quarta-feira, abril 03, 2019

A desigualdade que envergonha


É um grito recorrente neste Belém Integral e vou continuar a clamar até que a voz me doa! Refiro-me à repartição dos direitos televisivos entre as equipas que disputam o mesmo campeonato, os dados são conhecidos e a diferença no caso português é obscena. Segundo o relatório anual da UEFA Portugal continua a ser o país europeu onde a diferença entre aquilo que auferem os três grandes e as equipas médias é maior: – Benfica, FC Porto e Sporting recebem 15,4 vezes mais do que os restantes clubes. Na Europa civilizada os grandes ganham em média 2,4 vezes mais que os outros!

Começam entretanto a ouvir-se outras vozes a pôr o dedo na ferida. Mourinho explica a falência da nossa indústria do futebol pela desproporção gritante entre os direitos televisivos e José Couceiro apresenta números: - em Inglaterra a proporção entre o clube que recebe mais e o que recebe menos é de 1,2; essa mesma proporção em Portugal é de 15,4. Batendo certo com o relatório da UEFA.

Quem é que gosta disto?! É concerteza quem, podendo alterar a situação, nada faz para isso. Ou seja, Governo e Federação devem gostar da desigualdade. Os clubes habituaram-se a ela. Como dizia o outro, a escravatura é um vício.


Saudações azuis

segunda-feira, abril 01, 2019

Mateus...


Caso sem fim à vista, assombração azul, e até podia não ter acontecido nada não fora a crónica de asneiras que já não se usam. Explico: - em condições normais este era um jogo para acabar a zeros, empatado, com o Belenenses a ter bola mas sem armas para fazer golos, e o Boavista com uma defesa 'à Lito', intratável, mas que ofensivamente estava muito dependente dos nossos erros. E de facto não podíamos errar. Vimos isso em duas fífias de Sasso (não são erros, são mesmo fífias) e numa dividida entre Diogo Viana e Mateus com este ainda a conseguir rematar. 

E por falar em Mateus estávamos avisados, eu pelo menos estava, que o perigo só podia vir dali. Assim não se compreende que Gonçalo Silva, jogador experiente, não tenha resolvido aquele lance despachando a bola com firmeza. Sasso, aliás, quis imitá-lo a seguir, e também lhe passou pela cabeça tentar ludibriar Mateus... Teve sorte. Tivemos sorte.

Mas o jogo seria sempre difícil atendendo à situação delicada dos axadrezados na tabela classificativa. Pelas alas era impossível passar a não ser que tivéssemos no banco um extremo a sério, daqueles que são fortes no um para um, e neste caso eram sempre dois boavisteiros que fechavam. Restava o jogo interior e isso dependia dos médios conseguirem fazer transições com sinal mais. Nem com sinal mais, nem com sinal menos, além de que o Boavista tinha instruções para matar qualquer iniciativa perigosa. E fez as faltas que quis. Em última análise tentámos os passes de longa distância, mas a respectiva qualidade deixou muito a desejar.
Finalmente os dois avançados escalados para este jogo – Licá e Velez – foram sempre presa fácil para os centrais contrários.

Mas ainda é preciso explicar o segundo golo do Boavista. E eu explico. Diga-se que quando Silas substituiu Nuno Coelho desfazendo a defesa a três eu já 'sabia' que estaríamos mais perto de sofrer o segundo golo do que de empatar. Já 'sabia' porque tenho dotes de adivinho e também porque o histórico não se engana. Mas voltemos ao segundo golo do Boavista. Em concreto o que aconteceu foi o seguinte: - já a caminho do final do jogo desfrutámos de vários pontapés de canto, dois deles do lado esquerdo do nosso ataque, e quem se encarregou da respectiva marcação foi Matia Lulic. Foram ambos (mal) marcados ao primeiro poste, com a bola muito baixa e de fácil intersecção pela defensa boavisteira. O primeiro rendeu um cartão amarelo ao nosso Zacharya afim de parar um perigoso contra ataque e o segundo rendeu o segundo golo ao Boavista. O futebol não é uma ciência exacta, mas às vezes parece!

Resultado final: - Boavista 2 – Belenenses 0

Saudações azuis

sábado, março 30, 2019

Regresso ao futebol

Aos soluços, selecção oblige, o nosso campeonato retoma o fôlego para o sprint final. Ontem em Portimão o Moreirense adiantou-se confirmando que não vai ser fácil desalojá-lo do quinto lugar! Bela equipa, treinador destemido, bons jogadores, voltei a lembrar-me do erro que cometemos no Jamor... Era preciso segurar o empate... Enfim, águas passadas, até porque amanhã o encontro no Bessa pode dizer alguma coisa. Só a vitória interessa mas há que ter olho no Mateus, o nosso caso de vida, e que continua a romancear o campeonato. E daqui não saímos enquanto os órgãos desportivos que deviam decidir continuarem a não decidir encostando-se às decisões dos tribunais civis. Uma cobardia e ao mesmo tempo uma incompetência. E todos pagamos por isso. 

Esta parte relaciona-se com mais uma reunião do G 15 onde o caso do Gil Vicente voltou a ser falado. Pensava eu que já estava tudo clarinho como água mas não. Segundo percebi há quem queira baralhar e dar de novo! Um absurdo. 

É também notícia o registo de uma nova marca do Belenenses SAD e não estando dentro dos meandros do assunto, socorro-me da expressão latina muito usada em direito - 'quod abundad non nocet'. Tudo o que seja a mais, não prejudica. E espero que seja assim.


