segunda-feira, agosto 23, 2010

Empate no Restelo

Cadeiras limpas, speaker comedido, bluecard no bolso, e vamos lá conversar sobre este empate entre Belenenses e Arouca (1-1) para a Taça da Liga. A situação das duas equipas era diferente – o Belenenses já estava eliminado, ía cumprir calendário, enquanto o Arouca ainda lutava pela qualificação, que acabou por conseguir.
Sobre o jogo digo o seguinte: na primeira parte jogámos com os ex-juniores à excepção de quatro jogadores – o guarda-redes Semmler, o Barge (defesa direito), o Devic (central), e o Celestino (médio). Mas o problema desta equipa durante a primeira parte, não foi propriamente a juventude, o problema desta equipa foi a falta de organização de jogo. Melhor dito, a falta de organizadores de jogo pois nem Celestino, nem Pelé, nem André Almeida, são jogadores para nos resolverem o problema do meio campo. Servem para ajudar os organizadores de jogo que de facto entraram na segunda parte – o rapaz do Benfica e o rapazinho do Sporting. E a partir daí passámos a ter bola e retirámos a iniciativa ao adversário. Um aparte - nós também lá temos um jogador deste tipo, é o Azeez, mas, infelizmente, está sempre lesionado.
Para além da entrada de Miguel Rosa e André Martins, Rui Gregório retirou um dos pontas de lança (Tiago Almeida) e meteu um ala (Luís Carlos) abrindo assim a frente de ataque. E as coisas melhoraram. Sacudimos o domínio do Arouca e especialmente depois do empate (um golão de Celestino!) começámos a pressionar o adversário que acabou o jogo a queimar tempo, na tentativa de segurar o empate, que pelos vistos lhe servia.
Esta é a minha visão dos acontecimentos, pelo menos para já, enquanto esperamos pelos reforços, (três deles estavam sentados perto de mim) para dar um maior equilíbrio e consistência à equipa, que como sabemos, terá que se bater com uma maioria de equipas do norte, equipas experientes e habituadas à competitividade da segunda Liga.

Saudações azuis

sábado, agosto 21, 2010

Uma questão de coragem

Por falta de coragem inventaram um folhetim para correr com o Queiroz. Primeiro desvalorizaram o Scolari, o Queiroz era o melhor do mundo, mas porque o homem não conseguiu trazer a taça, para safar o governo, para comemorar o centenário, e prolongar (até à eternidade) o mandato do Madaíl, descobriram que é timorato, que não serve os fins em vista, e lembraram-se de uma trica esquecida, sim, esquecida, porque se tivéssemos ido à final na África do Sul, ninguém mais se lembrava para onde o Queiroz tinha mandado o outro! Esta é que é a verdade.
E agora temos uma situação ridícula que define a república: - questões de lana-caprina a alcandorarem-se a razões de estado com prejuizo directo para o próprio estado. A selecção afinal só interessa se der votos, ou se for biombo para alguma manigância. Como aquela a que assistimos - um exercício de justiça a fingir que a justiça existe!

Também há falta de coragem nos incêndios, não dos bombeiros que lá andam, mas dos dois partidos de governo. Em lugar de cerrarem fileiras para resolverem um problema nacional, queimam o tempo num jogo estatístico curioso, numa espécie de Benfica-Sporting – a minha área ardida é menor que a tua! Não há melhor convite para o terrorismo incendiário! É dos livros. Não, não estou a falar daqueles bêbados ou frustrados que acendem o fósforo, estou a referir-me a quem os manda atear o fogo. Compreendido!

Coragem teve a Direcção do Belenenses ao enfrentar o problema das piscinas. Estou á vontade no tema, pois ao longo destes cinco anos já várias vezes o abordei. Gosto de muito de ter piscinas, se as pudesse ter em bom estado e se não dessem prejuizo. E voltamos ao velho problema do Belenenses, o eclectismo sem futebol na mó de cima. Não dá. Hoje em dia nem com o futebol na mó de cima. E lembrar que as piscinas foram concebidas para ter lucro e, maravilha das maravilhas, aumentar o número de sócios do Belenenses! Lá aumentar, aumentaram, só que usam as piscinas, têm cartão de sócio, mas têm cativo na Luz ou em Alvalade. E se os deixarem, um dia votam o fim do futebol no Belenenses!

