terça-feira, março 20, 2012

Grandes e pequenos

Gosto de ler as opiniões de Miguel Sousa Tavares sobre futebóis mas curiosamente é raro concordar com elas. Excepto, é claro, quando se trata de zurzir no nacional benfiquismo porque nessas ocasiões acompanho-o sempre. Já quanto ao diferendo entre grandes e pequenos penso que MST não tem razão. E não tem razão quando afirma (por outras palavras) que a culpa dos pequenos serem cada vez mais pequenos se deve a factores próprios, nada tendo a ver com a ‘ditadura instalada’. A expressão é minha. Porém, e por muito que nos custe olhar para dentro, a verdade é que o nosso futebol é a cópia exacta das restantes áreas da vida portuguesa. Como não podia deixar de ser. E explico: - assim como uma restrita nomenclatura de gestores das grandes empresas públicas (e semi-públicas) aufere salários próximos dos equivalentes europeus, a léguas de distância portanto do salário mínimo nacional, assim também Porto, Benfica e Sporting dispõem de orçamentos que nada têm a ver com as folhas salarias dos clubes pequenos… com quem insistem em ‘competir’! Esta é que é a questão. Questão que tem vindo a piorar com as competições europeias, uma vez que apenas alguns clubes (os três do costume e pouco mais) conseguem aceder às respectivas receitas. E isto faz toda a diferença. Ou seja, a UEFA veio agravar (pelo menos em Portugal) o fosso entre os clubes que disputam o mesmo campeonato. Isto tem solução?! Claro que tem se houvesse capacidade distributiva para tal. E o problema põe-se afinal no mesmo plano que no plano politico onde essa capacidade é todos os dias denegada por uma série de forças e factores que vão mantendo o país na cauda da europa. Mas no futebol, actividade lúdica por excelência, talvez fosse possível equilibrar as contas (e os contendores) se as receitas televisivas fossem negociadas em bolo e depois distribuídas, pela entidade competente, de acordo com a classificação do ano anterior e através de um leque distributivo mais igualitário. Aliás este é o sistema que se aplica nos países onde a indústria do futebol é competitiva e não deficitária.
O resto é fumaça para continuar tudo na mesma.

Saudações azuis

Nota: Mas que incentivo pode ter um clube, a sua direcção, e os seus adeptos, quando o único horizonte possível (e perpétuo) consiste em não descer de divisão?!
Depois admiram-se que haja apenas adeptos dos grandes clubes!

segunda-feira, março 19, 2012

Vitória sobre a Oliveirense

A bola saltita na relva em cada passe, pior que um pelado, Zázá é dos poucos que a domina, mas não chega. Na primeira parte a Oliveirense está por cima no jogo, cenário habitual no Restelo onde o Belenenses se comporta quase sempre como visitante. Mas num lance fortuito, chegámos ao golo. Rodrigo António que até aí nada fizera foi lesto e marcou. Rodrigo António que subiu muito na segunda parte, especialmente nos contra golpes, em arrancadas pela faixa esquerda que levavam o perigo à defensiva oliveirense. Mas a primeira parte não terminaria sem consentirmos o golo do empate. Pode ser que tenha sido irregular mas o árbitro achou que não e ponto final. A segunda parte mostrou um Belenenses mais afoito nas transições ofensivas e chegámos naturalmente aos dois a um. E novamente por Rodrigo António. Foi então altura para testar a altura da defesa azul. Teste satisfatório, diga-se. Pois quer os centrais, quer Koukou, chegaram perfeitamente para as encomendas.
Mas é nossa sina, teríamos que sofrer. Num lance mal medido, Ferreira ensaia uma bicicleta disparatada e ‘sem querer’, coisa que não existe nas leis de jogo, dá um pontapé em Adriano. Cartão amarelo (pela imprudência) estaria bem, mas Soares Dias tem pouco critério e ficámos reduzidos a dez. A palavra de ordem a partir daí foi tentar aguentar a vantagem até ao fim! E conseguimos. Registe-se entretanto a interessante exibição de Tomané (que veio substituir Varela) e foi capaz de segurar a bola no meio campo adversário, criando inclusivé algum perigo. Um jogador a rever. Em sentido contrário, é preciso rever a questão do meio campo porque não temos ninguém que empreste consistência àquele sector. Ferreira é um jogador de momentos e já não acredito que tenha estaleca para fazer o lugar. Independentemente de estar ou não castigado. Farto-me de bater nesta tecla: - se repararam bem, do lado da Oliveirense havia um carregador de piano – Rui Lima de seu nome - que se fartou de dar jogo aos forasteiros. Porque é que em Belém nunca temos nada disso?!
Mas pronto, se conseguirmos voltar a ganhar no nosso terreno, desta vez contra o líder Estoril, será óptimo. Para respirarmos melhor.

