sábado, maio 14, 2016

"O meu amigo Matateu"

Por Carlos Adrião Rodrigues


Também fiz desporto. Aliás, em Lourenço Marques, o mais difícil era os jovens não fazerem desporto. Eu queria jogar futebol e, se possível no Desportivo, como guarda-redes. Mas, nesse tempo, o Desportivo tinha o Luís Nunes e o Pedro Santos, o Ferroviário tinha o Hélder e o Costa Pereira ( sim, o do Benfica ), o Sporting, que para mim estava fora de causa por ser benfiquista e do rival local, o Desportivo, tinha o Evaristo e o Pegado e para as crises, o Juca (sim, o do Sporting de Portugal ), que, além de um fabuloso médio, era também um óptimo guarda-redes. Todos excelentes, dos quais se destacou mais o Costa Pereira. Nos clubes pequenos havia também guarda-redes fora de série, como o Fernando Vaz (hoje grande médico em Maputo), outro muito bom, no 1º de Maio, cujo nome me esquece. De modo que se eu queria jogar nas honras tinha que ir jogar no Malhangalene, na altura com falta de guarda-redes, que era um clube simpático, de bairro, que disputava alegremente os últimos lugares da tabela, com os clubes mais fracos. Mas como não havia 2ª divisão e portanto, não havia risco de descida, ninguém se preocupava muito com isso.

O Malhangalene tinha um grave senão, que só descobri muito depois de lá ter começado a jogar: os estatutos estabeleciam que era um clube só para brancos. Quando descobri fui ter com o presidente do clube, disse-lhe que aquilo não podia ser e que eu não continuaria a jogar num clube declaradamente racista. O homem disse-me que aquilo tinha sido uma estupidez mas que ele ia promover a alteração dos estatutos; e assim fez
Assim aconteceu que eu lá estava, nas balizas do Malhangalene, sofrendo golos do Veiga, do Laje, do Rebelo, do Coluna (sim, esse), do Eusébio (também), do Vicente e daquele génio da bola, então a amanhecer, chamado Matateu.
Ele jogava no 1º de Maio (camisolas vermelhas), clube do meio da tabela mas que às vezes disputava os últimos lugares com os mais fracos, outras os primeiros lugares com os melhores. De modo que os jogos com o 1º de Maio eram importantes para todos os clubes.

O Matateu era um jogador inteligentíssimo, de uma finta fulgurante, uma colocação espantosa e um remate poderoso. Dele sofri muitos golos, com orgulho o digo, mas também foi a remates dele que fiz algumas das melhores defesas da minha vida de que já ninguém se lembra, mas que eu nunca esqueci.
Eu, melhor, o Malhangalene, tinha um grande defesa central. Era o Zé Gomes. Atleta de primeira água, era alto e tinha um físico portentoso, com duas pernas enormes, musculadas e fortes. Tinha, ainda uma profissão que o obrigava a estar sempre em forma: era guarda-fios dos serviços de electricidade, encarregado de reparar as avarias da rede eléctrica, o que, com a tecnologia da época, implicava subir os pau-de-fios como os apanha-cocos sobem aos coqueiros.

O Zé Gomes tinha uma estratégia anti-Matateu, que umas vezes funcionava, outras não. Quando o Matateu corria para a baliza, podia fazer as fintas que quisesse, que o Zé Gomes plantava-se na frente dele, enorme, imóvel, braços abertos e uma perna levantada em paralelo ao chão. Isto obrigava o Matateu a dar uma grande volta e a perder ângulo de remate, mas, inteligente como era, depressa encontrou o antídoto: passava a bola por debaixo da perna levantada do Zé e ele passava pelo outro lado, aparecendo sozinho e de bola dominada, frente ao guarda-redes. O Zé Gomes tentou logo contrariar a técnica do Matateu e começou a treinar-se em baixar rapidamente a perna levantada e levantar a outra. Isto dava origem a inúmeros choques: se o Zé levantava a perna quando o Matateu ia a passar era livre ou grande penalidade; se a perna já estava levantada e era o Matateu quem, no seu afã, chocava com ela, não era falta mas ele aparecia-me a rojar pelo chão, por um lado, enquanto a bola seguia por outro. O chão pelo qual rojava era, normalmente o do campo do Sporting de Lourenço Marques, sem relva e com um piso que mais parecia lixa, de modo que vinha sempre queixoso e dizia-me; - Ai, este Sr. Zé Gomes, este Sr. Zé Gomes!, e eu respondia-lhe: -Deixa lá que ele não fez isso por mal e já passa! E foi com este tipo de conversa que ficámos amigos.