Saudações azuis

quarta-feira, agosto 18, 2010

Um sindicato de comentários

Às vezes apetece-me reagir a alguns comentários que vou lendo noutros blogues, mas domino-me. Pois se não autorizo o contraditório neste espaço, não tem lógica ir contraditar na casa dos outros. E a propósito de contraditar na casa dos outros, o que tem o Evangelista a ver com as declarações do treinador do Belenenses?! Aliás declarações legítimas de quem se sente enganado, para não dizer traído por alguns jogadores?! E que outras declarações deveria proferir Rui Gregório no fim de um jogo vergonhoso, um jogo em que ao fim de dez minutos já perdíamos por três a zero?! Ele sabia perfeitamente o que queria dizer e disse-o. Fez bem. Não mencionou nomes e também fez bem. Quem fez mal foi o presidente do sindicato que veio fazer uma defesa colectiva dos jogadores, quando o Rui Gregório apenas se referiu a 'alguns'. A não ser que saiba alguma coisa que a gente não sabe. Depois é completamente despropositado relacionar o valor de mercado dos jogadores com a respectiva capacidade de entrega, com o brio, coisas distintas, que quando não existem não têm defesa possível. E sobre conversas de balneário concerteza que Rui Gregório já as teve, mas pelos vistos não serviram para nada. Vidé as duas derrotas sucessivas a fazer crer que fosse qual fosse o adversário seríamos goleados na mesma! Sobre isto é que gostava que o Evangelista se pronunciasse.
E termino com as declarações de João Almeida que disse que se sentiu envergonhado face a tão triste exibição. Fez bem em dizê-lo, porque eu também me senti envergonhado e qualquer sócio do Belenenses sentiu o mesmo. E quando o presidente do clube exprime (em público) o sentir dos sócios (e adeptos) está sempre bem!

Saudações azuis

Reformar ou revolucionar?!

No futebol português a experiência dita que é mais fácil revolucionar que reformar. Explico-me: - como reformar é praticamente impossível, porque é praticamente impossível arredar (a bem) as forças de bloqueio, o melhor é tentar revolucionar, mesmo correndo o risco de errar. Dito isto, passemos à revolução: - concordo em absoluto com a política de rescisões com alguns jogadores que têm um salário excessivamente alto em relação à média e que ainda por cima, sejamos justos, em termos de custo-benefício nunca fizeram juz às expectativas. Não se trata de menosprezar ninguém, nem de fazer um juízo sobre a simpatia das pessoas, trata-se apenas de uma avaliação puramente futebolística, que é no fundo o que interessa. Infelizmente no Belenenses mistura-se tudo e depois ninguém decide com medo de desagradar a fulano ou sicrano. Já chega de panos quentes porque a política dos panos quentes está à vista de todos.
Assim, embora agradecido, mais a uns que a outros, é esta a minha opinião sobre os jogadores com os quais rescindimos:

Cândido Costa quando chegou ao Belenenses já não era extremo, adaptado a defesa direito nunca teve a velocidade requerida para o lugar, muito menos agora. Compensava essa carência com raça e brio, e às vezes com faltas. Por outro lado, atendendo às suas características, nunca conseguiu reciclar-se no meio campo porque não tem o sentido nem a espontaneidade do passe. Pelo contrário agarrou-se sempre muito à bola, o que como extremo fazia sentido, mas como médio, não.

