sexta-feira, agosto 17, 2007

A minha selecção – O segundo anel

“Jesus tem convite”
“O treinador do Belenenses Jorge Jesus foi convidado pelo presidente da SAD, Cabral ferreira, a prolongar pelo menos por um ano o contrato que o liga ao clube até ao final da época. A resposta ainda não surgiu, uma vez que o técnico pediu algum tempo para pensar, mas os dirigentes do Restelo estão optimistas…”
Fonte: Jornal “Record” de 17/08/07.

Comentário: Jorge Jesus parece talhado para o Belenenses e essa empatia é mais importante que muitos atributos que se queiram contabilizar. Jesus vive o futebol com paixão, gosta de semear para colher, e embora seja um treinador com grande leitura de jogo, é um corredor de fundo, não se satisfaz com intervenções cirúrgicas na busca do êxito imediato. Por outro lado, a frontalidade e uma auto estima acima da média, são qualidades pouco apreciadas nos chamados clubes onde existe muita gente a mandar, e onde a pressão de ganhar a qualquer preço é enorme. Não é esse felizmente o caso do Belenenses. Por fim e baseando-me nas declarações que diversas vezes tem proferido penso que Jorge Jesus gostaria de ficar ligado a um projecto de futuro e com futuro. Se é assim, aí está o casamento perfeito.

“Paulo Duarte deixa críticas à televisão”
“Senti-me português de segunda. Fui enxovalhado. Como unionista, estou orgulhoso pelos meus jogadores. Mas como patriota senti-me desiludido. A União de Leiria não representa nada para Portugal. Andam a dar torneios e jogos amigáveis que não contam para nada e nós, que estamos numa competição europeia, não merecemos atenção…”!
Fonte: Jornal “Record” de 17/08/07

Comentário: Sem comentários.

“Apito Encarnado”
Fonte:
www.sendspace.com/file/tmrb2o

Comentário: Li o dossier e comentarei em próximo postal.

Saudações azuis.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Import/Export

Hoje tenho três ideias na cabeça, o que é um número muito razoável nos tempos que correm! A primeira tem a ver com a Academia do Restelo e com a espantosa valorização que ali se produz! Com efeito, seja a partir da prata da casa, seja através de rastreio no mercado sul-americano, começam a aparecer no Belenenses jovens jogadores a quem são ministrados ensinamentos, uma espécie de cursos intensivos, e que ao fim de pouco tempo passam a ser cobiçados por outros emblemas! A alma desta academia é Jorge Jesus mas o mérito alarga-se à direcção do futebol bem como a tudo o que sustenta a prospecção em curso!
A segunda ideia diz respeito à capacidade de negociação que a Direcção tem revelado face aos imensos obstáculos e artifícios que hoje em dia transformam a gestão dos activos (digo, jogadores) de um clube de futebol numa tarefa complicadíssima.
Por isso, a concretização dos negócios Nivaldo e Dady, especialmente deste último, foi uma excelente notícia para todos os belenenses!
A terceira ideia reflecte o clima mercantilista em que se está a transformar o futebol, associado a duas outras realidades que nos dizem respeito e que não podemos ignorar: a facilidade com que tudo se vende e a disponibilidade para vender tudo ao primeiro impulso, tudo aquilo que custou a construir ou que resultou de um anterior negócio bem conseguido, mas que não é vulgar repetir-se, veja-se a dificuldade em substituir Nivaldo, essa disponibilidade, penso eu, é perigosa, porque é sinal da profunda crise em que estamos mergulhados, crise espiritual e de valores mais consistentes que o dinheiro, e que antecipa sempre a outra, a mais visível e que todos os dias sentimos na carteira. Ainda compramos barato nalguns mercados como o sul-americano porque aí a crise é maior e de certa maneira ilude a nossa, mas a facilidade com que um clube como o Osasuna, de Pamplona, ou o Atalanta, de Bérgamo, e mesmo o Everton, de Liverpool, concorrem com êxito por jogadores vinculados aos melhores clubes nacionais, espelha bem a decadência (há quem lhe chame divergência) em que vivemos. “Vão-se os anéis ficam os dedos”, dirão alguns antes da falência definitiva. Eu prefiro recordar outra frase, julgo que de Henry Ford, que traduz o caminho inverso, ou seja, aponta para o crescimento e desenvolvimento – “Não vendo, compro”.
Saudações azuis.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Abertura

