quinta-feira, outubro 06, 2016

SAD no fio da navalha

Só não adivinho a sorte grande. As dúvidas sobre o projecto, a derrota em Chaves e fundamentalmente o que aí vem, jogo no Bessa para a Taça da Liga, jogo em Coimbra para a Taça de Portugal, e o Benfica logo a seguir no Restelo, configuram um cenário preocupante que não se compadece com panos quentes. E aqui abrem-se duas hipóteses: - ou Velasquez percebeu, face ao episódio Sturgeon, que não tinha meios para fazer uma época decente e foi-se embora! Ou foi a SAD que perante um treinador aparentemente bipolar (tudo ao ataque ou tudo á defesa!) resolveu apostar num técnico mais confiável. Assim, a escolha do novo treinador é decisiva para compreendermos a pergunta que todos os adeptos fazem: - qual é verdadeiramente o projecto que esta SAD tem para o Belenenses?! Anda a investir?! Anda a desinvestir?! Ou anda a preparar o terreno para se ir embora?! Sei que são perguntas incómodas, até inconvenientes, mas estando em causa o superior interesse do C. F. ‘Os Belenenses’ tenho que as fazer.

Quanto ao Sturgeon digo o seguinte: - os contratos são para se cumprir e neste sentido o jogador só tem que honrar aquilo que publicamente assinou. E em caso de saída prematura o Belenenses, através da sua SAD, terá de ser devidamente compensado. Aqui não podem existir dúvidas. Mas se isto é verdade não é menos verdade que a SAD também tem que honrar os seus compromissos dentro do projecto que anunciou quando assumiu a responsabilidade pelo futebol do clube. Compromisso com a sua história, com os seus adeptos, e com os jogadores que representam ou venham a representar o Belenenses. Não pode deixar de ser um projecto ambicioso, à altura de um clube que já foi grande e tem expectativas legítimas de voltar a ser. É neste quadro que tenho que analisar o comportamento de Sturgeon ou de qualquer jogador que esteja vinculado ao clube. Os emprestados são outra história.


Saudações azuis


Adenda: Já depois de publicado este postal ficámos a saber que o novo treinador é o Quim Machado. Não vou comentar as capacidades deste treinador, o seu curriculum é conhecido, e neste momento só desejo que tenha sorte porque a sua sorte será a sorte do Belenenses. Mas no que toca à SAD posso retirar algumas conclusões desta escolha e nenhuma é positiva. A ver vamos se me engano e bem gostava de me enganar!

domingo, outubro 02, 2016

Pôr tudo em causa, eis a questão!

A gente vai dando o benefício da dúvida, uma vez, duas vezes, vezes demais, quase uma vida, e na volta… volta tudo ao mesmo. Na hora da verdade o Belenenses vacila e não passa da cepa torta. Mas há sempre um momento em que a lucidez é mais forte que a esperança (mais masoquismo que esperança) e esse momento chegou. Está na altura de denunciar toda esta trapalhada em que se transformou o C.F. ‘Os Belenenses’.

Isto já andava a ferver e o jogo de Chaves foi a gota de água. E não foi por termos perdido, aliás, nas sete ou oito visitas que fizemos a Chaves só por uma vez ganhámos, portanto não foi por isso. Foi por tudo. Comecemos pelo treinador e pela formação da equipa, onde mais uma vez inventou sem necessidade - Dinis a lateral e João Diogo na ala foram dois jogadores a menos; depois, a postura super defensiva da equipa como se o Desportivo de Chaves, pese a semelhança das camisolas, fosse o Barcelona! Pareceu-me um erro infantil. Não há futebol sem dimensão atacante e acantonados dentro da nossa área só por milagre chegaríamos ao fim do jogo sem sofrer golos. É verdade que o árbitro ajudou assinalando uma grande penalidade absurda, mas o golo do Chaves adivinhava-se a qualquer momento. Enquanto isto, Velasquez, petrificado no banco, segredava aos seus adjuntos! Só a poucos minutos do fim, e já a perder se resolveu a corrigir alguma coisa. Era muito tarde.

