sábado, maio 31, 2008

6+5 para quê!

A regra ontem aprovada pela FIFA “segundo a qual as equipas podem alinhar com um máximo de cinco jogadores estrangeiros, sendo os restantes seis obrigatóriamente elegíveis para jogar na selecção nacional do clube em causa (…) esbarra como se sabe nas leis da União Europeia pois é contrária ao princípio da livre circulação (…) e o comissário europeu para o emprego e assuntos sociais já considerou que a regra é inaceitável, deixando um aviso claro: serão levantados processos de infracção contra os estados membros que a apliquem”.
Deixando para melhor altura uma análise aos aspectos rácicos e xenófobos da proposta Blatter (que visa atingir os jogadores brasileiros e é portanto contrária aos interesses do universo lusíada), olhemos a questão à luz das consequências para um clube como o Belenenses:
Todos sabemos que sem a enorme oferta de jogadores bons e baratos oriundos do Brasil o campeonato português seria ainda menos competitivo, e se os clubes com menos posses (leia-se ‘apoios do estado’) tivessem que utilizar obrigatóriamente seis jogadores portugueses em cada jogo (com as naturalizações mais dificultadas, a obrigarem a cinco anos de residência contra os actuais dois) fácilmente se conclui que os bons jogadores portugueses seriam imediatamente arrebanhados pelos três clubes do costume. Para os outros ficaria o refugo, e então o fosso desportivo entre grandes e pequenos ainda seria maior.
É isto que queremos?
Claro que não.
Saudações azuis.

Nota: Michel Platini já disse que considerava a proposta bastante positiva, portanto a UEFA continuará (democraticamente) a apoiar os interesses dos grandes clubes. Resta-me adivinhar qual será a opinião da federação portuguesa de futebol.

Fonte: Jornal Record de 31/05/08

sexta-feira, maio 30, 2008

Não é fácil

Não é fácil pôr este clube a funcionar, esperam-se as maiores resistências, até porque o inimigo é invisível e quando sai dos buracos e vem ao nosso encontro, aparece sempre equipado de azul com o emblema ao peito! Emblema com imensos anos, a ouro e brilhantes, fora as medalhas por serviços prestados, cujo peso dá cabo de qualquer espinha!
É como lhes digo, não é fácil, e este episódio do conselho fiscal adivinhava-se, para mais com uma auditoria em cima. Dois e dois são quatro, logo, tem que haver responsáveis caso se prove gestão menos apropriada, para não dizer danosa, que é um termo forte.
Não está fácil e mais difícil se torna quando se insiste em levar para a Direcção gente comprometida com o passado. São concerteza boas pessoas, senão nem seriam do Belenenses, mas têm pouca margem de manobra, e se fosse para brilharem, já tinham brilhado.
E volto á minha, não está fácil porque, como afirmei no postal anterior, no Belenenses ninguém se sente responsável por nada, nem mesmo aqueles que andam à volta do poder há um ror de anos! A culpa é dos árbitros, da liga , da federação, seja de quem for, porque nós, estamos inocentes, somos uns coitadinhos.
Mas haja esperança, este presidente Sequeira tem surpreendido pela positiva, parece que tem uma ideia para o clube e a novidade é que pretende pô-la em prática!
Apoiamos.
Mais do mesmo é que não,
Saudações azuis.

