terça-feira, novembro 10, 2020

A fraude institucionalizada!

 

A fraude parece ser a regra de ouro no futebol português! De acordo com as notícias de hoje, temos:


Indícios de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais; indícios de aliciamento de jogadores e falsificação de resultados; financiamentos encapotados a clubes para daí retirar benefícios desportivos e outros; sacos azuis, cláusulas secretas, prémios para os adversários perderem...


Segundo a PJ, tudo isto entronca no Benfica e envolve outros clubes. Santa Clara, Marítimo, Paços de Ferreira, Vitória de Setúbal, Desportivo das Aves e Chaves estão entre os visados. Os factos em investigação reportam-se às épocas de 2015, 2016, 2017.


Nestas circunstâncias a pergunta é a seguinte: - como podemos confiar que exista alguma verdade desportiva no futebol português quando há clubes patrocinados por outros, e jogadores que não sabemos exactamente de quem são e quem efectivamente lhes paga?


Resposta: - A justiça desportiva tem que ter uma actuação atempada e independente. Se é para andar permanentemente a reboque das decisões dos tribunais, então não serve para nada. A ver se nos entendemos: - não se trata de prender ninguém, isso competirá à justiça penal, trata-se apenas de impedir que os infractores beneficiem desportivamente das infracções que cometem. Note-se que estamos agora a falar de factos e suspeitas com mais de cinco anos! De campeonatos que foram atribuídos com toda a naturalidade pelas autoridades desportivas!


Não estou a ver acontecerem coisas destas em Inglaterra. Nem em Espanha. Em Itália, e por muito menos, a poderosa Juventus desceu de divisão.


Saudações azuis



Notas:

1. Esperamos que as investigações não se tornem num procedimento indefinido e infinito, 'para cumprir calendário', quando sabemos que o centro da suspeição é bem concreto e definido.


2. As notícias também dão conta de investigações ao Sporting por indícios de branqueamento de capitais. Aqui os factos reportam-se à administração Bettencourt/Godinho.


sábado, novembro 07, 2020

Também está certo!

 


Com o regresso de Cafu era natural continuar com o sistema de três centrais e diga-se desde já que tudo funcionou quase na perfeição. A perfeição não existe mas o Belenenses vulgarizou o Rio Ave, tapou-lhe todos os caminhos para o ataque e na primeira parte teve até mais posse de bola! Se isto é verdade também é verdade que eu não deixei de sofrer. Na verdade a incapacidade para transformar ataques promissores em golo era evidente. E a possibilidade de um minimo deslize, sabendo que do outro lado havia jogadores que o saberiam aproveitar, não me saía da cabeça.


Veio o segundo tempo, a energia e a velocidade de Sousa continuavam a perturbar a defensiva vilacondense. Era uma esperança que o penalty transformado em livre desvaneceu. Foi á barra! Grande pequeno jogador que ali está! Cassierra sabe receber a bola e entregá-la em condições mas não tem (por enquanto) a espontaneidade do goleador. Silvestre Varela, esforçado, já não tem pedal para fazer aquilo que antigamente fazia. Agora ou tenta fazer um drible e perde a bola... ou não a perde, mas trava invariávelmente uma transição que se pedia rápida e fulminante. É um problema que Petit terá que resolver.


O que é certo é que o Rio Ave foi começando pressionar lançando para o efeito os seus suplentes de luxo. Petit respondeu com a juventude que estava no banco. O jogo aproximava-se do fim e já se notavam sinais de grande cansaço nalguns jogadores. Cafu teve que sair e passámos para uma defesa a quatro. Houve uma oportunidade para cada lado (Ruben Lima não pode ser batido daquela maneira) e foi com um certo alívio que ouvi o apito final. Um ponto é melhor que nada.


Nos destaques individuais tenho que referir novamente a grande calma e segurança que o keeper Krichiuk transmite; Bruno Ramires esteve em todo o lado, e Afonso Sousa tem uma energia inesgotável! Mas acima de tudo há que salientar que todos deram o máximo e que funcionámos como uma verdadeira equipa!


Resultado final: Belenenses 0 - Rio Ave 0


Saudações azuis

quarta-feira, novembro 04, 2020

Sexta-feira difícil...

 Vamos lá escalpelizar isto.

Factor Covid – Bem sei que o vírus não escolhe a cor das camisolas mas faz diferença para quem tem um plantel menos vasto e menos rico. Não conheço as dificuldades do Rio Ave em matéria de Covid, espero que não as tenha, mas no Belenenses já existem três titulares infectados! Todo o cuidado é pouco, até porque isto está mais para piorar que para melhorar.