É só para aves migratórias, mas o jejum é tanto que hoje disparo a tudo o que mexe, rolas, pardais, aves de capoeira, cucos, com pena, sem pena nenhuma. Sem me esquecer também das aves de rapina, espécie muito protegida entre nós!
Ora vejamos, se bem me lembro, tinha eu aventado a hipótese de que tínhamos o apito entornado a partir do momento em que todas as baterias apontavam a norte esquecendo lamentavelmente que as melhores perdizes se caçam a sul, e que a capital sempre foi o local de nidificação de muitos passarões! Também apontei em devido tempo o erro fatal cometido pela procuradoria, e pela procuradora adjunta, ao utilizar como elemento de prova um livro e uma personagem de romance barato.
Por isso, quem aqui vos escreve, verificou sem espanto que existe um novo dossier secreto para consulta dos interessados. Nele se conta que o “marido de Morgado trabalhava para Filipe Vieira” e mais à frente informa que “ Luís Filipe Vieira é acusado de pagar elevadas quantias a várias pessoas – entre as quais, Carolina Salgado, Fernando Seara e a Saldanha Sanches, marido da procuradora Maria José Morgado. Em 26 páginas com o timbre aparentemente original da Directoria Nacional da Polícia Judiciária, os autores do dossier dizem ser elementos da PJ, que não querem por agora identificar-se, para não colocarem as carreiras em risco. Afirmam ter como provas imagens, sons e documentos. Entre as várias acusações, dizem que Luís Filipe Vieira, ainda como presidente do Alverca, pagou a Fernando Seara cerca de 100 mil contos para que o clube satélite do Benfica ficasse na 1ª divisão, numa jogada que prejudicou o Gil Vicente…”! As revelações prosseguem envolvendo os nomes de Maria José Morgado, Saldanha Sanches, Carolina Salgado, Leonor Pinhão, etc.
Afinal também existe um apito encarnado e andava tudo a apitar para o lado, e se formos justos, também haverá por certo um apito verde, porque como tenho inúmeras vezes denunciado a verdadeira e única suspeição está há muito definida, tem mais de meio século, “em Portugal ganham sempre os mesmos” e como isso não se verifica em parte nenhuma do mundo, é por aí que a procuradoria e a procuradora têm que começar a investigação. Não adianta investigar um e deixar os outros dois de fora.
Depois, e com método, hão-de verificar que o poder político está comprometido com a popularidade e com a propaganda gerada pelo futebol o que obsta a que possa fiscalizar o autêntico biombo em que se transformou a chamada indústria da bola, para onde têm convergido ultimamente homens de negócios, construtores civis, advogados, magistrados, e tantos outros arrivistas, que já estou como o poeta – “são tantos que não podem ser tantos”!
Como se vê matéria para investigação não falta.

Fonte: Jornal “24 horas” de 15/08/07.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Apresentações…

E golos para todos os gostos, mas lá está, eu prefiro os do Fernando! Por isso é preferível que o rapaz jogue em posição mais frontal à baliza, não o atirem para a extrema que ele não é extremo, o que ele tem é um remate forte e sem balanço. Bela apresentação da equipa, com muitas soluções, e das novas aquisições adivinha-se a titularidade de Gavilan e Mendonça! Quanto ao João Paulo Oliveira, tudo é possível. Rafael Bastos revelou as qualidades promissoras que já lhe havíamos assinalado: não tem tipo de jogador brasileiro, é mais geniquento, muito determinado a arrancar para a baliza, rematador, gosta de fazer o último passe, embora ás vezes não acerte, é uma promessa para seguir atentamente. Hugo Leal foi subindo de rendimento. Mano é cada vez mais uma certeza. Devic também se impôs aos avançados contrários. Mas todos brilharam, merecendo especial saliência uma das grandes armas de Jesus – a excelente preparação física que ministra aos jogadores! Já foi assim o ano passado. Lembrar-me de equipas que em épocas anteriores se arrastavam em campo… não tem nada a ver, é o dia da noite.
Bonita apresentação também por parte de Marco Aurélio, um jogador sério que sempre honrou o Clube! Bem mereceu os aplausos da noite.
Voltando à festa, eu bem sei que a equipa árabe não era grande opositora, mas existem pormenores que são independentes do adversário, como por exemplo – a já referida preparação física, o entrosamento, a disciplina de jogo, a concentração, e o respeito que todos os jogadores manifestam em relação ao treinador, o que é sinal, não de medo, mas de confiança nos seus ensinamentos. Já todos perceberam que podem valorizar-se, e nós, simples associados, também já percebemos que temos a funcionar, ali no Restelo, uma verdadeira academia, escola que se alarga aos jogadores adultos, que chegam por tuta-e-meia e passado pouco tempo são jogadores valiosos! O que desejamos é que esta academia do Restelo se conserve por muitos e bons anos! Claro que há sempre quem seja pobre e mal agradecido ou então quem esteja a ser vítima dos cucos, aves que gostam de aproveitar o esforço dos outros para conseguirem os seus objectivos.
Aguardemos pelo desenrolar de mais uma telenovela, na certeza de que os interesses dos clubes têm que ser defendidos, porque sem clubes não há futebol…nem sindicatos dos futebolistas, nem empresários de futebol, nem outros espécimes que vivem á volta do futebol mas que só contribuem para a sua extinção.
Saudações azuis.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Impressões de Verão