quinta-feira, maio 29, 2008

A pista soviética

Ainda há quem não tenha reparado na floresta de tanto olhar para a árvore que tem em frente do nariz! Quero eu dizer que a história da decadência do Belenenses tem muitas histórias mas existe uma que não se pode esconder ou escamotear: a seguir ao 25 de abril de 1974 sofremos o assalto de uma ideologia mortal para as aspirações de qualquer colectividade, seja ela país ou clube – refiro-me à mentalidade comunista. Que é pior que o comunismo, porque é a fingir, não passa da mente, e só se aplica aos outros!
A explicação é esta, não há que fugir dela, e a sul do paralelo (das ‘mocas’) de Rio Maior não houve clube que não fosse parar às urtigas… pelo menos. Salvaram-se Benfica e Sporting porque faziam (e fazem) parte da propaganda do estado e mesmo assim tiveram que se contentar com as migalhas que sobejavam do norte.
Esta conversa não diz nada aos mais novos e não a trago aqui para caçar bruxas mas apenas por uma questão profiláctica, para sabermos quem somos, para percebermos o que nos aconteceu. É que sem memória não podemos construir o futuro.
Aos mais esquecidos, convém recordar que o Belenenses passou por uma espécie de ‘prec’, com os ‘heróis’ da época a mudarem o nome do estádio, a chamarem fascistas a tudo o que mexia, não poupando sequer os belenenses mais ilustres, aqueles que dedicaram uma vida ao clube… e nunca o atiraram para a segunda divisão.
O nosso problema não foi portanto a revolução, mas os ‘revolucionários’ que ocuparam o poder (ainda lá estão) e que apesar de reciclados (por fora) mantém a mesma mentalidade errónea e perdedora, pouco dada a rasgos ou iniciativas, preferindo usar o clube para satisfazer os seus sonhos minúsculos.
É por essas e por outras que eu gosto de ver á frente do Belenenses quem já tenha provado ter sucesso nas suas empresas e não nas empresas dos outros.
Nota: as empresas públicas são sempre dos outros, em princípio são nossas!
Saudações azuis.

quarta-feira, maio 28, 2008

Boas certezas

Depois da revoada de notícias e especulações que assolaram a tranquilidade dos adeptos temos finalmente algumas certezas que nos alegram: desde logo a novidade de não haver contratações através da comunicação social, mas sim de acordo com os interesses e com o calendário definido pela Direcção do Clube. Outra novidade que é outra agradável surpresa foi a escolha do treinador! Nesta novidade acertámos apenas na terminação – tinhamos preferência por um treinador brasileiro e que já conhecesse o campeonato português, mas não nos tinhamos lembrado de Casemiro Mior, sem dúvida uma aposta excelente!
Indicado por Scolari, fez um óptimo trabalho no Nacional da Madeira, onde conseguiu um magnífico quarto lugar, valorizando jogadores, e pondo a equipa a jogar bom futebol. Parece que desta vez também se aconselhou com o seleccionador nacional, e esse aspecto não é dispiciendo, porque significa que somos um clube em que os outros acreditam, às vezes mais do que nós próprios!
Desejamos-lhe naturalmente os maiores êxitos e no que isso significa para o futuro do Belenenses.
Saudações azuis.

terça-feira, maio 27, 2008

Laterais altos e baixos

No futebol, como em tudo, os profissionais têm que ser bons, depois logo se vê se são altos ou baixos. Ainda assim existe um perfil clássico de defesa lateral, seja direito ou esquerdo - baixote, bons rins e rapidez de movimentos.
Pela importância que as bolas paradas passaram a ter no futebol actual alguns treinadores preferem laterais mais altos, para ganhar centímetros nos cantos e nos livres que cruzam a área de baliza. Apesar disso, a verdade sobre os defesas laterais mantém-se: não definem o jogo mas é por eles que o jogo passa. Neste sentido são os elementos da equipa que mais tocam na bola; é por eles que circula a descompressão defensiva, ganhando tempo e posse de bola; são eles que conduzem muito do jogo ofensivo, fugindo do trânsito que se acumula no centro do terreno; são eles que se encarregam de criar alguns desequilíbrios no ataque, combinações que normalmente acabam em cruzamentos para a área adversária. Dito isto, e não é pouco, por aqui se compreende a importância de um lateral actuante e sempre em jogo.
Num exemplo que seria bom mote para uma discussão de café, podíamos dizer que o Porto perdeu a Taça porque nunca teve defesa esquerdo e também se podia dizer que o Sporting a ganhou porque dispôs de um bom defesa esquerdo. Com efeito, João Paulo esteve ausente do jogo desde o primeiro minuto e não apenas a seguir à expulsão. E é igualmente justo que se diga que Grimi fez o melhor jogo da época!
Mas voltando, não aos altos e baixos, mas ao desempenho e eficácia de um defesa lateral, um nome sobressai: é ele Léo e corresponde ao perfil acima traçado do defesa lateral clássico. Alturas houve em que este pequeno grande jogador era o único motor que empurrava a equipa do Benfica para o ataque.
Já ninguém se lembra do belenense Moreira, também defesa esquerdo, mas na realidade ambidestro, e que era um espectáculo dentro do espectáculo! Invadindo o meio campo adversário, em sucessivas arrancadas, recheadas de técnica e desenvoltura, outros tempos… no tempo em que no Restelo jogávamos sempre ao ataque! Aquilo a que hoje chamamos ataque continuado.
Para que isso volte a acontecer, precisamos de bons laterais.
Saudações azuis.