Factor casa – O Belenenses, em princípio, joga sempre fora de casa. E embora esteja mais habituado ao Jamor eu preferia que este jogo fosse em Vila do Conde. Há várias razões para isso sendo que a principal é de natureza psicológica. Uma derrota ou mesmo um novo empate no estádio nacional serão sempre mais penalizadores que qualquer resultado 'fora de casa'. Além de que o Rio Ave tem jogadores rapidíssimos para explorar as perdas de bola no nosso processo ofensivo.


Factor intensidade/surpresa – inspirando-me no jogo realizado ontem pelo Porto contra o Marselha* penso que o Belenenses para ganhar ao Rio Ave tem que jogar da mesma maneira. Uma defesa a quatro – Esgaio, Henrique, Tomás Ribeiro, Ruben Lima; uma linha média a quatro muito intensa e directa (sem perder a bola e sem perdas de tempo com a bola) – Cauê, Bruno Ramires, Taira e Sousa; e lá na frente dois falsos pontas de lança a descairem para as faixas – Cassierra e Richard.


O que é que eu procurava com isto?! Surpreender o adversário e chegar ao golo. Note-se que o futebol de onze é cada vez mais futebol de salão e o que define o vencedor é a intensidade. Intensidade que se mede na rapidez do raciocínio e do passe. Passe certeiro e seguro. Jogadores que correm com a bola em vez de ser a bola a correr ou que demoram o passe sem qualquer sentido não têm lugar no futebol actual.


Saudações azuis


* O Porto ontem jogou à defesa, na raça, espreitando todas as oportunidades de fazer mossa a um adversário que em condições normais lhe é superior. Com alguma estrelinha conseguiu ganhar. E com o passar do tempo justificou a vitória. É neste paralelismo que me apoio para sugerir que o Belenenses adopte a mesma receita na próxima sexta-feira.

domingo, novembro 01, 2020

A história de um empate caído do céu!

 

Não quis fazer esta crónica sem ver o jogo outra vez, com mais calma, e fiz bem. Ontem a minha primeira reacção foi de desespero. Hoje já estou mais positivo. É verdade que na primeira parte houve mais Farense, uma equipa com um maestro acima da média (Ryan Gould) e que a partir daí criou algumas jogadas perigosas. No entanto tirando um lance muito bem construído e que atravessou toda a nossa grande área, a nossa defesa foi chegando para as encomendas. Recorde-se que o Farense ainda não ganhou mas sabe marcar golos aos seus adversários.


O lado negativo (durante todo o jogo) foi a nossa impotência ofensiva. Há mérito dos algarvios que secaram completamente as saídas pelos flancos e demérito nosso porque não soubemos dar a volta ao texto. Nem penso que as ausências por Covid possam servir de justificação. Na verdade ou passávamos para uma defesa clássica (a quatro) muito mais cedo e assim criávamos outros problemas à lição bem estudada do Farense ou então precisamos de outros argumentos no meio campo, jogadores tipo Ryan Gould. Rápidos a pensar e certeiros a executar.


Vendo as substituições á posteriori, o que é sempre mais fácil, eu diria que a entrada de Sousa ao intervalo para o lugar de Richard não surtiu grande efeito. Teria sido mais útil aproveitar a sua velocidade e intensidade no miolo. Aos 60 minutos Petit faz sair Cauê e Semedo, entrando para os seus lugares Robinho e Cassierra. Foi então que sofremos dois penalties (um deles não convertido) e ambos sobre Hugo Seco, extremo direito muito vertical que entrara entretanto.


Aos 81 minutos entrou o médio de cobertura Bruno Ramires, saiu Danny Henriques passando a defender com quatro. Taira também saiu sendo substituído pelo extremo Francisco Teixeira. Consentido ou não remetemos o Farense à sua grande área e conseguimos chegar ao golo que nos deu o empate. Isto aconteceu no último segundo do jogo.


Notas individuais: - Num jogo não conseguido os destaques individuais são poucos. Estreia positiva do guarda redes Krichiuk que transmite segurança naturalmente; os três centrais cumpriram com Henrique num patamar superior; Bruno Ramires entrou com genica.


