segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Jogar em casa, um Everest de problemas!

Hoje os jornais nem preciso de os ler – ‘Uma boa segunda parte do Belenenses’, ‘Porto sofre para ganhar no Restelo’, ‘Carlos Martins em grande’, etc., etc., etc.!

Mas perdemos! Perdemos mais uma vez em casa e sofremos mais uma vez golos que não se podem sofrer. Nem me refiro ao autogolo de Tonel, uma infelicidade, mas sim ao primeiro, uma disputa de bola, um ressalto bem no coração da área, onde não aparece ninguém para impedir Brahimi de rematar à vontade! Pouco depois a jogada repete-se, há mais um cruzamento atrasado, os médios, os trincos, ninguém acompanha Brahimi, só que desta vez a bola sofre um desvio e não entra. Seria os três a zero antes da meia hora de jogo! As goleadas começam assim.

Só a partir daqui é que o sistema defensivo começou a melhorar, com os médios a encaixar-se na manobra portista, cuja pressão baixou, deixando de asfixiar as laterais por onde o Belenenses insistia em sair a jogar! E até poderíamos ter reduzido antes do intervalo - num livre directo de Carlos Martins que foi ao poste ou num remate de Juanto já dentro da área do Porto e que merecia melhor sorte.

Veio a segunda parte e com ela, algumas alterações decisivas na melhoria azul: – saiu Tonel, Rúben Pinto recuou para o seu lugar, Miguel Rosa entrou para o flanco esquerdo, derivando Juanto para o eixo do ataque. Mas a grande mudança aconteceu quando Bakic, jogador fundamental na organização da equipa, foi ocupar o centro do terreno. O Porto então foi obrigado a recuar. E foi então que marcámos e pusemos Peseiro à beira de um ataque de nervos!
Entretanto, e como é natural, expusemo-nos aos contra ataques do Porto, alguns bem perigosos. É o preço de andarmos sempre atrás do prejuizo.

As análises individuais nas derrotas serão sempre escassas e pouco abonatórias, especialmente para os jogadores intangíveis. Aqueles que é suposto resolverem os jogos a nosso favor. Ainda assim os que estiveram mais perto do seu valor foram – Juanto, sempre perigoso, Bakic, sempre influente, Sturgeon, menos errático do que o costume, e Geraldes (na segunda parte) mais afoito do que o costume. Carlos Martins quis fazer tudo mas nem tudo o que fez lhe saiu bem. E era fundamental que saísse.
Quanto a Velasquez tem que pensar bem no assunto: - ou quer continuar a perder em casa ‘muito orgulhoso dos seus jogadores’ ou quer ganhar em casa com métodos menos brilhantes, com jogadores menos brilhantes, mas mais eficazes! É uma escolha.

Resultado final: - Belenenses 1 – Porto 2

Saudações azuis



Nota final: Para que Bakic possa ser efectivamente o organizador de jogo do Belenenses, aparecendo mais vezes na área adversária, Velasquez tem que cobrir os seus avanços com jogadores rápidos na retaguarda. O que neste momento não existe. É a minha opinião.

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

O modelo

O Belenenses às vezes faz-me lembrar a TAP! Por um lado é preciso privatizá-la, colocá-la no mercado, ser competitiva, mas por outro queremos controlá-la, mandar nela, em suma, mandar no dinheiro dos outros, uma velha doença socialista. Mas há uma diferença importante e em prejuízo do Belenenses. Enquanto a TAP quer continuar a ser só companhia aérea o Belenenses insiste em dedicar-se a uma série de actividades/modalidades que ocupam tempo, espaço e recursos.

Noutra perspectiva, a relação entre o Clube e a SAD também não é brilhante! Lembra-me a conflitualidade latente entre o senhorio e o inquilino, em qualquer caso uma relação inapropriada para um clube de futebol onde é suposto (todos) vestirem a mesma camisola.
Nestes dois equívocos que em nada beneficiam o Belenenses reside a problemática que temos que resolver.

Para isso será preciso conciliar os interesses da indústria do futebol, que é um negócio e obedece às leis do mercado, com as expectativas dos adeptos que se movem por outras leis como a afectividade e a emoção. Não é fácil harmonizar os dois pontos de vista a não ser que se perceba que no fim das contas, e desde que o Belenenses ganhe mais vezes do que perca, todos ganham. Ganha o investidor e ganham os adeptos.

E já que estou em maré de recordações vou recuar aos anos da última vitória na Taça de Portugal! Foi contra o Benfica no tempo de Mário Rosa Freire. Nessa altura o campo de treinos era o estádio nacional e os equipamentos eram transportados num triciclo motorizado! Passaram quase trinta anos e a pergunta impõe-se: desde aí o que fizeram as variadíssimas direcções, a de Mário Rosa Freire inclusivé?! Onde é que investiram, onde é que gastaram o dinheiro?! Até havia Bingo a dar dinheiro a rodos!

