segunda-feira, dezembro 29, 2008

Nós, eles... e o Pai Natal

Por cá, quando está toda a gente de férias (enfiada) nos centros comerciais, nos cinemas dos centros comerciais, na estrada a andar de um lado para o outro sem saber para onde vai, o futebol português fecha para balanço!
Em Inglaterra, pelo contrário, sabendo que o futebol é um espectáculo, e como tal precisa de público para sobreviver, oferecem esse espectáculo sempre que podem adequando a oferta à respectiva procura. É assim que as estrelas do futebol inglês, à semelhança dos artistas dos outros espectáculos, aproveitam esta quadra para se exibirem, satisfazendo ao mesmo tempo os cofres dos clubes e os desejos do público. Isto é lógico para eles. Mas para nós não!
Por isso aproveitamos as festas de Natal e Ano Novo para mandarmos as nossas estrelas de férias, para que possam passar o Natal com as famílias e disfrutarem em paz e sossego, à volta da televisão, os jogos de futebol que se realizam em Inglaterra! Isto para nós é lógico. Para eles não.
Claro que subsiste uma pergunta (ou um problema) para além de todas as lógicas – mas afinal de que se sustenta o futebol em Portugal?
De subsídios do erário público, responderá muito depressa o Pai Natal.
O pior é que o Pai Natal somos todos nós.

Saudações azuis.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Broas difíceis

Perdi opinião, nada de críticas nada de elogios, repito o que ouvi ao intervalo - equipa que não pressiona, com um meio campo que emperra, falha passes atrás de passes, defensivamente passiva, como se demonstra pelo segundo golo do Trofense: - estávamos já no período de compensação antes do intervalo, os homens da Trofa ganhavam por uma bola a zero, e apenas queriam entreter o jogo próximo da nossa área. Como ninguém lhes tirava a bola, Zé Pedro (símbolo da nossa incapacidade) resolve fazer falta – livre marcado para a cabeça de Valdomiro (um especialista naquele tipo de lances) e segundo golo do Trofense. O desânimo instalou-se no Restelo.
Segunda parte e reviravolta! Vinicius consegue abrir algumas brechas pelo flanco direito; os laterais conseguem adiantar-se mais no terreno; Wender dá mais apoio a Marcelo e o milagre acontece. Esquecido o drama os miúdos que estavam á minha frente agitam-se, gritam por Belém, Belém, e perguntam-me porque é que eu continuo sentado! Não consigo explicar!
Sobre os jogadores também não tenho opinião, repito o que ouvi – Carciano está irreconhecível, não ganha uma bola de cabeça e quando ganha, a bola sobe ou segue em direcção imprevisível; Arroz esteve bem melhor mas não se livra de responsabilidades no segundo golo; China atacou bem mas defendeu mal; Cândido quando solta logo a bola é útil, quando a prende não é; Silas melhorou muito na segunda parte; Gomez também; Wender está ligado à reviravolta; Marcelo também; Zé Pedro é um mistério, não ouvi nada de bom, marcou centenas de livres em parafuso sem quaisquer efeitos práticos, às vezes a alça é baixa de mais, outras vezes alta de mais; Vinicius tem que jogar; Júlio César fez uma defesa importante (saída com os punhos) no fim do jogo; Organista sem pedal não toca!
Mano e Roncatto entraram no fim e cumpriram.
Sobre o futuro perdi opinião, repito o que ouvi – se tivéssemos perdido o nosso futuro estava assegurado na Liga Vitalis; como ganhámos, e ainda por cima com reviravolta, é bem possível que surja um novo ânimo que nos retire do fosso em que caímos.
Para ajudar na subida talvez seja de pôr o sapatinho na chaminé: - um ou dois presentes defensivos; no meio um órgão com pedal; e lá na frente quem ajude o Marcelo. Estou a pedir muito?!

Resultado final: Belenenses 3 – Trofense 2

Um Bom Natal para todos.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

(Liga Intercalar – Torneio Primavera) Belenenses 5 - Estrela da Amadora 0

Uma boa ideia estes jogos em Almada (Pragal), e falo por mim, pois são um presente para os indefectíveis adeptos da margem sul. Quanto ao jogo e socorrendo-me aqui e ali das indicações do amigo Luís Lacerda, vou tentar transmitir aquilo que mais me impressionou:
1. Um bom treino muito embora o Estrela da Amadora tenha feito alinhar uma equipa menos competitiva, uma vez que tem o plantel principal mobilizado para o jogo com o FC Porto;
2. A curiosidade de ver e acção o defesa esquerdo Tininho, nova aquisição azul, e que precisa naturalmente destes jogos para ganhar ritmo. Trata-se de um jogador corpulento e por isso mais necessária se torna a rodagem;
3. Alguns jovens jogadores que deram nas vistas, como por exemplo o central Pélé, o médio nigeriano Aziis, e outro júnior que se postou na linha média atacante e julgo chamar-se Hugo Bral; e ainda… um médio que entrou na segunda parte e dinamizou todo o flanco esquerdo!
4. A velocidade e empenho do defesa direito Baiano um jogador com grande margem de progressão, e que talvez possa adaptar-se a outras posições mais ofensivas;
5. João Paulo Oliveira pelos três golos que marcou é naturalmente um dos destaques, mas podia ser menos individualista;
6. Pela negativa não gostei das prestações de Porta e Wender enquanto Maycon precisa ser mais rápido a executar e a pensar;

