sábado, agosto 07, 2010

Pontapé de saída

Amanhã, pelas 16 horas, em Penafiel, o Belenenses defronta o clube local para a Taça da Liga. Será o pontapé de saída para uma nova época, uma época que esperamos comece (e acabe) com o pé direito. O treinador Rui Gregório mostra-se confiante, embora, segundo afirma, aguarde ainda por dois elementos para reforçar o actual plantel - um defesa central e um ponta de lança. Seja como for, trata-se do primeiro jogo a sério, um primeiro teste às nossas capacidades, e é nestes desafios (ainda por cima a jogar fora) que se revelam as forças e as fragilidades da equipa. Veremos então qual o grau de maturidade de alguns jovens que irão ocupar lugares chave dentro do conjunto, veremos qual vai ser a personalidade deste Belenenses, um Belenenses que queremos igual a si próprio, que desde o primeiro minuto parta à conquista da vitória!

Já ouvi várias opiniões sobre os objectivos para esta época e normalmente a fasquia é colocada em patamares modestos, e todos compreendemos que assim seja. A necessidade premente de contenção de despesas, e a necessidade não menos urgente de pôr o clube nos eixos, a isso obriga, e quando digo nos eixos, refiro-me aos caminhos que fizeram a sua glória. Porém, se a paciência é uma virtude, a esperança de uma breve passagem pela Liga de Honra está sempre presente no meu espírito e, estou certo, no espírito de todos os belenenses. Por isso, mãos à obra, que o futuro começa amanhã.

Saudações azuis

sexta-feira, agosto 06, 2010

A concorrência que interessa

Para mim a única concorrência que conta ainda são os milhafres, os lagartos, o Porto mais ao longe, e as saudades dos antigos confrontos com o vizinho Atlético! De resto não tenho outras rivalidades. Eu sei que de repente vamos ter que inventar uma rivalidade qualquer com o Gil Vicente (Mateus na jogada), com o Santa Clara, por causa do pássaro na camisola, eu sei lá… Mas falemos da concorrência a sério:

Primeiro que tudo reconhecer que o Vieira das Furnas é esperto, sabe-a toda, e sabia que o Benfica, no actual estado de orfandade da nação, era trunfo garantido. E fez pela vida. Contando evidentemente com as benesses de um regime (republicano) ávido de propaganda, pois é com propaganda (e com subsídios) que se ganham eleições neste país.
Beneficiou também do centralismo lisboeta, uma realidade incontornável, e beneficiou (e beneficia) do ódio visceral que a capital dos funcionários alimenta contra a cidade Condal, capital do trabalho, o Porto. Ódio que cresceu depois de um longo jejum imposto ao nacional-benfiquismo!
Mas Vieira não dorme, na altura própria deu o golpe dos túneis, deu muitos outros golpes, fez uma fundação, e tiro-lhe o chapéu, arrancou com os fundos de investimento (sabe-se lá donde vêem!) e assim trouxe à equipa do Benfica uma qualidade indiscutível. Mas mais, passa a vida em peregrinação pelos países da emigração, tem toda a comunicação social a segui-lo, a entoar-lhe loas, e encetou uma verdadeira batalha para discutir os direitos televisivos contra a Olivedesportos. Noutros tempos a grande força do norte futebolístico. Esta é a realidade da verdadeira concorrência que nos espera a todos – Porto, Sporting e particularmente ao Belenenses, se não quisermos desaparecer a prazo.
E deixo uma pergunta para o fim, uma pergunta hipotética, já se vê: - será que se fosse o Belenenses a lançar-se nos fundos de investimento, ou se quisesse arrancar com uma fundação, isso lhe seria permitido?! Ou rebentava logo uma bronca instigada sabe-se lá por quem, devidamente orquestrada pela comunicação social, gritando mil e uma ilegalidades?!


Saudações azuis

segunda-feira, agosto 02, 2010

Olhando a concorrência…

Comecemos pela concorrência interna, a pior, a mais perigosa e que esta direcção tem que eliminar (ou dominar) a todo o custo. Vocês sabem do que falo, dos núcleos, das modalidades autónomas, do Bingo, etc., eu sei que é tudo em prol do clube, só que os clubes vencedores não funcionam assim, bem pelo contrário, armam-se de uma estrutura fortemente centralizada, sabe-se quem manda, e não manda mais ninguém. Nos clubes que singram não existe ‘regionalismo’ interno, assumem uma estratégia indiscutível, os custos são controlados e as receitas também. Até os jogadores sentem isso e pensam duas vezes antes de fazerem as suas consabidas exigências. Exemplos flagrantes – o FC Porto e mais recentemente o Benfica, que copiou o modelo.
Tenho imensa pena, mas é assim que penso e se me perguntarem qual é o mal profundo que corrói o Belenenses apontarei esse, ou seja, a dispersão de actividades que invariavelmente correspondem a fontes invisíveis de poder.

