quinta-feira, maio 31, 2007

Espero que seja mentira…

Vi hoje com alguma preocupação a capa do Jornal “A Bola” que dava Ruben Amorim a caminho da Luz!
Não acredito e levei a notícia à conta do habitual equilíbrio de espaço e destaque reservado aos três clubes do estado. Se o Sporting e o Porto tinham feito grandes negócios com o Nani e o Andersson, havia que dar qualquer coisa ao Benfica, e lá apareceu o Amorim por tuta-e-meia na Luz, e toda a gente contente com mais um grande negócio para o Benfica!
Eu é que não estou descansado, porque o passado azul está pejado de incompetências.
Já escrevi exaustivamente sobre o assunto, não vou repetir-me, mas ainda assim gostaria de acrescentar qualquer coisa:
Não existem jogadores insubstituíveis e sabemos que o Belenenses precisa, tal como os outros clubes, de realizar encaixes financeiros para sobreviver. E sendo assim, à falta de melhor, avançam os jogadores que têm mercado. Mas o mercado, se é global para uns, é global para todos, por isso, atendendo à penúria interna, qualquer bom negócio passa invariavelmente pela venda a um clube estrangeiro e pago a dinheiro vivo. Só assim se justifica a venda, porque só assim se resolve o problema financeiro que obrigou à venda. Não alinho noutro tipo de razões, porque continuo a acreditar que o negócio dos clubes é a bilheteira, que o negócio da bilheteira são os bons espectáculos, e que os bons espectáculos de futebol têm a ver com múltiplos factores, principalmente com a competitividade das equipas, e não apenas com o brilho das estrelas mais cintilantes. Os estádios ingleses estão cheios, mesmo onde não jogam Manchester ou Chelsea, assim como os estádios espanhóis se enchem, para além da presença do Real Madrid ou Barcelona.
Mas regressemos ao Ruben Amorim, ao mesmo que se recusou a entrar em Alvalade, alegando lesão, ao Ruben Amorim que se lesionou no Jamor, mas que parece estar disponível para jogar na selecção, esse Ruben Amorim não tem ainda, nem sei se virá a ter, o arcaboiço moral para ser capitão do Belenenses, mas é indiscutivelmente um dos jogadores mais valiosos do campeonato português!
Porquê? Porque evoluiu imenso em termos defensivos, é hoje um trinco eficaz, que o diga João Moutinho, com enorme margem de progressão, a que se deve adicionar a qualidade técnica que sempre possuiu, e o forte remate de meia distância!
Estes jogadores são raros, e valem muito dinheiro. Ruben Amorim é menos agressivo que Petit mas é mais fino e tecnicista. Leva vantagem sobre Paulo Assunção no remate, e faz com mais à vontade o lugar de médio ofensivo. Ao Ruben Amorim falta-lhe apenas abraçar o projecto belenense com ambas as mãos e ao Belenenses falta-lhe apenas um projecto que se possa abraçar. A sair, é para o Manchester ou Barcelona, nunca para a segunda circular.
Saudações azuis.