Vi o jogo com o Atalanta, já não via jogar o Belenenses desde o Pragal, onde defrontámos o Estoril, e as apreciações que fiz na altura a propósito das novas aquisições, estão escritas, não as posso alterar. Mas parece que acertei, são muitos anos a correr atrás da bola!
Vejamos então: Na primeira meia hora não tínhamos guarda-redes na baliza, por isso, analisar a actuação da defesa, nomeadamente dos centrais, torna-se tarefa complicada, sabendo que a insegurança se transmite a todo o bloco defensivo. O guarda-redes é o primeiro e o último baluarte numa equipa de futebol, e quando não transmite confiança, está tudo estragado. Mesmo assim, com a prestimosa colaboração do Gavilan, que ía acorrendo aqui e ali, as coisas lá se foram aguentando. Falando de Gavilan, para confirmar que se trata de um verdadeiro reforço como já tinha vaticinado. Está mais ligeiro, mais solto, boa leitura de jogo, e muito importante, quando recebe a bola já sabe que destino lhe vai dar! Chama-se a isto, sentido de passe, e não é para todos. Aproveito esta deixa para falar de Cândido Costa, que também está mais solto e tem feito alguns progressos na arte de dar sequência ao jogo! Para continuar assim, sem inventar.
Bem, ainda estou na primeira parte e aquele meio campo, de facto, continua a falhar muitos passes! Não pode ser. Rafael Bastos está incluído, mas tem mais atenuantes que Silas e José Pedro. Até porque marcou um golo pleno de oportunidade e fez, na segunda parte, a assistência para o golo de Roncatto.
Mas de quem eu gostei mais durante os primeiros quarenta e cinco minutos foi do João Paulo Oliveira! Tem estilo de ponta de lança, faz umas infantilidades, a corrigir, mas é jogador. Com treino e trabalho pode surpreender.
Na segunda parte com a entrada de Amorim para o meio campo e Roncatto para segundo ponta de lança, o futebol azul tomou conta do jogo, mesmo antes do Atalanta ficar reduzido a dez unidades por expulsão de um dos seus defesas. Roncatto deu nas vistas, marcou um bonito golo e lesionou-se a seguir. Está menos individualista e assim terá de continuar se quiser ultrapassar uma barreira que o tem impedido de expressar, no colectivo, toda gama dos vastos recursos que possui.
Mendonça entrou bem e será por certo uma das apostas mais fortes de Jesus para criar perigo, especialmente pelos flancos. Fernando esteve intermitente, mal a auxiliar a defesa, por isso Alvim viu-se muitas vezes em desvantagem numérica. Eu, do meu sofá, puxava o Fernando para o centro do terreno. Esta época tem que ser a sua época. Termino com o nosso Mano, belíssimo jogador, não é para emprestar, é para jogar, de preferência, solto, vagabundo. E façam-lhe um contrato de futuro.
Saudações azuis.

