terça-feira, outubro 28, 2014

Em defesa da China

A China é um continente amarelo, onde os portugueses em tempos marcaram presença, e os Brunos são nomes de origem italiana que entraram na moda quando os papás portugueses ficaram fora de moda. Tirando isto, o rapaz, que já não é assim tão rapaz, e costuma ser assobiado no Restelo, parece que segurou o meio campo azul no António Coimbra da Mota!

Parabéns ao Lito, que mostrou mais uma vez que não é homem de ir em cantigas e assobios. Aliás a maioria dos assobiadores eram os mesmos que em tempos também assobiaram o Deyverson, que mais longinquamente não repararam no André Martins (hoje internacional A) e que, em suma, têm pinta de selecionadores nacionais… mas só pinta!

A ver se nos entendemos, eu reconheço as limitações de Bruno China e bem gostaria de ver no seu lugar um médio defensivo melhor, por exemplo, que o Casimiro que joga no Porto e também faz atrasos de bola arrepiantes, melhor que muitos outros que enxameiam as nossas equipas da primeira Liga. Gostar, gostava, mas não temos. E esta coisa do sentido posicional é um dom que passa despercebido à maioria mas ajuda muito a equipa. E de certo modo compensa a notória falta de velocidade.

Já agora, para terminar, a propósito de um desses jovens craques de Belém, que nunca é assobiado, refiro-me ao Tiago Silva, um conselho a benefício do meu coração enfraquecido: - a um ou dois minutos do fim, é proibido receber a bola e perdê-la; é proibido receber a bola e voltar-se para o nosso meio campo em lugar de se voltar para a baliza adversária; é proibido perder a bola e ponto final. Foi um enorme susto que pelos vistos só eu sofri!


Saudações azuis

segunda-feira, setembro 22, 2014

A crónica que falta

Fui ao Restelo, estava pouca gente, sócios pagantes ainda menos. O clube subsiste agarrado àqueles onze jogadores de camisola azul e cruz ao peito. O resto são capelinhas e (pequenos) jogos de poder.
Foi um bom jogo, na minha opinião, uma das exibições mais consistentes dos últimos tempos, incluindo aquele passeio triunfal pela divisão de honra. A explicação é simples: - senti que estava ali uma equipa, sem vedetas nem vedetismo, e isto que vos digo, não é coisa de somenos. É uma raridade no Restelo! Foi preciso chegarmos à estaca zero, foi preciso chegar um treinador de poucas falas e muita acção, que soube (e sabe) com quem pode contar para começarmos a construir uma equipa. Vícios antigos, que percorrem o clube em todas as direcções, que invadem o balneário, são os verdadeiros adversários de Lito… e do Belenenses. Contra eles luta, jogo após jogo, e a verdade é que tem ganho algumas batalhas! Eu faço ideia com que esforço!

Mas falemos do jogo e dos seus protagonistas: - ora bem, e como não me chamo jornal “A Bola”, órgão oficioso do nacional-benfiquismo, achei que o nosso melhor jogador, aquele que revelou mais classe chama-se simplesmente Palmeira! Meteu no bolso craques afamados, joga de cabeça levantada e, pelo menos do meio campo para trás, pode fazer qualquer lugar na equipa.
Quanto ao mais, ainda existem alguns restos de vedetismo que Lito terá que limar. Ainda se fazem algumas palermices nos lances de bola parada e ainda vislumbro algumas indecisões que o tempo e o treino saberão rectificar. Mas fica provado que afinal o problema não tem tanto a ver com a qualidade dos jogadores (que tínhamos) mas sim com a mentalidade (que não tínhamos). Relembremos a propósito que alguns dos nossos antigos jogadores têm lugar (com outra mentalidade, evidentemente) em outras equipas do nosso campeonato.E até marcam golos importantes! Ou que poderiam ter sido importantes.

As últimas linhas para sublinhar o regresso de Pelé, que fez um bom jogo embora me pareça um pouco pesado; a boa contratação de Nelson; os progressos de Deyverson e a acutilância de Miguel Rosa. Mas todos cumpriram.


