sábado, janeiro 19, 2008

Uma nova era

Virar a página, reencontrar o seu destino, é o que todos os belenenses esperam, é o que todos queremos. Não se trata de enxovalhar ninguém, apenas e tão só encontrar uma direcção que promova a reconciliação entre os sócios e que coloque o Belenenses de uma vez por todas no lugar que lhe cabe e que já foi seu. Quaisquer outros objectivos ou desígnios estarão sempre condenados ao insucesso. Um clube que nasceu para ser grande não consegue fazer vida de pequeno, acaba por morrer. É isto que nos está a suceder. E reconheçamos, sem complexos, que quer esta direcção quer as anteriores há muito que perderam aquela ambição, e que nós, os próprios sócios, também a vamos perdendo lentamente. Há que sacudir o marasmo, mudar de paradigma, e para isso nada melhor do que recuarmos aos bons exemplos do passado, ao passado em que éramos grandes porque tínhamos uma mentalidade grande! Um exemplo: um Belenenses ‘à Belenenses’, não pode despedir um seu funcionário, em público, entregando-o como Poncio Pilatos ao ódio dos arruaceiros! Aliás, foi este acto, e não a mera ‘questão dos seis pontos’, que descredibilizou completamente esta direcção. Pois ainda que tivesse todas as razões para o despedir, não o poderia ter feito daquela maneira, nem naquelas condições de risco para a sua integridade física! E já nem comento os aspectos negativos, e irresponsáveis, que tal atitude pode acarretar para a nossa causa no que se refere à utilização do jogador Meyong! Espero, por fim, e para encerrar este triste capítulo da história do Clube, que os agressores não fiquem impunes.

Mas, como disse, viremos a página para que possamos encarar o presente com determinação e o futuro com confiança. E para cumprir este desiderato, nada melhor do que escrever umas linhas sobre o Meyong e o ‘caso Meyong’, duas coisas distintas, que a balbúrdia e a confusão entretanto geradas não permitiram ainda destrinçar.
Será tema de um próximo postal.
Saudações azuis.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Fora da Europa

Quando já estava convencido que tínhamos a pior direcção da Europa, quando muito, estávamos a lutar ombro a ombro para o segundo lugar, chega-me a infausta notícia que afinal vamos ficar fora dos lugares europeus! Já com o Gil Vicente foi o mesmo, tínhamos descido de divisão, a direcção tinha conseguido o ambicionado apuramento, mas veio de lá o Fiúza e mostrou a toda a gente que era ele que merecia o prémio, era ele o pior presidente da Europa. Com esta bronca do Meyong, estamos na mesma, o lugar era nosso, parecia garantido, mas não está. E não está porque enquanto esta Federação e esta Liga existirem é muito difícil batê-los em incompetência! Pode-se até dizer que os dois primeiros lugares da Champions estão entregues, Cabral Ferreira por muito que se esforce, não tem hipóteses. A não ser que continue a fazer asneiras, a demitir Janelas, quando devia estar sossegado, ou se insistir em trazer para a praça pública aquilo que devia ficar portas adentro.
Já se percebeu que esta época quem vai ficar em primeiro lugar, destacado, é o Madaíl e a sua incompetentíssima federação. Já se percebeu também que a liga do Hermínio vem logo a seguir. E já se percebeu que nem a liga nem a federação conseguem instaurar um processo disciplinar ao Belenenses… sem primeiro instaurarem um processo disciplinar a eles próprios!
Em resumo, fora da Europa, mas preparados para uma batalha judicial longa e de resultados imprevisíveis. Imprevisíveis, porque nesta embrulhada ninguém fica bem na fotografia. Nem a FIFA, que pariu a ‘norma casca de banana’.
Aguardemos por melhores dias.

