segunda-feira, novembro 21, 2011

Janelas que se fecham, persianas que se abrem!

Esta Taça de Portugal de futebol, para quem gosta de se pôr a adivinhar, parece revelar uma fotografia do futuro. Desde logo a queda dos principais clubes do norte, até há pouco dominantes, porque apoiados numa economia mais produtiva, mas actualmente em crise. As empresas fecham, o desemprego aumenta, as autarquias estão sem dinheiro, e assim impossibilitadas de apoiar as colectividades das respectivas regiões. Tudo se conjugando para um inevitável empobrecimento. Enquanto isto, a sul, as coisas não mudam tanto. Com uma estrutura sócio-produtiva muito dependente do estado, continua a viver-se mais ou menos da mesma maneira, confirmando uma velha regra da economia - em alturas de crise os que produzem baixam de nível e são ultrapassados pelos que mantém uma renda fixa. Renda fixa, registe-se, proveniente de dinheiro emprestado pelo estrangeiro.
Acresce que o caldo de cultura centralista, fortemente enraizado no cérebro indígena, aproveita todas as oportunidades para se reforçar, reforçando a ajuda aos clubes do regime, ou seja, ao casalinho verde rubro. A comprová-lo basta ver ou ler a comunicação social.
Portanto, tudo se encaminha para uma suave sucessão republicana, e desta vez nem será necessária nenhuma demonstração de força atendendo ao grau de dependência exterior a que chegámos. Basta que o ministro das finanças (e de Bruxelas) diga o que paga e a quem paga e ponto final. É a quarta república a começar a dar as suas ordens. São os partidos únicos a serem exigidos pelos mais jovens! É o Atlético (que não tem nada a ver com este filme) a comandar a Liga de Honra! É o facto de, acima de Coimbra, já não haver nenhum clube da primeira Liga nos oitavos de final da Taça.
Convenhamos que são muitos sinais.

Saudações azuis

segunda-feira, novembro 07, 2011

Sessenta milhões de chineses!

Um lampião a sonhar é pior que dois lagartos a delirar e muito pior que três andrades a chorar! Ao lampião já não lhe chega o orçamento de estado, o orçamento da Câmara, o perdão da dívida, quer mais, quer mais dinheiro da televisão, mesmo que para isso tenha que jogar de madrugada, sim, porque o dinheirinho é tudo na vida! Pois bem, entusiasmado com a sua actual condição de clube mais ibérico de Portugal (ironias do destino e da propaganda republicana) o lampião olha com inveja para o Real Madrid e já se imagina a jogar para a diáspora, para os PALOP, seja a que horas for, e com cachets a condizer. Quem sabe se não será serviço público de televisão, com direito a hino e içar da bandeira?! Tudo é possível neste sítio à beira mar plantado. Pelo menos até ao dia em que os adversários se revoltem e lhe expliquem que ninguém joga sozinho e exijam a metade dos… sessenta milhões de chineses!
Já gora e por curiosidade gostava de saber duas coisas: - em primeiro lugar quanto é que lucrou o Real Madrid e quanto é lucrou o Osasuna; em segundo lugar, se os adeptos de um e outro clube gostaram do novo horário dos jogos!

Saudações ‘desportivas’

quinta-feira, novembro 03, 2011

Pão e circo republicano...

O futebol não conta para os apertos de cinto, não conta para os sacrifícios, ou talvez conte mas apenas para aqueles clubes que não recebem do orçamento de estado, ou vamos lá, porque todos acabam por receber, para os que recebem pouco. Pelo contrário os que recebem muito (eu quando escrevia assíduamente até lhes chamava 'clubes do estado'), para esses, não há dieta, a folha salarial do respectivo plantel é de clube de país rico, repleto de internacionais brasileiros, etc., e com toda a gente a achar isso perfeitamente normal! Vou mais longe, o estado de intoxicação é tão grande que mesmo aqueles que vão ficar sem subsídio de férias e Natal no próximo ano, não lhes passa pela cabeça questionar o escândalo nacional que é este futebol milionário em terra de tesos! Bem dir-me-ão que o futebol é tão bem gerido, tão bem gerido, que consegue resultados enquanto os patrocinadores, estilo Caixa Geral de Depósitos, BES, PT, andam de mão estendida à espera dos empréstimos da troika!!! É aí que eu não acredito, e é aí que me apetece pensar que merecia viver num país com outro regime. Um país onde não houvesse necessidade de distribuir tanto pão e tanto circo para que a população ande iludida mas contentinha.