segunda-feira, maio 28, 2007

Foi pena

Estou conformado com a derrota, mas foi pena!
Foi pena não termos aproveitado a tarde sim de Costinha!
Foi uma pena a lesão de Amorim que obrigou Jorge Jesus a uma primeira substituição de risco.
Foi pena que no último quarto de hora, com o jogo controlado, Jorge Jesus tivesse optado pelos dois pontas de lança, trazendo à memória o fatídico jogo de Alvalade!
Finalmente foi pena a inoportuna lesão de Amaral que a três minutos do fim do tempo regulamentar, acabou por criar mais um desequilíbrio no nosso sistema defensivo, até então exemplar!
E foi pena porque se temos chegado ao prolongamento, era sinal de que tínhamos conseguido pulverizar o favoritismo do Sporting, e no tempo extra ou nas grandes penalidades, tudo poderia acontecer!
Poderíamos estar agora a festejar a vitória na Taça!
Perdemos por um detalhe disse Jorge Jesus no fim do encontro – a lesão de Amaral e o tempo que demorou a substituição. E eu concordo. Mas pareceu-me um risco escusado fazer entrar Garcês, especialmente depois de já ter entrado Fernando, enfraquecendo ainda mais aquele que foi o nosso ponto forte – o meio campo defensivo. Com o esquema inicialmente idealizado, (e que tem que ser posto em prática sempre que defrontamos equipas com maior potencial), conseguimos paralisar o perigoso (e ginasticado) jogo leonino, obrigando-o a desviar-se para as faixas laterais. Penso que tínhamos todo o interesse em levar o jogo para lá dos noventa minutos, e nesse sentido, as substituições só deveriam ocorrer depois disso, nunca antes. Em caso de lesão, seria defesa por defesa, médio por médio, avançado por avançado.
Isto digo eu, aqui no teclado, sem as responsabilidades da decisão.
Mas enfim, também houve mérito na conquista! Liedson foi mais rápido, adivinhou o cruzamento adiantado e tenso de Miguel Veloso e levou a Taça para Alvalade.
Glória aos vencedores, honra aos vencidos.

sábado, maio 26, 2007

The final count down

Está na hora de contarmos as horas que faltam para o grande desafio do Jamor. Que fazer? Vou dar a táctica? Escalar a equipa? Eu já sei que não jogo, única certeza, e no fim de contas o Belenenses até lucra com isso. O estádio nacional vai estar cheio, a transbordar, o comboio indispensável, que utilizei na final de sessenta contra o mesmo Sporting, já não funciona! Tudo em nome do retrocesso! Viva o alcatrão, vivam os automóveis, viva o progresso! Por causa dos automóveis, qualquer dia vai tudo a pé!
Em contrapartida, estes progressistas mostram-se incapazes de solucionar questões óbvias de comodidade e conforto, como o aumento da lotação e a indispensável cobertura das bancadas! Afinal, adoram o estado novo!
Entremos em campo, olha, o Carlitos joga de início, ainda bem, pode ser que eu acerte na antiga previsão. Vamos ganhar mesmo que o Carlitos não jogue, diz alguém ao meu lado. Está bem. Proença é o árbitro e não vou condicionar o rapaz. Desejo-lhe sorte e poucos cartões para a nossa banda.
Vamos lá ver se tenho saúde para mais este desafio. Se chover é pior para mim, mas é melhor para nós.
Saudações azuis.

sexta-feira, maio 25, 2007

Uns devem…outros não!

Evangelista aponta o dedo acusador. Há salários em atraso no futebol! O critério do Sindicato foi o seguinte: “o não pagamento do salário até ao dia 5 do mês subsequente àquele a que diz respeito”.
Da lista constam catorze clubes da Bwin Liga e Liga Vitalis. Percorro a lista e verifico que o Belenenses não é um dos faltosos, felizmente.
Transcrevo a reacção de António Figueiredo, presidente da SAD do Estoril, um dos clubes apontados: “Não é verdade. Vamos pagar o ordenado de Abril até 5 de Junho. Só estamos em incumprimento se o não fizermos até essa data. Deviam era ver os atrasos de outros clubes que devem quatro a seis meses de salários e nem constam da lista”!
Evangelista ameaça – “Se fosse em Espanha, os clubes devedores baixavam imediatamente de divisão”.
Fico com dúvidas: O que quereria dizer António Figueiredo quando se refere a clubes que devem muito mais… mas não constam da lista!
E porque é que não se aplica em Portugal aquilo, que com bons resultados, se aplica em Espanha!
Mudo de jornal, olho o Correio da Manhã de hoje, e leio uma pequena notícia esclarecedora: – “Benfica hipoteca centro”! À primeira vista admiti que o meio campo encarnado se tinha mudado de armas e bagagens para o Chelsea, mas não. Trata-se de mais uma brilhante manobra de engenharia financeira conhecida nos meios académicos como a “pescadinha de rabo na boca”!
Vou ver se consigo explicar: o Benfica instalou-se no Seixal, intimado pela respectiva edilidade a construir ali o seu centro de estágio. Era um dos grandes investimentos do município. A Caixa Geral de Depósitos, sempre atenta aos grandes…negócios, apoiou até ao limite de adquirir o nome do centro, que ficou a chamar-se ‘Caixa de Futebol Campus’!
Aqui chegados, ficamos a saber que o Benfica vai hipotecar o centro para garantir um empréstimo de 16 milhões de euros a contrair na dita Caixa Geral de Depósitos. Assim fica tudo em família.
No futuro, pode ser que a Câmara do Seixal considere de interesse público adquirir o centro de estágio, devidamente hipotecado, para mais tarde o devolver ao Benfica como recompensa pelos serviços prestados às gentes do Seixal. Todo este investimento poderá ser apoiado pela madrinha do centro, que é, já adivinharam, a Caixa Geral de Depósitos, ou ‘Caixa Futebol Campus’, como facilmente se deduz.
Depois disto, quem é que tem lata para obrigar algum clube a cumprir a lei!
Saudações azuis.

