sexta-feira, julho 11, 2008

Blatter, Platini, peseteros, etc.…

O fifas Blatter não cessa de nos surpreender! Depois do ataque aos brasileiros naturalizados pelas várias selecções, uma manifestação de nacionalismo infantil, de quem ainda brinca com soldadinhos de chumbo, vem agora dizer que o Cristiano Ronaldo é um escravo! Só porque não pode transferir-se livremente para o Real Madrid! Terá o Blatter algum interesse na transferência?! Ou pretende subscrever o desrespeito pelos compromissos livremente assumidos! Que é um incentivo aos ‘peseteros’ e a todas as formas de ganância, disso não tenho dúvidas. É o que se chama um bom exemplo para a juventude!

O uefas Platini, esse anda-me atravessado há muito tempo. Bom jogador, nunca o apreciei fora do campo, e depois do episódio com o Porto, confirmei os meus juízos: - vaidoso e balofo, como é uso naqueles italo-franceses que querem parecer mais franceses que os franceses, resolveu interferir nos órgãos jurisdicionais da UEFA (que era suposto
respeitar) produzindo um conjunto de declarações inaceitáveis. Por isso também me ocorre perguntar: terá o Platini algum interesse na condenação do F.C. do Porto?! Eu, se fosse este clube, e depois da poeira assentar, chamava este cavalheiro à pedra, ou seja, pedia uma gorda indemnização à UEFA por perdas e danos.

Queiroz de volta e o estado da nação, podia ser título ou fonte de inspiração para todos, governo incluído. Interesses excepcionais justificam medidas excepcionais e neste sentido a contratação do seleccionador nacional poderá ser incluída na rubrica dos grandes investimentos públicos. Que a selecção é um investimento desmesurado à escala do país que somos, isso é uma evidência indisfarçável. Em apoio da tese recupero uma notícia que passou despercebida: -“Portugal pagava mais”! A FPF dava 300 mil euros a cada jogador em caso de vitória no Euro 2008. A Alemanha pagava menos, 250 mil euros e os espanhóis recebiam (receberam) 214 mil euros cada um. Nesta ordem de ideias não espanta que a FPF esteja disposta a pagar o que for preciso para libertar Queiroz da escravidão que o acorrenta ao Manchester United.
É este o estado da nação.


Notas:
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1. Escravatura é a Caixa Geral de Depósitos fazer contratos até aos oitenta anos para compra de habitação!
2. Corrupção jornalística e desportiva é a novela Aimar cuja contratação todos desconfiamos estar dependente da exclusão do Porto da Liga dos Campeões!
3. Esperança para o futebol português é aquilo que não há.
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Fontes: Jornal Record de 29/06/08.
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Saudações azuis.

quarta-feira, julho 09, 2008

Tribunal do Desporto sim, mas…

A salvação parece encontrada e tem nome, chama-se Tribunal do Desporto, instância independente das federações e das ligas, e sendo assim, capaz de julgar (ou arbitrar) com isenção. A ideia é engraçada mas já estou como o desconfiado Luís XI, rei de França, quando lhe garantiram que a Guarda Real estava ali para o proteger, perguntou: - “E quem guardará os guardas!”
A verdade é que o órgão até pode ser formalmente independente da federação e da liga, mas quem nos garante que num caso destes, refiro-me ao episódio do Conselho de Justiça, as decisões seriam proferidas com independência, bom senso e um mínimo de respeito pelo direito! Dito de outra forma, os árbitros (ou juizes) deste futuro tribunal eram sorteados, nomeados ou eleitos, por quem?! E segundo que critério?! Seriam três árbitros do Benfica, três do Sporting e três do Porto e para desempatar inventava-se um árbitro do Lusitano de Évora ou alguém que não gostasse de futebol!
A ver se nos entendemos, as pessoas que chegam a estes cargos, em princípio, são todas sérias e honestas, por certo competentes nas suas actividades profissionais, o problema não é de pessoas, pois já foram juizes e tiveram que se retirar, são agora advogados e foi o que se viu, é preciso cavar mais fundo, a questão não se resolve no telhado, tem a ver com todo o edifício do futebol, nomeadamente com os seus alicerces.
Continuo a dizer que Portugal não pode depender exclusivamente dos subsídios europeus, sejam eles ‘quadros comunitários de apoio’ ou prémios de presença na ‘liga milionária’. No caso do futebol estes ‘subsídios’ são um presente envenenado, apenas ajudam a cavar ainda mais o fosso entre clubes grandes e pequenos. Pelo contrário, é urgente inverter a pirâmide das prioridades: primeiro que tudo temos que valorizar e tornar rentável o campeonato nacional e só depois pensar nas provas internacionais, sejam de clubes, sejam de selecção. Enquanto isto não suceder, enquanto a principal liga portuguesa não for mais equilibrada em termos orçamentais (para ser mais competitiva), enquanto servir apenas para alguns clubes se habilitarem ao euro-milhões, o futebol português vai continuar a ser uma fonte de casos e questiúnculas. Neste sentido o Tribunal do Desporto está no telhado, nada resolve, e estamos de novo a empurrar o problema para a frente… com a barriga.
Saudações azuis.