Saudações azuis


Nota arbitral - Manuel Mota tão lesto a assinalar grandes penalidades contra o Belenenses (que o foram) esqueceu-se de assinalar uma a nosso favor no final da primeira parte. Quanto ao tempo concedido (seis minutos), e que tanta celeuma gerou, recordo que o golo do empate foi marcado aos 97 minutos e zero segundos. Um minuto de compensação extra que é prática generalizada em todos os jogos.


quinta-feira, outubro 29, 2020

A oeste nada de novo

O Varandas chamou 'bandido' ao presidente do Porto! Não sei como tenciona visitar a Invicta nos próximos tempos! Carro blindado?! Não me vou meter numa guerra entre 'clubes do estado' embora tenha opinião pouco lisongeira deste Varandas. Acho-o um personagem menor e que não tem tento na língua. Uma nota de rodapé: - a 'fruta' do Pinto da Costa não ganhou títulos europeus e mundiais e, muito importante, nunca me foi ao bolso na qualidade de contribuinte. Já no que diz respeito à 'fruta do sul', só agora investigada, ela entra directamente no meu bolso, via BES e BESA, e não há fim à vista! A única coisa que o Varandas fez digna de nota, e nem deve ter sido ele a fazer, foi a contratação (ainda não liquidada!) do Rúben Amorim. Um treinador a ter em conta.


O Vieira ganhou as eleições no Benfica mas com mais dificuldade. Numa breve análise aos resultados electrónicos podemos concluir o seguinte: - ainda há 60% dos sócios que avalizam e gostam dos métodos utilizados pelo chamado vieirismo. E que não ligam à catadupa de suspeitas que lhes andam associados. O que é preciso é ganhar de qualquer maneira.*


O Porto venceu os gregos com alguma felicidade. Mas venceu. Será que Sérgio Conceição percebeu finalmente que é Nakagima e mais dez! Tipo jogador vagabundo e liberto das obrigações defensivas! Mais, deve ser ele a marcar todos os cantos e todas as faltas perto da área adversária. Nakagima joga como se estivesse a ver o jogo sentado na bancada central! Eu ligo a televisão para ver jogar o Nakagima.


Depois dos rivais o que tenho para escrever sobre o Belenenses é sempre muito mas com uma reserva na alma. Vi o jogo da equipa B no canal Sporting (perdemos 4-1) e vi que é necessário fazer um grande esforço de investimento para nos aproximarmos dos mínimos exigidos. Estivemos parados no tempo durante décadas. Precisamos de apostar na formação. Numa academia. Os jovens têm que voltar a preferir o azul Belém. Olho para o Sporting e vejo uma equipa assente na formação. O que é que nos aconteceu?



Saudações azuis


* Hoje, sexta-feira, é notícia na revista Sábado que o Benfica convidava centenas de figuras importantes para ver os seus jogos, incluindo o pagamento de viagens. Um desses figurões parece que é o juiz que manteve o Rui Pinto a marinar em prisão preventiva. Digam lá então quem é que ganhou as recentes eleições no Benfica! Uma palavra basta.

terça-feira, outubro 27, 2020

Crónicas da vesícula

 

Há jogos que me dão cabo do fígado! Jogos que para mim valem todas as eleições, todas as assembleias, todas as SAD deste mundo, e do outro. São os jogos com o Benfica. Os que gostam de andar pelos distritais, e que acham que aquela equipa não é a do Belenenses, andam a enganar-se a si próprios. O teste azul não engana, e quer sempre que o Benfica perca. Se não querem é mau sinal. É porque já se resignaram. Podem até ter um número de sócio mais baixo que o meu, ( não é fácil), e passar os dias e as noites no Restelo, que isso não altera nada, antes pelo contrário. Costumo dar como exemplo a história do CIF (Clube Internacional de Futebol) que é hoje um clube de ténis que mantém a título simbólico um campo de futebol onde fazem torneios de futebol amador.


O verdadeiro Belenenses só pode ter um objectivo na vida – construir uma equipa competitiva que possa discutir o jogo e o resultado no estádio da Luz. O resto, outras construções, sejam idílicas ou de cimento armado, é deitá-las imediatamente para o caixote do lixo. Entre as construções idílicas, e para não haver dúvidas, saliento a ideia peregrina de assentar o projecto desportivo num projecto imobiliário no Restelo! Ideia que só pode ter partido da cabeça de gente que desconhece que foi a própria construção do estádio do Restelo quem arruinou o Belenenses! E que nos obrigou a vender as nossas estrelas (Yaúca e Peres) aos rivais, cavando-se aí o início da decadência. Isto nem tem conversa.


Mas atenção, hoje este intróito é sobretudo para a SAD de Rui Pedro Soares que é quem comanda actualmente o futebol azul. A equipa que se apresentou no estádio da Luz tarda em ser verdadeiramente competitiva. Defendeu razoávelmente mas não tem dimensão atacante. Vamos por partes:


Uma contrariedade de última hora, a infecção de Cafu, obrigou Petit a mexer no centro da defesa, o que pode constituir uma explicação (e uma atenuante) para alguns deslizes de marcação nos primeiros minutos de jogo. Deslizes que nos custaram um golo e podiam ter custado outro. Depois disso a equipa recompôs-se em termos defensivos.


