domingo, abril 19, 2015

A verdade desportiva!

Ora aqui está um assunto interessante nomeadamente quando é discutido num país de batoteiros! Aproveitemos as incidências do jogo do Restelo para opinar também:

Vou começar pelo primeiro golo: - falou-se tanto nos direitos desportivos do Benfica, desde as sanitas do Restelo aos apanha bolas, que o Pelé, sentindo-se já de águia ao peito, resolveu lançar o Lima para este marcar o primeiro golo! Lima, porém, saudoso dos tempos em que vestiu a camisola azul, não permitiu o brinde, deixando-se antecipar pelo guarda-redes Ventura. Acontece que a bola foi parar ao Jonas, brasileiro sem respeito e sem memória, que fez o golo!

Segue-se a dramática questão de saber quem paga os vencimentos dos jogadores emprestados pelo Benfica! Sobre esta matéria a maioria dos opinadores calam-se. Eu vou dar uma pista: - sendo o Novo Banco (nacionalizado) o maior accionista da SAD encarnada, a resposta parece-me óbvia. Quem paga é o Estado e os jogadores são afinal funcionários públicos! O que pode realmente ferir a verdade desportiva.

Analisemos agora uma questão hipotética: se uma equipa tem direitos desportivos sobre uma série de jogadores de outra equipa do mesmo campeonato, jogadores titulares em todos os jogos menos contra a equipa que os emprestou, como é que fica a verdade desportiva neste caso?!

Sobre o jogo própriamente dito, o Belenenses esteve bem, travou o ataque benfiquista, jogou no campo todo, com o senão do último andamento. Não fora o brinde e o resultado podia ser outro.


Saudações azuis  

sexta-feira, abril 17, 2015

O bloqueio

O nosso futebol corre as mil maravilhas, há até quem diga que é um exemplo para o resto! Eu tenho outra opinião, a mim faz-me lembrar um filme soviético com actores sicilianos. Já agora aproveito para dar uma ideia de como a coisa funciona:

Primeira regra:
Os jogadores portugueses, aqueles onde existe algum talento, pertencem basicamente a três clubes, a que resolvi chamar - ‘clubes do estado’. A triagem dos jogadores é feita pelo mesmo estado, através das selecções juvenis e logo aí se constituem direitos de propriedade sobre os mais promissores. Como é muita gente e há que garantir que nenhum escapa, muitos miúdos continuam a crescer nos clubes de origem mas já estão comprometidos. Os melhores seguem depois para as respectivas equipas B e os que sobram são emprestados a clubes ‘concorrentes’ na primeira Liga. Pus aspas na concorrência porque como se percebe neste ramo de actividade só há três concorrentes.

Segunda regra:
Os jogadores assim formados (e rodados) em outros clubes servem para ser vendidos ou trocados em negócio vantajoso. Poucos ou nenhuns ascendem ao team principal dos três clubes referidos. A razão é simples: uma vez que os três se propõem ombrear com os melhores clubes da Europa, e nisso são vigorosamente apoiados por quem manda no futebol, não podem arriscar na formação de um craque caseiro e assim vão ao mercado adquirir jogadores já feitos, de classe internacional, mantendo plantéis para os quais não dispõem de receitas correspondentes. A venda de jogadores ajuda, daí a necessidade de proteger o monopólio ou oligopólio existente, mas a verdadeira solução tem sido o apoio incondicional do erário público, seja das autarquias, seja dos bancos falidos ou intervencionados pelo estado. A bem da nação, já se vê.

Terceira regra
Esta regra é uma consequência óbvia da segunda: atendendo a que os direitos desportivos dos jogadores portugueses, aqueles que têm mercado, estão nas mãos de Benfica, Sporting e Porto, os outros clubes, salvo raríssimas excepções, pouco lucram com os negócios efectuados. Quando muito umas migalhas pela formação. Ora este tratamento, tão desigual, só faz sentido em se tratando de clubes do estado e à luz da constituição soviética que temos. Tudo pela nação, nada contra a nação.

