segunda-feira, setembro 14, 2009

Assim não dá

Um meio campo inexistente, que joga a trote, que não recupera defensivamente, que nas transições ofensivas não sabe segurar a bola para permitir que o resto da equipa suba no terreno, com um meio campo assim, perante equipas rápidas e acutilantes, a goleada é uma questão de tempo. Foi o que aconteceu. Aliás, contam-se por uma mão os jogadores do Belenenses que jogaram ao mesmo ritmo do adversário! Não estou a falar de perfomance técnica, estou a falar de velocidade, de ginástica!
Atentemos no primeiro golo, que ocorreu logo aos cinco minutos de jogo: - aquilo parecia a brigada do reumático a correr atrás do Saviola!
A perder, sem argumentos para pressionar o Benfica no seu meio campo, limitámo-nos aos lançamentos compridos para os desamparados Freddy e Yontcha, jogadas naturalmente condenadas ao insucesso.
Mas a verdade é que o score não se alterou até ao intervalo, pese as investidas encarnadas pelo flanco direito, que iam dando muito trabalho ao jovem André Pires, quase sempre apanhado entre dois adversários, uma vez que Zé Pedro não recuperava defensivamente.
Para a segunda parte, João Carlos Pereira fez a primeira alteração e deu-se mal - saiu André Pires (dos poucos que apesar de tudo corria) para dar entrada a Lima, que foi encostar-se ao flanco esquerdo na tentativa de alargar a nossa frente de ataque. Porém, isto obrigou ao recuo de Barge para defesa esquerdo, Barge que dava alguma luta ao meio campo encarnado e ainda auxiliava Mano na marcação a Di Maria. Desfez-se assim um equilíbrio que ía aguentando a nau azul pelo menos a boiar.
Saíram depois Celestino (lento e sem ideias) e Gomez (pesadíssimo e a ficar ligado ao lance do primeiro golo) para entrarem Pelé (muito desinspirado) e Filipe Bastos (que tirando um remate, não se deu por ele). Substituições que também não resultaram. A equipa baralhou-se e perdeu-se em individualismos inúteis. As recuperações defensivas continuavam a falhar e a darem golos ao Benfica. Foi assim no segundo e quarto golos, que apesar de terem sido obtidos em fora de jogo, ilustram o completo desnorte de todo o sistema defensivo, com o adversário a aparecer em superioridade numérica e em condições de alvejar facilmente a baliza de Nelson.
O terceiro golo, marcado por Javi Garcia (com o ombro) a saltar entre Diakité e Pelé, resultou de um livre mal assinalado por Olegário Benquerença, já que se tratou de um lance dividido e em que Mano toca primeiro na bola. Mas independentemente da irregularidade destes lances, a sensação que fica é triste – o Belenenses nunca revelou argumentos para discutir a partida. Se quisermos sintetizar tudo numa frase, podemos dizer que o Benfica passeou no Restelo.
Isto é que me preocupa.
E a bancada dos sócios nunca se há-de encher enquanto o Belenenses não tiver uma equipa digna dos seus pergaminhos.

Saudações azuis.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Sagres aposta no Benfica!

É o que podemos deduzir de um patrocínio quase perpétuo (doze anos de cerveja é muito cerveja) contrato que permitiu pedir quarenta milhões junto da sempre generosa (para alguns) banca semi-nacionalizada, expressão que inclui quase todas as empresas (e instituições) ditas privadas… mas que só sobrevivem ao colo do estado. Dos impostos de todos nós, entenda-se.
Quarenta milhões de euros para comprar jogadores!
Mas deixando a política de lado, constatamos que a Sagres também patrocina a primeira Liga, que aliás leva o seu nome!
Conflito de interesses?! Nem por sombras. Pensem como eu – à Sagres interessa-lhe que a Liga seja um êxito e a Liga só será um êxito se o Benfica ganhar.

