segunda-feira, novembro 15, 2010

Empate em Freamunde

A fazer fé nas crónicas que li, a terra dos capões deu algum galo ao Belenenses! Com efeito, duas vezes à frente do marcador, e duas vezes nos deixámos empatar. Da segunda vez parece que não haveria motivo para a grande penalidade. Acontece muito quando se veste de azul com a Cruz ao peito. Seja como for, assim, visto de longe, alguma coisa mudou – marcar primeiro pode representar uma atitude pró-activa, facto a salientar, porque o costume é andarmos sempre atrás do prejuizo. Também houve alterações na formação da equipa – mais atenção ao factor construtivo que representam os laterais no futebol moderno; a entrada de Diego Lima que em pouco minutos já tinha revelado bons pés, é outro factor relevante numa zona do campo onde revelamos carências. Enfim, e como já escrevi, José Mota é treinador experiente e sabe concerteza o que anda a fazer.
E o programa é simples – começar a pensar alto e positivo para abandonarmos rápidamente a cauda da classificação.

Saudações azuis

quarta-feira, novembro 10, 2010

Jogadores que gosto de ver jogar

Gosto de ver actuar jogadores inteligentes, aqueles que pôem o seu saber ao serviço do colectivo, que valorizam o jogo, antigamente não era tão sensível a esses aspectos, hoje sou. Dou o exemplo de um armador de jogo, Ruben Micael, jogador capaz de surpreender o espectador, de tirar da cartola um lance inesperado, equaciona rápidamente as hipóteses e sai sempre com a melhor opção. Falta-lhe para ser titular indiscutível no FC Porto alguma capacidade defensiva mas isso é desviá-lo de cena, isso é trair o espectáculo. O Vilas Boas que invente uma solução onde caiba Ruben Micael. O futebol agradece.
Outro exemplo é Pateiro e admito que alguém admirado se pergunte -mas quem é esse tipo?! Joga actualmente na União de Leiria e em tempos escrevi que gostaria de o ver no Belenenses. Tem fraca figura mas tem um pé esquerdo genial! Sozinho, quase que leva uma equipa consigo! Estarei a exagerar mas lá está, é jogador inteligente e se lhe derem uma chance faz estragos na equipa adversária.
Noutro registo também gostei de ver o nosso Freddy a marcar livres! Quer dizer que alguém começou a trabalhar as qualidades deste jovem jogador, à vezes enervante, quando se afunila em jogadas individuais, mas pelos vistos com potencial que o tempo há-de burilar. Houve progressos contra o Feirense.
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Saudações azuis

terça-feira, novembro 09, 2010

Telegrama

União ibérica a caminho república centenário carbonário casa pia perjuro dívida vendida china mandaretes murchos cinco a zero vítor pereira desculpas então e o Paços, pá?!
Sem vírgulas acentos bolas de golfe para substituir as que faltam escrito ao abrigo do acordo ortográfico selecção lusa vai jogar próximo dia dezassete com selecção castelhana para celebrar obra acabada oito séculos (menos sessenta anos) mandados às urtigas ninguém repara. Falta TGV, inaugurações, figurões de lá para cá e de cá para lá benfica madrid sempre! Então e o mar, pá?!
Estamos feitos.

segunda-feira, novembro 08, 2010

O problema da qualidade

Falta qualidade à equipa azul, essa é a primeira conclusão. Qualidade em termos individuais, sem dúvida, e qualidade em termos colectivos, essa bem visível durante grande parte do jogo com o Feirense. É esta capacidade colectiva que tem de imediato que ser melhorada e José Mota saberá como fazê-lo, pois não nos esquecemos do alto nível colectivo que conseguiu em Paços de Ferreira ou mesmo em Leixões. E todos sabemos (ou aprendemos) que um colectivo forte ajuda a potenciar as qualidades de cada jogador, ao mesmo tempo que disfarça alguma falta de qualidade técnica (individual) que possa existir.
E nada mais a propósito do que tomar como exemplo, o exemplo de quem se fala – o FC Porto! Até porque me ajuda a precisar (não a rectificar) uma frase que por aqui escrevi – ‘apesar de Hulk’! Pois bem, este Hulk nada tem a ver com o Hulk de Jesualdo, este é um jogador que Villas Boas está a pôr ao serviço do colectivo e isso nota-se porque faz menos asneiras (perdas de bola infantis, individualismos inúteis ou remates tresloucados). Aliás não precisamos de ir ao Hulk para constatarmos a valorização individual (como consequência da ditadura do colectivo) de jogadores como Sapunaru, Maicon etc., que hoje fazem figura de grandes jogadores mas que antes pareciam toscos e pouco confiantes.
É desta transfiguração que o Belenenses precisa. Esta transfiguração consegue-se se os jogadores se esquecerem das suas carreiras individuais, das suas vaidades e puserem todo o seu empenho ao serviço do colectivo, ao serviço do clube que representam. Porque os sucessos do clube são afinal a melhor forma de se valorizarem individualmente.