A melhor resposta é andarmos para a frente e pormos de lado querelas inúteis.


Saudações azuis    

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Vicente

Vi-o jogar, atravessou as décadas de cinquenta e sessenta, era irmão de Matateu, e é hoje um símbolo vivo do nosso clube. Um símbolo da nossa grandeza. Está muito doente mas não está sozinho. Sabe que pode contar com o seu Belenenses, clube que serviu com tanta discrição como nobreza! Jogava a quarto defesa, uma espécie de segundo central de acordo com as tácticas da época. Ficou célebre por conseguir anular Pelé mais do que uma vez. Era um jogador fora de série. Incomparável. Um acidente interrompeu-lhe a carreira e desde aí passou a desempenhar outras tarefas com a mesma dignidade e com a mesma camisola! Deste se pode dizer que tem um só coração. O Belém Integral deseja-lhe rápidas melhoras.


Saudações azuis

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Estava escrito…

Estava escrito que Lito não sairia vencido do Restelo e está visto que Velasquez ainda não percebeu como funciona o futebol português. Este era um dos desafios mais perigosos para o Belenenses. Um jogo em casa, contra um dos treinadores que melhor defende, um contra ataque letal, era proibido sofrer golos. Isto quer dizer que era proibido enfraquecer a defesa à custa do ataque. É fácil falar depois como também é fácil dizer que se Miguel Rosa não tem falhado um ou dois golos a história do jogo seria diferente. Não vamos por aí. A verdade é que já contra o Estoril a troca de um central por um avançado foi uma má ideia e sofremos dois golos. Ontem aconteceu o mesmo, saiu Gonçalo Brandão e entrou Juanto para o ataque. Passado pouco tempo sofremos um golo de contra ataque. Pode argumentar-se que o Arouca estava a jogar com menos um jogador, e eu respondo - nem que estivesse com menos dois. E pergunto: naquela altura, com o Arouca a defender-se num bloco baixíssimo, sem deixar ninguém na frente, qual era o problema se saísse um dos médios?! Por exemplo, Carlos Martins ou Aguilar, jogadores semelhantes e já sem estaleca para sprintar atrás de alguma eventualidade arouquense?! Mas não, Velasquez é teimoso e só a seguir fez sair um dos médios, Rúben Pinto, para entrar Tiago Caeiro. Por acaso o médio com maior disponibilidade física, ou seja, aquele que mais falta faz quando se trata de acudir nas aflições defensivas!
Mas pronto, os erros estão feitos, o Belenenses até jogou bem, fez tudo para marcar, não conseguiu. O adversário ao ver-se a ganhar praticou anti jogo sem qualquer admoestação do árbitro, mas isso já estamos habituados, é o futebol português.

Duas notas individuais: Nota positiva para a actuação de Bakic, trabalhou muito naquele meio campo, sempre à procura de desequilibrar a defesa do Arouca.
Nota negativa para Rafael Amorim, por ter sido expulso não pela disputa de bola, que o árbitro não sancionou, mas por ter agredido o adversário. Gesto gratuito que o fiscal de linha viu e assinalou. Deu expulsão, livre, e segundo golo do Arouca.

Regra de ouro para os futuros jogos no Restelo contra adversários que vêm jogar no contra-ataque: - muita paciência, e enquanto estivermos zero a zero, nunca desfazer o quarteto defensivo, e no ataque, substituir avançado por avançado, ou então médio por avançado tendo em conta a veterania e lentidão dos substituídos. Este conselho é de borla.

Resultado final: - Belenenses 0 – Arouca 2



Saudações azuis

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Uma questão de confiança

Rui Pedro Soares queixa-se nas redes sociais de ser, injustamente, um mal-amado! Não percebe a atitude de alguns sócios e dirigentes do clube, e queixa-se. De certo modo prefiro que se queixe e que fale disso pois ao dizer o que sente aproxima-se mais daquilo que esperávamos dele. Esperávamos muito porque não há maior esperança que a dos desesperados. E a situação do Belenenses naquela época era de puro desespero. Mas Rui Pedro Soares não avaliou bem o clube onde estava, usou o raciocínio, a competência, esqueceu-se da confiança. E não havendo confiança tudo se desfaz. Episódios como os de Miguel Rosa, Dálcio, as desavenças com o Lito, e mais recentemente o jogo de Alvalade, deixaram marcas na alma azul. Uma coisa é a realidade, as justificações, outra bem diferente, a que conta para a massa associativa, para além das vitórias, é a crença de que o Belenenses está primeiro. Esta percepção tem que passar e não passou. Rui Pedro Soares sabe isso. E porque sabe isso já corrigiu a rota. O reforço efectivo da equipa, a necessária independência em relação aos nossos eternos rivais, a par das invectivas contra a oligarquia que comanda a batota nacional são sintomas desse novo posicionamento. O caminho para recuperar a confiança azul é esse, não há outro.