A segunda grande desilusão é a SAD e a preparação desta época! Olhamos para o plantel e só vemos emprestados; olhamos para o banco de suplentes e não vemos jogadores que possam fazer a diferença. Um medio de categoria*, atendendo a que Yebda parece ser uma aquisição teórica, não existe. Avançados, daqueles que marcam golos, práticamente não há! Não é de agora. Aliás se formos totalmente honestos e somarmos os golos que Miguel Rosa, Sturgeon, Camará, Gerso, Caeiro, etc,** costumam marcar por época, chegamos rápidamente à conclusão que o nosso poder de fogo é dos mais baixos da primeira Liga. E daqui resultam uma série de dúvidas: - a SAD anda a investir, a fingir que investe ou a desinvestir no futebol?! Dúvidas que precisam de ser esclarecidas sob pena de andarmos a hipotecar (mais uma vez) o futuro do Belenenses. Como disse, não foi a derrota, mas sim o que ela esconde.

Resultado final: - Chaves 3 – Belenenses 1

Saudações azuis


*Médio que consiga fazer a transição ofensiva. No banco estava apenas um jovem (promissor) formado no Belenenses e que… não joga!  


**Andric é uma carta fechada, ainda não demonstrou o que vale. E também não joga. 

terça-feira, setembro 27, 2016

O jogo das declarações e o resto

Dois jogos num só, ambos jogados taco a taco e ambos empatados. Dois jogos curiosos, desde logo pelo inédito das declarações finais! Os treinadores pareciam trocados! Enquanto Lito revelava grandes preocupações pela postura pouco ambiciosa do Belenenses (um clube que continua a ser grande para o antigo treinador azul), Velasquez insistia em agradecer o esforço dos seus jogadores num empate (em casa) que considerou positivo! Duas meias verdades para esconder a frustração mútua pelo resultado. Lito esperava um Belenenses mais aberto e afoito por forma e desferir-lhe os golpes mortíferos tal como fez o ano passado. E Velasquez esperava aguentar a vantagem conseguida num bom primeiro tempo, vantagem entretanto comprometida por um golo consentido logo a abrir a segunda parte. E está feito o resumo do jogo. Um empate useiro e vezeiro que adiou a escalada do Belenenses ao primeiro terço da tabela.

Numa análise genérica ao jogo de ontem, vou repetir-me dizendo que o Belenenses está mais compacto, mais equilibrado, mas que lhe falta um jóquer na zona do meio campo, pois não é com três médios de características defensivas que se abrem as portas do céu… no Restelo. Por outro lado e apesar do bom desempenho defensivo acabámos por sofrer um golo que não podemos sofrer – um centro atrasado* com os centrais de frente para a bola não pode acontecer. Falta de velocidade?! Falta de concentração?! A nós não nos deixam marcar esses golos.

Resultado final: Belenenses 1 – Arouca 1



Saudações azuis


* Quero dizer um cruzamento a meio do meio campo azul. Com os nossos defesas de frente para a bola.

segunda-feira, setembro 26, 2016

Arouca favorito?!

O treinador espanhol às vezes exagera e não mede bem as palavras. Dizer que o Arouca é favorito no Restelo é sempre um disparate. É disparate porque as camisolas também jogam, por muito que se diga o contrário, e é um disparate porque desmoraliza a massa associativa. Massa associativa que precisa de outro tipo de incentivos para acorrer ao estádio. Eu percebo que no futebol moderno o jogo psicológico é uma arma importante como forma de transferir a pressão para o adversário. Mas em Portugal esse futebol moderno não existe, os grandes são sempre grandes e os pequenos serão sempre pequenos. E quem se faz de pequeno ainda fica mais pequeno.

Outra coisa é o temor que Lito Vidigal e as equipas por ele treinadas infundem nos adversários. Na memória estará a derrota sofrida na época passada, derrota que nos relegou (definitivamente) para o meio da tabela e catapultou o Arouca para a Europa. Por isso, e por muito mais, este jogo é para ganhar. Além de que o Belenenses no Restelo contra o Arouca tem que ser sempre o favorito. Porque se assim não for, então não precisamos de SAD nem de investidor para nada. Nem merecemos um estádio como aquele que temos nem um aniversário como aquele que celebrámos.
Viremos pois a página dos discursos temerosos e afirmemos a nossa ambição no campo e fora dele.


Saudações azuis 

sexta-feira, setembro 23, 2016

Mais perto do centenário!

