galhardia no campeonato do mundo da modalidade. Nela se incluíam alguns atletas do Belenenses que dignificaram o país e o clube. Não alinho no fado nacional das vitórias morais, nem tão pouco me deixo impressionar com hinos que me fazem lembrar guerras civis! Mas não deixei de ver a esforçada actuação da nossa equipa, que na primeira parte chegou a dar a sensação que iria bater os romenos.
A segunda nota dirige-se ao amigo Luís Lacerda para agradecer a disponibilidade para publicar no seu Blog o ponto de vista do Belém Integral sobre a readmissão de sócios.
A falha é minha, o atraso é meu, e por isso, atendendo a que estamos em cima dos acontecimentos, não quero entupir o seu espaço num dia em que a nossa atenção está voltada para Portimão. Ficará para melhor oportunidade.
Saudações azuis.

domingo, setembro 23, 2007

Mais um…

No dia em que fizer oitenta e oito anos, se ainda cá estiver, irei à missa à Capela do Senhor Santo Cristo celebrar a fundação do Belenenses… e uma dúzia e meia de campeonatos entretanto conquistados! Estou a brincar com os campeonatos mas não estou nada satisfeito com a marítima derrota… não sei nada, não vi nada, sei apenas que perdemos por dois a zero. E que ficámos mais uma vez em branco… não há ninguém que marque um golo?! Um apenas, para servir de vela no bolo de anos! Mudemos de assunto. Para a semana ganhamos e a meio da semana também. “Belém, Belém, das caravelas…”!
Viva o Belenenses.

sábado, setembro 22, 2007

Vitórias morais

Não posso passar a vida a criticar o director do jornal “A Bola”! Tenho que admitir que hoje esteve bem ao glosar no seu artigo de fundo o tema das ‘vitórias morais’, espécie em franca expansão neste Portugal dos pequeninos. Expansão quer aqui significar recaída, e recaída numa doença nacional grave, que parecia ultrapassada, mas não está.
Aliás a doença aparece agora com uma nova estirpe, vem acompanhada do hino, o que não acontecia antigamente! Já se sabe como são as viroses, multiplicam-se, e surpreendem-nos sempre! Agora é certo e sabido que qualquer derrota, por mais expressiva que seja, aparece ornamentada com os louros de uma vitória impossível de alcançar! Porquê?! Por causa dos sucessivos ‘colossos’ que nos surgem ao caminho! Nós somos o eterno David da fábula, mas ao contrário do antigo, não conseguindo vencer o Golias, o nosso David tem a particularidade de levar uma tareia do mesmo, e depois vai para casa… cantar vitória. No mínimo curioso, este David!
Mas a coisa não se fica por aqui, Portugal lidera um movimento em que os jogadores devem pedir desculpa pelos golos que marcam às equipas adversárias, como sinal de gratidão aos seus antigos patrões! É mais uma originalidade portuguesa dentro da cultura de derrota (e anti-competitiva) que queremos implementar. E assim se desculpabilizam insuficiências permanentes!
Não se tratem que não é preciso.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Munique a duas vozes

Segui o jogo na RTP e tenho naturalmente duas opiniões opostas. Por um lado sou tentado a alinhar na canção nacional e ficar feliz com a exibição e com o resultado tangencial. Afinal não fomos esmagados pelo ‘colosso’ germânico! Mas se me abstrair do nome do adversário detecto inúmeras deficiências na nossa equipa e que bem poderiam não ter acontecido. São deficiências que não têm nada a ver com Munique, que se verificam também nos jogos disputados no Restelo, como sejam, a inexistência de uma referência atacante que saiba simplesmente receber a bola e temporizar a jogada, por forma a que ela não se perca em poucos segundos. Estas falhas técnicas também se estenderam ao meio campo, no capítulo do passe, e em momentos decisivos, naqueles em que tínhamos algumas chances de criar perigo. E foi pena porque em termos tácticos estivemos quase perfeitos, com uma defesa em linha a colocar enormes dificuldades aos avançados do Bayern, apanhadas inúmeras vezes em fora de jogo. Mas o desafio teve duas partes distintas, na primeira, por causa do nervoso miudinho, lateralizámos em excesso, ninguém queria assumir responsabilidades, nomeadamente Amorim de quem se esperava uma atitude mais personalizada. No segundo tempo Jesus deve ter espicaçado os jogadores que se apresentaram mais desinibidos conseguindo então desenvolver o seu futebol, e durante vinte minutos o Belenenses pareceu poder discutir o jogo e o resultado! Mas as carências atacantes frustraram as melhores intenções. Precisamos de um avançado de categoria indiscutível, que domine o básico daquela posição decisiva. Era suposto ser o Weldon!
Nota alta para o centro da defesa, Devic incluído, e para Costinha! Alvim esteve esforçado, José Pedro e Silas no melhor e no pior, Amorim melhorou na segunda parte.
As substituições não resultaram, apenas Amaral cumpriu.
Na segunda mão temos hipóteses... mas é preciso marcar golos.
Resultado final: Bayern de Munique 1 - Belenenses 0
Saudações azuis.

Belém no primeiro canal!

O poder político parece ter acordado de uma longa e triste hibernação, deve ter percebido, ou alguém lhe explicou, que isto de reduzir a informação pública desportiva a Benfica, Sporting e Porto, pode ser muito engraçado, mas tem consequências, destapa excessivamente a veloz caminhada para um destino mais que provável – o país transformado em mera região autónoma peninsular, sem necessidade de tantos políticos e governantes e na parte que agora nos interessa, sem condições de disputar um campeonato nacional. Deve ter soado então o alarme e por essa razão as participações na Taça UEFA de Braga, Belenenses e Paços de Ferreira merecem honras de transmissão televisiva! Tenho a certeza de que há um ano (antes do lamento de Paulo Duarte, treinador da União de Leiria), isto não teria acontecido, no máximo, talvez uma rádio local transmitisse algum destes desafios.
Quer isto dizer que podemos ter esperança? Que os tempos mudaram? Não vou responder, preciso de outros sinais do poder político, sinais de independência, sinais de patriotismo e verdade, o que até à data não tem acontecido, mais parecendo que somos governados pelo medo, pela cumplicidade e… pelas sondagens!

Agora o jogo de Munique, e as hipóteses azuis de conseguir um bom resultado. Sabe-se que bom resultado é ganhar, ou não perder, marcando um golo! A eliminatória seria então resolvida no Restelo. Para que isto aconteça confio que Jesus terá imaginado a melhor táctica e terá escolhido também os melhores intérpretes. Não devo andar longe da verdade se disser que a chave do jogo se situa no trabalho dos médios defensivos, Amorim e Weverson (?), e na capacidade de toda a equipa pressionar o adversário quando este tiver a bola. Precisamos de jogadores rápidos e que consigam ao mesmo tempo refrear o ritmo dos alemães. E cuidado com os disparos de meia distância daquele jogador que tem um nome difícil de escrever.
Logo já saberemos. O jogo é transmitido em directo no canal 1, às 18 horas.
Saudações azuis.