Por esse tempo, o Benfica fez uma digressão a África, incluindo Moçambique. Os dirigentes do Benfica eram todos do tempo do meu pai, em Benfica, de modo que naturalmente passaram a frequentar o restaurante de meu pai, comendo os melhores camarões do mundo (os de Moçambique) e lembrando a juventude comum e o Benfica do Lázaro e do Vítor Silva, do Gaspar Pinto e do Chico Ferreira. Numa das vezes eu estava lá e meu pai apresentou-me os senhores. Como a conversa caísse no futebol e apercebendo-se eles que eu jogava, logo me perguntaram se eu achava que algum dos jogadores a actuarem em Lourenço Marques podia interessar ao Benfica. Eu indiquei -lhes logo ali, dois: o Laje e o Matateu. Mas fui-lhes dizendo que embora fossem dois jogadores excepcionais, de igual valia embora de características diferentes, era melhor não pensarem muito no Laje porque ele namorava uma bela laurentina, por quem tinha uma paixão tórrida, a qual não podia nem ouvir falar em sair da terra dela. Eles foram, pelo menos, ver o Matateu, mas parece que não gostaram; o que, diga-se de passagem, foi estranho, porque mesmo quando o Matateu estava em dia não, o que acontece a todos, qualquer leigo em futebol via que estava ali um grande jogador. Os dirigentes do Benfica é que deviam pertencer àquela estirpe de dirigentes nacionais, cheios de ignorância e empáfia, que despedem mourinhos entre dois whiskies. 

Foi assim que o Matateu não veio para o Benfica, quando ainda não havia concorrência; mas uma pérola futebolística daquelas não fica escondida muito tempo e depressa o Sporting e o Belenenses o descobriram e disputaram. Foi o Belenenses que, felizmente para os benfiquistas ganhou a corrida, e o Matateu estreou-se num jogo particular contra o Porto, no estádio nacional. Nessa altura já eu estava em Lisboa, tirando o meu curso, e, embora o meu Benfica não jogasse, tinha de ver a estreia do meu amigo Matateu. Lá fui cedo para o estádio, paguei o meu bilhete e ainda consegui, graças a um simpático dirigente do clube de Belém, dar um abraço e um estímulo ao meu amigo. Depois fui para o meu lugar nas bancadas e, por acaso, caí no meio de um grupo de adeptos do belenenses que discutiam a possível estreia do “ preto” que uns opinavam ser muito bom, outros diziam não prestar para nada e a maioria mostrava não o conhecer de todo.

Contive-me durante algum tempo, mas a certa altura decidi intervir e lá expliquei àqueles azuis embasbacados que o seu clube tinha feito a aquisição do século. Quiseram saber quem eu era e, quando lhes disse, que conhecia bem o Matateu mas tinha jogado contra ele e, como guarda-redes, tinha “engolido” muitos golos marcados por ele, que estava alí não porque fosse do Belenenses ou do Porto, mas porque queria ver jogar o Matateu; que eu era benfiquista de alma e coração e que a minha pena era ele não ter vindo para o Benfica este discurso, deixou-os curiosos. O jogo começou pouco depois. Nessa altura a grande figura da equipa do Porto era o Virgílio, jogador correcto e de alta qualidade que mercê de uma grande exibição contra a Itália, era conhecido pela alcunha do “leão de Génova”. Foi ele encarregado de marcar o “preto” e o “preto” passava por ele como se ele não estivesse ali. Eram dribles, eram bolas por debaixo das pernas, eram mudanças de direcção e de velocidade que deixavam o Virgílio pregado ao solo, a tal ponto que a certa altura e fora dos seus hábitos, perdeu a cabeça e enfiou uma estalada ao Matateu. Este, com o complexo do colonizado, não reagiu e encolheu-se, para evitar apanhar mais; o árbitro, como era um amistoso, de início de época, fez vista grossa e teve que vir o Feliciano (uma das torres de Belém) a correr, lá do seu lugar dar um abanão ao Virgilio, para salvar a honra do convento.