Mas quando se ganha com goleada as críticas são sempre discutíveis. E sendo assim,

Saudações azuis

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Um simples comentário

"A vitória é boa para moralizar, sobretudo porque foi fora e o Olhanense é o líder da Liga Vitalis. Continuo a dizer que o Marcelo é o melhor avançado que temos e que joga realmente como avançado centro, para além de jogar muito bem de cabeça. Tem é que jogar e ser servido.
O problema da equipa foi a falta de química que se criou à sua volta desde o início. Já se disse muito mal do Arroz, vamos ver se ganha o lugar agora e mostra o valor com que vinha credenciado. Agora falta ganhar ao Trofense e ir buscar os três jogadores com o melhor nível possível..."
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Assinado por Paulo Aguiar, que não conheço, este simples comentário diz quase tudo sobre o que se passa no futebol do Belém. Razão suficiente para, com a devida vénia, o publicar. A bem do Belenenses, claro.
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(Publicado no blog amigo 'CFBelenenses')

terça-feira, dezembro 09, 2008

Enfim, últimos!

E à décima primeira jornada chegámos finalmente ao lugar do destino. Depois do presidente que elegemos, depois do treinador Casimiro Mior, depois dos jogadores que contratámos, voltamos agora a nossa ira contra os árbitros, responsáveis, segundo nos querem fazer crer, pela pior defesa do campeonato, a pior diferença entre golos marcados e sofridos, e um dos piores ataques da prova!
É verdade que temos sido prejudicados pelas arbitragens e neste último jogo tornou-se patente que somos um alvo a abater, mas atenção, não vamos confundir as questões: aquela primeira parte contra o Nacional é inadmissível, especialmente a permeabilidade do flanco esquerdo da nossa defesa, onde só não entra quem não quiser! Mas não é só o flanco esquerdo defensivo que falha, a dupla de centrais não se entende e é frequentemente batida no jogo aéreo, situação que não pode continuar pois compromete as melhores intenções. Como escrevi na penúltima crónica, a partir de agora já não vale a pena arranjarmos bodes expiatórios, não temos tempo para isso, precisamos sim de encarar o problema de frente porque senão vamos direitinhos para a Liga Vitalis e isso pode ser fatal para o Belenenses.
Que fazer então?!
Em relação à defesa - contratar um defesa central experiente, que entre na equipa directamente, a fim de estabilizar o sector. Inventar um quarto defesa e um lateral esquerdo. Proibir o Cândido Costa de fazer qualquer tentativa de drible, e obrigá-lo a passar a bola de imediato. Proibir o Gabriel Gomez de jogar para trás. Treinar o Júlio César a sair da baliza nas bolas altas.
O meio campo precisa de definir um armador de jogo, daqueles que sabem reter a bola quando é preciso ou passá-la no momento oportuno – não estou a pensar nem em Zé Pedro nem em Silas. Talvez o Organista, mas com outro pedal.
No ataque está visto que Marcelo é o melhorzinho e que o problema do Vinicius é de confiança. Mas como também já afirmei – só Marcelo não chega.
E a propósito de confiança, vivemos de facto uma grave crise de confiança, alimentada pelos maus resultados mas fruto também de um clima doentio que se instalou no Restelo há largos anos, clima esse que se transmite aos jogadores e se sente dentro do campo.
Estas são as carências, cabe à Comissão de Gestão remediá-las. E depressa, porque daqui a um mês pode ser tarde.

Saudações azuis.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Censura necessária

