segunda-feira, janeiro 30, 2006

Crónica alegre

‘Só faço estas loucuras pelo Belenenses’! Dizia à minha frente um desconhecido consócio, que se abrigava como podia da intempérie, tentando alcançar a escadaria redentora.
Já dentro do estádio ambos verificámos que a fúria dos elementos prosseguia, o que não impediu o ‘sócio da bandeira’ de envergar o tradicional tronco nu!
Mas olhemos para o relvado onde vinte e dois magníficos, mais o trio do costume, se entregaram ao jogo como se o tempo fosse primaveril!
E veio o primeiro golo de Ahmada, antecedido de uma boa finta!
E veio o segundo de Rolando, antecedido de um bom cruzamento de Rui Jorge!
E veio o terceiro, o primeiro de Romeu no campeonato, antecedido de um excelente canto de Rui Jorge!
E veio o intervalo, o tempo melhorou!
Para meditar na expulsão exagerada de Sandro Gaúcho, quando ainda havia dois a zero.
A segunda parte trouxe um Penafiel a dar tudo por tudo nas substituições, e houve um lance duvidoso na nossa área. O árbitro olhou para o bandeirinha, eu apanhei um susto, mas o lance seguiu. Na resposta marcámos o quarto golo e o segundo de Ahmada! E veio o quinto fechando o hat-trick de Ahmada!
Rui Jorge saiu entre aplausos e eu fui hoje de manhã à praia da Caparica para contratar mais um jogador, pois pelos vistos são bons e treinam melhor!
Depois das substituições o Penafiel agarrou o meio campo e tentou marcar o golo de honra, o que quase conseguiu.
Um reparo do técnico de bancada: Couceiro bem poderia ter feito as substituições de outra maneira evitando expor faísca à comparação inevitável com Rui Jorge. Eu teria feito entrar Amaral e deslocava Sousa para o lado esquerdo da defesa, afinal onde tem jogado ultimamente.
Se queria moralizar Faísca punha-o a jogar em lugar que ele conhece ou onde se sente mais à vontade.
E não há mais nada a dizer sobre o jogo, a não ser que temos que pontuar contra os dois próximos adversários – Guimarães, fora, e Porto, em casa.
Saudações azuis.

domingo, janeiro 29, 2006

(de)...Retido na neve

Fiz as continhas todas para chegar a Lisboa a tempo de ir ao Restelo só que durante a viagem, e após ouvir incrédulo as noticias na rádio sobre as excepcionais condições climatéricas em Lisboa, deparei com uma imagem igualmente excepcional, afinal não era nascido há 52 anos…


Alentejo, entre Grândola e Lisboa.
Não foi a breve paragem para tirar estas fotografias que me impediu de chegar a tempo de ir ao Restelo mas fiz o resto da viagem a menos de 50 Kms/hora com algum receio de patinar o que felizmente não veio a acontecer.
Quem também não patinou foi o Belenenses que aproveitou para golear o Penafiel por 5 a 0, grande resultado e muitíssimo importante.
Segundo o que fui ouvindo pela rádio parece que a equipa, a defesa em particular, está mais equilibrada e confiante com a entrada de Rui Jorge, o Ahamada fez três golos como já o tinha visto fazer num jogo particular contra o Barreirense, e por fim o jogo terá sido bom com o Romeu e o Rolando também em destaque. Foi o que pude apurar enquanto fervia por não estar no Restelo.
O que um pormenor pode modificar numa equipa …, bem, mas vou ficar à espera das notícias de quem assistiu ao jogo e que se o ponto de viragem aconteceu na jornada passada, que esta esteja agora definitivamente consumada.
Saudações Azuis.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Desfazendo equívocos