Nesse jogo o Matateu não meteu nenhum golo, mas deu de bandeja a outro avançado a bola com que marcou o golo da vitória do Belenenses e fez um grande jogo. Os Belenenses à minha volta estavam felizes e olhavam-me com consideração por eu lhes ter antecipado a excelência do jogador. Gostaria de ter visto a cara deles, quando uma semana depois, já para o campeonato, o Belenenses ganhou por 4 ou 5 ao Sporting, todos ou quase todos os golos do Matateu.

Das duas vezes fui ver o Matateu, não os clubes que não eram o meu, mas de ambas as vezes saí com o peito cheio de orgulho moçambicano, orgulho que, por razões futebolistas, só voltei a sentir cerca de uma década mais tarde, quando já exercia a profissão de advogado em L.M. e desloquei-me à Europa. Tive de ir a um banco, em Paris, descontar um cheque para o que exibi o passaporte, que na capa dizia Moçambique. Então o funcionário bancário olhou o passaporte, sorriu e exclamou :
-Tiens! – le Mozambique, le pays d’ Eusébio!

Assim, graças à magia do futebol, a mais de 14000 Km. de distancia, um francês, por tradição alheio á geografia, conhecia Moçambique.


(Retirado com a devida vénia do blog 'gaudium et spes')

sexta-feira, maio 13, 2016

Antevisão

Antevisão é ganhar e ponto final. Se o Estoril precisa de pontos para chegar á Europa nós precisamos dos três pontos para ganharmos no Restelo! Magro pecúlio temos em nossa casa – dezasseis jogos, cinco vitórias apenas! Também precisamos de não sofrer mais golos, sessenta e cinco no total dá uma média de dois golos sofridos por jogo, o que explica quase tudo sobre a época desportiva que agora termina. 

De Velasquez espera-se que não invente muito. Quatro defesas clássicos (Filipe Ferreira incluído), quatro médios que corram e saibam defender, e na frente, Juanto e Tiago Caeiro. Se quiser ser mais atrevido, meta o Fábio Nunes numa das alas. Na ala esquerda em lugar do Miguel Rosa que flecte sempre para o meio. Mas isso já são pormenores. Do Bakic espero uma grande exibição à despedida!



Saudações azuis


Aviso à navegação: Dos jogadores estorilistas, o mais complicado de marcar não é o Bonatini, mas sim o Mendy. Também é preciso ter cuidado com o Matheus, o filho do Bebeto, esquerdino e perigoso na meia distância e nas bolas paradas. 

quarta-feira, maio 11, 2016

Um país microscópico!

Isto está a ficar irrespirável, apertado, já não bastava a globalização informativa que reflecte a mesma notícia, um bilião de vezes por dia, por esse mundo fora! Já não bastava o IRS que sabe mais sobre mim do que eu próprio, já não bastava não haver desertos, nem oásis, já não bastava tudo isso e ainda tenho que sofrer, em cada minuto que passa, a notícia da transferência extra celeste de um jogador do Benfica! E não há volta a dar, para onde quer que me volte parece que o país foi bafejado com a sorte grande! Já tínhamos os milhões do Cristiano Ronaldo, temos agora os milhões do Renato Sanches! Estamos cada vez mais ricos!

Seria uma boa notícia para os lesados do BES, mas esses não devem ter sorte nenhuma. Seria uma boa notícia para o Novo Banco mas duvido que as enormes dívidas dos grandes clubes sejam alguma vez liquidadas. Nesta matéria vale uma anedota antiga, anedota que terá inspirado o nosso Sócrates na sua teoria sobre dívidas: - as dívidas velhas não se pagam; as novas fazem-se velhas e também não se pagam.

Mas enfim, sempre é uma boa notícia para o próprio jogador que é o menos culpado pela pequenez circundante.