Saudações azuis

quarta-feira, novembro 03, 2010

Estados de alma

Cem mil visitas é cifra modesta comparada com outros, mas numa época de baixos orçamentos eu valorizo a meta alcançada! Sem FMI, sem truques contabilísticos, contando apenas com a ajuda do meu companheiro de regatas (SPM), foram cinco anos de escrita, mais de setecentos postais, sem imagens, e a partir de certa altura, sem comentários. Durante a maior parte do percurso defrontei-me com direcções em que não votei e só agora, esta última, recolheu o meu voto. Admito que é mais difícil escrever nestas circunstâncias, mas tenho escrito. Admito que evito comentar alguns assuntos mais delicados, especialmente os que se relacionam com a vida das pessoas, como por exemplo salários em atraso e outras matérias em que não disponho de informação suficiente. Esforço-me por ser isento, às vezes não sou. Esforço-me por servir o Belenenses, às vezes não consigo. Escrevo únicamente na qualidade de adepto, sem outro interesse oculto. Umas vezes acerto, outras não.
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Saudações azuis

domingo, outubro 31, 2010

O Tulipa disse tudo

De vez em quando Tulipa, que comentava a transmissão do jogo, ía dizendo coisas que eu já escrevi… outras não… mas a maioria … sim!
Aquele ‘meio campo’… Balu e Pelé recebem a bola e demoram uma eternidade a pensar… e entretanto as linhas de passe perdem-se e o Belenenses perde a bola. (Balu perdeu bolas incríveis que só não resultaram em golo por mero acaso). Os avançados não fecham os flancos quando a equipa do Santa Clara ataca. Calé substituído… mas era dos mais inconformados! Barge é um jogador desaproveitado a defesa direito pois rende mais noutra posição. André Martins entrou apenas a vinte minutos do fim mas… não estou a perceber (!) foi-se encostar á extrema-esquerda! Mas ele é o centro campista que o Belenenses estava a precisar! Como eu te percebo, Tulipa! Purovic a ponta de lança! Onde se exige velocidade! Assim, só por milagre pode surgir um golo para o Belenenses. Purovic é jogador de área e para ser útil precisa de volume de jogo e muitos cruzamentos.
Falta intensidade ao jogo do Belenenses, jogam a passo, vão ter que passar a andar de… Mota.
Isto (ou mais ou menos isto) disse Tulipa. E Barge (nas entrevistas rápidas) completou – temos que mudar de atitude. Eu traduzo: - alguns jogadores têm mesmo que mudar de atitude. Ao que isto chegou!

Santa Clara 2 – Belenenses 0

Entretanto a moléstia estende-se às camadas jovens – nove a zero do Sporting! E não há consequências?! É de pequenino que se torce o pepino, portanto, deve haver responsáveis – despeçam-nos. E arranjem miúdos com coragem para vestir a camisola com a Cruz de Cristo.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Treinador Belenenses

Confesso a minha incapacidade para analisar este assunto neste momento! Aliás o Belenenses actual é um ‘case study’ no que a treinadores diz respeito! Este clube parece ter sido inventado para destruir as teorias mais bem concebidas, e eu até tinha uma, que não sendo genial, acreditava nela, já a escrevi, já a repeti, mas hoje já não digo nada e vou-me esquecendo dela! Num esforço de memória acho que se baseava numa dupla imbatível, uma dupla que partiu de baixo e fez história! Quem eram?! Pinto da Costa e Pedroto, presidente e treinador em grande cumplicidade, unidos num objectivo comum – vencer jogos e campeonatos… contra tudo e contra todos! E conseguiram!

Mas isso não se aplica ao Belenenses. Desde logo porque é preciso reunir algumas condições básicas que muito dificilmente se encontrarão hoje no Belenenses, e nem me vou referir às diferenças entre pessoas e capacidades.
É certo que a derrota, tal como a vitória, são hábitos que se adquirem com o tempo e nós já andamos a perder há muito tempo. É certo que os níveis de ambição vão descendo e vão-se adaptando à nova realidade. É certo que é muito mais difícil construir (ou reconstruir) alguma coisa com ambição e sacrifício do que deixar andar as coisas ao sabor da maré. É certo também que o Belenenses se dispersa por muitas actividades e isso prejudica um esforço focalizado num objectivo central e inquestionável. É certo que em Portugal os presidentes dos clubes que vingam têm necessariamente que dominar o meio futebolístico (Pinto da Costa sempre dominou essa matéria) e a verdade é que já não me lembro de um presidente com essas características no Belenenses!

É evidente que esta lacuna pode ser suprida pelo treinador ou por outro dirigente da confiança do presidente. Mas como agora se diz, poder pode, mas não é a mesma coisa. Mesmo assim, de memória, houve alturas em que utilizámos essa alternativa e progredimos alguma coisa, estou a pensar nos tempos de Rosa Freire, Barcínio Pinto e Marinho Peres, ou mais recentemente, com Cabral Ferreira e Jorge Jesus em que este desempenhava as funções de dirigente e treinador. Mas faltou sempre uma vontade (ou liderança) que sustentasse essa política pelo tempo fora. Digamos que foram momentos, excepções ao contínuo deslizar.

Para concluir, e esta é a minha opinião: - João Almeida (que não é do ‘milieu’ futebolístico) tentou construir, com um treinador da sua confiança, uma alternativa a longo prazo, o que é razoável. Simplesmente isso só poderia dar certo se os resultados não demorassem muito a aparecer. Os resultados ou as exibições. Mas demoraram, pelo menos é o que as pessoas pensam, e o mundo do futebol tem pouca paciência para esperar. Além disso era preciso ter sorte, ou ter a sorte de acertar num treinador jovem que ainda não tinha provado nada. E os jogadores sabem isso, sentem isso, o que pode dificultar as coisas. E se calhar dificultou. Foi uma aposta de grande risco e talvez tivesse sido preferível apostar num treinador experiente, sem nada a provar quer aos jogadores quer aos sócios.

Dir-se-á que não havia (nem há) dinheiro para chegar a tal treinador. Mas esse é o problema nacional! Não vale a pena fazer uma cura orçamental tão restritiva que acabe por matar o paciente. Tem que haver sempre espaço (dinheiro) para investir no futuro. E o treinador é uma peça muito importante nesse futuro.

Saudações azuis

Nota básica: Para quem se sentia incapacitado para analisar o assunto acabo de verificar que escrevi muito… sobre o assunto!