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Saudações azuis

sexta-feira, outubro 21, 2011

Eleições

Eu prezo a estabilidade, seja onde for, numa associação recreativa, num clube de futebol, no País. Penso inclusivé que nos clubes de futebol essa estabilidade directiva é essencial, ainda para mais em tempos de crise geral como a que vivemos. Dir-se-á que a estabilidade só por si não é suficiente, será preciso ter um rumo, e capacidades para lá chegar. Sem dúvida, mas o que sabemos de ciência exacta é que as sucessivas eleições apenas produziram crise a somar à crise, com as habituais acusações ao passado. Em suma, uma instabilidade constante, onde não é possível construir nada de duradouro. Por isso, repito, eu que prezo a estabilidade, irei votar na continuidade... de uma politica de rotura com o passado recente! Parece um paradoxo, mas se pensarmos bem, não é.


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Saudações azuis

segunda-feira, outubro 10, 2011

Eliseu, etc e tal…

Rompendo um longo silêncio venho a terreiro escrever qualquer coisa que ainda me lembre o Belenenses. Por exemplo, a incapacidade para tirar partido daquilo que temos, daquilo que se construiu, seja em que modalidade for, seja em que sector for. Mete dó. O elenco é vasto pois todos os dias aparecem (na televisão) atletas que já jogaram no Belenenses e são hoje cabeça de cartaz em casa alheia, sejam antigos rivais ou não. O caso de Eliseu é sintomático, desprezado no Belenenses, foi atirado borda fora por qualquer motivo fútil e é hoje um jogador feito e cobiçado. Mas temos o Rolando, o Ruben Amorim, o Baiano (um dos pernas de pau, lembram-se!) e temos a equipa toda de futsal do Sporting, campeão nacional, e temos o guarda-redes Marcão no Benfica, fora o resto, o que quer dizer que não vale a pena ter modalidades para sustentar as modalidades dos supostos rivais. Só se for por masoquismo! Ainda por cima sem ganhar um tostão… pelo frete!
É claro que tudo isto revela a ausência de um projecto credível para o clube, situação que se arrasta há longos anos, através de direcções incapazes de mudar o rumo dos acontecimentos. E a saga continua. Bem, dir-se-á que esta direcção recebeu uma pesada herança, e que só existem dívidas. Será verdade, mas esse será por certo o discurso da próxima direcção e daqui não saímos enquanto não aparecer alguém não apenas com projectos mas com dinheiro para os levar à prática. Dinheiro que é fonte de força para afastar de vez os empecilhos que é coisa que não falta no Restelo. Se não for assim, a cepa torta vai continuar.
Portanto, não vale a pena aparecerem candidaturas, ainda para mais cromos repetidos, se não trouxerem dinheiro, muito dinheiro, para inverter o plano inclinado em que gravitamos. Não sendo assim, o melhor é ficarem em casa como eu. Entretidos a ver o Eliseu na televisão.

Saudações azuis

segunda-feira, setembro 05, 2011

Zero a zero

Um Belenenses diferente, com um trinco apenas e uma série de avançados, todos semelhantes, à espera de receberem bolas jogáveis, o que raramente aconteceu. A bola viajava por alto e Camará repetia o filme trapalhão da época passada. Miguel Rosa não existia, Valdir também não. O Aves, em superioridade numérica no meio campo, manobrava o jogo e só teve que se preocupar com as bolas paradas. Dois ou três cantos foram as jogadas mais perigosas na primeira parte. É curto.
No segundo tempo, idem, salvo nos últimos minutos, em que nos instalámos no meio campo adversário, mas nunca saberemos se foram eles que recuaram ostensivamente ou se fomos nós que conquistámos terreno! Vou mais pela primeira hipótese.
Assim, com futebol ‘tipo distrital’, será difícil marcarmos em casa. Talvez fora, quem sabe.
Breve análise individual:
- Ferreira jogou excessivamente recuado, pareceu-me mais lento e menos concentrado. Seria preferível jogar com mais um trinco possibilitando o adiantamento de Ferreira, de forma a aproveitarmos o seu sentido de passe. Aliás, se tivéssemos jogado com mais peso no meio campo, teria sido possível fazer subir os laterais, especialmente Zaza, uma promessa, que espero não tenham posto a jogar sem acautelar primeiro os direitos do Clube em futura e inevitável transferência.
- Coelho também esteve bem, o mesmo acontecendo com Victor Lemos, embora mais intermitente. Melhora no lado direito mas tem que treinar o passe. O passe é a grande pecha da equipa, e a ideia que dá é que quando recebem a bola a primeira coisa que pensam é em driblar, e só depois levantam a cabeça. Deveria ser ao contrário, ou seja, o drible em última análise, primeiro há que passar a bola ao companheiro melhor colocado para dar seguimento ao lance. O objectivo final, será marcar golo, naturalmente. Repito isto porque os golos tardam no Restelo. E marcar de cabeça vai ser mais difícil pela simples razão que não temos grandes cabeceadores na linha avançada. Nada de desânimos, vamos melhorar concerteza.
No próximo fim-de-semana há mais.