Mudando de agulha, analisemos o grande argumento estatizante da estatizante Santa Casa, que de Santa guarda apenas o nome: - diz ela, que a entrada em cena de (outras) agências de apostas, no caso a Betclick, pode provocar o aumento da criminalidade (argumento genial!) e a possibilidade de manipulação de resultados, pelo facto de patrocinar vários clubes na mesma Liga.
Não digo que não haja este risco, mas não vejo qual a diferença em relação à duplicidade do patrocínio da Sagres!
Nem, noutro plano, à consabida e autorizada presença da Olivedesportos nas várias sad’s!
Só se é por causa do encarnado!

Saudações azuis.

terça-feira, setembro 08, 2009

Um dia como os outros

As Misericórdias, instituídas pela Rainha Dona Leonor no século XV, pertenciam à sociedade civil e regulavam-se pelas 14 normas da caridade cristã. Assim prosseguiam os seus fins de assistência social, fins que justificavam algumas prerrogativas que a comunidade reconhecia e aceitava com naturalidade. A exclusividade da lotaria e outros jogos é uma dessas prerrogativas.
Porém, a justificação começa enviesar-se quando o Estado, socializante e anti-religioso resolve apropriar-se (para seu proveito e glória) daquelas irmandades. Uma primeira tentativa no século XIX e finalmente a consumação do acto em Abril de 1974.
Portanto, hoje, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, é uma organização laica, dirigida pelo Estado laico, e duvido que continue a regular-se pelas 14 normas da caridade.
Por isso também, já não fazem sentido as prerrogativas que possui (monopólio do jogo, por exemplo) uma vez que é sempre suspeito, alguém (neste caso o Estado) atribuir prerrogativas a si próprio!
Já bem basta o que basta.

Saudações azuis.

Adenda: As 14 normas da caridade cristã são as seguintes:

(As sete obras corporais)

1. Dar de comer a quem tem fome.
2. Dar de beber a quem tem sede.
3. Vestir os nus.
4. Dar pousada aos peregrinos.
5. Assistir aos enfermos.
6. Visitar os presos.
7. Enterrar os mortos.

(As sete obras espirituais)

1. Dar bom conselho.
2. Ensinar os ignorantes.
3. Corrigir os que erram.
4. Consolar os tristes.
5. Perdoar as injúrias.
6. Suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo.
7. Rogar a Deus por vivos e defuntos.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Já não há matraquilhos azuis…

É o segundo postal reticente em menos de uma semana o que pode querer dizer alguma coisa! Até eu me surpreendo! A verdade é que já não existem matraquilhos azuis, equipados ‘à belenenses’, com um ‘Matateu’ a avançado centro - bonecos pintados de azul celeste, que já no meu tempo contrastavam com a maioria verde e encarnada. Como é longa e inexorável a decadência!
E o que se vê hoje em dia?!
Um clube espartilhado pelas modalidades, com adeptos do museu e de museu, que invectivam o silêncio de velhos associados, silêncio que é a única resposta possível face ao desbarato visível, adeptos singulares, que num dia berram contra a vinda do Adu e no dia seguinte já se propõem visitar os Estados Unidos à conta do Adu!
Não há quem entenda este clube, que cada vez percebe menos de futebol, cujas direcções provêm quase sempre das ditas modalidades (ou das obras!), um clube que se lamenta de não ter gente no estádio, ou nas deslocações fora de casa, depois de anos e anos de derrotas, de desilusões, de descomando e pouca vergonha, um clube, enfim, que não compreende o que lhe está a acontecer.
Um postal pessimista que procura manter alguma esperança, porque os tempos são outros e trazem sempre oportunidades, mas é um postal que sabe que nenhum dos problemas estruturais do Clube foi ainda enfrentado, quanto mais resolvido.
Fica para o fim o pedido mais urgente – que o próximo jogo no Restelo seja uma redenção. A vitória, e não concebo que se jogue para outro resultado, seria uma boa oportunidade para a esperança.