O Clube de Futebol “Os Belenenses” celebra hoje o seu nonagésimo sétimo aniversário e coloca-se assim mais perto do centenário, um marco na história de qualquer colectividade. Foi um longo percurso e se quisesse em poucas linhas concretizar um pouco da sua história diria que fomos sempre em crescendo até sermos forçados a abandonar as Salésias, com um campeonato perdido a cinco minutos do fim! Estávamos em 1955, se não me engano, ou seja dez anos depois de termos ganho o nosso primeiro campeonato nacional. Depois, transformar uma pedreira num estádio bonito, estádio que requalificou a zona ocidental da cidade de Lisboa, é obra e assunto que não podemos ignorar neste breve balanço. Num tempo em que os bancos ainda se regulavam pelas regras das instituições de crédito e não de favor como acontece hoje com alguns ‘clientes’, era preciso pagar os juros e amortizar os empréstimos, e foram essas obrigações que nos condenaram ao declínio. Primeiro venderam-se os melhores jogadores aos nossos rivais – Yaúca ao Benfica; Peres ao Sporting; e finalmente Murça e Freitas ao Porto. Depois dos anéis foram os dedos. Era a mudança de estatuto, deixámos de ser um dos quatro grandes. É certo que ainda houve alguns fogachos de grandeza, mas eram luzes intermitentes que logo se apagavam. À memória acorre a equipa montada por Scopelli que conseguiu um honroso segundo lugar no campeonato. E um pouco mais tarde o feito de Marinho Peres ao conseguir trazer a Taça de Portugal para Belém! Seria o último troféu digno do nosso passado.

Mas o aniversário é hoje e hoje só podemos olhar para o futuro! Porque o presente, dilacerado por profundas divisões internas, não serve de exemplo para ninguém. Coloca até em risco a meta ambicionada de chegarmos ao centenário! Refiro-me ao centenário do Clube de Futebol “Os Belenenses” tal como o conheci, e não ao centenário de um qualquer clube recreativo que use o mesmo nome. 
O desafio está pois lançado, exige reflexão, muita humildade. Em busca de uma cruz menos pesada para aqueles que escolheram a Cruz de Cristo como emblema.



Saudações azuis

terça-feira, setembro 20, 2016

Fragilidades e fortalezas

Vi o jogo de Guimarães em diagonal, a primeira parte quase toda, a segunda aos bocadinhos, mas deu para perceber algumas fragilidades defensivas que já julgava ultrapassadas. Refiro-me ao primeiro tempo com os laterais a permitirem passes para o interior da área que poderiam ter sido fatais. Aquele para o Marega (sem marcação!) e que daria o segundo golo não pode acontecer!
Lentamente acertaram-se posições a barreira defensiva melhorou mas a transição para o ataque continuava a não sair! O tal problema do meio campo. Resultado. – Gerso e Camará em grandes dificuldades para se virarem.

Na segunda parte mais subidos mais pressionantes o Belenenses superiorizou-se mantendo o Guimarães em sentido. E chegámos naturalmente ao empate. Pedro Martins, sem querer, elogiou o treinador azul queixando-se de que a partir de certa altura o jogo ficou partido inviabilizando o (previsível) caudal ofensivo vimaranense. De facto Velasquez operou algumas mudanças que baralharam a estratégia do adversário. Mas mais do que jogadas tácticas o que precisamos é da personalidade e firmeza com que abordámos a segunda parte.

Melhores do Belenenses: Gerso e Palhinha. Uma referência ainda para a polivalência de Vítor Gomes.

Resultado final: Guimarães 1 – Belenenses 1
Marcadores: - Marega (Guimarães) e Palhinha (Belenenses)


Saudações azuis



Nota: O golo vimaranense foi marcado em clara posição de fora de jogo.

domingo, setembro 11, 2016

Uma vitória contra o pessimismo!

Este era um dos tais jogos em que o Belenenses costumava empatar ou perder. Vindo de uma vitória fora, pressão adicional de ainda não ter ganho em casa, adversário desesperado para pontuar... Mas desta vez não aconteceu o que é bom sinal. É sinal de que a mentalidade é outra. Refiro-me à mentalidade vencedora, aquela que fomos perdendo ao longo dos anos e de muitas frustrações.

O futebol também está diferente e quem não perceber isso, atrasa-se e perde o comboio. A diferença faz-se no treino, na afinação do conjunto, na intensidade com que se joga. No profissionalismo. E também na inteligência. Jogadores há muitos, bons de bola existem aos montes, mas os que colocam essa sabedoria ao serviço da equipa não são assim tantos. Mas vamos ao jogo.