Saudações azuis 

domingo, setembro 07, 2014

O futuro da Liga

Já se começa a perceber que a Liga de Clubes tem os dias contados. E tem os dias contados única e exclusivamente por culpa própria! Seja por incapacidade dos clubes em definirem um conjunto de interesses comuns, seja pela falta de vontade de os levar à prática.
De facto, não conseguimos romper com o passado e vamos gastando as nossas energias em querelas inúteis ou guerras infantis. A verdade é que não queremos mandar, preferimos ser mandados! E também não queremos mudar nada! Os grandes clubes devem continuar a ser grandes, os privilégios devem manter-se, as desigualdades também. E enquanto isto acontece continuamos a berrar, nas ruas, por mais democracia, por mais direitos, por mais igualdade!
Reparem que o que vos estou a dizer é tão verdade na cabeça de um adepto do Benfica como encaixa perfeitamente na de um qualquer adepto de um clube pequeno! Sabendo entretanto que esse tal adepto frequenta entusiasticamente o estádio da Luz, Alvalade, ou o Dragão!
Dir-se-á: - nós somos assim!

Poderíamos não ser. E houve quem tivesse alguma esperança nas organizações internacionais a que pertencemos. Que fossem elas um factor de mudança, um factor de desenvolvimento, um factor de maior equilíbrio! Puro engano, aconteceu precisamente o contrário. Pois quer união europeia, quer a sua congénere para o futebol, a UEFA, em lugar de ajudarem a diminuir o fosso entre ricos e pobres, e no caso, entre clubes grandes e pequenos, alargaram-no ao ponto de hoje podermos afirmar com segurança que estávamos melhor do que estamos!

E será possivelmente esse o nosso destino. Voltar a uma federação controlada pelo Estado, voltar a um futebol dirigido de cima para baixo. Pouca coisa mudará entretanto, mas assim fica toda a gente sossegada. Os grandes continuarão a ser grandes, eternamente, por decreto governamental.


Saudações azuis

quinta-feira, setembro 04, 2014

A guerra da televisão!

A comunicação social, pelo menos aquela que está ao serviço de interesses ocultos, vai jogando as suas cartas. Vai lançando as suas biscas. Hoje, por exemplo, um conhecido pasquim anunciava dificuldades financeiras na Olivedesportos! E adivinhava logo de seguida uma catástrofe para o futebol português! Não é preciso ser muito esperto para perceber de que lado vem esta 'notícia'! Podemos, inclusivé, relacioná-la com outra, essa real, que dava conta de mais uma providência cautelar para impedir a realização de eleições na Liga de Clubes! Autor da dita providência - o ainda e pelos vistos inamovível presidente da mesma. É a guerra pelos direitos televisivos e aqui não há inocentes. Mas há uma vítima:- o futebol português e a respectiva indústria. Que a continuar assim, continuará falida. Enquanto alguns salteadores, com o beneplácito dos poderes instituídos, continuarão a enriquecer ilicitamente.

Saudações azuis

quarta-feira, agosto 27, 2014

Lito, Lopetegui, e as vacas sagradas

Para desenferrujar a pena (e a ideia) ocorreu-me escrever sobre um tema que sempre me interessou: - a coragem de liderar, de assumir responsabilidades! Neste aspecto, onde raramente há novidades, surgem agora dois treinadores que me parecem ter aquelas qualidades!

Começo por Lopetegui, treinador do Porto, que já deve ter chegado a uma terrível conclusão: - torná-mo-nos de facto num país muito pequenino, minúsculo, de 'senhoras vizinhas', país onde ninguém gosta do jogo, mas apenas da sua intriga! O Porto acabava de ganhar uma eliminatória importante e a única pergunta que lhe faziam tinha a ver com Quaresma... que não tinha jogado! Por caridade para com os jornalistas Lopetegui explicou que era ele quem mandava, que era ele, e não o público (nem os comentadores) quem escolhia a equipa para cada jogo. Em vão. Pela noite fora, o único assunto era a ausência de Quaresma! Haja paciência. Infelizmente ninguém se lembrou, ninguém disse, que Quaresma era titularíssimo na época passada e foi com dificuldade que o Porto segurou o terceiro lugar!