terça-feira, maio 22, 2007

O jogador tipo

Não sou empresário de futebol nem esta é a altura para dissertar sobre contratações. Para a semana, após o jogo da Taça, poderemos então especular sobre esta ou aquela hipotética aquisição, por agora, os jogadores que temos são os necessários e suficientes para alcançarmos os objectivos que todos ambicionamos.
O que vou escrever, versa sobre uma temática mais genérica, e que posso resumir na seguinte questão – qual é o jogador tipo que devemos procurar adquirir ou manter, atendendo ao patamar onde estamos, e tendo em vista o patamar mais elevado onde pretendemos chegar?!
Várias vezes me interrogo sobre este assunto e a conclusão a que chego é sempre a mesma: assim, para além dos jogadores da ‘cantera’, educados à Belém, e que devem ser lançados na melhor oportunidade, devemos estar atentos ao mercado, procurando aqueles jogadores experientes, com muitos anos de primeira Liga, e que nos dão sempre a sensação de terem passado ao lado de uma grande carreira! Têm neste momento trinta anos ou mais, os chamados ‘clubes do estado’ já não os vão buscar, por motivos que não têm a ver com o seu valor intrínseco, mas por outras razões que não interessa aqui escalpelizar, mas para nós, esses jogadores são importantes, e desde que estejam em boas condições físicas, podem-nos fazer muito jeito.
Em contrapartida, um Belenenses ambicioso e à procura de recuperar o prestígio perdido, dava a esses jogadores a garantia de um final de carreira condigno, o que poderia funcionar como chamariz.
E para que não digam que esses jogadores não existem, vou apenas citar um nome – Lito – joga na Naval 1º de Maio.
Mas há mais.
Saudações azuis.