terça-feira, janeiro 15, 2008

São quatro da tarde…

Tenho a espingarda apontada á cabeça da Direcção, um tiro basta para a derrubar, então porque hesito?!
São quatro da tarde e nada, ainda não tivemos a explicação devida pelo facto insólito de termos feito alinhar um jogador que segundo tudo indica não podia alinhar! E ao que parece, toda a gente sabia disso menos a nossa Direcção!
São quatro da tarde e há quem proponha uma Assembleia-geral extraordinária para destituir a Direcção. Não excluo essa hipótese, a mais lógica nas circunstâncias, mas ainda hesito.
Hesito porque a minha única preocupação neste momento é a equipa do Belenenses e a sua permanência na primeira divisão. Sacrifico tudo a esse objectivo. Sacrifico a minha íntima convicção de que esta Direcção não serve para o Belenenses. Como aliás sempre afirmei, alto e bom som, enquanto a maioria insistia no erro. Quando era eu que propunha a rotura com o passado recente, apostando na juventude belenense de Gouveia da Veiga, ou Gouveia Gomes, como queiram chamar-lhe. Mas não foi esse o entendimento dos sócios.
Sendo assim, que fazer?!
Em primeiro lugar a Direcção deve uma explicação cabal a todos os associados sobre o que de facto aconteceu. E na expectativa de que ao menos tenha havido boa-fé em todo este imbróglio, deveria o presidente da Direcção convocar oficiosamente os dois candidatos vencidos nas últimas eleições, para lhes dar conta do que tenciona fazer quanto à salvação da época desportiva. Lembremo-nos que estamos em meados de Janeiro e que temos cerca de quinze dias para reequilibrar e reforçar o plantel. Seria uma maneira de mobilizar todos os associados para a causa comum e ao mesmo tempo seria um sinal de unidade e força para os jogadores e respectiva equipa técnica.
Fora deste contexto deveriam averiguar-se profundamente as responsabilidades de terceiros em todo este caso. E terceiros são para já: o próprio jogador, o empresário, o clube espanhol, a federação espanhola, a federação portuguesa e a liga de clubes. Deveria também fazer-se uma exposição de tudo o que se passou aos organismos internacionais de futebol – UEFA e FIFA – pedindo uma clarificação deste incidente face aos objectivos propugnados pela norma que terá sido violada (aquilo a que se chama a ‘ratio legis’).
Naturalmente que nada disto diminui, em uma grama sequer, as responsabilidades internas de quem preside ao Belenenses.
Saudações azuis.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Faz mal à saúde

Sozinho na bancada deserta… a praguejar a ventos e marés, não me lembro de alguma vez ter saído ao intervalo, acabando por ver o ‘resto’ em casa! Aquilo faz mal à saúde, era inútil assistir (e reviver) mais um episódio de sofrimento, à espera de um desfecho milagroso que afinal aconteceu… por um acaso. E até começámos bem, a lição estava bem estudada no sentido de emperrar o sistema de jogo da Naval, que perdia a bola em zonas perigosas, face ao pressing que estendemos a todo o campo, e foi sem surpresa que aos onze minutos marcámos um golo numa recarga de Roncatto! Mas depois, quando se exigia que não recuássemos, nem nas linhas defensivas, nem nas nossas intenções atacantes, fizemos precisamente o contrário! Demos a iniciativa ao adversário e passámos para aquele estilo de jogo tão característico e apreciado pelos nossos jogadores – entre a expectativa e o contra-ataque!!!
A Naval não teve outro remédio senão tomar conta do meio campo e começar a disparar à entrada da nossa grande-àrea, praticamente sem oposição! De uma vez, a bola foi ao poste, ainda desviada por Costinha, outra vez foi ao lado, numa terceira vez Rolando ofereceu o corpo à bola para evitar o empate e finalmente, depois de mais um mau alívio da nossa defesa, China centra para a cabeça de Marcelinho que entre os centrais faz um bonito golo… estávamos em cima dos quarenta e cinco minutos! Foi então que me levantei e fui para casa.
Mas perguntam os meus caros leitores, e nós, o que fazíamos enquanto a Naval preparava o empate?!
Respondo: nas bolas divididas, eles ganhavam sempre ou então era falta contra nós; os nossos laterais, especialmente Amaral, tinham medo de fazer o chamado ‘um contra um’, e sem laterais expeditos e desempoeirados, este losango não existe. E assim, com a equipa recuada, o meio campo não tinha capacidade de sustentação de bola, que era invariavelmente perdida antes do terceiro passe! Soluções: lançar bolas por alto para o Weldon e Roncatto, que viviam emparedados entre os altíssimos centrais figueirenses! Outra pergunta: mas ainda assim, podíamos ter resolvido o desafio? Era difícil, porque os nossos pontas de lança quando acontecia ficarem de posse da bola, estavam muito desapoiados e, ou ensaiavam o remate como fez Roncatto, proporcionando uma excelente defesa a Fernando, ou então passavam a bola para um espaço lateral onde não havia ninguém. A equipa estava lá atrás, meio parada, meio na expectativa!
Já em casa, verifiquei que Meyong tinha entrado, que o inexistente Amaral tinha saído, que Alvim continuava muito preso de movimentos, que a Naval corria mais depressa do que nós. E provavelmente, obedecendo a instruções do banco, insistia em lançar bolas por alto para o centro da nossa defensiva, pois já tinha reparado que nos faltava altura naquela zona (precisávamos naquele momento de trincos a sério) e porque Ulisses também sabia da intranquilidade que se vive na baliza azul!
Mas veio o golo, caído do céu, só possível graças à frieza e eficácia de Meyong! Primeiro, e aproveitando uma má saída de Fernando, foi lesto a enviar a bola na direcção da baliza, obrigando um defesa figueirense a interceptar a bola com a mão, depois, apontando sem vacilar o penalty respectivo! Faltavam quinze minutos para acabar, quinze minutos de sofrimento contra uma equipa reduzida a dez jogadores!
Melhor do Belenenses: Roncatto.
Melhor em campo: João Ribeiro, da Naval
Resultado final: Belenenses 2 – Naval 1.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Comentário a quente

