sexta-feira, outubro 30, 2009

Empate no Dragão

Através de uma exibição tácticamente irrepreensível o Belenenses foi esta noite arrancar um empate ao estádio do Dragão! Mérito do treinador, que só não conseguiu aquilo que nenhum treinador consegue - dar maturidade ao futebol juvenil do Freddy, meter duas velocidades no Celestino, ensinar as vedetas da equipa a não errarem passes a dois metros de distância, ou dar tranquilidade a alguns jogadores que os sócios gostam de escarnecer. Isso de facto é mais difícil.
Mas mesmo assim... a equipa nunca se desuniu, tentou algumas vezes sair a jogar, marcou um bom golo, e para quem dizia que íamos ser goleados... não foi nada mau. Acresce que nunca estivemos perto disso, nem pouco mais ou menos.
Hoje não há destaques individuais, e mesmo aqueles jogadores que referi no início da crónica (Freddy e Celestino) estiveram diligentes e cumpriram.
Não é fácil pontuar no Dragão... mesmo com sorte. Que a houve também.
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Saudações azuis.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Capitão precisa-se

Anúncio de página inteira, urgente, precisa ter espírito ganhador, que anime os fracos, levante os caídos, e nas horas difíceis carregue a equipa para a frente, para a vitória. E ponho este anúncio em vésperas de jogo importante, jogo onde se define a têmpera, não dos que ganham, mas dos que querem ganhar.
A verdadeira liderança é sempre uma escola de obediência, porque só sabe mandar quem sabe obedecer. Não quero que o Belenenses continue este monte de destroços onde todos botam sentença mas afinal ninguém manda. Não quero reprises de filmes passados, golpes de balneário, apoiados por aduladores e arruaceiros. Disso, o Belenenses está farto e não aguenta muito mais. Aliás, se os golpes de balneário frutificassem, há muito que éramos uma árvore carregada de títulos. E não somos.
Estou farto do ar triste e vencido de certos artistas do Restelo. Com eles, nunca ganharemos a guerra.
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Saudações azuis... só para azuis.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Pegar no jogo ou pegar no Clube?

Parece ser esse o dilema de muitos belenenses, insatisfeitos com a fraca prestação da equipa, e como é habitual nestes casos já pedem a cabeça do treinador. Ora bem, aquele dilema leva-me ao encontro de Luís Freitas Lobo que discorre hoje no jornal 'A Bola' sobre essas mesmas expectativas e frustrações. Diz ele em síntese que 'o problema da equipa está no corredor central'... 'na falta de capacidade para alguém pegar na bola na segunda linha e assumir essa segunda fase de construção...', em suma, assumir o jogo. É a opinião de um estudioso do futebol que sem sacrifício subscrevo. Aliás o que se nota mais é o medo de assumir tais funções! E daqui podemos estabelecer algum paralelo com o que se passa no clube.
As notícias de hoje não são animadoras, falam de incumprimentos com consequências judiciais! E quem sabe, consequências desportivas! As desculpas de hoje também não são animadoras, remetem-nos para o 'prejuizo brutal da SAD'!
Em que ficamos?! A Direcção tem, ou não tem, remédio para o problema?
Isto é que interessa saber, porque os prejuizos da SAD já conhecemos. E interessa, porque é a viabilidade do Belenenses (como clube de futebol) que está em causa. Por isso, andar nesta altura a pedir a cabeça do treinador é um disparate. Disparate que só serve os interesses dos irresponsáveis. Neste momento o treinador precisa é ser apoiado pela Direcção. E os jogadores precisam de trabalhar (jogar) mais. Porque substituir treinadores tem sido uma boa maneira de não pegar no Clube.
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Saudações azuis.

terça-feira, outubro 27, 2009

Exibição incompreensível

Ou me engano muito ou temos o caldo entornado. E não vou fazer de treinador, não sou, mas aquilo a que assisti não tem explicação possível: - um futebol liceal, jogadores parados ou semi-parados, lances inexplicáveis, passes e mais passes transviados, duas jogadas com princípio meio e fim... em noventa minutos! E mesmo assim chegámos ao intervalo a vencer! Valeu na circunstância o esquema defensivo, sempre muito recuado, o mesmo que impossibilita que a equipa tenha algum apoio ofensivo. Mas na segunda parte, nem isso! O golo do empate é um testemunho – Cesinha teve tempo para tudo, isolou-se, evitou a intervenção do nosso guarda-redes, flectiu para a linha de fundo, voltou-se, sem ser importunado passou a bola a um companheiro, que por sua vez a meteu no coração da área. Rui Pedro (sem marcação!) esticou-se e o Belenenses foi eliminado da Taça da Liga. Depois do golo houve um leve estremecimento, os jogadores acordaram, mas era tarde.
No ‘flash interview’ o treinador do Belenenses queixou-se da atitude da equipa e quando isto acontece é sinal de que a direcção tem que intervir. Depressa e em força.
É preciso prestar mais atenção ao futebol do clube e deixarmo-nos de comparações com o que se passa nas outras modalidades. O negócio do futebol é para quem percebe do negócio do futebol. Não se improvisa. Nem se compara.

O semeador de relva

O provincianismo é uma doença do espírito, e como dizia o poeta, ataca sobretudo os que se acham civilizados – ‘precisamente pelas razões que o não são’ – e nós, portugueses, sofremos desse mal periférico, vá lá, para não dizer desde sempre, desde que uma comitiva trajada à francesa, peruca incluída, foi receber e dar as boas vindas ao invasor Junot! Invadidos e agradecidos.
Aimar é um argentino, que acrescenta aos seus (reconhecidos) dotes futebolísticos, uma enorme propensão pela relva, especialmente aquela que foi semeada nas imediações da baliza adversária! Os brasileiros dizem que estes jogadores ‘cavam penalties’, e os nossos árbitros, embalados pelo seu virtuosismo, vão (ou gostam de ir) na conversa.
Foi assim em Leiria, lance decisivo, foi agora contra o Nacional, lance que matou o jogo.
Fica a pergunta: - quando será a próxima sementeira?!