Quarta regra
Esta é a regra que coroa todo o edifício do futebol, a regra que define a filosofia vigente: considerando que temos três clubes que representam 99% do universo popular, associativo, etc., não se justifica mantermos um estádio nacional, passaremos a ter três, em concessão. A selecção fica assim melhor servida e ainda pagaremos o aluguer, pois estaremos mais uma vez a dar dinheiro aos mesmos. De vez em quando, para estágios, selecções jovens ou femininas alugaremos os outros estádios do Euro que estão às moscas todo o ano.

Efeméride: Em setenta anos de campeonato nacional só dois clubes conseguiram romper o bloqueio: - Belenenses e Boavista!



Saudações azuis

quarta-feira, abril 15, 2015

Prova de vida!

O Belenenses faz este sábado a sua prova de vida.
Não vale a pena pôr mais panos quentes sobre o assunto, porque o mero facto de ser hipótese já é arrasador. Refiro-me à possibilidade de Pelé e Dálcio não virem a alinhar contra o Benfica, eles que foram formados no Belenenses, fazem parte do plantel do Belenenses, e têm sido apostas do treinador Jorge Simão. Se isso acontecer, prefiro que o Clube recomece nos distritais. Com outra gente e outros princípios.

Fez bem o presidente do Belenenses em vir a terreiro denunciar a fraude institucionalizada que é o futebol português. Espero que mantenha a firmeza demonstrada e justifique o cargo que ocupa.
Porque se for só conversa o melhor é estar calado.

Quanto à SAD, chegou também a hora da verdade. O trabalho feito em termos desportivos merece elogios. É indiscutível. No entanto criou-se um clima de desconfiança que não a favorece, nomeadamente no que toca à sua independência financeira. E aqui o meu amor ao Belenenses obriga-me a ser muito frontal: - para sermos um clube satélite do Benfica não precisamos de SAD nem de investidor.

Uma nota final para desejar coragem aos jogadores que alinharem, que não se esqueçam que vamos defrontar um velho rival. É para ganhar.


Saudações azuis

domingo, abril 12, 2015

Vitória em Arouca!

Com algum atraso, mas a tempo de contrariar o monólogo informativo que sofremos por parte dos media, aqui vos deixo as minhas impressões sobre a importante vitória do Belenenses em Arouca.

E começo por dizer que não é fácil ganhar nesta primeira Liga, especialmente fora de casa, especialmente quando se trata de defrontar uma equipa em risco de descer de divisão!
O Belenenses superou tudo isso, fê-lo com grande determinação, exibindo uma personalidade competitiva assinalável, a justificar a posição que ocupa na tabela: - sexto lugar, a um ponto do acesso directo à Europa.
Alguns aspectos que em meu entender devem ser sublinhados:

- Em termos defensivos e de recuperação de bola a equipa revelou evolução com os dois médios (Pelé e Ricardo Dias) a trabalharem muito quer no auxílio à defesa, quer nas transições atacantes;
- Outro aspecto de melhoria são as bolas paradas, a causarem real perigo para o adversário;
- Carlos Martins como capitão também me pareceu uma ideia acertada, conferindo-lhe maior responsabilidade e refreando o seu feitio demasiado impulsivo.

Em termos individuais todos se exibiram a contento, mas há que destacar os já referidos Pelé e Ricardo Dias, assim como o trabalho de Rui Fonte a segurar a bola dando tempo à construção ofensiva. Quanto a Carlos Martins foi maestro no primeiro tempo e baixou um pouco no segundo, especialmente no acerto dos passes. Precipitados umas vezes, agarrando-se à bola outras vezes. Mas sem dúvida uma exibição positiva.

De resto parabéns a todos, incluindo a equipa técnica, e para a semana há mais. Vem aí o Benfica.