Saudações azuis

domingo, agosto 21, 2011

Mais Ferreira e menos Ferreira!

Com os ventos desnorteados e o tempo a ameaçar ciclone, assistimos (ainda assim) a um jogo interessante no Restelo. Gostei mais da primeira parte, houve mais futebol, houve mais Ferreira. Pelo contrário, na etapa complementar preferiu-se o futebol directo, a bola não circulava pelo meio campo e o jogo perdeu clareza. Foi altura de me enervar, as más recepções tornaram-se frequentes, surgiram também alguns individualismos escusados (à atenção de Miguel Rosa, armado em faz tudo, como por exemplo marcar cantos do lado direito com aquela ventosga!) e por isto ou por aquilo as oportunidades perdiam-se inglóriamente. Cruzamentos houve muitos, mas nós não temos cabeceadores (puros) naquele ataque. E o Atlético que se fechou sempre bem, resolveu apertar no final do jogo e ganhou uma série de cantos que poderiam ter causado perigo. Num jogo onde desfrutámos de poucas oportunidades de golo, terá ficado uma grande penalidade por marcar a nosso favor, falta sobre Waldir, quando o desafio já se encaminhava para o fim. De resto, e que me lembre, o Atlético também não dispôs de grandes oportunidades, a não ser num alívio infeliz de Ferreira, ainda na primeira parte, com a bola (empurrada pelo vento) a beijar o poste direito da nossa baliza.
Em resumo, um jogo em que tivemos ascendente claro durante a primeira parte, mas que não conseguimos materializar em oportunidades de golo. Na segunda parte e como já referi houve mais equilíbrio pelo que o empate não escandaliza.

Figuras e factos relevantes:

- O árbitro Olegário Benquerença errou ao não assinalar uma grande penalidade a nosso favor. A contrastar com a largueza de critério que revelou naquele lance, foi excessivamente rigoroso noutros, o que passa por ser uma característica dos árbitros portugueses.




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A nossa equipa:
- Gostei da exibição da dupla de centrais especialmente Pedro Ribeiro que teve que se haver com um calmeirão do Atlético; os laterais não destoaram, e pode dizer-se que Pires esteve mais calmo e menos precipitado; na linha média existe Ferreira que dá o tom e o risco ao futebol azul e quando não dá, porque se esconde do jogo, ou porque a bola viaja por alto da defesa para a frente de ataque, a equipa ressente-se, perde clareza e intencionalidade; depois existem os dois Victor – Lemos e Silva – um mais recuado, o Silva, com um bom pontapé de meia distância, mas ontem pouco influente no jogo; e existe o Lemos, esquerdino, que tinha deixado excelente impressão, e que desta vez escorregou muito, e acabou por ser inconsequente; no ataque, onde pontificam Miguel Rosa e Camará, afinal a dupla do ano passado, registamos as mesmas virtudes e os mesmos defeitos: - Rosa é perigoso, mas agarra-se muito à bola e pensa pouco no colectivo; Camará aguenta bem as cargas dos adversários na recepção às bolas altas, mas quando se vira ainda ainda está verde. Acresce que continuamos sem cabeceadores puros. E com tantos cruzamentos… não sei! Falta falar de Sidnei onde se notou muito a falta de pé esquerdo, especialmente na hora de decidir se vai ladear ou centrar; os últimos são os primeiros – apesar de baixote, o guarda-redes Coelho esteve bem e não comprometeu.

Resultado final: Belenenses 0 – Atlético 0