quarta-feira, agosto 11, 2010

País minúsculo

Eu também gostava de ser assim, abrir o jornal e lá vou eu a caminho do Real Madrid, num dia, porque no dia seguinte já vou a caminho de Londres para substituir no Chelsea quem afinal foi para o Real Madrid. E neste vai e vem a parada aumenta, parece um taxímetro. E passamos a outra notícia de grande relevo – o Brasil venceu os Estados Unidos - e lá estou eu outra vez, imponente, a saltar (desta vez sem sarrafadas por trás) que a canarinha sou eu… e mais dez! O Ramires já passou à história, rendeu pouco dinheiro, está com dificuldades em obter visto para jogar em Inglaterra, mas comigo é outra loiça. Mais uma notícia e o espanto continua, o Benfica bate a concorrência, tem saldo positivo nas compras e vendas de jogadores! Umas linhas à frente corrige-se a situação – afinal é o Braga quem tem o melhor saldo!
Atiro o jornal para o lixo mas mesmo no lixo surge a interrogação: - mas porque é que é tão importante vender o David Luís se andam a nadar em saldos positivos?!

‘Eh, Mano, estás em grande…’ mas a culpa não é tua é nossa, nossa que te apaparicámos, nossa que perdemos tempo (e dinheiro) a dar-te formação, e se não fosse a protecção legal (até estou admirado como é que esta lei ainda existe!) perdíamos tudo. Descemos de divisão contigo, descemos de divisão com uma série de jogadores que acham que não têm nenhuma responsabilidade no assunto. Mas a culpa é nossa, a cultura da irresponsabilidade fomos nós que a introduzimos no clube, o pensamento minúsculo também. Este pensar pequenino é uma erva de esquerda, erva de Abril que onde entra dá cabo de tudo. Não tem nada a ver mas é curioso como levamos sempre na corneta no ’25 de Abril’… em Penafiel. Não é de agora.

Saudações azuis

domingo, agosto 08, 2010

Penafiel 3 - Belenenses 1

O Penafiel bateu este domingo o Belenenses por 3-1, em jogo inaugural do Grupo B da Taça da Liga. Os golos foram apontados por Wesllem (36 e 39 minutos) tendo Camará reduzido no inicio da segunda parte, aos 53 minutos. Michel marcou o terceiro golo dos anfitriões aos 71 minutos. Com este resultado o Penafiel lidera o grupo uma vez que Freamunde e Arouca empataram (1-1).

Fonte: 'A Bola' on line.

Apesar do Hulk…

O Porto ganhou a Super Taça, Villas-Boas teve méritos tácticos, deixou o país de orelha murcha, e bem vistas as coisas até se deu ao luxo de jogar com dez! Esta é uma crónica que gosto de escrever, não é sobre o Belenenses mas podia ser, é sobre o remar contra a maré, como bem explicou o treinador do Porto logo após o jogo.
O tema é a história daqueles activos que se compram para valorizar e vender mais tarde por triliões… pensamos nós! Assim pensou Pinto da Costa mas desta vez enganou-se redondamente. E já perdeu um campeonato à conta disso, e nem à Liga dos Campeões conseguiu chegar! Disfarçou o assunto com as perseguições nos túneis, e se é verdade que os túneis destabilizaram o clube, não foi por falta de Hulk que o Porto se viu relegado para o terceiro lugar no campeonato. E ontem quem quis ver, viu. A equipa a carburar em pleno e um jogador desgarrado, armado em vedeta, a perder a bola infantilmente em sítios proibidos, esquecendo-se de ajudar o lateral do seu lado (Sapunaru) que ainda por cima não é grande espingarda, e nas acções atacantes, imprevisível, mas no pior sentido do termo! Às vezes acerta na melhor opção, a maioria das vezes nem tanto. E quanto a pontaria, já vi melhor.
É claro que o rapaz tem atributos, físicos sobretudo, arranque, finta em velocidade, e um remate poderoso com o pé esquerdo. Mas isto não faz dele um jogador imprescindível, muito pelo contrário, se fosse eu o treinador, servia para entrar nalguns jogos, e se as coisas lhe começassem a sair bem, continuava. Ao menor sinal de individualismo, retirava-o de campo. O problema é que o Hulk está convencido que é um crack! E como tal, quer ser ele a marcar todos os livres! Mas quantos golos de livre já marcou Hulk ao serviço do Porto?!
Pois é, Pinto da Costa alimenta a lenda de Hulk, o terrível, para ver se o vende bem no mercado, mas aquilo é mais pólvora seca que outra coisa. É possível que já no próximo jogo o Hulk me desminta e marque um golaço, depois de ultrapassar vinte adversários! Mas nem assim me convence. Ainda sei distinguir entre grandes jogadas e grandes jogadores. E prefiro os grandes jogadores.

