segunda-feira, junho 18, 2007

Transparência

E exigência deve ser o nosso lema a partir de agora, e para isso exigimos transparência na gestão do clube, para dentro e para fora, para dentro, não escondendo dos sócios e simpatizantes a realidade em que vivemos, não escamoteando responsabilidades pelo não pagamento, por exemplo, e durante uma série de anos, de contribuições e impostos que já sabíamos que nos seriam exigidos mais tarde ou mais cedo. Para fora, no sentido de fazermos valer os nossos direitos, na mesma medida que Benfica e Sporting, que tudo obtêm da Câmara Municipal de Lisboa sempre que precisam, e com a rapidez de um fósforo, enquanto que nós, belenenses, nos resignamos a um estatuto inferior!
A Câmara de Lisboa vai a votos não existe portanto melhor oportunidade para exigir um tratamento equitativo de acordo com a nossa grandeza, pois somos um clube de Lisboa que, ao contrário de outros, continua a investir tudo em Lisboa, temos por isso direito a todas as facilidades e apoios. Assim, onde pára o nosso projecto imobiliário? Porquê tantas dificuldades e delongas nos licenciamentos? É ou não do interesse da Câmara que o Estádio do Restelo seja um ex-libris da cidade?
Claro que estas perguntas exigem da nossa parte outro dinamismo, outra capacidade de intervenção, muito mais acutilante face aos organismos públicos, semi-públicos ou autárquicos, que só têm razão de existir quando cumprem a sua função primordial de apoio à sociedade civil, onde neste caso entra o Belenenses.
Mas estas perguntas apelam sobretudo para uma maior exigência interna, para uma gestão racional e criativa dos meios que temos à nossa disposição, temos que fazer opções de fundo, apostar no futebol e nas vitórias, única linguagem que é perceptível no mundo de hoje. Não vale a pena insistirmos nas derrotas, seja em que modalidade for.
O período eleitoral já terminou e não me esqueço das palavras avisadas de Gouveia da Veiga sobre as dificuldades que se avizinhavam, mas o tempo é de unidade e apoio a esta Direcção, porque isso tem de significar apoio ao Belenenses. Mas para que isso seja verdade torna-se indispensável que a mesma Direcção corresponda dando claros sinais de transparência e exigência.
Em concreto, viabilizaremos na próxima Assembleia-geral as necessárias garantias que possibilitem o pagamento faseado da dívida e continuaremos a pugnar para que a Câmara de Lisboa tome como suas as dores do seu ilustre munícipe – Clube de Futebol “Os Belenenses”.
Saudações azuis.

sexta-feira, junho 15, 2007

Um livro, um filme...

Sou belenense, vou escrever um livro, talvez faça um filme. Nas primeiras imagens vê-se o Tejo, seguido de um grande plano das Salésias, estamos em meados do século passado, os protagonistas do lance capital já morreram, mas a câmara mostra o guarda-redes do Sporting a safar a bola de dentro da baliza, quase um metro, o árbitro não viu, os foguetes recolhem a penates, coração ao alto, havemos de ganhar para a próxima. A esperança prossegue no Restelo e na memória fica um lance que envolveu o próprio Cristo-Rei! Matateu marca um canto do lado poente, junto ao rio, a bola desafia as leis da física, abraça o Redentor e ainda assim vai anichar-se na baliza do Benfica. Costa Pereira, keeper encarnado, fica confuso, o árbitro resolve anular o golo!
O filme avança no tempo e chega ao intervalo com a mesma história – Benfica e Sporting dominam amplamente o futebol português, o Porto continua cercado, resignado a comer tripas, o regime delicia-se em Lisboa e explora em seu benefício a hegemonia do casalinho verde e encarnado. As anedotas do Calabote correm o país, era no tempo em que os jogos só acabavam quando Benfica e Sporting estavam a ganhar! Quando algum belenense protestava, era de imediato silenciado com a insinuação de que tinhamos um presidente da República que nos ajudava a não ganhar campeonatos! Tinha lógica.
Na segunda parte o filme muda completamente, começam por se ver muitas bandeiras encarnadas cheias de foices e martelos, o país aparece dividido pelo paralelo de Rio Maior, a algazarra leva os clubes do sul à falência ou atirados para divisões secundárias, enquanto o dinheiro foge para o norte. Nesta altura emerge um personagem que com determinação e astúcia reconstitui a partir do Porto um esquema idêntico ao que tinha assegurado a anterior hegemonia de Benfica e Sporting. E fá-lo com pleno êxito!
Mas as cenas repetem-se, os antigos patrões não se conformam e conspiram, os espoliados de sempre, gente miúda com tendência para migalhas, apoia, já tem saudades do casalinho, os jornais afectos não desarmam, Lisboa volta a ganhar importância política face ao país, prepara-se o golpe.
A oportunidade surge envolta num romance tórrido entre o homem do norte e uma jovem de alterne, cena fadista, de faca e alguidar, a rapariga que antes deitava fogo pelo dragão, transforma-se num ícone do terceiro anel, denuncia e entrega o amante desesperado! Nesta altura os espectadores do sul comovem-se até às lágrimas, e esperam pelo milagre. Ele acontece, a grande muralha da China abre-se para deixar passar a justiceira do povo!!!
Os próximos capítulos entram pelo nosso quotidiano, o homem do norte é ameaçado com o degredo, o casalinho rejubila e espreita a oportunidade para restaurar o seu domínio benfazejo. Lisboa precisa, o país merece, o mundo agradece.
O filme acaba na praia do Restelo com um velho belenense a vociferar que já viu este filme do vira o disco e toca o mesmo.
Mas ninguém quer acreditar.
The end.