Saudações azuis



terça-feira, março 26, 2019

Desfazendo equívocos


Quando os papagaios (agora são advogados!) repetem que temos de ajuizar a intrusão informática na conta de outrem como se da nossa se tratasse, estão obviamente a tentar confundir a opinião pública! Em primeiro lugar as contas que apetece violar, invadir, revelar, correndo o risco da ilicitude, são poucas e têm a particularidade de serem suspeitas. Suspeitas de falta de transparência e estou a ser suave na adjectivação.

No caso concreto dos 'fundos de jogadores' que a partir de certa altura invadiram o futebol qualquer mentecapto percebe que a transparência diminuiu e que em sentido inverso aumentaram os riscos sobre a integridade das competições. E tanto assim é (ou foi) que a FIFA limitou a respectiva actividade.

Acresce que a vontade de confirmar suspeitas (e suspeitos) de ilícitos criminais aumenta muito quando se conjugam alguns factores, a saber: - a inércia das autoridades na investigação de práticas suspeitas; a dificuldade legal em fazer a prova; e o histórico da justiça em termos de condenações! E se há país onde estes três itens coincidem, esse país é Portugal. Ou seja, a impunidade é sempre um convite à justiça por conta própria. Ninguém aprova e eu também não aprovo. Mas no limite, quem não compreende?!

Compreendem-se assim as objecções de Rui Pinto sobre a justiça portuguesa, como se compreende que o seu advogado tenha dito, face à inexplicável medida de prisão preventiva aplicada ao seu cliente que, e estou a citar - 'o Rui Pinto está a incomodar muita gente'.

Uma coisa é certa este processo que levou à detenção e extradição de Rui Pinto parece ter sofrido uma vertiginosa aceleração após ter sido noticiado que o site de um escritório de advogados em Lisboa havia sido pirateado! Mais uma suspeita infundada?! E as suspeitas continuam.

sexta-feira, março 22, 2019

Troféu Ibérico!


O Belenenses venceu na passada quarta-feira o Badajoz (1-0) conquistando assim o Troféu Ibérico em disputa. O golo foi apontado por Matia Lulic através da marcação de um livre. Parabéns aos vencedores, honra aos vencidos.


Saudações azuis

quinta-feira, março 21, 2019

Agora é que são elas...

Extraditado, aterrou hoje em Lisboa o herói para muitos, vilão para outros tantos, Rui Pinto de seu nome, e pelo andar da carruagem há muita gente aterrada com o que ele possa dizer. Ainda é cedo para um juízo final mas num país que detesta a verdade esta história tem todos os condimentos para acabar mal. Aguardemos pelos próximos capítulos.

quarta-feira, março 20, 2019

A batota a céu aberto!


Como era previsível começam a aparecer provas que revelam aquilo que todos sabemos: - que em Portugal o futebol é uma fraude! Árbitros transformados em padres de confraria suspeita, agentes 'desportivos' que trocam e.mails também suspeitos, toupeiras que escavam galerias no ministério da Justiça, juízes suspeitos, juízas à maneira, deputados da bola, empresários da treta, tudo concorre para este clima onde a corrupção e a batota são rainhas! A olhar para o lado temos a FPF, a Liga e a Tutela. A silenciar o 'incómodo' temos uma comunicação social obediente e vendida. Há excepções, mas são poucas. E hoje quem folhear a imprensa desportiva até parece que não aconteceu nada! Um jogador testemunha em pleno tribunal que foi aliciado para facilitar a vitória do Benfica num determinado jogo e só vemos notícias sobre o Batuque Futebol Clube e Bruno de Carvalho que 'ressuscita' sempre que dá jeito! 

Assim, tal como as coisas estão, pergunta-se: - quem é que vai investir num país destes?! Seja no futebol, seja onde for?! Só se for louco! Sério e honesto não há-de ser concerteza.

Saudações azuis



Nota: Uma das tarefas do G 15, onde em tempos depositei alguma esperança, tem a ver com a equidade que está em falta e com a verdade desportiva que não existe. Para isso é necessária uma agenda firme e independente. Não é o que tem acontecido, apesar de alguns pequenos passos hesitantes. Matérias como a centralização dos direitos televisivos e uma distribuição justa das receitas, não pode ficar à espera que se cumpram os contratos em vigor; o factoring é uma consequência nefasta e uma desigualdade que atenta contra os direitos de imagem; a BTV a transmitir jogos por sua conta é uma aberração e uma suspeita permanente; a limitação do número de jogadores que cada clube pode ter na sua esfera patrimonial é uma urgência. Etc. etc. etc.
Enquanto isto não for uma realidade, a batota e a corrupção vão continuar, e a violência, que é filha da suspeição, vai aumentar. Quanto à independência dos clubes, financeira e não só, que é a base de uma competição saudável, essa será sempre uma miragem.

Adenda: - A fraude é tanta e está tão generalizada que já nem podemos acreditar naquilo que vemos na TV. Imaginem que até quiseram fazer passar a ideia de que a bola não tinha entrado no golo anulado por fora de jogo ao Moreirense logo no início do encontro com o Benfica! Inclusivamente o Coroado na sua análise veio dizer isso! Como se fosse possível a intervenção do VAR, e de facto interveio, no caso da bola não ter entrado! Está tudo doido. E já agora um aparte - o golo anulado (ainda estava zero a zero) faz lembrar o golo de livre do Diogo Viana com o Vlacodimos a ser batido da mesma maneira. Se o avançado do Moreirense estava ou não fora de jogo temos dúvidas e é essa dúvida que explica toda esta sucessão de falsas notícias e de imagens marteladas que mais não fazem que servir de forma abjecta o nacional benfiquismo em vigor. Que tristeza de país...