Post-Scriptum: Deixo para melhor oportunidade uma apreciação quer a Devic quer a Weverson. Munoz actuou pouco tempo.

terça-feira, agosto 07, 2007

Também eu…

É uma das polémicas do defeso, tem a ver com a carga fiscal portuguesa, mais propriamente com o IRS, versa sobre a competitividade do futebol português face a outros futebóis, nomeadamente quando nos comparamos com ‘nuestros hermanos’, que ganham mais do que nós e pagam menos imposto sobre o rendimento. Na perspectiva da indústria do futebol, isto significa que o mesmo ordenado bruto corresponde a vencimentos líquidos muito diferentes, beneficiando claramente os jogadores que actuam em Espanha. É verdade, terminou em Portugal o período de transição, em que apenas parte do vencimento auferido pelo futebolista estava sujeito a imposto. Neste momento já não é assim, o que quer dizer que em termos fiscais os futebolistas estão equiparados a todos os outros portugueses. E não podia ser de outra maneira, pese o argumento que reclama tratar-se de uma profissão de desgaste rápido a merecer um tratamento diferenciado por parte do Fisco. Mas não é por aqui que podemos avançar, numa altura em que se pedem sacrifícios a todos, com o país endividado, com a classe média a afundar-se e sem terra à vista! A questão prende-se uma vez mais com a política, com uma carga fiscal insuportável, que atinge níveis que dificultam, quando não impedem, o próprio desenvolvimento. Não é um problema dos clubes portugueses nem dos futebolistas a actuar em Portugal, é um problema nacional. De que serviria aligeirar o IRS aos futebolistas, só para que três ou quatro clubes em Portugal continuassem a alardear uma competitividade externa que não existe para o resto da comunidade! De que serviria, por exemplo, conseguirmos concorrer com o Recreativo de Huelva na disputa de um jogador, se não conseguimos concorrer, nem de perto nem de longe, com o salário mínimo espanhol! E ficamos ainda mais cientes da nossa realidade quando olhamos para a tabela de preços do 'Tereza Herrera', torneio a disputar por estes dias na Corunha e em que participa o Belenenses: - os preços mais baixos rondam os cinquenta euros, mais de cem euros para ver dois jogos de futebol na Galiza!
Na nossa terra já nos custa dar 20 euros para ver futebol!...
Nós, portugueses, é que não somos competitivos.
Saudações azuis.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Ecletismo de fachada

Há quem diga que é psicose, mania da perseguição, inveja, mau perder, talvez tenham razão, mas não consigo evitar, é mais forte do que eu! Em minha defesa argumento com a coerência dos princípios que venho proclamando, seja qual for o clube que insista em tal prática. Sugeri, em escritos anteriores, que deveria ser o Governo a impedir que os clubes de futebol profissional utilizem atletas de outras modalidades em termos que apenas visam auferir tempo de antena extra, com os correspondentes ganhos publicitários. Quando não são os próprios subsídios públicos que estão em causa, a coberto da formação e fomento de determinada modalidade com expressão olímpica!
Reajo assim à notícia entusiástica de que Telma Monteiro, judoca de reconhecidos méritos, assinou ontem contrato com o Benfica! Benfica que até ontem não tinha secção de Judo; Telma Monteiro que até ontem pertencia a outro clube, que lhe deu formação e a lançou na modalidade; clube que entretanto, na lógica da globalização, foi incorporado no Benfica sob a forma de aluguer até 2010 com a aparente finalidade de explorar a participação de Telma Monteiro nos jogos olímpicos de 2008! Ora bem, eu acredito que a legalidade esteja a ser cumprida, calculo que estão todos satisfeitíssimos, desde a Telma, ao clube do Feijó, desde a federação de judo, ao comité olímpico português, acredito até que haja quem acredite que tudo isto é inovador, e bom para o país. Em termos financeiros não tenho dúvidas que é bom para o Benfica e para os outros grandes clubes do futebol português, dado que todos eles têm enveredado por este caminho.
Mas esta prática não é comum na europa a que fazemos questão de pertencer, não é comum nos países desportivamente mais desenvolvidos, aqueles que ganham as medalhas, nesses países vigora com sucesso o clube/modalidade, e é nesses países que vivem e treinam os atletas de alta competição portugueses que assinaram contratos com os grandes clubes do futebol português!
Daí o meu espanto perante a persistência neste ecletismo de fachada, ao sabor dos apetites e dos dissabores do futebol profissional, o que deixa no ar uma imagem de negócio de ocasião verdadeiramente preocupante. Por fim, o alheamento e a permissividade governamentais dão a ideia da redescoberta de uma velha fórmula de propaganda política que já julgávamos ultrapassada, mas que pelos vistos não está, e que passa pela utilização e manipulação da actividade desportiva!
Saudações azuis.