segunda-feira, maio 26, 2008

Mourinho implacável

A caminho do Inter de Milão, Mourinho não deixou de arrasar o israelita Avram Grant, seu substituto no Chelsea, e que apesar de derrotado nunca esteve tão perto de ganhar a Liga dos Campeões!
E o que disse Mourinho: - “Depois de dois títulos por época nos últimos três anos, esta temporada houve zero títulos, o que na minha filosofia significa uma época muito má. Talvez na filosofia de um perdedor tenha sido uma grande época, o que respeito”, fim de citação.
Talvez seja por estas e outras declarações que José Mourinho goza de um enorme prestígio entre os portugueses, que vêm na sua ambição e espírito ganhador o contrário da ‘apagada e vil tristeza’ das suas vidas. Talvez seja por isso que muitos dos nossos compatriotas, até à data incondicionais adeptos do Chelsea, não queriam que este conquistasse a liga milionária porque isso corresponderia a uma derrota de Mourinho!
Noutro sentido e para um belenense como eu, haveria um raciocínio mais tortuoso para explorar: da mesma cor azul, o Chelsea é o terceiro clube de Londres, a seguir ao Arsenal e ao Tottenham, significando assim a esperança que o clube da Cruz de Cristo possa, um dia, sagrar-se campeão europeu de futebol!
Porque não!
Saudações azuis.

domingo, maio 25, 2008

Eu quero ciclistas

No futebol moderno quem manda é a vertente física, isto porque a vertente técnica de cada jogador é um dado adquirido. Com efeito, ninguém pode aspirar a uma carreira profissional com algum sucesso se não dominar os gestos básicos da recepção de bola, do passe, da movimentação em campo, etc. A diferença entre os jogadores faz-se na velocidade de execução, e na precisão ou eficácia que daí resulta.
Bom treinador é aquele que aperfeiçoa e tira partido das mais valias dos seus jogadores, incutindo-lhes ao mesmo tempo a cultura táctica em que acredita. O tempo dos toscos, que apenas viviam do músculo e da correria já passou.
Quem são afinal estes ‘ciclistas’, expressão que se vulgarizou, penso eu, através de José Mourinho!
Estou convencido que Mourinho se referia à sua experiência na União de Leiria, cuja equipa dispunha na altura de jogadores com uma velocidade de base muito alta, e que nas transições ofensivas galgavam rápidamente terreno mantendo em constante sobressalto as defensivas contrárias. O exemplo era Maciel, mas havia outros.
Este tipo de jogador adapta-se bem ao jogo de contra golpe, esquema que tanto pode ser utilizado em casa como fora, assim existam os médios (‘volantes’) com rápido pensamento e melhor execução. Do exposto fácilmente se conclui o contrário: que estes ciclistas, vidé o caso Maciel, têm mais dificuldade em jogar em ataque continuado, porque neste cenário lhes falta o essencial, que é o espaço.
Olhando agora para as necessidades do Belenenses, que por certo irá manter o mesmo estilo de jogo, o tal contra golpe, (é assim que jogam as equipas que acumulam uma menor ambição com a escassez de ‘volantes’) verificamos que apenas Weldon possui uma velocidade de base acima da média (Amaral já falámos nele, e jogava muito atrás). Como não sabemos ainda se Weldon fica ou não, arrisco dizer que precisamos de jogadores desse tipo, e curiosamente a União de Leiria ainda lá tem gente dessa.
Para bom entendedor…
Saudações azuis.