sexta-feira, março 14, 2008

Não vendo, compro

Era assim que se fazia fortuna, mas isso foi antes da engenharia financeira ter tomado conta das nossas vidas! Agora, vender é facturar e quanto mais se facturar melhor, está tudo à venda, e há-de chegar uma altura, ideal de acordo com as melhores práticas de gestão, em que a rotatividade do plantel será tal que os próprios adeptos não reconhecerão os seus jogadores! Nesse momento devemos estar perto do paraíso. Mais um passo e ninguém se conhece! No paraíso provavelmente não existem clubes de futebol.
Mas como eu dizia, antigamente, vender (ou dar) um jogador feito no clube era um absurdo, vendê-lo para a segunda circular era um crime de lesa-majestade, punível com a possibilidade de descer de divisão… mais tarde ou mais cedo! Nós já cumprimos essa pena e curiosamente, em lugar de nos emendarmos, habituámo-nos a descer, o que também é pena!
O contraditório repetirá que isso era antigamente quando os jogadores (e as leis) sentiam a camisola, o que não deixa de ser verdade, mas ainda assim não vejo qual a necessidade de fortalecer a concorrência directa quando podemos vender os nossos activos (leia-se jogadores) noutros mercados!
O contraditório poderia então perguntar sobre o que se terá passado com este humilde escriba, tão generoso quando se trata de empréstimos ou troca de jogadores, mesmo com a segunda circular, e agora tão esquisito só porque existe a possibilidade de um negócio mais ‘abrangente’ com os passarotos!
E eu diria que não é bem a mesma coisa, pois estamos a falar de jovens jogadores a quem demos formação, nos quais investimos, e das duas uma, ou eram para construir uma equipa no futuro, que tivesse futuro, ou eram para serem bem vendidos… no estrangeiro. Penso eu de que.
Mas é evidente que eu já estou um bocadinho antiquado.
Saudações azuis.

terça-feira, março 11, 2008

Crónica tardia

Eu tardo mas não falto, foi só deixar passar aquele tempo de repouso indispensável para os nervos, e cá estou outra vez para vos contar o que sinto sobre mais este desastre!
Em primeiro lugar chamar a atenção para um facto incontornável e preocupante, a saber: em três jogos, dois deles em casa, sofremos a módica quantia de sete golos! Pergunto – ninguém deu por isso?! Vamos continuar assim?!
Em segundo lugar quero lembrar que face a esta fragilidade defensiva, Jorge Jesus optou por retirar um trinco ao intervalo, Gabriel Gomez de seu nome, resolvendo correr ainda mais riscos!
Recorde-se entretanto que a nossa primeira parte foi excelente apesar de termos sofrido dois golos, apesar da tal fragilidade defensiva (damos muito espaço ao portador da bola) e recorde-se também que Gabriel Gomez estava a efectuar uma excelente exibição. Conclua-se por fim que na segunda parte nunca mais conseguimos o mesmo volume de jogo ofensivo nem tantas oportunidades como desfrutámos no primeiro tempo! E como, quer Weldon quer Roncatto, marcam um golo em cada cinco oportunidades falhadas... penso que não vale a pena acrescentar mais nada.
E volto ao mesmo, sete golos em três jogos é muito golo para uma defesa que era das menos batidas do campeonato.
Hoje não há saudações.

Resultado final: Belenenses 2 – Boavista 3.