terça-feira, julho 08, 2008

Conversas em família

Sempre foi assim, dirão os resignados! É verdade mas tem vindo a piorar como aliás era inevitável que acontecesse – só existem adeptos de três clubes, a comunicação social só fala de três clubes, o bolo das receitas televisivas vai quase todo para os três clubes, o poder público e o orçamento de estado apoiam escandalosamente estes três clubes e como o campeonato português, reduzido a três clubes, só pode dar prejuízo, a única salvação é o dinheiro da UEFA. Mas como cada vez temos menos hipóteses (e menos lugares de acesso) às competições europeias o dinheiro já não dá para os três, se calhar nem chega para dois, vai daí a guerra tremenda de sobrevivência em que vale tudo e envolve todos. Uns por querer, outros sem querer.
A corrupção começa e acaba aqui.
Alguém está interessado em mudar isto?! Se estivesse… mudava primeiro o resto.
Saudações azuis.

domingo, julho 06, 2008

E agora Hermínio/Madaíl?!

Está a casa de pernas para o ar, os vermelhos (os verdes na expectativa) abriram o jogo, já não há margem para disfarces, o centralismo redutor (chamem-lhe a globalização à nossa escala) tenta reconquistar o poder perdido nas aventuras esquerdistas de Abril. A sul, a mobilização é geral, arrasta o desertificado Alentejo (que emigrou para Almada e Setúbal); traz consigo o algarvio, que já sofreu pelo Olhanense, mas agora palpita pela segunda circular; o vale do Tejo é indefectível, verdes na margem direita, vermelhos na margem esquerda; apoia-se nos tradicionais bastiões do nacional-benfiquismo, um eixo imaginário que vai de Castelo Branco a Viseu (com passagem por Santa Comba); revive (sempre que pode) no Minho onde nos querem vender a ideia de adeptos próprios! Em Braga ou Guimarães haverá alguns, mas não são muitos. E pronto, está feito o roteiro, contadas as espingardas, sem necessidade de visitar o litoral centro onde a união nacional verde rubra é esmagadora, sendo que na zona de Aveiro ainda é possível encontrar dois ou três belenenses!
Contra este formidável exército, os dragões resistem no Douro litoral, sobem até à Póvoa, descem com o vinho do Porto desde a Régua ou refugiam-se em algumas bolsas transmontanas para os lados de Chaves. É caso para dizer que deve haver algum mérito nas suas vitórias.
Faltam os imigrantes e as ilhas adjacentes: o pessoal vindo das colónias (e seus descendentes) não tem nada que enganar – até rima com segunda circular. Quanto às autonomias, graças à auto-estima a que isso conduz, os mais jovens começam a eleger os clubes locais como prioridade nos seus afectos, afastando-se assim da antiga atracção lisboeta. Acredito que hoje, por exemplo, existam adeptos para quem o Marítimo é o seu primeiro e único clube.
E o Belenenses?! Onde fica nesta guerra?! Como dizia um amigo a propósito de outro tema – ‘somos poucos e com tendência para desaparecer’. Como eu o compreendo, somos realmente poucos, mas duas ou três qualidades (ou defeitos) nos identificam: não aceitamos a discriminação que a Câmara de Lisboa (e o Governo) fazem em relação ao Belenenses; não temos rivalidades desportivas com o Boavista nem com o Estrela da Amadora. Já tivemos com o Atlético e ainda temos com Benfica, Sporting e Porto.
E sobre o capítulo das alianças gostava de acrescentar o seguinte: só são possíveis quando estamos em pé de igualdade. Com o Porto temos uma relação de amizade que alguns sócios repudiam mas que vem de trás e se compreende: estão longe e não foram eles que nos tramaram. A cova quem a abriu fomos nós, mas quem nos empurrou para lá foram outros.
Saudações azuis.