Saudações azuis


Nota: A partir de agora o queixo do Sturgeon (que atingiu o cotovelo do Renato) já vale dinheiro.

segunda-feira, maio 09, 2016

Os mínimos…

O último objectivo é agora ficar na primeira metade da tabela, ou seja, no nono lugar! É pouco mas é melhor que ficar mais abaixo. Mas eu nem sei se temos esse objectivo! O que sei é que na longa lista de campeonatos que já levamos, estas últimas três décadas (e mais uns pozinhos) têm pouco a ver com as trinta anteriores. Nesse tempo era invulgar um sexto ou um nono lugar! Creio que nunca ficámos nessa posição, mas nem vou confirmar.

Ontem na Choupana cumpriu-se o fadário. Não vi o jogo mas pelos indícios, pelos comentários dos jornais, pelo resumo dos lances, pode até dizer-se que tivemos alguma sorte. Desde logo porque a incapacidade revelada para segurar uma vantagem nos últimos minutos é um fardo que carregamos desde o início da época! Nem vale a pena tentarmos doirar a pílula, pois basta atentarmos naquele livre, já nos descontos, que estava mesmo a ver-se para onde ía (para que cabeça ía) e ficamos conversados. E se o jogo demorasse mais um minuto, ou se o fiscal de linha não interviesse a tempo, lá voltávamos nós da Madeira com mais uma derrota no bornal.

Cansaço?! Excesso de jogos?! Mas que culpa tem o cansaço quando aos treze minutos já não temos pedalada para segurar o avançado do Nacional que em cada metro ganhava dois ao nosso médio defensivo?! Não é cansaço é falta de pernas. Mas não vamos insistir, a SAD e o treinador já devem ter retirado as devidas conclusões, basta olharem para o goal – average.

Saliências?! Poucas, mas ficou na retina o grande golo de Tiago Caeiro! E uma grande assistência! Bem, e não quero os louros da minha insistência no Filipe Ferreira, mas frango ou não, o que conta são as bolas que entram. E já não é a primeira vez que marca. Fico-me por aqui. Para quem não viu o jogo até já escrevi demais.

Saudações azuis

  

sexta-feira, maio 06, 2016

Leicester

Uma das coisas que mais me espantaram nestes últimos tempos foi a grande afición que se estabeleceu em Portugal a favor do Leicester! Toda a gente queria que o Leicester fosse campeão em Inglaterra! Para o comum dos portugueses isso seria mais do que uma vitória, era David a vencer de novo Golias!

Freud se ainda estivesse entre nós retiraria daqui importantes conclusões para os seus estudos psiquiátricos. O quadro clínico parece claro: - os portugueses, que na sua esmagadora maioria são adeptos dos grandes (Benfica, Sporting e Porto), não sobrando adeptos para os outros clubes, aproveitaram a brilhante carreira do Leicester para exorcizar os seus fantasmas! Transferem assim para Inglaterra aquilo que gostariam que acontecesse cá! Mas a doença é mais grave: - queriam que acontecesse cá apesar deles próprios tudo fazerem para que nunca aconteça!
Desde logo porque preferem o conforto espiritual de uma vitória mais que certa ao fim-de-semana. E depois porque não acreditam que um clube pequeno possa ser campeão em Portugal. Porque é que não acreditam?! Aí voltamos ao Freud. É um círculo vicioso.  

Mas não nos iludamos. Em Inglaterra o que aconteceu com o Leicester não foi nenhum milagre. Um clube, seja de que tamanho for, desde que consiga reunir um conjunto de competências desportivas superiores à concorrência, pode ser campeão. Basta verificar o histórico dos campeões ingleses. Estão lá emblemas que hoje militam em divisões inferiores mas que em qualquer altura podem reaparecer. É claro que é mais fácil que um Manchester ou um Chelsea reúnam mais vezes as tais competências. Há uma certeza e daí os estádios estarem sempre cheios: - as coisas decidem-se no campo, sem interferências estranhas.

Tem tudo a ver com a educação, com o facto de os ingleses não gostarem de ganhar de qualquer maneira, não gostarem de batota, tem a ver com a independência dos dirigentes federativos em relação ao poder político, em relação aos clubes, dos árbitros em relação a tudo o que os rodeia, dos jornalistas em relação ao poder económico, e tem a ver com uma distribuição equitativa dos dinheiros do futebol.