Saudações azuis

quarta-feira, abril 08, 2015

Prata da casa (Tiago Silva)

Aqui podemos adaptar o ditado popular - jogadores de meio campo quem os tem chama-lhes seus.
Tiago Silva tem essa aptidão e se continuar a evoluir, se não for prematuramente vendido, será o futuro patrão do meio campo azul. Mas patrão não quer dizer, jogar para o lado e para trás, arrefecer o jogo, vício de formação muito em voga no nosso futebol. Pelo contrário, a bola quando chega ao maestro começa a circular de outra maneira. Mais simples, mais profunda, e por consequência, mais perigosa para o adversário.
Tiago Silva ainda está a viver esta transformação. Transformação que não passa pelos pés mas sim pela cabeça. Pela velocidade de pensar e executar. Escolhendo sempre a melhor opção em cada lance.
Exímio marcador de bolas paradas, cantos e livres (por enquanto indirectos) foi um jogador fundamental na subida de divisão. É prata da casa e o Belenenses tem que contar com ele para outros voos.


Saudações azuis

segunda-feira, abril 06, 2015

A prata da casa (1)

Quem aqui escreve não tem informação privilegiada, lê, quando lê, as notícias dos jornais, normalmente republicadas em blogues azuis, tudo o mais é fruto da imaginação e da experiência.
Imaginação que não é preciso muita para adivinhar o que se passa no Belenenses. A experiência vem de trás, são muitos anos a correr atrás das camisolas azuis.
Assim explicada a base do postal, o primeiro candidato da prata da casa é Abel Camará!
Abel Camará, tal como o vejo, das bancadas do Restelo:

Águas passadas de alguma turbulência nocturna, era pelo menos isso que constava, aparece-nos hoje mais adulto, mais disciplinado, trabalho de Lito, porventura, mantendo as qualidades que fizeram dele uma esperança azul – força e velocidade, apontadas á baliza!
Com razoável poder de elevação, também sabe marcar golos de cabeça. É portanto no eixo do ataque que o devemos colocar, até porque para andar pelas alas lhe falta a capacidade de drible, qualidade inata para quem joga em estreito corredor.
Pelo contrário, no lugar de ponta de lança está-se sempre a aprender. A história do futebol está cheia de avançados inicialmente toscos mas que evoluíram de tal maneira que se tornaram temíveis goleadores. Dispenso-me de dar exemplos.
E fica feita a minha análise ao Abel Camará, prata da casa com grande potencial e que por isso deve continuar no Clube.


Saudações azuis

domingo, abril 05, 2015

Páscoa com amêndoas!

Uma vitória em casa, factor que nos é adverso, e logo por dois a zero, foi aquilo a que podemos chamar uma Páscoa feliz!
Mas nem tudo foram amêndoas… Começámos lentos, com os jogadores indecisos face a um novo modelo de jogo, e sendo assim o Moreirense apossou-se naturalmente do meio campo. Sem no entanto criar perigo.
Subiram-se então as linhas, começámos a pressionar mais alto e o último quarto de hora da primeira parte foi claramente azul. Chegámos aos dois a zero e podíamos inclusivé ter marcado mais. Adivinhava-se portanto uma segunda parte na mesma linha até porque o Moreirense ficou reduzido a dez unidades em cima do intervalo.
Mas não. Entrámos outra vez sem velocidade, o meio campo demorava a soltar a bola, enquanto do outro lado surgiu uma equipa solidária, que discutia cada palmo de terreno a ponto de nunca se ter notado que estavam em inferioridade numérica! Controlámos o jogo é certo, mas à custa de muitas faltas, algumas delas desnecessárias, fruto de precipitação ou nervosismo, faltas essas que deram origem a livres perigosos e a um trabalho redobrado do nosso sistema defensivo. Num desses lances esteve para acontecer o golo do Moreirense e nesse caso teríamos um problema bicudo para resolver.
Obviamente que também criámos duas ou três situações em que podíamos ter dilatado o marcador, mas o que ficou na retina foi uma segunda parte em que podíamos ter feito mais.