domingo, março 09, 2008

A fazer fé nos jornais…

O jornal “A Bola”, órgão oficioso do pensamento que vem presidindo aos destinos do Belenenses, antecipa no seu último número quais serão as prioridades da próxima Direcção em termos de política geral do Clube, a saber: saneamento financeiro com o consequente desinvestimento no futebol que assim passará a lutar por outros objectivos que não a Europa! Se não é isto… anda lá perto.
Dando o devido desconto à imaginação jornalística, não deixa de ser preocupante que eleição após eleição, candidato após candidato, há mais de trinta anos que ouvimos sempre os mesmos estribilhos – sanear as finanças – e pela voz do mesmo grupo restrito de pessoas que se vão revezando nos corpos gerentes do Belenenses! Ou seja, parece que uns vão emendando os erros dos outros… que afinal são os mesmos!
Mas analisemos, por alto, pois não somos gestores encartados, o que pode significar no actual estádio do futebol português, desinvestir no futebol, ou deixar de ter pretensões europeias?!
Questão complicada, melhor dito, bicuda, porque não me parece que tenhamos investido no futebol, pelo menos com resultados positivos, basta lembrar o calvário das últimas épocas, à beira da descida de divisão, e só não descendo por factores que nos ultrapassam, extra desportivos ou pela milagrosa ‘intervenção’ de terceiros! Por isso, a questão ainda se torna mais bicuda quando um candidato admite que o Belenenses não tem condições para lutar pela Europa, única fonte conhecida de receitas capazes de disfarçar a falência geral do futebol português!
Se calhar o que o candidato queria dizer, e o jornalista percebeu mal, é que o Belenenses precisa de fazer dieta numa série de áreas que cresceram com a passada grandeza do futebol e que hoje ainda se mantêm, como se o futebol azul continuasse a ser grande!
Talvez tenha sido isso o que o candidato quis dizer… E se assim foi, desejo-lhe felicidades nessa tarefa, que certamente provocará ‘muito choro e ranger de dentes’.
Saudações azuis.

quarta-feira, março 05, 2008

Uma decisão irresponsável

É o mínimo que se me oferece dizer sobre a infeliz e curiosa decisão da Comissão Disciplinar da Liga a propósito do ‘caso Meyong’!
Depois disto, e desde a primeira jornada deste campeonato, nenhum jogo ou resultado estão garantidos, o futebol em Portugal passou a ser um espectáculo em diferido, e os diversos intervenientes, desde os jogadores ao público, meros figurantes de um filme que não se sabe quando acaba! Usando menos palavras, diria que o futebol português não é credível. Com efeito, a mera possibilidade de se descobrir algum erro, doloso ou não, nos documentos oficiais que garantem a inscrição e o licenciamento de qualquer jogador, pode, pelos vistos, colocar tudo em causa, porque aqueles documentos afinal nada garantem! Descoberto o erro, seja por quem for, o clube onde o jogador actuou, passa a ser o único responsável pelas consequências do erro e perderá gentilmente na secretaria os pontos que ganhou no campo. Apenas haverá que indagar se houve dolo ou negligência por parte do dito clube para, neste último caso, lhe amenizar a pena!
Nestas condições, é preciso averiguar para que servem os documentos ‘necessários’ para a inscrição e licenciamento (são obviamente coisas diferentes) dos jogadores, para que servem os carimbos da Federação e da Liga, e se a importância cobrada por estas entidades tem o carácter de taxa, imposto ou gorjeta!
Já agora, para que servem a Federação e a Liga!
Saudações azuis.