Deixemos por ora os núcleos em paz, e centremos a nossa atenção no Bingo, essa árvore das patacas, que tem condicionado (para o bem e para o mal) toda a vida do clube. Estabelecido para favorecer a formação e o desenvolvimento de actividades que nada têm a ver com o futebol, acabou por ser (nos clubes de futebol onde foi autorizado) o principal suporte financeiro desses mesmos clubes.
E com a facilidade com que entrava o dinheiro, entraram também uma série de vícios e distorções que mais tarde ou mais cedo se viraram contra os próprios clubes. Podemos desenvolver este tema noutra ocasião, mas não foi por acaso que os clubes que possuíam os bingos mais florescentes, ou desapareceram ou estão perto disso. Cito a título de exemplo, o Salgueiros, o Boavista, o Estrela da Amadora e o próximo seremos nós se não atalhamos caminho.
Andou bem esta direcção ao emitir um comunicado claro e firme, revelador daquilo que venho afirmando - o Bingo se não for controlado pode rápidamente virar-se contra os interesses do Belenenses. Não me esqueço que este Bingo já fez cair direcções eleitas pelos sócios, e que à mínima dificuldade não hesita em vir para a rua denegrir a sua entidade patronal. Tal como agora, com esta greve despropositada… a uma sexta-feira!
Gostava de ver se fosse o Benfica ou o Sporting, nas mesmas circunstâncias, se acontecia todo este espalhafato! Até íam trabalhar de borla!
Portanto, cuidado com o Bingo, cuidado com este (e outros) cavalos de Tróia.

Saudações azuis.

domingo, agosto 01, 2010

Deu para ver

Ontem, estádio do Restelo com pouca gente, falhou a limpeza, as cadeiras estavam sujas, sujei os fundilhos das calças e o meu lenço azul e branco ficou cinzento, o speaker grita muito, a música também, mas gostei dos equipamentos, a Cruz de Cristo está de novo em cima do coração!

Sobre a equipa, vi um colectivo esforçado, mexido, aqui e ali com bons apontamentos, e todos reconhecemos que se trata de uma equipa de ex-juniores, jovens com futuro, a que se juntam três ou quatro jogadores mais experientes.

E foi um desses mais experientes, Devic, que logo no início, entregou a bola a um adversário (Anselmo, falei dele tantas vezes!) e assim sofremos o primeiro e único golo. Aliás, um golo à ponta de lança, com todos os condimentos que esses golos têm – azelhice do defesa, sorte no ressalto (em Arroz) e guarda-redes mal batido. Mas foi golo.

Para além do golo, Luís Carlos, vê-se, foi uma excelente aquisição, o defesa direito Duarte Machado é minorca, não sei se tem velocidade compatível, mas tem bom toque de bola e alguma lucidez a entregar. Digo isto porque o lado direito da nossa defesa foi diversas vezes ultrapassado durante o primeiro quarto de hora de jogo. Depois estabilizou com a ajuda de Barge.

Guarda-redes, vi três – Néné (baixote, sofreu o golo, mas não comprometeu); Assis (boa planta, uma saída em falso, talvez encadeado pelo sol) e o alemão Semler, que jogou na segunda parte (físico de alemão, pareceu-me calmo e não vislumbrei erros).

No meio campo Celestino ainda demora a pensar, marcou livres, alguns bem marcados. André Almeida não impressionou, e Freddy tem que soltar a bola mais depressa. A produção atacante durante o primeiro tempo, mau grado o esforço de Camará e algumas iniciativas de Luís Carlos ou Freddy, resumiu-se a um golo anulado por fora de jogo.

Na segunda parte, com equipamento todo branco, ocupámos melhor os espaços, a entrada de Tiago Almeida trouxe alguma força (e técnica!) não apenas ao ataque mas também ao meio campo, tal como a entrada de Azeez, um médio esperançoso que fala outra linguagem em termos de pensamento de jogo! E foi com a equipa mais junta, com os centrais mais subidos (Pelé e Paiva), que descemos mais vezes pelas laterais (Duarte Machado e Tiago Gomes) e levámos mais perigo à área do Nacional. Perigo relativo, é certo.

Por isso, nada de ilusões, ganha quem marca e para marcar é preciso ter goleadores. O problema é que há poucos e os poucos que existem são caros.
Mas havemos de descobrir (ou fabricar) qualquer coisa.
Resumindo e concluindo, um balanço positivo desta apresentação aos sócios.