Enquanto o conselho de ministros se reune para analisar a crise na segunda circular, nós, os tristes de Belém, vamos ensaiando a valsa da decadência, incapazes de um gesto que se assemelhe à grandeza passada, vamos baixando a fasquia, estamos quase lá... ESTAMOS A SETE PONTOS DA LINHA DE ÁGUA!... e a única coisa que se ouve dizer é que vem aí o Meyong, o salvador de uma equipa sem alma, que como qualquer equipa pequena só joga bem contra os grandes! Mas não se esqueçam que quando o Meyong ganhou a ‘Bola de Prata’, o Belenenses ‘desceu’ de divisão! Na conferência de imprensa o treinador já não sabe o que há-de inventar para explicar a nossa incapacidade para fazer valer o factor casa. Ou será que já perdemos a força para transmitir aos que chegam, aos jogadores a quem confiamos a camisola azul com a Cruz de Cristo ao peito, que em casa mandamos nós, e que aquela camisola tem que ser respeitada e suada por quem a queira envergar! É a Direcção que tem que transmitir essa mística e quem não perceber isso tem que se ir embora. Este é um campeonato nivelado apenas porque os jogadores que nele participam têm, em termos individuais, valor semelhante. Portanto o que faz a diferença entre as equipas que ganham mais do que perdem, é a mística, palavra que significa em termos de suor e concentração aquele golpe de asa que faz essa diferença. Por essa razão, duas equipas irão descer, mas não por causa do plantel que possuem, mas sim por outros factores que têm a ver, sem dúvida com a competência da equipa técnica, mas também e fundamentalmente com o grau de exigência, com a ambição da sua massa associativa, normalmente corporizada nas respectivas direcções. Creio ter sido entendido.
Na próxima jornada recebemos a Naval e considero que será um jogo crucial para as nossas aspirações, não espero por desculpas, espero uma revolução.
Saudações azuis.
Resultado final: Belenenses 1 - Nacional 1.