Uma palavra ainda para o primeiro golo, cópia quase fiel do que aconteceu na época passada – dessa vez André Almeida saltou nas costas do jovem e inexperiente Nilton Varela amortecendo a bola para um colega. Ontem Seferovic saltou nas costas do experiente Ruben Lima e cabeceou directamente para o golo. Em ambos os casos houve a sensação de falta por carga nas costas. O problema é que não se pode facilitar. Facilitar no sentido que não pode ser o baixote Ruben Lima a saltar com Seferovic. E nem me pareceu falta. A ver se para o ano não sofremos outro golo assim!


O segundo golo é fruto de um erro defensivo mais flagrante, saída extemporânea de André Moreira, o que facilitou a vida ao avançado encarnado. Embora o lance tenha que ser analisado desde o início – perda de bola (!), alguma desconexão defensiva, quem sabe se coincidindo com a saída de Esgaio. Tudo isto sem esquecer a velha máxima - sem erros defensivos não haveria golos.


Mas como disse não terá sido por causa da defesa que o Belenenses ficou aquém do esperado. Estas palavras não são minhas, são do Petit. Sejamos claros, uma equipa para conquistar pontos quando visita a Luz, o Dragão ou Alvalade tem que marcar golos. Ora aí o Belenenses está com grandes dificuldades. Não tem um goleador nato e para agravar o problema a nossa transição ofensiva precisa de melhorar. Há muitos passes errados.


Enfim, esta é a crónica possível sabendo da diferença abissal de orçamentos entre as duas equipas, aspecto que nunca irei valorizar. Os problemas de investimento são problemas da SAD e que a SAD tem que resolver.


Resultado final: Benfica 2 – Belenenses 0


Saudações azuis


quinta-feira, outubro 22, 2020

Árbitros e arbitragens

 

Pegando numa deixa de Rui Pedro Soares (VAR) e numa queixa de Sérgio Conceição (Champions) vamos lá analisar a situação.

Um ponto prévio: - estamos em Portugal país que passa a vida a falar de arbitragem sinal certo e seguro de haver muita batota e muito batoteiro. Neste falatório sobressaem três clubes (Benfica, Sporting e Porto) que são por acaso e de longe os mais beneficiados com os 'erros' de arbitragem.


No caso do VAR e dos foras de jogo é evidente que existe uma participação humana na análise dos mesmos. De facto quem decide parar a imagem é alguém do VAR e esse momento condiciona tudo o resto. Já houve sugestões para fabricar uma zona 'neutra' onde o atacante fosse considerado 'em linha', e portanto em jogo. Sendo que a dita zona corresponderia a determinado número de centímetros. Vinte centímetros, por exemplo. Mas nada seria perfeito. Depois, se por um centímetro, no caso 21 centímetros, houvesse um fora de jogo, de novo surgiriam as dúvidas e as críticas.

Concluindo, é difícil agradar a gregos e troianos. O actual sistema talvez favoreça mais as equipas que defendem. Caso do Belenenses embora desta vez tenha sido 'prejudicado'. Acontece.


Passemos à Champions e ao hábito de culpar a arbitragem (VAR incluído) pelas derrotas esquecendo os erros próprios. Sérgio Conceição que tem mau perder apontou logo as baterias ao árbitro. Um árbitro da Letónia que ao contrário do choradinho nacional realizou uma excelente arbitragem. Claro que se afastou do padrão a que estamos habituados – não passou cartão aos saltos de corça de Pepe tentando simular um penalty, nem marcou falta quando Sérgio Oliveira parou por sua conta e risco esperando que o árbitro seguisse as suas instruções. Enganou-se. O juiz letão achou e bem que Sérgio Oliveira, ainda que tivesse sofrido um agarrão, poderia ter continuado com a bola, e deixou prosseguir o lance. Daqui resultou uma tremenda estirada de Marchesin a evitar o quarto golo dos ingleses. Sérgio Oliveira nem é o maior culpado deste tipo de atitude porque na verdade qualquer árbitro português teria obedecido ao jogador do Porto, teria parado o jogo e marcado falta. Pergunto: É a isto que Sérgio Conceição se referia quando exaltou a arbitragem portuguesa?!

Finalmente o penalty foi penalty, o livre que deu o segundo golo foi livre, e no pisão a Marchesin o jogador do City joga a bola primeiro e só a seguir há o contacto inevitável. Convém ter presente que nem todos os pisões são falta. O que ninguém falou a propósito desse lance foi na inépcia do Corona que esteve na origem do penalty. Aliás Corona já tinha dado barraca antes.


Saudações azuis