Começámos com tracção atrás, defensivos, ninguém segurava a bola, e vá de chutar para a frente à procura do desamparado Camará. O Nacional aproveitou para contra atacar com critério e num desses lances o lateral direito Victor Garcia, (um emprestado do Porto) arrancou, foi até à linha de fundo e sem ser incomodado cruzou como mandam as regras. Havia seis minutos de jogo e os madeirenses adiantavam-se no marcador!
Entretanto a bola pelo ar prosseguiu, até que, sem nenhuma explicação aparente assentámos jogo, e nos últimos dez minutos da primeira parte conseguimos praticar bom futebol e pressionar o adversário! Só não chegámos ao empate porque Sturgeon numa boa jogada de envolvimento em vez de cruzar para trás, para a marca de grande penalidade (onde estava Camará), ‘resolveu’ cruzar para a frente da baliza e o lance perdeu-se.

Na segunda parte Velasquez arriscou mais, tirou o amarelado Rosel fazendo entrar Gerso. A pressão aumentou, o Nacional recorreu às faltas, um dos seus jogadores foi expulso por entrada violenta sobre Camará e logo a seguir um penalty bem assinalado deu-nos a oportunidade de empatar. Abel Camará não tremeu. Curiosamente a seguir houve ali uns momentos em que o Belenense me fez lembrar o Belenenses inicial, pouco esclarecido, mas não, voltámos a controlar a partida e com a ajuda de um auto golo do Nacional ficámos em vantagem no marcador. Depois foi gerir o resultado, uma vitória fundamental para moralizar a equipa e dar-lhe outra embalagem para o campeonato.

Em termos de arbitragem houve cinco lances passíveis de discussão. Manuel Machado queixou-se mas em meu entender com pouca ou nenhuma razão.
O lance mais duvidoso resulta de uma bola parada, um canto, em que Ventura se atrapalha e quase entra com a bola para dentro da baliza. Se a bola chegou a ultrapassar totalmente a linha de golo ninguém pode ter certezas e nestas condições a única certeza que vale é a do fiscal de linha que não considerou golo.
Existe outro lance em que o Nacional introduz a bola na baliza do Belenenses. Mas o avançado do Nacional estava de facto adiantado em relação à defesa azul e assim o off-side foi bem assinalado. O Belenenses também viu um golo anulado a Tiago Caeiro por supostamente se ter apoiado num adversário. Foi um grande cabeceamento mas aceita-se a versão do trio de arbitragem.
Finalmente quer o penalty quer a expulsão foram decisões claras e sem mácula.
Portanto, podemos considerar que a arbitragem não teve influência no resultado.

Análise individual:

Ventura atrapalhou-se duas vezes, de resto teve pouco trabalho; Dinis Almeida ainda está a adaptar-se; Brandão esteve seguro. Os laterais também cumpriram. No entanto João Diogo tem de moderar a tendência para fazer faltas desnecessárias e que podem dar cartão.
Em relação a Florent reparei que tem apetência para se integrar no ataque. Tem um bom pé esquerdo mas atenção às dobras. Os médios defensivos Palhinha e Rosel começaram por se atrapalhar mutuamente até que descobriram um melhor posicionamento. Mas gostei mais do Palhinha da segunda parte. Além de que conquistou o penalty que nos permitiu igualar a partida; André Sousa e mais tarde Vítor Gomes, embora de características diferentes tiveram em comum o facto de não assegurarem completamente a armação do jogo. André Sousa leva a bola muito solta e perde-a com facilidade. Vítor Gomes entrou na segunda parte mas esperava mais da sua experiência – falhou passes, estava nervoso. A seu favor, marcou o canto que provocou o auto-golo do Nacional. Quanto ao ataque, Miguel Rosa esteve esforçado e tentou fazer algumas diagonais para rematar. Falhou um cabeceamento em boas condições. Saiu lesionado. Camará esteve bem, marcou o penalty com grande frieza e desta vez os seus (habituais) detractores têm que estar calados. Gerso jogou a segunda parte e deu intensidade à equipa. Está a justificar a titularidade. Caeiro jogou poucos minutos mas ainda deu para um grande cabeceamento como acima referi. Para o fim o melhor do Belenenses – Sturgeon – embora não tenha tido o discernimento para cruzar uma bola que daria o empate ainda antes do intervalo. Está mais jogador e cai menos.

Resultado final: Belenenses 2 – Nacional 1


Saudações azuis