Saudações azuis

quarta-feira, março 14, 2012

Evangelista, porque não te calas?!

Estava a ouvir o Evangelista e ía conferenciando com os meus botões: - mas este não é o responsável pelo sindicato dos jogadores?! Então porque é que está contra o alargamento se isso pode significar mais oferta de emprego para os jogadores?! Diz que não porque actualmente mais de oitenta por cento dos clubes não conseguem pagar a tempo e horas. Mas se é assim, concluo (tal como concluíu o jornalista) então o problema não é o alargamento, pois estamos a falar de uma situação que se arrasta! As causas serão outras. Aos autos Evangelista disse nada. Refugiou-se em lugares comuns sem exibir uma medida concreta! Consenso para aqui, consenso para ali, ou seja, tudo na mesma - os três grandes a engordar e os pequenos a minguar. E, atrevido, não se coibiu de incentivar os grandes a darem valente puxão de orelhas aos clubes pequenos e já agora a todos aqueles que venham a ameaçar a paz pôdre onde os Evangelistas medram. Nem hesitou no insulto fácil, na acusação sem contraditório, chegando ao ponto de desvalorizar o próprio processo eleitoral para a presidência da Liga! Chamou-lhe eleitoralista! Por fim abriu o jogo e defendeu abertamente a Olivedesportos contra a pretensão dos clubes pequenos que reivindicam que a negociação dos direitos televisivos se faça em bloco. Como aliás sucede nas Ligas europeias mais competitivas e por isso financeiramente mais desafogadas. As excepções são Espanha e Portugal e sabemos porquê: - vícios herdados das ditaduras de Franco e Salazar.
Os últimos gorgeios sindicais tornaram-se insuportáveis e só me lembrei da minha antiga cruzada, nos idos de 2005! Aí antevia para o Belenenses o papel de liderança em favor da reformulação (e moralização) da indústria do futebol. Esperanças vãs, eu sei, mas se não for o Belenenses, outros que se aventurem na tentativa de mudar este futebolzinho batoteiro, perpétuo, dos grandes e dos pequenos.

Saudações azuis

Searas e ervas

Alvíssaras para os que tiveram a coragem de votar pela centralização do negócio dos direitos televisivos. É isso que lhes dói. A quem?! Às ervas daninhas que querem que tudo continue na mesma, ou seja, que tudo continue ao serviço dos tubarões do costume.
Pena que no resto tenham borrado a pintura. O alargamento aceita-se, o que não se aceita é a alteração das regras ‘a meio do jogo’ correndo o risco de atingir gravemente a verdade desportiva. Espero que neste passo o Belenenses tenha votado contra. A bem da dignidade.