Num curioso artigo de fundo publicado na passada terça-feira no jornal ‘A Bola’, Miguel Sousa Tavares reafirma-se um diligente guardião da ‘revolução dos cravos’ com o sonoro título – ’25 de Abril sempre’!
E alerta para os sinais, já visíveis a sul, centrados na capital e irradiantes da 2ª circular que segundo sugere, indiciam a conspiração das forças obscuras do antigamente!
Ora bem, eu costumo acompanhar Sousa Tavares naquele percurso em que identificamos o mesmo inimigo principal – o nacional-benfiquismo – mas depois, desço daquele comboio e sigo um caminho diferente.
É o caso em apreço.
E senão, vejamos: - Com o tempo que tenho de casa, (leia-se, ‘país’), já percebi que nestas coisas de 25 de Abril cada um tem o seu!
E por isso vou tentar adivinhar qual é o que corresponde ao famoso jornalista e escritor. Não deve andar muito longe daquele que provocou uma autêntica indigestão na maior parte dos clubes das Associações de Futebol de Lisboa e de Setúbal e que por via disso, faliram e desapareceram da 1ª divisão. Compreende-se que com o seu desaparecimento, desapareceu também a força dos dois grandes clubes de Lisboa, que jogavam sempre em ‘casa’, além de controlarem com os votos das duas citadas Associações, a Federação e obviamente a arbitragem!
Porque é assim que se ganhavam e ganham os campeonatos em Portugal, nada mudou nesse aspecto.
Ou por outra, mudou sim senhor com o outro 25 de Abril, que se calhar Miguel Sousa Tavares não quer deslindar: - o que fez emigrar o dinheiro para o Norte do País, que manteve empresas e emprego, e que foi muitíssimo bem aproveitado por Pinto da Costa, recriando a Norte a estrutura de poder que antes existia a sul.
Tudo igual, incluindo o poder sobre a arbitragem!
E não vale a pena falar no campeonato ganho pelo Boavista. Sem querer tirar mérito a Jaime Pacheco e aos jogadores, não nos podemos esquecer das crónicas que o ilustre comentador escreveu a propósito. Refiro-me à complacência com um tipo de futebol que roçava a violência, à onda de suspeição, aos processos sobre ‘apitos e derivados’ que se seguiram, etc.etc.etc.
Bem gostaria que Miguel Sousa Tavares se interessasse por algumas questões que já vi formuladas nos seus artigos de opinião, mas que infelizmente ficaram sem resposta:
Porque é que não existem clubes de dimensão média no futebol português?
Porque é que existe um diário desportivo que precisa de ter duas versões para as mesmas notícias, consoante se dirige ao público do norte ou do sul?
É por aqui que passa a grande conspiração a fazer, a tal revolução que beneficie o futebol português no seu conjunto e não apenas os três clubes, que à vez, o utilizam a seu belo proveito.
Mas para isso precisávamos de jornalistas, escritores ou não, que deixassem de ser facciosos, que descobrissem por si, que sem verdadeiros adversários não há verdadeira competição.
Saudações belenenses.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Ai flores, ai flores do verde pinho...

Trazeis-me novas do Belenenses? Notícias que acalmem o meu coração?
O silencioso pinhal não respondeu. El-Rei D.Dinis, também não. Do sobranceiro castelo, contemplou longamente o frio e deserto Magalhães Pessoa mas desinteressou-se da peleja. Quando quis saber o resultado, Isabel, Rainha Santa, sorriu e disse – foi milagre! Os de Belém conseguiram empatar! Como assim, replicou o monarca um tanto descrente!? Isabel explicou: de um lado estava Jesus, do outro, estava a sua Cruz, ninguém podia perder.
Esta é a explicação do resultado à luz da História e da Lenda.
Quanto ao que vislumbrei na SportTV, as coisas são um pouco diferentes.
Antes do mais volto a repetir aquilo que já uma vez afirmei: - Joaquim Rita é um excelente comentador, que ‘lê’ em tempo real, e bem, o que se vai passando no terreno de jogo, para além de arriscar soluções para os problemas que vai detectando. Soluções que, diga-se, se revelam muitas vezes acertadas.
Por isso, não vou acrescentar uma vírgula à análise técnico-táctica proferida pelo citado comentador, nem sobre o acertado diagnóstico que proferiu, no que concerne ao estado anímico dos jogadores.
Resta-me realçar os pontos positivos numa ordem de ideias que tem em vista os embates futuros: a recuperação de um resultado negativo é sempre um tónico precioso, que fortalece também e especialmente os jogadores que estiveram no cerne da reviravolta. Refiro-me não apenas aos que entraram, mas também aos que marcaram, ou estiveram na origem desses lances.
A equipa transfigurou-se nos últimos minutos, quando passou a acreditar e porque passou a acreditar. Os jogadores eram práticamente os mesmos!
Assim se aproveite a embalagem para o próximo jogo com o Penafiel.
Mas falta-me qualquer coisa a meio campo.
Saudações Azuis.

domingo, janeiro 22, 2006

Ataque ou contra-ataque?