segunda-feira, junho 11, 2007

All Stars

Confesso que não gosto dos jogos a feijões, nem gosto de me extasiar com as jogadas de sonho que por lá se praticam. Não critico quem aprecia mas penso que o futebol é competição, competição colectiva entre equipas de clubes e nessa rivalidade primária me embalo. Por esse motivo gostava de ver jogos do campeonato de reservas como continuo a torcer para que os nossos juniores vençam os seus adversários.
Mas estes jogos de exibição, que metem escritores, políticos, corredores de automóveis, não me convencem, a não ser que me convidem para jogar também!
Claro que respeito a iniciativa, assim como as boas causas que os motivam, mas fica-me a sensação que existe ali uma selectividade exagerada, que mais não é que a propaganda da ‘malta’ do costume!
Pergunto, convidaram alguma glória do Belenenses para dar uns toques com o Chico Buarque?! Ou reduziram mais uma vez o futebol português ao Benfica, Sporting e Porto?!
Pronto, mudemos de assunto, e não querem lá ver que vamos dar ao mesmo assunto! Porque é que o Rolando e o Ruben Amorim não jogaram de início na nossa selecção, para dar lugar a uma selecção de craques que afinal foi vulgarizada pela equipa da Bélgica!
Será que existem interesses ocultos na valorização de alguns jogadores em prejuízo de outros!
Será que os organismos federativos pensam que somos ‘All Estúpidos’!
Saudações azuis.

quinta-feira, junho 07, 2007

Quando se falará verdade em Portugal?

Tencionava abordar o tema por minha conta e risco, mas Jorge Olímpio Bento antecipou-se no jornal “A Bola” de hoje, por isso, com a devida vénia, resta-me transcrever um excerto do elucidativo texto!
No final acrescentarei então um comentário da minha lavra, para suprir a lacuna habitual – os interesses dos outros clubes, daqueles que nunca contam.

“Entre nós só o discurso económico é que conta. É o único e é imposto por todos os meios e em todos os quadrantes, como inevitável, logo, sem alternativa. Só é bom aquilo que satisfaz a economia; só isso é que serve o interesse nacional. Sendo que economia não se referencia mais às pessoas, mas apenas ao mercado; e ‘nacional’ não quer dizer o todo, nem sequer a maioria, mas uma minoria cada vez mais favorecida e apartada do resto.
O discurso revela, sem sofismas, quem é quem, de que lado está, os ideais que perfilha e os fins que persegue. Por maiores que sejam o engenho e arte dos enganadores.
Enfim, o conceito de economia hoje vigente é uma falsificação.
Também é assim no futebol.
A venda de jogadores para clubes estrangeiros é saudada como sucesso estrondoso. E é certamente para alguém, mas não para os nossos clubes. Estes têm estádios e despesas enormes mas ficam sem meios para singrar nas provas europeias, para praticar um futebol que entusiasme os adeptos e que possa gerar as tão necessárias receitas.
Ficam mais longe dos concorrentes internacionais e o dinheiro entrado em nada diminui o défice que se vai acumulando; as folhas de ordenado das SAD aumentam e a gestão ruinosa não é contida. Os números não enganam.
Quem ganha então com isso? Toda a gente sabe, mas não quer responder, prefere viver no engano ledo e quedo.
Quando se falará verdade em Portugal?”