Saudações azuis


Post- Scriptum: Fica para próximo postal um comentário à greve do Bingo.

sexta-feira, julho 30, 2010

Assim vai a bola

Ainda não vi rolar a bola em Belém, oiço as notícias, leio alguns comentários, uns dizem que estamos a contratar bem outros dizem o contrário, o que é normal, mas não tenho opinião e por isso, sobre este assunto, reservo-me para uma melhor oportunidade.
Já sobre o futebol em geral acho pertinente dizer o seguinte:

A discriminação continua e o governo não se importa, pelo contrário, até a incentiva. Por exemplo, no acesso à Liga Europa, toda a atenção para o Sporting e pouca atenção para o Marítimo. Honras de transmissão televisiva em canal aberto para o Sporting e notícia de rodapé na goleada dos madeirenses! Pergunto, o governo só se preocupa com a discriminação sexual ou é impressão minha?!

Querem despedir o Queiroz à má fila e inventam desculpas de mau pagador. Por uma vez tenham dignidade e acabem com inquéritos às escondidas. Se a FPF (ou o Governo!) querem contratar outro seleccionador cheguem a acordo com o homem e paguem o que for preciso. Na terra dos homens é assim que se faz, no portugal dos pequeninos, não sei.

E falta a bicada da ordem no nacional-benfiquismo, claro que falta. Depois da fundação Benfica para a segurança social temos agora nova duplicação de funções no estado... e provável dupla tributação nos contribuintes! Então temos ministério dos negócios estrangeiros, com embaixadores, secretários, consules, eu sei lá, e aparece agora o Benfica a fazer o mesmo trabalho em Timor! E no resto do mundo! Mais um sinal dos tempos, pagamos aos funcionários públicos para fazerem um determinado trabalho e mal voltamos as costas ... surge uma empresa pública (carregada de administradores) a ocupar-se da mesma função! Isto é o quê?! Quem são os otários que gostam deste sistema?! Somos nós, claro.
Pão e circo, é disto que o meu povo gosta.

Saudações azuis

segunda-feira, julho 26, 2010

Limpar a casa

Bela iniciativa, um louvor a quem respondeu à chamada, e voltamos a chamar nosso ao nosso clube! A partir de agora antes de atirarmos uma beata para o chão, antes de transformarmos as casas de banho num chavascal, havemos de nos lembrar que aquela é a nossa casa e que andaram lá outros sócios a limpar o que estava sujo. Uma nova era que desponta e que esperamos acabe também com os abarracamentos que têm vindo a ‘ornamentar’ o Restelo ao melhor estilo do bairro da lata. Não é preciso muita imaginação, basta seguirem o plano original. Portanto, ainda bem que o espírito mudou e revela como são pequenos os gestos que revolucionam o mundo. Gestos educativos, que já se vêem.

“A situação é razoávelmente pior do que pensava, infelizmente há surpresas diárias”, assim se exprime o presidente do clube numa recente entrevista. É uma maneira elegante de retratar o naufrágio da nau azul. Nestas circunstâncias, que representam a verdade nua e crua, nem me atrevo a dar sugestões sobre isto ou sobre aquilo, reduzo-me à expressão que ficou célebre a propósito do Mantorras – deixem trabalhar a direcção.

Saudações azuis

sexta-feira, julho 23, 2010

Hoje é dia de escrita

E há sempre uma alminha a pensar – lá vai ele dizer mal de alguém ou de alguma coisa. E se tal pensou, acertou!
Começo pelos meus ódios de estimação, desde logo pelo nacional-benfiquismo, e para verter uma lágrima de crocodilo a propósito da Fundação Benfica. Mais uma fundação nesta república sem fundamento, a acrescentar a tantas outras que servem os mais variados fins, a maior parte deles ocultos. Bem, mas agora temos o Benfica a distribuir casas às vítimas das cheias na Madeira, gesto generoso e nobre, mas com muita televisão à mistura. Meteu Jardim, meteu propaganda política e metemo-nos mais uma vez pelos caminhos tortuosos da confusão entre clubes de futebol e actividades que fogem completamente aos respectivos fins. Talvez os eclécticos entendam isso, mas eu não entendo. Nem entendo que um clube que deve milhões (não me falem nos activos, está bem!), que recebe ajudas e subsídios de todas (ou quase todas) as entidades públicas e semi-públicas, me apareça agora no papel de mecenas?! A fazer de Santa Casa da Misericórdia?! Não diz a bota com a perdigota.
E que me desculpem as almas mais sensíveis, não estou entusiasmado com este tipo de caridade. Ainda sou do tempo em que um jogo de futebol com a receita a favor das vítimas seria o mais indicado… e mais compreensível.
Acresce que as fundações não foram concebidas para os clubes de futebol, e também sabemos que existem demasiadas fundações em Portugal! O que pode ser considerado suspeito. E permite neste caso imaginar que qualquer dia haveremos de ver a Fundação Benfica a emparceirar com a segurança social nas actividades caritativas! E sem querer lembrei-me das certidões falsas e das dívidas ao fisco que a Manuela recebeu em acções. Pois é, são más recordações, e para as evitar, vamos evitar mais confusões.

A bem da transparência…