Saudações azuis

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

A honra do árbitro!

Julio Velasquez é amigo dos árbitros, mas os árbitros não são amigos dele. Com ele o Belenenses comete poucas faltas, facilitando assim o trabalho das equipas de arbitragem. Não o faz apenas por desportivismo, fá-lo com a consciência de evitar golos de bola parada nas balizas de Ventura. Lances cada vez mais importantes no futebol actual. Para dar o exemplo das duas últimas jornadas, num derby lisboeta sempre fervente, o Belenenses cometeu metade das faltas do Benfica, 9 para 18 dos encarnados! E ainda faltam as duas não assinaladas ao Renato! Em Moreira de Cónegos, num campo encharcado pelo temporal, e com as duas equipas a precisarem de pontos, o Belenenses fez menos de um terço das faltas do Moreirense – 7 contra 23! Incluindo nas sete duas faltas inexistentes! O tal penalty forçadíssimo e outra ‘falta’ perto da nossa área cujo livre esteve na origem do segundo golo do Moreirense. Desta vez Velasquez explodiu, protestou bastante, e o árbitro deu-lhe ordem de expulsão. Ordem que o treinador acatou pacificamente. O relatório fala em ofensas à honra, à honra do árbitro, e por via disso os julgadores carregaram na pena. Dez dias de suspensão e multa também pesada. Dez dias que o impedem de se sentar no banco no próximo jogo. Jogo no Restelo contra o Arouca.
Mas voltando à honra dos árbitros, mil vezes manchada em cada jogo, bastando para tanto descodificar os lábios dos intervenientes, não me parece que Velasquez tenha ido mais longe do que outros nas mesmas circunstâncias. Pelo contrário. Bem sei que se expressou em castelhano e se formos por aí talvez o jovem árbitro, sem querer, tenha ligado os acontecimentos a Aljubarrota e os julgadores da federação, também sem querer, ao episódio da padeira Brites! Só se formos por aí.

Saudações azuis



Notas: 

1. Já revi o suposto penalty de vários ângulos e a única conclusão que retiro é a seguinte: estavam ambos a agarrar-se e quando se soltaram, o jogador do Moreirense desequilibrou-se e caiu. Caiu sozinho. Moral da história – Geraldes devia ter continuado a ampará-lo! A agarrá-lo! E não seria penalty.

2. Noutro registo é de realçar a coerência do treinador do Belenenses que após o jogo recusou fazer quaisquer comentários ao trabalho dos árbitros.

terça-feira, fevereiro 16, 2016

O ‘impossível’ de Velasquez!

Não é um quadro do grande pintor espanhol, por acaso com ascendência portuense, é a resposta do actual treinador do Belenenses a uma pergunta sobre o campeonato português! A pergunta era simples: - se o Belenenses (ou qualquer outro clube) poderia alguma vez intrometer-se entre os chamados três grandes e ser campeão?! Impossível, disse Julio Velasquez!
Esta percepção de impossibilidade, numa resposta tão pronta, devia envergonhar-nos. Mas ninguém se envergonhou. Aposto que Velasquez não diria o mesmo se a pergunta fosse feita a propósito de outros campeonatos, onde também existem candidatos permanentes à liderança mas é sempre possível aparecer um outsider. Aqui, não. Basta compulsar o registo dos campeonatos para concluir o que Velasquez concluiu, aqui é práticamente impossível. Tirando o Belenenses que ganhou um campeonato há setenta anos apenas o Boavista conseguiu romper aquela barreira sagrada! Não se livrando posteriormente de toda a espécie de castigos.
Ontem foi a vez de Pedro Proença desafiar o impossível! Em festa de aniversário do clube bracarense profetizou: - É inevitável que o Braga (um dia) venha a ser campeão nacional’! Uma declaração simpática, estava lá o presidente da república, mas não acredito que Proença acredite naquilo que disse. Seria preciso mudar muita coisa, práticamente tudo, mudar até de Proença. Mudar de mentalidade, por exemplo, mas não fazemos nada para que ela mude! Em seguida, acabar com a batota institucionalizada, mas ninguém tem coragem para isso. E não havendo coragem, o ‘impossível’ de Velasquez vai continuar a acontecer.


Saudações azuis


Nota: Soube-se agora que Velasquez foi castigado com dez dias de suspensão (além da multa) na sequência da sua expulsão em Moreira de Cónegos. Trata-se de um castigo exagerado e que destoa das punições para casos semelhantes. Pelos vistos a 'honra do árbitro', que se enganou redondamente por duas vezes, é muito susceptível. Costuma dizer-se, 'se queres ver o vilão dá-lhe o chicote para a mão'.