domingo, maio 20, 2007

Mais uma…

Enquanto nos contentarmos com as derrotas, enquanto continuarmos a ser goleados na Luz, em Alvalade ou nas Antas, e houver uma justificação oficial para o facto, enquanto esta mentalidade perdedora persistir, não sairemos de onde estamos! Época após época, poderemos fazer mais ou menos pontos, mas não nos vamos aproximar do topo.
Previ este cenário de humilhação, escrevi sobre ele, e disse que não era positivo embandeirar em arco com a final da Taça, desvalorizando sistematicamente este jogo, que isso soava a falso, soava a inferioridade e transmitia-se aos jogadores. Avisei que a humildade era e é a nossa única arma para nos batermos de igual para igual, não apenas com o Sporting, mas contra qualquer adversário. Temos um plantel limitado sob muitos aspectos, e por isso essa humildade assentava numa defesa coesa e implacável, numa transição rápida para o ataque, com possibilidades de desferir um ou dois golpes fatais por jogo. Com esta receita subimos na tabela e chegámos ao quarto lugar, que é um lugar de honra e que em Portugal deveria merecer taças e medalhas, tal é o desnível de condições entre os donos perpétuos dos três primeiros lugares e os outros!
Entretanto, lesões e deslumbramentos vários, têm vindo a desgastar a equipa, e hoje concretizou-se aquilo que todos temíamos: uma formação estranha, passiva, pouco confiante, entregou o jogo de bandeja ao adversário. Ainda assim, escusava de sofrer tantos golos e sair destroçada de Alvalade.
É fácil falar e escrever depois do jogo, mas estranhei a insistência no trinco, se calhar não havia outro, como estranhei a insistência nos dois pontas de lança em detrimento de um ala criativo, que levasse a bola para a frente, sem a perder ao fim dos primeiros segundos, e estou a pensar em Carlitos.
Entrou na segunda parte, por troca com um dos pontas de lança, mas era tarde, a equipa já estava desmoralizada, e verdade se diga, nunca teve um meio campo em condições. A incapacidade de retenção de bola, a inépcia na recepção e no passe, atingiu níveis inexplicáveis, em poucos segundos perdíamos a bola, assim não há nada que resista.
Mas eu sou um mero treinador de bancada, não posso ir além disto…destes desabafos. E cumpro a obrigação desta crónica penosamente e, acreditem, com vontade de ser bastante mais cáustico.
Quem se salvou do naufrágio?! Talvez Rolando, apesar de ter falhado o corte no primeiro golo! Talvez Gaspar! Fernando… a espaços!
Não sei.
Saudações azuis.

quinta-feira, maio 17, 2007

Alvalade

Ainda no rescaldo da última jornada gostaria de lhe acrescentar alguma coisa. Vi na TVI grande parte do jogo entre a Académica e o Sporting, vi grande parte da actuação de Lucílio Baptista – a habilidade do costume a interferir com o jogo, a condicionar o desenlace do jogo. Para lá do penalty descarado que ficou por marcar, a mão de Tello que o colocaria de fora no jogo seguinte, o braço ostensivo de João Moutinho, que ninguém falou, a cortar um remate forte em direcção à baliza de Ricardo – neste lance Moutinho simulou uma falsa lesão na cara, enganando assim quem gosta de ser enganado… e muitos outros lances em que prevaleceu o normativo em vigor – na dúvida, a favor dos grandes!
Resolvido este jogo, as preocupações leoninas mantêm-se: mais do que o primeiro lugar, que só pode resultar de um deslize comprometedor deste Porto fatal de Jesualdo e Quaresma, o que o Sporting precisa mesmo, tal como o Benfica, é do dinheirinho que o acesso directo à Liga dos Campeões proporciona. O resto é conversa. Como se sabe, o terceiro lugar é ingrato, porque os milhões estão para lá de uma eliminatória sempre perigosa, contra um adversário ainda desconhecido e que também quer o mesmo.
Portanto, o jogo de Alvalade é vital para o Sporting. Dito isto, está tudo dito – as pressões da comunicação social, as forças ocultas que o dinheiro em jogo… oculta, os guinchos do público ao mais pequeno toque em Liedson ou Nani – é contra tudo isso que nós vamos jogar em Alvalade no próximo Domingo.
Do nosso lado estará uma nova dupla de centrais e do respectivo entendimento e rendimento, dependerá a sorte do jogo. Para não me referir a este - entra e sai - de guarda-redes, que não é de certeza benéfico para ninguém.
Agora, se este jogo é vital para o Sporting, para o Belenenses também o é. Por muitas e variadas razões: a primeira e mais importante, é que só uma afirmação de classe da nossa parte neste jogo, poderá condicionar o rendimento do Sporting na final da Taça. É a velha história, as vitórias moralizam sempre e as derrotas têm o efeito contrário.
Por outro lado, as vitórias não se trocam, porque ganhar é um hábito que se adquire…ganhando.
Por isso, o melhor é começarmos já em Alvalade.