Saudações azuis

domingo, fevereiro 26, 2012

Começar a subir

Está na hora de personalizar a equipa, sem medos, sem pieguices, sem excessos, porque normalmente os excessos são sinal de fraqueza, em suma está na hora (o jogo começa às quinze horas) de entrar em Freamunde para ganhar. Vamos lá descodificar a ‘personalidade’ de uma equipa: - em primeiro lugar está o espírito de grupo, deixando de parte os egoísmos (um alerta especial para Miguel Rosa), concentração máxima (atenção às distracções), mais velocidade e menos displicência (atenção Ferreira), também menos precipitação (atenção Varela) e já agora Varela tem que ser desta que vamos marcar golos.
Outro aspecto importante da personalidade da equipa deriva da estabilidade da defesa, refiro-me à dupla de centrais, que tem oscilado de vez em quando mas é fundamental que esteja bem entrosada, mau grado as inoportunas lesões ou castigos. E finalmente a voz do treinador dentro de campo, ou seja, a voz do capitão de equipa, forte a transmitir confiança, forte a incentivar os mais frágeis em termos psicológicos.
E pronto. O resto é correr do princípio ao fim. Porque as condições técnicas existem.
Vamos lá ganhar Belenenses. Os ‘capões’ não vão ter direito a nada, a não ser arroz e tacho.

Saudações azuis

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Nota à posteriori: Perdemos, dois a um foi o resultado final. Quer eu escreva, quer não escreva, antes ou depois, a pasmaceira é a mesma. Ouvi na rádio que acabámos com dez, o que também não é grande novidade. Afinal 'começar a subir' fica para a próxima. Para já continuamos a descer.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Treinadores fracos e fortes

É claro que antes dos treinadores vêm os presidentes mas hoje apetece-me especular sobre os treinadores. Escolhido o tema, escolho também o teorema – o jogo entre Manchester City e o FC Porto imaginando que Jorge Jesus era o treinador dos tripeiros. E pergunto:
Hulk jogaria?!
E se jogasse, em que posição o colocaria a jogar?
E estaria autorizado a marcar todos os livres?! Todos os cantos?! Ainda por cima á maneira curta, para ficar outra vez com a bola, e desatar (de novo) a tentar furar pelos intestinos dos defensores contrários?!
Outra pergunta pertinente – Jesus arriscaria jogar sem uma referência na área, chame-se ele Kléber ou não?!
Tratando-se de imaginação tenho que imaginar também as respostas de Jesus!
Assim, eu diria, que após uma prelecção inicial contundente, Hulk jogaria encostado ao flanco esquerdo do ataque, e não no flanco direito como ele gosta jogar, perdão, de driblar. Depois, ainda mais contundente, explicava ao ‘íncrivel’ que era proibido perder a bola na recepção, ou seja, de costas para a baliza. Mas no caso de a perder deveria de imediato tentar recuperá-la, em lugar de se estatelar no chão a pedir faltas inexistentes. Faltas que a maioria dos árbitros internacionais não marcam.
E Jesus terminaria a sua prelecção proibindo cantos curtos no caso de haver referências na área especialmente quando existem centrais como Maicon, Otamendi ou Rolando. Mas para que não fossem só proibições, autorizava Hulk a marcar um livre por jogo. Apenas um.
E ai de quem desobedecesse!

Nota básica: Para que conste, no jogo de ontem, Hulk quis marcar e marcou todos os livres frontais à baliza (e foram quatro), e todos sem qualquer perigo para o City. Mais, o único golo que o Porto conseguiu marcar foi anulado por off side de posição de Hulk. Por fim a jogada que mata a eliminatória é precedida de uma perda de bola infantil do mesmo Hulk, no que aliás é reincidente.
De positivo, afinal, o que fez Hulk? Fez uma espécie de cruzamentos remates para uma zona da área onde era suposto que ele próprio lá estivesse!

Este tipo de dependências, numa equipa que deve funcionar em colectivo, é mais frequente do que se julga. Por isso é bom que os treinadores nunca esqueçam o gesto (simbólico) do grande Helénio Herrera que um dia teve a coragem de sentar o Matateu no banco dos suplentes. Fez bem ao Belenenses e fez bem ao Matateu.