terça-feira, março 04, 2008

Ainda a Mata Real

Falta menos de meia hora para a conferência de imprensa sobre o ‘caso Meyong’, ainda há tempo para completar a crónica da difícil vitória contra o Paços de Ferreira. Ontem, só vi os primeiros dez minutos, até ao golo do Paços, boa altura para ir trabalhar e esquecer a falta completamente escusada do Alvim, adivinhei o golo, aqueles livres com cruzamento a cair e atravessar a pequena área, são a grande arma das equipas pequenas, quando jogam nos seus quintais! A paralisia da defesa azul inquietou-me, o novel guarda-redes Júlio César também fica mal na fotografia! Enfim, foi já no fim do jogo que recebi, incrédulo, o telefonema salvífico – tínhamos ganho! Mas como?! Fui indagar, vi hoje o diferido, e concluí imediatamente que fiz bem em não ver aquela segunda parte. Já não tenho saúde para aquilo!
Eu sei que jogar na Mata Real é tremendo, e ganhar na Mata Real é um feito para qualquer equipa e não estou a brincar. Campo pequeno, com o público em cima a vociferar, a condicionar os fiscais de linha e o árbitro, ainda por cima contra as equipas sempre bem preparadas do José Mota! É de facto um osso duro de roer! Mas nós tínhamos feito o mais difícil, que era dar a volta ao resultado, portanto aquela segunda parte, pese a envolvente, e todos os antecedentes que me dispenso de mencionar, com franqueza, penso que não havia necessidade.
Do que aconteceu entretanto retenho as grandes dificuldades que sentimos para nos opormos às bolas bombeadas para as costas da nossa defesa, a incapacidade para gerarmos um contra ataque contra uma equipa que estava reduzida a dez jogadores, mas que não se notava! Na segunda parte, pode dizer-se, que o campo ficou amarelo! E podíamos ter regressado a casa sem os três pontos no bornal, o que seria verdadeiramente inadmissível.
Mas foquemos os aspectos positivos, as substituições, tardias diga-se, tiveram o condão de reequilibrar a equipa e conseguimos então criar algum perigo, podíamos inclusivamente ter matado o jogo, mas sofremos até ao fim, com o Paços a arriscar tudo na busca do empate, que a acontecer (face ao que aconteceu) não seria injusto.
Destaco o querer de todos, as importantes prestações de Roncatto e Amorim, de Silas, no primeiro tempo, e Zé Pedro, com intermitências. Na defesa, Alcântara, desta vez, acabou por ser o mais regular.
Mas foi uma vitória importantíssima!
Saudações azuis.

segunda-feira, março 03, 2008

Ganhámos!

O Belenenses deslocou-se esta noite a Paços de Ferreira batendo a equipa local por duas bolas a uma (1-2). Marcou primeiro o Paços, aos onze minutos da primeira parte, através de cabeceamento de William, na sequência de um livre. Igualou o Belenenses por Zé Pedro na conversão de um grande penalidade cometida sobre Roncatto. Deste lance resultou a expulsão de Rovérsio, ficando o Paços reduzido a dez unidades. Ainda na primeira parte, e já perto do intervalo o Belenenses deu a volta ao marcador por intermédio de Roncatto. No segundo tempo e apesar dos esforços do Paços de Ferreira para chegar ao empate, conseguimos segurar um precioso triunfo, que treinador e jogadores dedicaram a Cabral Ferreira.
Saudações azuis.

Por enquanto…

Por enquanto não vale a pena alongar-me em dissertações estéreis, temos a Liga que temos, temos a Federação das selecções que temos, que se eterniza, para gáudio das nossas inferioridades como país, e dos nossos governantes como propaganda, a responsabilidade é de todos nós, e enquanto não houver alguém do Belenenses que se declare abertamente contra este estado de sítio, enquanto não percebermos que não é fugindo dos problemas que eles se resolvem, enquanto tudo isto continuar, vamos ter que engolir em seco as decisões absurdas, e também irresponsáveis, dos chamados organismos ‘judiciais’ da Liga! Liga, de que somos parte! Vale a pena atentar na oportunidade da decisão?! Em vésperas de um jogo decisivo para o Paços de Ferreira! E agora, também para o Belenenses! Não, não vale, apenas se recomenda que façamos deste jogo um acto de revolta e grandeza, que cada jogador, em cada lance, se lembre que somos o Clube incómodo que alguns querem abater, e não é de agora, é desde a sua Fundação. E acreditem, sei do que estou a falar e sei, infelizmente, que nem todos os seus inimigos estão fora do Clube…
Voltando ao assunto que nos fez escrever estas linhas, avizinha-se mais uma batalha judicial em que temos sérias hipóteses de vencer, apesar do previsível recurso poder vir a ser julgado por quem é parte neste imbróglio!
Talvez que esta incompatibilidade nos venha a ser favorável!
Mas hoje só quero pensar numa vitória concludente sobre o Paços de Ferreira.
Saudações azuis.