Gabriel Gomez apareceu no Restelo com a aura (e provávelmente com o vencimento) de internacional do Panamá, era magrinho como um fuso e em campo, nos primeiros jogos, dava a sensação de grande agilidade e leveza. Mas este Gavilan desapareceu ao fim de pouco tempo. Tornou-se muito pesado, o que para o seu físico e para o seu futebol passou a constituir um handicap enorme. Nestas condições fez o que todos os jogadores fazem, refugiou-se num futebol de retranca, pouco ofensivo, e nunca foi o médio que todos os belenenses esperavam. Dizem-me que vai para o Parma, e das duas, uma, ou emagrece muito ou então o Parma vai jogar à Belenenses fim de estação – linhas recuadas, centrais e trincos com medo de avançar no terreno porque não têm velocidade de recuperação, e um avançado lá na frente à espera dos charutos que vêm de trás. Não acredito neste Parma.

Rodrigo Arroz veio do Flamengo, cartão-de-visita que costuma augurar grande qualidade, mas isso era dantes, antes da época dos empresários do futebol. Mas Rodrigo Arroz é um central razoável, porém, não tem a autoridade que se exige a um central a evoluir no futebol português. Macio, às vezes precipitado, às vezes a temporizar demais, estava no entanto a adaptar-se e até tem qualidades para disputar os lances de bola parada na área adversária. O seu ordenado é no entanto elevado demais para a segunda Liga e convenhamos, nunca foi um central amado no Restelo. O que em termos de confiança não é bom para um central.

Mas há mais jogadores que esgotaram a capacidade de espera que um clube lhes pode conceder, sem com isso comprometer a equipa.

Saudações azuis

segunda-feira, agosto 16, 2010

Nem tanto ao mar…

Nem tanta contabilidade nem tão pouco futebol, há que encontrar um equilíbrio, o Belenenses precisa de ter uma equipa minimamente competitiva, que não nos envergonhe, e isto tem pouco a ver com a qualidade individual deste ou daquele jogador, mas sobretudo com os ‘vícios que de longe vêm’, como dizia um Rei que deixou saudades. Entendamo-nos, está há muito instituída no clube uma cultura de ‘deixa andar’, de irresponsabilidade, que os jogadores imediatamente apreendem e copiam. E se alguma coisa de positivo podemos retirar destas goleadas é que não estamos apenas a falar de futebol, longe disso. Estamos a entrar no cerne da questão: - há muito tempo que o Belenenses é um clube para passar o tempo, um clube pouco exigente, e como é relativamente certinho no cumprimento das suas obrigações contratuais (ai dele se não fosse, caía-lhe tudo em cima!) é o clube ideal para um futebolista se reformar (incluindo no posto médico) ou então para se ir reformando. Este tipo de ambiente atrai jogadores pouco ambiciosos, sem carácter, e como não existe um contra-vapor educativo, as coisas vão-se degradando.
Por isso gostei de ouvir o desabafo do treinador bem como a reacção do presidente! É preciso continuar a falar verdade, e esta verdade tem que se estender a toda a estrutura do futebol - dirigentes, treinadores, adjuntos, e também àqueles que quer o Belenenses desça quer não desça, por lá continuam, como se fosse tudo igual ao litro.
Sobre os jogadores que temos não gostaria de me pronunciar, mas uma coisa já vi há muito tempo – não há por ali um capitão a sério, uma voz de comando, alguém inconformado!
Sabemos que dizer mal nestas alturas é fácil, mas ignorar o assunto seria bem pior, portanto vamos levantar a cabeça porque ninguém acredita que de repente todas as equipas são melhores que o Belenenses! Isso é um absurdo.

Saudações azuis
.
.Nota básica: Mas é verdade que até à data não temos ninguém que marque golos. E sem golos não há vitórias.

domingo, agosto 15, 2010

Pinceladas de azul

Palavras claras, ideias azuis, em entrevista ao jornal Record o presidente do Clube fala verdade. E esta verdade traz, apesar de tudo, alguma esperança. Destaco:

Record – O Belenenses está como esperava encontrá-lo ou foi surpreendido de alguma forma?