O Belenenses, um lugar onde há muito escasseia a liderança, a todos os níveis, teve agora a sorte de escolher (quem o terá escolhido!) um treinador de poucas falas mas determinado e corajoso. Foi uma choradeira quando algumas vacas sagradas abandonaram o clube, ou ficaram sentadas no banco, como se não tivessem tido qualquer responsabilidade nos resultados da época passada! Afinal eram jogadores importantes porquê?!
Entretanto o Belenenses começou bem o campeonato, ganhou fora e em casa e ninguém se lembrou, estou certo desses enormes jogadores que saíram, a quem desejo, apesar de tudo, as maiores felicidades para as respectivas carreiras.


Saudações azuis

Duas notas: 
- Se aquele livre de ontem tem sido marcado pelo Danilo, desconfio que a bola tinha ido parar à bancada.
- Vi o Duarte Machado num programa de televisão na qualidade de antigo membro da academia do Sporting e não na qualidade de antigo capitão do Belenenses!
O costume.

sexta-feira, maio 16, 2014

A nau das descobertas

A velha nau chegou a Belém e dela desceu o comandante. Para quem o quis ouvir, falou por parábolas:

- Um homem tinha uma vinha, boa cepa, o seu vinho era famoso, mas um dia, manda quem pode, foi obrigado a replantar a vinha noutro lado. Assim fez. Deram-lhe uma pedreira no deserto mas ele lançou mãos à obra! A nova vinha renasceu, pujante, em tudo semelhante à antiga. O vinho continuava a ser bom e vê-la era um regalo para os olhos! Requalificado o espaço, em pouco tempo foi a vinha rodeada por bonito e elegante bairro, hoje local de embaixadas. Esse mérito, honra lhe seja feita, ficará para sempre associado ao dono da vinha!

Entretanto a vida prosseguiu, a obra tinha custado um pouco mais do que o previsto, e os juros, que na altura tinham que se pagar, começaram a pesar no orçamento. O necessário investimento na vinha decresceu. O vinho começou a não ter forças para lutar com a concorrência.

E como um mal nunca vem só, os filhos do vinhateiro tinham mais olhos que barriga: - um deles, que gostava de andebol, quis ter um pavilhão e assim se fez o pavilhão. Atravancando o natural desenvolvimento da vinha; um outro filho quis ter uma piscina e assim se fez a piscina; O Bingo deu asas à megalomania, a dispersão de actividades e a consequente descaracterização prosseguiram, descuidou-se a vinha, o vinho ressentiu-se. É hoje uma zurrapa! O pior é que os proprietários habituaram-se a viver de rendas e não da vinha. 

Resultado: - hoje já não percebem nada de vinha, e para alguns é um estorvo! Para cúmulo, já nem no negócio do vinho participam! Cederam, arrendaram, trespassaram o velho negócio de família, razão de ser de tudo o resto!
É neste ponto que estamos, e a parábola termina aqui.

Perguntas e respostas:
E agora o que fazemos?!
Voltar à vinha (e ao vinho), obviamente.
E a ‘Cidade do Belenenses’ como é que fica?!
A cidade do Belenenses é Lisboa.


Saudações azuis 

segunda-feira, abril 07, 2014

O espírito da vitória!

Aquela força determinada, a concentração máxima, aquele esforço a mais que faz chegar primeiro à bola, ou que a recupera rápidamente, se fosse possível resumir tudo isto numa palavra, numa frase, chamar-lhe-ía espírito de vitória!
Sem ter visto o jogo, ouvindo apenas o relato, era isso que se pressentia, era isso o que os locutores queriam dizer, embora não o dissessem, porque foi isto o que os espectadores concluíram quando resolveram assobiar a equipa da casa. Mais tarde quando visionei o filme do jogo, necessáriamente breve, confirmei o que já sabia - o Belenenses foi a Barcelos para ganhar. Só a vitória servia, e só ela serve para continuarmos a acalentar a esperança da permanência. O trabalho de casa tem que ser feito, ganhar o próximo jogo, não interessa contra quem é, o que interessa é o espírito de vitória. Quando assim é, ganhamos sempre mais vezes do que perdemos. No fim faremos as contas, certos do dever cumprido.
Força Belém!

Saudações azuis