quinta-feira, julho 03, 2008

Bola suspeita

Existe uma técnica para ler jornais portugueses e se forem ‘desportivos’ a técnica refina senão não se percebe nada. Tomemos como exemplo a bola que tem fama de ser amiga do Belém, só porque nos reserva um cantinho no meio do imenso deserto verde rubro! Descodifiquemos o que ela diz à luz das reacções ao despacho de arquivamento da ‘fruta’. Primeiro houve um silêncio magoado, a seguir veio o luto carregado e depois começaram a vender a seguinte tese: - nada de confusões, uma coisa é a justiça penal, outra coisa é a justiça desportiva, a justiça penal é menos ampla que a desportiva, assim aquilo que é arquivado pela justiça penal pode ter fundamento para punir através da justiça desportiva, etc. etc.! E concluem estes arautos da verdade: o Conselho de Justiça da FPF deve pois julgar (condenar) com a maior isenção (e brevidade) possíveis, indiferente a tudo o que o rodeia!
Esquecem porém o fundamental: que este apito final apanhou boleia do apito penal (dourado) e mais, assenta as suas deliberações nos mesmos pressupostos que levaram o TIC a arquivar o processo, a saber: falsos testemunhos, falta de nexo causal e utilização de meios ilegais de investigação. E esquecem também que o problema da justiça desportiva é mesmo esse – andar à boleia!
Ah, mas eu também sou suspeito, só que não me escondo atrás de falsas etiquetas, o meu registo de interesses está expresso e espalhado por perto de quinhentos textos e não engana ninguém – nacional-benfiquismo, não obrigado.
Por isso, quando vejo uma coligação/conspiração contra o FCP (e o seu presidente) que inclui: maoístas, leninistas, trotskistas, trabalhistas, centristas e ex-pessoal do alterne, todos centralistas, quase todos laicos, republicanos e socialistas, e todos a reclamarem justiça ao mesmo tempo… salto imediatamente para o outro lado da barricada! Seja ela qual for.
Saudações azuis.

quarta-feira, julho 02, 2008

Brasil sempre

“Podemos estar de mal com todo o mundo menos com o Brasil” – uma frase atribuída ao Rei Dom Carlos e que define o eixo central da nossa política externa. Ponto final parágrafo.
Mudando de linha acrescento que o Brasil será (já é) a nossa guarda avançada para que todos os sonhos se cumpram. Com a ajuda, naturalmente, dos restantes países de expressão portuguesa.
Aplicando tudo isto ao futebol, jogo por natureza universal, quantos mais brasileiros invadirem a Europa e o mundo, naturalizados ou não, melhor para nós e para o universo que representamos. O recém disputado europeu é a prova cabal do que afirmo: Deco e Pepe foram os nossos melhores jogadores! Marcos Sena, qual Magalhães ao serviço dos reis de Espanha, sagrou-se campeão europeu! Nem a Turquia escapou ao samba jogado!
Há quem se assuste, ‘outros velhos de aspecto venerando que ficaram na praia entre as gentes’, mas não há que temer, o Belenenses tem a Cruz das caravelas, fomos pioneiros na aventura, pode dizer-se que a América do Sul tem tudo aquilo que precisamos!
Ouvi falar no argentino Tarrio para marcar o temível Peyroteo! Assisti no Jamor à estreia do Perez, do Di Pace e do infeliz Benitez, lesionado após alguns minutos em campo. Os africanos, Matateu, Vicente, Yaúca e tantos outros diamantes que chegaram dessa mina (outrora) inesgotável! Os brasileiros, antes de 1958 pouco dados à emigração, começaram então a surgir, e a valorizar o campeonato português, até hoje! Pode dizer-se que já nem conseguimos imaginar o campeonato sem eles!
Por isso espero e tenho esperança que ‘seu’ Casemiro Mior ‘arrume’ um bom time, uma equipa que renove as ilusões, pois é disso que vive o futebol. Depois cá estaremos para fazer as apreciações aos respectivos desempenhos.
Saudações azuis.

terça-feira, julho 01, 2008

Fruta seca

De tempos a tempos a sociedade venal toma consciência da sua venalidade e numa espécie de remorso colectivo procura entre os seus alguém com a marca da incorruptibilidade, alguém que faça justiça por forma a sossegar as consciências mais sensíveis. Isto é absurdo e nunca resulta, ainda que a reputação desses super justiceiros não cesse de aumentar! Infelizmente, a cada purga, sucede o mesmo que com os parasitas intestinais, explodem de novo, e com mais vigor, mal se apercebem que se tratou apenas de um episódio de desinfestação isolado, digamos, ‘para inglês ver’.
Curioso, ou talvez não, que os escolhidos, aqueles a quem a sociedade outorga a condição de serem um bocadinho mais sérios que a maioria, sejam elementos com um passado juvenil de completo desrespeito pelas leis então vigentes e com fortes tendências totalitárias. Que esperar então destas (mediáticas) operações justiceiras?!
O costume: muita parra e pouca uva.
Saudações azuis.