sábado, agosto 07, 2010

Pontapé de saída

Amanhã, pelas 16 horas, em Penafiel, o Belenenses defronta o clube local para a Taça da Liga. Será o pontapé de saída para uma nova época, uma época que esperamos comece (e acabe) com o pé direito. O treinador Rui Gregório mostra-se confiante, embora, segundo afirma, aguarde ainda por dois elementos para reforçar o actual plantel - um defesa central e um ponta de lança. Seja como for, trata-se do primeiro jogo a sério, um primeiro teste às nossas capacidades, e é nestes desafios (ainda por cima a jogar fora) que se revelam as forças e as fragilidades da equipa. Veremos então qual o grau de maturidade de alguns jovens que irão ocupar lugares chave dentro do conjunto, veremos qual vai ser a personalidade deste Belenenses, um Belenenses que queremos igual a si próprio, que desde o primeiro minuto parta à conquista da vitória!

Já ouvi várias opiniões sobre os objectivos para esta época e normalmente a fasquia é colocada em patamares modestos, e todos compreendemos que assim seja. A necessidade premente de contenção de despesas, e a necessidade não menos urgente de pôr o clube nos eixos, a isso obriga, e quando digo nos eixos, refiro-me aos caminhos que fizeram a sua glória. Porém, se a paciência é uma virtude, a esperança de uma breve passagem pela Liga de Honra está sempre presente no meu espírito e, estou certo, no espírito de todos os belenenses. Por isso, mãos à obra, que o futuro começa amanhã.

Saudações azuis

sexta-feira, agosto 06, 2010

A concorrência que interessa

Para mim a única concorrência que conta ainda são os milhafres, os lagartos, o Porto mais ao longe, e as saudades dos antigos confrontos com o vizinho Atlético! De resto não tenho outras rivalidades. Eu sei que de repente vamos ter que inventar uma rivalidade qualquer com o Gil Vicente (Mateus na jogada), com o Santa Clara, por causa do pássaro na camisola, eu sei lá… Mas falemos da concorrência a sério:

Primeiro que tudo reconhecer que o Vieira das Furnas é esperto, sabe-a toda, e sabia que o Benfica, no actual estado de orfandade da nação, era trunfo garantido. E fez pela vida. Contando evidentemente com as benesses de um regime (republicano) ávido de propaganda, pois é com propaganda (e com subsídios) que se ganham eleições neste país.
Beneficiou também do centralismo lisboeta, uma realidade incontornável, e beneficiou (e beneficia) do ódio visceral que a capital dos funcionários alimenta contra a cidade Condal, capital do trabalho, o Porto. Ódio que cresceu depois de um longo jejum imposto ao nacional-benfiquismo!
Mas Vieira não dorme, na altura própria deu o golpe dos túneis, deu muitos outros golpes, fez uma fundação, e tiro-lhe o chapéu, arrancou com os fundos de investimento (sabe-se lá donde vêem!) e assim trouxe à equipa do Benfica uma qualidade indiscutível. Mas mais, passa a vida em peregrinação pelos países da emigração, tem toda a comunicação social a segui-lo, a entoar-lhe loas, e encetou uma verdadeira batalha para discutir os direitos televisivos contra a Olivedesportos. Noutros tempos a grande força do norte futebolístico. Esta é a realidade da verdadeira concorrência que nos espera a todos – Porto, Sporting e particularmente ao Belenenses, se não quisermos desaparecer a prazo.
E deixo uma pergunta para o fim, uma pergunta hipotética, já se vê: - será que se fosse o Belenenses a lançar-se nos fundos de investimento, ou se quisesse arrancar com uma fundação, isso lhe seria permitido?! Ou rebentava logo uma bronca instigada sabe-se lá por quem, devidamente orquestrada pela comunicação social, gritando mil e uma ilegalidades?!


Saudações azuis

segunda-feira, agosto 02, 2010

Olhando a concorrência…

Comecemos pela concorrência interna, a pior, a mais perigosa e que esta direcção tem que eliminar (ou dominar) a todo o custo. Vocês sabem do que falo, dos núcleos, das modalidades autónomas, do Bingo, etc., eu sei que é tudo em prol do clube, só que os clubes vencedores não funcionam assim, bem pelo contrário, armam-se de uma estrutura fortemente centralizada, sabe-se quem manda, e não manda mais ninguém. Nos clubes que singram não existe ‘regionalismo’ interno, assumem uma estratégia indiscutível, os custos são controlados e as receitas também. Até os jogadores sentem isso e pensam duas vezes antes de fazerem as suas consabidas exigências. Exemplos flagrantes – o FC Porto e mais recentemente o Benfica, que copiou o modelo.
Tenho imensa pena, mas é assim que penso e se me perguntarem qual é o mal profundo que corrói o Belenenses apontarei esse, ou seja, a dispersão de actividades que invariavelmente correspondem a fontes invisíveis de poder.