João Almeida – Fui um pouco surpreendido com a dimensão do incumprimento das obrigações do passado. Era sabido que o clube tinha um passivo razoável e que a situação de tesouraria era muito difícil, mas pensámos que as que resultaram de acordos feitos anteriormente estivessem mais desanuviadas. Ora isso tem-nos pressionado muito… temos sido surpreendidos constantemente por penhoras, execuções e incumprimentos que nos condicionam no dia-a-dia.
(…)

Record – Este primeiro ano pode ser considerado de transição?

João Almeida – Não é de transição: este ano é decisivo para a salvação do Belenenses e é bom que as pessoas tenham absoluta consciência do que é que está em causa. Desde a primeira hora que acentuamos a ideia de que é fundamental sabermos se é possível salvar o clube da situação infeliz em que se encontra.
(…)

Record – Qual o nível que atingem as dívidas a antigos jogadores e treinadores?

João Almeida – É preciso que as pessoas entendam que temos um plantel a trabalhar e outro de ex-jogadores, muito mais caro, e que pesa muitíssimo todos os meses no orçamento. O que é insustentável. No futuro isso não pode voltar a acontecer…
O futuro está desenhado: pôr os pés na terra, assumir responsabilidades e passar um tempo difícil para depois voltarmos a crescer.

A entrevista é longa, importante, e apenas transcrevi uma pequeníssima parte.


Saudações azuis.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Mudem qualquer coisa

A erva não cresce no Restelo, incapazes de ver um camião à frente dos olhos como é que íam descobrir um bebé abandonado num cestinho junto ao portão principal! Era só pegar nele e levá-lo para dentro do estádio. Mas isso no Belenenses é complicado, há-que reunir, marcar uma AGE, dar a devida publicidade ao assunto e deixar as coisas em banho-maria. Para dar gosto. Entretanto a cegonha pegou no bebé e levou-o para Guimarães. Se calhar fez bem, foi a sorte do rapaz, porque no Restelo passaria por um jogador medíocre, sem futuro. Um dia isto há-de mudar, tem que mudar, um dia…

Menos clubes do norte na primeira Liga é a novidade em termos de estudos de opinião. O Belém Integral já glosou o tema e se não marcámos golo acertámos na trave. Mas eu penso que marcámos golo. O melhor é esclarecer outra vez o assunto: - segundo Herculano Coutinho, geógrafo, “o mapa dos clubes da primeira Liga funciona como espelho das grandes assimetrias no continente”, uma verdade indiscutível. E assim temos todos os clubes no litoral e ninguém no interior, cada vez mais desertificado. O norte tem vindo a perder terreno por duas ordens de razões – a crise da indústria, têxtil sobretudo, e um menor favorecimento por parte das autarquias, empenhadas em resolver a crise social. Curiosamente no sul, especialmente em Lisboa (e isto não foi dito nos tais estudos de opinião) esse menor favorecimento não se tem feito sentir, antes pelo contrário, e quando não pode ser a CML a avançar, o poder político inventa soluções, para acudir aos seus filiados mais necessitados – Benfica e Sporting. E por isso vemos a FPF a inventar campeonatos do mundo a qualquer hora do dia ou da noite (pensemos no aluguer dos estádios) ou assistimos (em directo) aos gestos de grande generosidade por parte de empresas com ‘golden share’ para dar e vender.
Se a tudo isto juntarmos o que dizem os relatórios internacionais sobre Portugal, particularmente sobre o fosso das desigualdades entre ricos e pobres (leia-se clubes grandes e pequenos) e estamos todos conversados.
Portanto, tirando o caso das regiões autónomas onde a persistência de dois clubes da Madeira é algo que há muito previmos, a grande conclusão a extrair é a seguinte: - a primeira Liga reduz-se a três clubes excessivamente grandes, mais um ou dois clubes quase satélites, que ainda têm alguns adeptos próprios, porque o resto é paisagem. O Belenenses está na segunda Liga e veremos se consegue manter-se sem ser quase satélite e com alguns adeptos próprios.
E já que falamos na Oranjina convém recordar que nesta Liga é quase tudo do norte. Exceptuam-se Belenenses, Estoril, Fátima e Santa Clara dos Açores.

Saudações azuis