Análise individual:

Ventura – este guarda-redes é um achado! É sem sombra de dúvida, o esteio da defesa transmitindo em todas as situações uma enorme segurança! Na segunda parte safou uma bola traiçoeira para canto e ainda se opôs a uma recarga fortíssima evitando o golo. No lance em que a bola percorre a linha de baliza fez o que podia.

Nelson – a jogar a defesa direito, lugar onde se sente mais à vontade, teve alguns momentos razoáveis mas vê-se que ainda não atingiu a plena forma. Subiu várias vezes pelo seu flanco e cruzou com a propósito, especialmente naquele período em que fizemos os golos. Algumas faltas desnecessárias.

João Afonso – fez dupla com Gonçalo Brandão e não comprometeu. Às vezes parece algo displicente, fruto talvez de nervosismo que não consegue controlar. Neste sentido lembro-me de alguns lançamentos incompreensíveis para… o adversário! Mas cumpriu.

Gonçalo Brandão – na mesma linha, esteve melhor que o colega na saída de bola e em termos defensivos também cumpriu. Perto do intervalo, numa disputa mais rija levou uma cotovelada acabando o árbitro por expulsar o prevaricador e mostrar o cartão amarelo ao nosso defesa.

Filipe Ferreira – exibição regular, com alguns cruzamentos menos conseguidos durante a primeira parte. No segundo tempo face ao atrevimento do Moreirense, sentiu dificuldade em ligar jogo com Miguel Rosa. Com a saída deste e a deslocação de Sturgeon para o lado esquerdo a situação no flanco esquerdo do nosso ataque melhorou muito. Criámos então os lances mais perigosos da segunda parte.

Ricardo Dias – a par de Sturgeon uma das melhores exibições do Belenenses no jogo de ontem! Parece invisível mas está em toda a parte – dobra os centrais, desarma, recupera bolas e entrega bem. É actualmente o ponto de equilíbrio da equipa. Apenas um reparo, até porque é reincidente: - atenção aos braços e mãos (sempre desnecessários) nas disputas de bola. Os árbitros marcam sempre e os livres já nos custaram golos.

Pelé – desenvolveu um jogo razoável na brega do meio campo com o senão de ser pouco expedito a ler o jogo e a soltar a bola. Mas lutou bastante e cumpriu.

Carlos Martins – o terceiro homem de meio campo é o maestro da equipa. Evidenciou-se no melhor período e apagou-se no pior período. E podemos ler a coisa ao contrário – na segunda parte a equipa ressentiu-se quando quebrou em termos físicos e de lucidez. Foi substituído por Tiago Silva.

Sturgeon – foi um dos melhores em campo, quer no flanco direito, onde jogou na primeira parte, quer no flanco esquerdo onde jogou na segunda. Marcou o primeiro golo após boa movimentação. Perto do fim deu o seu lugar a Abel Camará.

Miguel Rosa – não esteve feliz. Em casa não me parece que o seu lugar seja num dos flancos, mas sim mais perto da área onde o seu sentido de golo pode ser melhor aproveitado. Foi substituído por um extremo puro, Dálcio, que no entanto foi jogar para o lado direito.

Rui Fonte – o avançado centro esteve perto de marcar no final da primeira parte através de um grande remate a que se opôs Marafona. Algumas tabelas interessantes, mas sem oportunidades para marcar.

Tiago Silva – entrou para o lugar de Carlos Martins e deu nas vistas. Entrada positiva.

Dálcio – entrou aquando da saída de Miguel Rosa. A ideia era abrir a frente de ataque. Não esteve feliz. Estávamos no período em que tentávamos defender o resultado e também por isso acabou por não ser bem servido.

Abel Camará – substituiu Sturgeon, já perto do fim. Mas mostrou energia e velocidade. Quem sabe se não poderia ter entrado mais cedo!

Quanto ao novo treinador, Jorge Simão, gostei de o ouvir nas declarações finais. Calmas e ponderadas. Poderia ter mexido mais cedo na equipa, para lhe dar mais velocidade, mas compreende-se que é difícil alterar modelos de jogo em tão pouco tempo.



Saudações azuis