Deixemos por ora os núcleos em paz, e centremos a nossa atenção no Bingo, essa árvore das patacas, que tem condicionado (para o bem e para o mal) toda a vida do clube. Estabelecido para favorecer a formação e o desenvolvimento de actividades que nada têm a ver com o futebol, acabou por ser (nos clubes de futebol onde foi autorizado) o principal suporte financeiro desses mesmos clubes.
E com a facilidade com que entrava o dinheiro, entraram também uma série de vícios e distorções que mais tarde ou mais cedo se viraram contra os próprios clubes. Podemos desenvolver este tema noutra ocasião, mas não foi por acaso que os clubes que possuíam os bingos mais florescentes, ou desapareceram ou estão perto disso. Cito a título de exemplo, o Salgueiros, o Boavista, o Estrela da Amadora e o próximo seremos nós se não atalhamos caminho.
Andou bem esta direcção ao emitir um comunicado claro e firme, revelador daquilo que venho afirmando - o Bingo se não for controlado pode rápidamente virar-se contra os interesses do Belenenses. Não me esqueço que este Bingo já fez cair direcções eleitas pelos sócios, e que à mínima dificuldade não hesita em vir para a rua denegrir a sua entidade patronal. Tal como agora, com esta greve despropositada… a uma sexta-feira!
Gostava de ver se fosse o Benfica ou o Sporting, nas mesmas circunstâncias, se acontecia todo este espalhafato! Até íam trabalhar de borla!
Portanto, cuidado com o Bingo, cuidado com este (e outros) cavalos de Tróia.

Saudações azuis.

domingo, agosto 01, 2010

Deu para ver

Ontem, estádio do Restelo com pouca gente, falhou a limpeza, as cadeiras estavam sujas, sujei os fundilhos das calças e o meu lenço azul e branco ficou cinzento, o speaker grita muito, a música também, mas gostei dos equipamentos, a Cruz de Cristo está de novo em cima do coração!

Sobre a equipa, vi um colectivo esforçado, mexido, aqui e ali com bons apontamentos, e todos reconhecemos que se trata de uma equipa de ex-juniores, jovens com futuro, a que se juntam três ou quatro jogadores mais experientes.

E foi um desses mais experientes, Devic, que logo no início, entregou a bola a um adversário (Anselmo, falei dele tantas vezes!) e assim sofremos o primeiro e único golo. Aliás, um golo à ponta de lança, com todos os condimentos que esses golos têm – azelhice do defesa, sorte no ressalto (em Arroz) e guarda-redes mal batido. Mas foi golo.

Para além do golo, Luís Carlos, vê-se, foi uma excelente aquisição, o defesa direito Duarte Machado é minorca, não sei se tem velocidade compatível, mas tem bom toque de bola e alguma lucidez a entregar. Digo isto porque o lado direito da nossa defesa foi diversas vezes ultrapassado durante o primeiro quarto de hora de jogo. Depois estabilizou com a ajuda de Barge.

Guarda-redes, vi três – Néné (baixote, sofreu o golo, mas não comprometeu); Assis (boa planta, uma saída em falso, talvez encadeado pelo sol) e o alemão Semler, que jogou na segunda parte (físico de alemão, pareceu-me calmo e não vislumbrei erros).

No meio campo Celestino ainda demora a pensar, marcou livres, alguns bem marcados. André Almeida não impressionou, e Freddy tem que soltar a bola mais depressa. A produção atacante durante o primeiro tempo, mau grado o esforço de Camará e algumas iniciativas de Luís Carlos ou Freddy, resumiu-se a um golo anulado por fora de jogo.

Na segunda parte, com equipamento todo branco, ocupámos melhor os espaços, a entrada de Tiago Almeida trouxe alguma força (e técnica!) não apenas ao ataque mas também ao meio campo, tal como a entrada de Azeez, um médio esperançoso que fala outra linguagem em termos de pensamento de jogo! E foi com a equipa mais junta, com os centrais mais subidos (Pelé e Paiva), que descemos mais vezes pelas laterais (Duarte Machado e Tiago Gomes) e levámos mais perigo à área do Nacional. Perigo relativo, é certo.

Por isso, nada de ilusões, ganha quem marca e para marcar é preciso ter goleadores. O problema é que há poucos e os poucos que existem são caros.
Mas havemos de descobrir (ou fabricar) qualquer coisa.
Resumindo e concluindo, um balanço positivo desta apresentação aos sócios.

Saudações azuis


Post- Scriptum: Fica para próximo postal um comentário à greve do Bingo.