domingo, janeiro 06, 2008

Futsal

Havia uma oportunidade para ganhar ao Benfica, portanto, tomei lugar no melhor cadeirão da sala… e aguardei. Este encontro era um teste para saber se temos ou não temos equipa para discutir o campeonato, e a primeira conclusão que retiro é positiva, porque se a equipa ainda precisa de ser reforçada para lá chegar, não tenho dúvidas quanto à capacidade da respectiva equipa técnica para o conseguir. Mais, aplaudo a determinação com que treinador e respectiva secção vêm denunciando a vergonhosa comunicação social que temos, que discrimina tudo o que não seja encarnado! Neste particular, vemos a SIC arvorada em sede do nacional-benfiquismo, ignorando completamente o interesse desportivo da prova, enquanto a FPF assobia para o lado! Enfim, é o país que somos, e por este andar, qualquer dia, deixamos mesmo de ser país.
Agora vamos ao jogo:
O Benfica entrou a marcar e isso foi fatal para as nossas aspirações. Somos uma equipa forte na defensiva, que recupera muitas bolas e que por isso gosta de jogar no contra-golpe. Vendo-se a perder, foi preciso arriscar outro tipo de jogo, e contra um adversário chamado Benfica as coisas complicam-se. Acresce que alguns jogadores sentiram o peso da responsabilidade, curiosamente, os mais cotados, acabando por não render o habitual. E veio o segundo golo do Benfica, precedido de falta grosseira de um tal ‘Ricardinho’, ídolo do terceiro anel, a quem pelos vistos tudo é permitido! Este golo, e a forma como foi obtido, não ajudaram a equipa a serenar, e o Benfica aproveitava a situação para controlar as operações não nos dando hipóteses de criarmos jogadas de perigo iminente. Mas o futsal é uma espécie de ‘hóquei de pé’, onde pode sempre surgir um lance inesperado… e um golo. Foi o que aconteceu, Marcelinho reduziu para 2-1 e a esperança renasceu. Mas a defensiva, que é o nosso ponto forte, nunca se encontrou verdadeiramente, e assim, em dois rápidos contra-ataques, o Benfica chegou ao 4-1. Ilusões desfeitas, o jogo adormeceu, o adversário descansou na diferença confortável, enquanto o nosso treinador, sempre atento, fez entrar Drula, fez avançar o guarda-redes, e o jogo animou. Veio então um brinde da defesa encarnada, bem aproveitado por Drula, e de rajada, um grande golo de Jardel! … O impossível empate afinal ainda era possível… não fora mais uma desatenção defensiva, desta vez numa bola parada, com o irritante Ricardinho a fazer o 5-3. Os segundos escoavam-se mas houve tempo para um suspense final – reduzimos para 5-4 já no último minuto do jogo! Era tarde…
Resultado Final: Benfica 5 – Belenenses 4.
Perder com o Benfica é sempre mau, mas continuamos à frente do campeonato.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Homero Serpa

Com o ano a terminar expirava também um destacado Belenense e por ser este um espaço integralmente azul, cumpre-me dar testemunho sobre a sua memória, na perspectiva de quem não o conheceu de perto mas que acompanhou de longe a sua relação com o Clube de Futebol “Os Belenenses”.
Não irei além de Abril de 1974, marco de desavença entre belenenses e de inexorável declínio para o clube… até hoje. Quero antes recordar o tempo em que estávamos unidos, sem politiquices portas adentro, no tempo em que admirei Homero Serpa por aquele gesto decidido de pegar na equipa que se afundava, e conseguir mantê-la na primeira divisão! Era um mero jornalista, director ou seccionista, mas não teve dúvidas, avançou para salvar o Clube do seu coração! Lembro-me que Meirim tinha colocado as expectativas no céu, o Belenenses apresentou-se nas primeiras jornadas como candidato ao título e na deslocação a Portimão o ambiente foi indescritível!... O público acorreu em massa para ver a Cruz de Cristo no topo do campeonato, mas o projecto assentava numa grande ilusão, a de que era possível, através da acção psicológica, transformar jogadores medianos em grandes jogadores. Estávamos na época de 1970/71, Meirim foi afastado e com a equipa em risco, Homero Serpa saltou para o banco, e revelou-se um treinador de sucesso!
Conceituado jornalista, escrevia bem, às vezes num estilo rebuscado, que se foi tornando cada vez mais hermético à medida que as palavras mais simples já não conseguiam esconder a desilusão pelos caminhos que o futebol, e o desporto em geral, percorriam. À medida do declínio do Belenenses! Mas quando, por momentos, se libertava dessa condição, os seus textos adquiriam outra beleza e tinham o condão de nos comover.
Que a sua alma descanse em paz.
À família enlutada apresentamos os nossos sentidos pêsames.