O treinador de bancada que há em mim, de vez em quando acorda e reaparece, sem eu próprio dar por isso! Hoje é um desses dias.
Estava eu a ver o Porto-Naval na televisão, a acompanhar o desempenho de algumas nulidades que o FC Porto tem na sua equipa, e dei comigo a pensar no Belenenses!
A questão é esta: - Existem jogadores que se destacam em equipas pequenas, habituados a jogar em contra-ataque, com a bola colada aos pés, normalmente pelas alas, mas que se mostram incapazes de assumir o ataque continuado, que impõe colectivismo, visão periférica, precisão no passe e noutros movimentos do jogo. Neste aspecto nunca é de mais salientar a importância do último toque, que é muitas vezes um centro, e que deve ser bem medido e causar perigo na defensiva adversária.
Estamos a falar daquele universo de jogadores muito bem pagos, cujas transferências custaram fortunas e que afinal parece que não se pode contar com eles para os efeitos desejados!
E quais são os efeitos desejados?
Em relação ao Porto, não temos dúvidas que se exigem jogadores de fácil adaptação ao tal ataque continuado porque é esse o estilo de jogo que os objectivos da equipa e do Clube impõem. E regresso assim ao início desta crónica para concluir que muitos dos jogadores que o Porto tem vindo a adquirir, não têm as características para ali jogarem – são jogadores vincadamente de contra-ataque, alguns sem a categoria apregoada.
Quanto ao Belenenses a história é outra.
Desde a última subida de Divisão, se a memória não me atraiçoa, a nossa equipa reuniu-se à volta de um bloco defensivo muito sólido, com bons jogadores, como por exemplo, Cabral, Wilson, Filgueira, Lito, Pedro Henriques, Tuck, Marco Aurélio, para citar os que me lembro. A partir daqui construímos uma base de jogo que explorava o contra-ataque, sistema que ‘pedia’ para a linha avançada o concurso de jogadores rápidos e possantes. O último que tivemos com esse perfil foi, como todos sabem, o Antchouet.
Ora bem, nós ainda não nos ‘libertámos’ desse estilo de jogo, nem é fácil fazê-lo, diga-se de passagem.
Para que possamos adoptar um sistema de futebol apoiado, consistente ao nível da posse de bola, precisaríamos de ter um ou dois jogadores que há muito tempo não conseguimos adquirir. Refiro-me ao tal nº10, ao condutor de jogo, ao elemento que assume a bola e a faz girar, sem medo e com classe.
E só para me referir à história mais recente, posso afirmar o que todos os adeptos do Belenenses também sabem – que Neca apenas prometeu, que Petrolina falhou, e que neste momento ainda não temos esse problema resolvido.
Claro que estamos a falar de jogadores que têm muita procura e que não são fáceis de encontrar ou contratar.
Portanto, e para concluir, a situação é esta: - estamos a tentar mudar o estilo de jogo, faltando para isso o tal elemento do meio campo, e ainda por cima fizemos contratações para a frente de ataque, caso de Meyong e Romeu, nessa mesma perspectiva de mudança.
Mas é assim a vida, e será com os ovos que temos que teremos de fazer uma boa omoleta. Tem a palavra Couceiro...e Daddy que me pareceu que tem pinta de ponta de lança.
A ver vamos.
Saudações azuis.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

quarta-feira, janeiro 18, 2006

O carrossel da batota

Eu devo viver no mundo da Lua, devo ser muito ingénuo, talvez um pobre diabo com a mania da perseguição?! Estas são as minhas dúvidas, mas ele há coisas tão estranhas a passarem-se no nosso futebol que me admira ser só eu a reparar nisso!
Um exemplo é esta prática, ao que parece absolutamente normal, de aliciar jogadores de outros clubes com quem se vai jogar a seguir, e que depois efectivamente não jogam contra o clube aliciador, alterando assim a verdade desportiva. A mim parece-me um caso de polícia, mas a verdade é que ninguém se importa com isso, nem o clube propositadamente enfraquecido, nem os outros clubes concorrentes, nem a Liga ou o seu aparelho jurisdicional, nem a Federação Portuguesa de Futebol, nem, por incrível que pareça, o próprio governante da tutela!!! Repararam que nem sequer me referi à comunicação social?!
Os pontos de exclamação poderiam continuar mas não vale a pena. Para quem tem a memória curta, relembremos os casos mais recentes do jogador Fonte, ex-Vitória de Setúbal, e do Marcel, ex-Académica de Coimbra. Tanto num caso como noutro o Benfica acabou por conseguir enfraquecer essas equipas nas vésperas do respectivo confronto para o campeonato!
Acresce que no caso de Fonte, veremos o que acontece com Marcel, o Benfica nem sequer precisava desse jogador para os seus quadros, já que o emprestou de imediato ao Paços de Ferreira.
E por aqui passa uma outra fraude qualificada do nosso futebol a que dei o nome de ‘carrossel da batota’, e que ameaça subverter completamente o quadro competitivo em que supostamente nos inserimos, transformando-se o futebol numa espécie de jogo de xadrez dos três Grandes, com os outros clubes a servirem de peões, nessa suprema luta pelo poder.
Neste casino, onde tudo é artificial, o jogo é também com fichas, sem entrada de dinheiro fresco, a não ser o que vem do orçamento de Estado pelas vias já conhecidas – urbanizações, bombas de gasolina, aluguer dos estádios que ainda não estão pagos, anúncios na PT, etc, etc.etc.
Os jogadores, esses, são propriedade de dois ou três patrões e rodam consoante os interesses desportivo-financeiros dos mesmos patrões, numa lógica de engenharia de empréstimos que chega a ser ridícula.
Claro que num quadro destes não existe qualquer liquidez, nem existem receitas que paguem o espectáculo, tornando-se por isso forçoso assegurar a indispensável classificação que dê acesso aos tostões das ligas européias. Por isso esses lugares são cativos e ai de quem se tente intrometer... Com esse dinheiro encobre-se a falência técnica das sociedades desportivas, consegue-se o apoio patriótico das massas associativas e os nossos governantes ficam muito contentes por mais uns quantos serviços à Pátria, mais umas medalhas, mais uns dinheiros a escorrer do orçamento, e, quem sabe...... mais uma reeleiçãozinha!
Neste filme, a minha pergunta é simples: - onde é que fica o Clube de Futebol “Os Belenenses”?