Saudações azuis.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Como ía dizendo…

Assisti à vitória contra a Naval, vi os minutos finais do jogo de Braga, soube das novidades pelos jornais, e tudo junto, misturado e amassado, o que ficou na retina foi a arrancada de Pelé pedreira acima, só travada (em falta) pelo ‘amarelado’ Vandinho.
Na semana passada tinha sido o drible do Freddy (no Restelo) e a peitaça do Yontcha para o golo inaugural! São estas as recordações que me fazem sonhar, como acredito que façam sonhar muitos belenenses.
E a propósito do Pelé, li com atenção um comentário anónimo sobre a ‘posição 6’ – os nomes que eles inventam – e gostei da análise! A leveza e agilidade de Pelé, a rodar, a virar o jogo para a frente, (sempre rodeado de adversários), em contraste com a lentidão e o peso de Gomez (Gavilan)! Lembro-me que me fartei de berrar no Restelo para o homem se despachar, para deixar de atrasar sistematicamente a bola, como se não tivesse outra ideia na cabeça. Este Gavilan, quando chegou, era alto e fininho, agora parece pesar toneladas! Salta à bola com os adversários, e cai. Estica-se na tentativa de desarme, e fica-se. No segundo golo do Braga, perde a posição e demora tempo a reagir. É certo que não vi o jogo, mas estranhei a nota alta que lhe deram! Talvez pelo espírito de luta!
Na minha opinião, precisa de abater alguns quilos e pensar (e agir) mais rápido.
Não estou a embirrar com o Gavilan, estou apenas a preocupar-me com as transições ofensivas e com as recuperações defensivas.
Mas existe outro problema na equipa – o resto do meio campo. Porque continuo convencido que é quase sempre no meio campo que se decidem os jogos. E neste aspecto não estamos especialmente bem servidos.
Escrevi em tempos que era importante conhecer o verdadeiro valor do Ivan, e mantenho. Quando ele entrou, ao fim, no jogo contra a Naval, um adepto que estava à minha frente, ficou fora de si e gritava a plenos pulmões na direcção do treinador – ‘tira o Ivan que ele não joga nada’! Eu fiquei preocupado (nunca o tinha visto jogar) mas tirando alguma lentidão ou falta de ritmo, pareceu-me ter bons pés, sabia segurar a bola e nunca a perdeu para nenhum adversário. Até meteu um golo! Escusado será dizer que o nosso adepto anti-Ivan entrou em confusão, virou-se inclusivamente para trás, na tentativa de explicar o inexplicável… e ouviu a sugestão que merecia - algumas flexões como experiência educativa, ou em alternativa, duas voltas à pista de atletismo.
Mas ainda assim, será Ivan o tal nº 10 (lá estou eu a usar as novas tecnologias) que precisamos?!
Um assunto a rever.

Saudações azuis.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Leixões 0 - Belenenses 0

Terminou empatado o primeiro desafio do campeonato. Não tive oportunidade de ver o jogo, não consegui ouvir qualquer relato, mas segundo alguns comentários que li parece que a rapaziada se portou bem em Matosinhos, prometendo uma época tranquila e com bom futebol.
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Saudações azuis.

terça-feira, agosto 11, 2009

Liedson na selecção – o império do calculismo!

Quem me conhece sabe que aspiro ao quinto império, ou se não for possível, aos seus arredores. Português, para mim, são todos os que se deixaram tocar pela aventura da descoberta, sejam malaios ou abexins, falem ou não a língua de Camões, e se não falarem, mais os valorizo, porque nem do idioma (oficial) precisam para se sentirem portugueses!
Neste sentido, a selecção portuguesa de futebol pode recrutar candidatos no mundo inteiro.
O que não é bonito, porque desmente todos os princípios atrás enunciados, é o calculismo de uns e a segunda escolha de outros!
Calculismo da nossa Federação que não olha a meios para recrutar um goleador, não se importando, com isso, de subverter o espírito da selecção! E a prazo, transformar a competição (entre selecções) numa farsa!
Segunda escolha de outros, porque se Liedson tivesse hipóteses de jogar na selecção brasileira, dificilmente optaria pela selecção portuguesa.
Eu sei que já houve precedentes, mas um erro repetido, não deixa de ser um erro.

Saudações desportivas