Existem programas na televisão que se não existissem o meio ambiente agradecia. Por exemplo, aquela discussão infantil entre o Seara, o Dias Ferreira e o Aguiar, patrocinada pela SIC, sobre se é penalty ou não, se aquela sarrafada merecia ou não um cartão de outra cor, tudo isto no meio de intermináveis repetições, e cada qual a puxar a braza à sua sardinha, é um desses programas para os quais é uma pena não existir censura prévia.
Reparem que estou a referir-me a gente ‘importante’, cuja opinião é ouvida e seguida pelos incautos, gente que ocupa ou ocupou cargos de responsabilidade no dirigismo desportivo, mas é tal o facciosismo, é tal a ignorância das leis de jogo, que deveria haver um programa logo a seguir para os corrigir!
Como não há, resolvi escrever umas linhas com algum detergente a ver se apago aquelas nódoas.
Vejamos: ontem o Seara deu-lhe para pensar o futebol português! Mais própriamente a falta de competitividade do Benfica, que ele confunde com o futebol português! E como é hábito naqueles cavalheiros começaram a raciocinar a partir do telhado. A grande preocupação do Seara, e dos outros, era a Ucrânia que pelos vistos está em vias de nos ultrapassar no ranking da UEFA! E com menos lugares cativos na Champions lá se vão as expectativas das receitas extraordinárias que num país onde ganham sempre os mesmos passam a receitas ordinárias!
Entre disparates e maus hábitos afunilaram a problemática nos três emblemas do costume, e repetiram a ideia peregrina de reduzir a primeira Liga a doze clubes vezes não sei quantas voltas! Ideia também expressa recentemente por um génio da Portugal Telecom, um dos muitos que ainda não percebeu o fim deste filme, a saber - pedido de inscrição na Liga espanhola para o futebol português, e já agora para o resto.
Estes estúpidos são estúpidos todos os dias e nem no dia primeiro de Dezembro nos poupam!
Saberão eles o significado da palavra - Independência?!

domingo, novembro 30, 2008

Bailinho da Madeira

“Não podemos entrar já em desespero”, disse Jaime Pacheco no fim do jogo, pois não, mas para quem já anda desesperado há uma data de tempo, a frase não faz sentido. E escusam de seleccionar responsáveis ou bodes expiatórios – incluindo Fernando Sequeira e Casimiro Mior que têm lugar cativo nos comentários das derrotas (!) – deixem essa tarefa de seleccionador ao Queiroz, concentrem-se no jogo propriamente dito e reparem no seguinte:

1. A equipa que iniciou o jogo contra o Marítimo não era formada pelo famoso ‘contentor’ de brasileiros da era Sequeira/Mior. Apenas Carciano e Arroz alinharam à partida, uma vez que Alex foi contratado para, segundo os entendidos, ‘salvar’ a defesa dos ‘pernas de pau’ que por lá andavam!
2. Mas não eram decorridos três minutos de jogo e já o nosso Alex tinha deixado passar o Baba (que rematou ao poste) e logo a seguir, por falta de pernas, o Djalma, o que lhe valeu um justo cartão amarelo.
3. Aliás a falta de pernas (e de ritmo) é uma doença azul e sem querer ser injusto para ninguém acrescento que nestas condições físicas (ou psico-físicas) não temos quaisquer hipóteses de permanecer na primeira Liga. E volto ao mesmo, dos jogadores que iniciaram o encontro, apenas Mano e Carciano revelaram andamento para acompanhar os jogadores insulares. Isto não tem a ver com entrega ou espírito de luta, tem a ver com disponibilidade física e mental. Por exemplo: Wender não consegue fazer um pique; Zé Pedro demora uma eternidade a controlar a bola e virar-se; Cândido Costa e China não têm velocidade de pernas para acompanhar um ‘ciclista’ que lhes apareça pela frente; com a agravante de China ter dificuldades em recuperar posição; e lá na frente não existe um único jogador com velocidade para desequilibrar uma defesa.
4. Mas voltando ao jogo, e ainda na primeira parte, a inclusão de Arroz terá sido um erro de casting, mas a verdade é que não temos verdadeiros trincos no plantel, para além do Gabriel Gomez, castigado!
5. Porém a grande pecha deste Belenenses 2008/2009 acaba por ser o ataque, basta olhar para o goal-average para termos a certeza que o nosso futuro é sombrio. É certo que sofremos muitos golos mas a verdade é que não marcamos. E sem golos não há pontos e sem pontos estamos condenados aos últimos lugares.
6. E a aritmética é simples: quantos golos por época valem os actuais avançados? Roncatto, o melhor tecnicamente, é uma espécie de segundo ponta lança mas já sabemos que não é um goleador. Falha muito e não há-de marcar mais que três ou quatro golos no campeonato; Porta é uma incógnita; JPO é imaturo, passa a vida a cair, talvez marque dois ou três golos de cabeça; resta Marcelo, o que é curto. Quando sabemos também que são os golos que transformam jogos maus em jogos bons. Por exemplo: se no princípio da segunda parte o Marcelo tem tido a arte de empatar era bem possível que tudo se alterasse, e animados com esse golo a história deste jogo fosse outra. Só que o chamado ‘killer instinct’ não abunda em Belém.
Por isso finalizo esta análise com pouco optimismo. Precisamos de marcar golos, e ainda por cima os lances de bola parada são por nós desperdiçados uns atrás dos outros, enquanto os adversários, pelo contrário, os aproveitam! Aquele segundo golo então é de bradar aos céus! Recomendo que o analisem e revejam antes de se atirarem, como é costume, ao ‘contentor de brasileiros’!

Resultado final: Belenenses 0 – Marítimo 2

Saudações azuis.