Em suma, tem a ver com tudo aquilo que nós não temos, nem queremos ter.


Saudações azuis

quarta-feira, maio 04, 2016

‘Belenenses sem criativos’!

Vou sabendo das novidades através da ‘Comunidade Azul’ (um oásis informativo!) e este título chamou-me a atenção – ‘Belenenses sem criativos na viagem à Madeira’! Fui indagar quem eram os criativos a ver se coincidiam com a minha ideia de ‘criativos’. Não totalmente.

Outra notícia dava conta que Bakic regressa a Florença no final da época não se sabendo ainda se o Belenenses consegue novo empréstimo. Parece que há mais clubes interessados, emblemas com outro poderio financeiro. Lá fora e cá dentro. Cá dentro lembrei-me logo do Novo Banco, um dos emblemas que mais investe, e que tem vários satélites conhecidos!

Voltando aos criativos vou enumerar uns quantos jogadores que de facto desequilibram e levam as equipas a que pertencem às costas. E não estou a falar dos três tubarões, tão pouco do Belenenses para não ferir susceptibilidades. Por exemplo, o Diogo Jota no Paços de Ferreira e o Rúben Ribeiro no Boavista, traçaram o destino das respectivas equipas. Uma, vai à Europa quase de certeza, a outra não desce de divisão, também quase de certeza. Noutro plano, o Octávio no Guimarães, e o filho do Bebeto no Estoril, também foram influentes.

Resumindo, é preciso estar muito atento aos tais criativos, descobri-los, agarrá-los com contratos antes que o Novo Banco os arrebanhe a todos. São eles que podem fazer a diferença. E claro, os goleadores. Mas esses são caros e raros.

E já agora falemos da importância dos treinadores, elementos decisivos na história dos clubes. O Belenenses tem sabido contratá-los. Segurá-los, oferendo-lhes um projecto ganhador, isso é outra questão. Veja-se a propósito o percurso de Simeone no Atlético de Madrid! E por uma questão de justiça o Arouca do Lito!


Saudações azuis


Nota: Num próximo postal falarei sobre o Leicester e o paradoxo português.

terça-feira, maio 03, 2016

O nacional benfiquismo existe mesmo!

Infelizmente não temos, nunca teremos um governo capaz de intervir no sentido de moralizar um pouco a batota institucionalizada que é o nosso futebol. E não temos porque a república está também ela mergulhada na mais vil corrupção. Aliás, e porque os exemplos vêm de cima, seria muito estranho que a corrupção e a batota não contaminassem tudo à sua volta! Nomeadamente o futebol que em Portugal não é indústria coisíssima nenhuma mas uma actividade subsidiada pelo poder político, pelos bancos falidos, em última análise pelos contribuintes. 

Portanto, quando se diz que no tempo do Salazar o futebol era o ópio do povo, agora o que podemos dizer é muito pior! Ópio é concerteza, mas em doses cavalares, e com uma diferença importante, a saber: - Salazar nunca deixaria que as finanças da nação se envolvessem nos negócios da bola. Ou que as autarquias trocassem investimentos úteis para as populações por obras em estádios sempre vazios. O mesmo se diga das empresas públicas (e semi-públicas tipo PT) ou dos bancos pseudo privados. Resumindo, esta insanidade que na Europa apenas existe em Portugal, e talvez na Grécia, ocupa práticamente todo o espaço mediático, com os políticos a falarem da bola e os presidentes da bola a falarem de política. Como disse, esta situação não augura nada de bom para ninguém. 
 
Hoje o problema central do país não é a conta da água que não pára de crescer ou os juros da dívida pública que hão de escravizar as gerações futuras,  não, hoje o problema  crucial tem a ver com a poupança de jogadores das equipas que vão defrontar Benfica ou Sporting! Ou em alternativa com as arbitragens habilidosas que põem fora de combate os jogadores que possam incomodar os mesmos Benfica e Sporting! 
No país nada mais interessa. E confirma-se o que sempre disse  - o nacional-benfiquismo existe mesmo e inclui o casalinho verde rubro.
 
Saudações azuis

Nota: Não falei do Belenenses porque em Portugal só existem três clubes. Os clubes do estado. Basta ligar a televisão para o comprovar.