A jornada ainda não acabou mas vale a pena registar a excelente perfomance da Académica no estádio do Dragão! Sem provincianismos bacocos, Vilas Boas, um jovem treinador, armou os estudantes com uma estratégia de jogo (defensivo e ofensivo) que pôs Jesualdo a coçar a cabeça!
E não fora um feliz golpe de cabeça do mal amado Mariano (e alguém a atrapalhar o guarda-redes de Coimbra) e não sei não…

O meu Belém recebe hoje o Gil Vicente para a Taça da Liga e recebe também o incontornável Fiúza. Seria bom que aproveitássemos a oportunidade para um gesto conciliatório. Não é bom para o futebol português que dois emblemas que não são beneficiários do sistema se mantenham de relações cortadas.
Dividir para reinar não é o nosso lema. Essa é a estratégia dos ‘donos da bola’.

Saudações azuis

segunda-feira, outubro 26, 2009

Encomendas nacionais

Embrulhadas em papel verde e encarnado, remetente desconhecido, aparecem de acordo com as necessidades da república. Foi assim com o ‘e-mail’ surripiado e publicado por altura das últimas eleições legislativas, e no que toca ao futebol indígena, estas encomendas são prática corrente, e resolvem normalmente o problema. E um dos problemas era o primeiro lugar do Braga, situação que de certo modo obscurecia (e entristecia) a nação encarnada. E eis que surge a encomenda, a dez metros do lance, apito calado, e um golo de avanço, num terreno difícil perante um adversário difícil. Mas o Braga empatou e o apito entupiu-se de novo quando Mossoró levou um pontapé nas costas já dentro da área do Rio Ave.
O Salvador de Braga bem pode barafustar, cortar ligações e telefones, que as encomendas não param. Nada as assusta e basta olhar (nem é preciso ler, tal o tamanho do apelo!) num ‘jornal de referência’ – “Venham ajudar-nos a ganhar” clama Jesus!
Deduzo que algo está em perigo e todos somos poucos para conseguir tão importante vitória! Vitória, que a não acontecer, será má para Portugal porque corresponde aos interesses do Nacional (e do Braga), tudo gente que pertence a outro país!
E não contente, esta bola que conhecemos, ainda tem espaço, no espaço reservado ao Braga para ‘noticiar’ – ‘Rodriguez pode ser multado’! Imaginem porquê! Diz a encomenda – quer ir (já) para um ‘grande europeu’, está no 'site oficial' do jogador, mesmo a calhar na semana que antecede um jogo decisivo.
Entretanto as encomendas de sentido contrário sucedem-se para os lados da Luz – nenhum jogador do Benfica tem ‘site oficial’ e nenhum quer sair do Benfica… nem a ganhar dez vezes mais. Minto, o Di Maria não quer sair, mas era bom que saísse porque interessa ao Benfica.
Este é o futebol a que temos direito – o futebol das encomendas.

sábado, outubro 24, 2009

Empatas

Mais um jogo no Restelo, mais um empate, a zeros, e se o adversário tem o ‘azar’ de marcar um golo, perdíamos naturalmente por um a zero. Adversário que chegou a introduzir a bola na nossa baliza, porém, um fiscal de linha, no mínimo, minucioso, assinalou um fora de jogo. Terá considerado que o jogador do Olhanense (Paulo Sérgio, lembram-se dele?! – aquele que só jogava bem contra nós!) tinha apenas um adversário entre si e a baliza.
O lance não é de fácil julgamento, estão três jogadores praticamente em linha – Paulo Sérgio, Nelson e outro defesa azul – e ainda bem que foi decidido a nosso favor. A favor do Belenenses, uma raridade!
Mas aconteceram outros lances, pelo menos dois, que não podem acontecer – duas perdas de bola em zona proibida, uma de Gavilan e outra de Mano, que só não deram golo (ou penalty) por mero acaso. No caso do Mano, o ‘acaso’ vestia de preto!
Mas nem só de casos viveu este jogo – faltou pressão inicial, o que implica subir linhas, sem medo, pois não sendo assim, a equipa visitante joga à vontade, toma a iniciativa, moraliza-se, pode até marcar um golo. Isto, em nossa casa, não pode acontecer. Por outro lado, afogueados, e sem bola, os nossos laterais – base do futebol moderno – não entram no jogo.
E que faz o nosso meio campo entretanto? Corre atrás da bola e quando por sorte a recupera, está tudo lá atrás, é por isso obrigado a fazer passes de risco. E perdemos a bola outra vez. Parece um destino, mas não é. Porque podemos mudar.
Apesar de tudo, houve coisas positivas – Lima, está mais solto, e interventivo. Podia até ter resolvido o jogo. Podia mas não pôde.
E agora?
Agora, existem uma série de equipas muito semelhantes, mas enquanto no Belenenses se investe muito pouco no futebol, os clubes concorrentes funcionam como satélites dos três eucaliptos (com as inerentes vantagens em termos de jovens craques, e sem ter que os pagar) e, muito importante, dedicam-se exclusivamente ao futebol.
Por tudo isto a nossa situação é perigosa e tem tendência a agravar-se.
Lamento ter que me repetir, mas assim não vejo grandes horizontes para o Belenenses.

Saudações azuis.