Saudações azuis

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Quotas, Marco Paulo e Zázá

Em passo lento enfrento o ritual das quotas, a longa fila habitual, sem mudanças, um único guichet, o velho sistema, e comento com outro associado que também espera: - isto está na mesma, está concebido para quem frequenta o Restelo diariamente, para quem vive ou trabalha em Lisboa. Para quem não tem mais nada que fazer. Não está feito para o imediato, para comodidade do público, essa entidade ausente do Restelo, mas cuja importância não convém desprezar. Sim, o público, seja ou não sócio, o público que sustenta (ou deveria sustentar) o espectáculo que ali é servido.
Meia hora depois subo a escadaria, depois a rampa, o jogo já decorria há algum tempo, mas evito olhar para o marcador electrónico. Porém, o mesmo consócio com quem trocara impressões, ultrapassa-me e informa-me: - já estamos a perder.

A equipa estava ligeiramente diferente do habitual, a bola corria mais pelos flancos. Do lado direito Duarte Machado combinava com Zázá, e do lado esquerdo André Pires apoiava Valdir. No resto da defesa também houve alterações – Para além de um novo guarda-redes (Paulo César), a dupla de centrais era formada por Victor Silva e Kanu, ficando o meio campo entregue a Ferreira (trinco), Rodrigo António e Miguel Rosa. No eixo do ataque o inconfundível Varela.
Mas como disse, quando cheguei ao meu lugar o jogo já decorria há muito e o Portimonense parecia deter as rédeas do encontro. No entanto vislumbrava-se alguma reacção azul. E foi assim que em resultado de um livre bem marcado por Miguel Rosa, conseguimos chegar ao empate – a bola procurou a cabeça de Kanu, este tabelou para a área onde apareceu Rodrigo António a encostar também de cabeça para o fundo da baliza. A primeira parte estava a acabar mas o Portimonense ainda ameaçou com um bom remate de cabeça a que correspondeu Paulo César com uma bela (e importante) defesa.
Segunda parte, mais equilíbrio, boas descidas de André Pires, alguns cruzamentos perigosos, enquanto Zázá crescia pelo lado direito, enleante, incomodando seriamente a defensiva dos algarvios. Estes por seu turno respondiam em contra ataque, e num deles, um remate poderoso do seu mais perigoso jogador embateu fragorosamente no poste, não entrando por milagre!
Mas o Belenenses insistia à procura do golo da vitória. Até que perto do fim Marco Paulo faz duas substituições estranhíssimas: - retira Varela do jogo retirando a única utilidade que Varela tem ou tinha naquele momento, ou seja, ser a referência em termos de jogo aéreo, e colocou no seu lugar Tomané, outro tipo de jogador para outro tipo de jogo. Logo a seguir fez sair Zázá, o que se compreendia se estivéssemos a ganhar e fosse apenas para os aplausos. Sem dúvida merecidos, foram aliás os meus únicos aplausos. Mas não estávamos a ganhar e Zázá fazia falta dentro de campo, quanto mais não fosse para arrancar mais alguns livres perigosos. O jogo acabou pouco tempo depois, empatado naturalmente.

Resta acrescentar algumas notas: - Zázá é hoje uma pérola azul, como aliás bem referi em crónicas anteriores. A equipa beneficia do seu toque de bola, da sua capacidade de galgar terreno. Os adversários para o travar fazem faltas e recebem cartões amarelos. É certo que tem compleição frágil, que leva muita pancada mas existe ali um caminho para o ataque e para os golos. Assim haja quem finalize. Esperemos que não seja vendido de qualquer maneira porque precisamos dele para nos safarmos da segunda B.
Outra mudança saudável tem a ver com a marcação de livres e pontapés de canto que, quando ocorrem do lado direito do nosso ataque, ficaram a cargo de André Pires, acabando-se assim com o protagonismo exagerado de Miguel Rosa. Que tem que levantar a cabeça, jogar mais para o colectivo, deixando de ser egoísta, ou seja, deixando de rematar quando se aconselha o passe. Apesar de tudo a equipa pareceu-me mais desperta, e ligeiramente mais rápida. Aguardemos os próximos capítulos.

Saudações azuis