O comentário é o mesmo de sempre: a questão levantada pelo autor tem toda a pertinência e denuncia o logro em que vivemos, mas ainda assim desconfio que só estava a pensar nos três clubes do estado. E os outros? Que nem sequer conseguem vender jogadores?
Saudações belenenses.

quarta-feira, junho 06, 2007

O nosso treinador

Chegou agora o tempo para fazer o ponto de situação de uma época a todos os títulos brilhante, e na melhor altura, no dia em que Jorge Jesus dá uma grande entrevista ao jornal “A Bola”.
E não há melhor começo do que Jesus para começar:
Temos um grande treinador, desassombrado e sem medo das palavras, que às vezes soam a vaidade, mas que significam apenas um grito de afirmação de quem subiu a pulso na carreira, sem ajudas, mas pelos seus méritos. Mas Jorge Jesus tem mais mérito porque é difícil treinar o Belenenses, um clube onde poucos conseguem ter êxito, porque já foi grande e já não é, porque ainda tem na memória as conquistas do passado, mas que ao mesmo tempo parece incapaz de recuperar o terreno perdido. E que ainda assim não consegue atirar a toalha ao chão, num gesto de rendição, porque sente uma estranha obrigação de corresponder, de tentar reconquistar um lugar entre os grandes do nosso futebol. Este estado de espírito não ajuda os treinadores que chegam ao Restelo e se propõem, realisticamente, realizar um trabalho de acordo com as condições que o clube actualmente oferece, mas que acabam quase sempre confrontados com uma ambição maior que a realidade! Mas foi precisamente neste ponto decisivo que Jorge Jesus soube dar a volta ao texto, às vezes com sorte, é certo, mas principalmente com sabedoria, com o tal ‘saber de experiências feito’, de que falava o poeta!
Reconstruiu uma equipa com os jogadores que tinham descido de divisão, foi buscar dois ou três elementos essenciais, escolhidos a dedo, Nivaldo e Alvim, pôs o Belenenses a jogar à bola, inventou um ponta de lança de sucesso, deu forma a uma série de jogadores que passavam despercebidos, Marco Gonçalves, por exemplo, valorizou alguns dos jovens provenientes da ‘cantera’, em suma, fez aquilo que só os grandes treinadores conseguem fazer – transformar o que parecia não ter valor em activos cobiçados por clubes de nomeada. A chamada às selecções de uma série de jogadores lançados por Jorge Jesus é o seu melhor cartão de visita!
Na próxima época Jesus já sabe que será avaliado por outra bitola, mais exigente, e por isso mesmo prepara o discurso, com a matreirice de quem também sabe que o futebol não é uma ciência exacta. Diz ele que será difícil repetir uma época tão positiva, e ao mesmo tempo…prepara o milagre!
Termino com um desejo que é subscrito por todos os belenenses: que Jorge Jesus tenha a sorte que merece…e que o Belenenses seja campeão.

segunda-feira, junho 04, 2007

RTP África

Sábado à tarde resolvi sintonizar a RTP-África para assistir ao jogo entre as selecções de Cabo Verde e da Argélia, jogo incluído no grupo de apuramento para o CAN/ 2008.
O desafio realizou-se na cidade da Praia, em relvado sintético, e apesar do favoritismo da Argélia, que ocupa o primeiro lugar do grupo, a selecção de Cabo Verde deu sempre luta e nunca perdeu a iniciativa! Mas este jogo tinha outros motivos de interesse já que era uma oportunidade para ver em acção algumas caras bem conhecidas. Desde logo o nosso Dady, muito vigiado pelos centrais argelinos, conseguindo ainda assim alguns lances perigosos; também lá estava o Pelé que vendemos para Inglaterra, continua possante e dominador no jogo aéreo, mas com poucos rins perante adversários mexidos e tecnicistas como eram os avançados argelinos.
Aliás, a extrema defesa cabo-verdiana não me convenceu, sofrendo dois golos de bola parada perfeitamente evitáveis. Rodolfo Lima, outro ex-belenense que também entrou, esteve voluntarioso, mas quem se destacou verdadeiramente foram o eterno Lito e o desconhecido Vargas! O jogador da Naval foi incansável a conduzir a bola e a criar perigo na área adversária; é dele o centro que permite o empate à selecção de Cabo Verde, já para lá dos noventa minutos de jogo, assim como foram dele os melhores apontamentos técnicos e tácticos!
Vargas, que não conhecia, é jogador do Olhanense, esquerdino, ligeiro, muito tecnicista, fez o lugar de falso defesa esquerdo, incorporando-se com facilidade no ataque, deixou-me óptima impressão!
Quanto ao jogo em si, a Argélia, que viu o seu guarda-redes ser expulso a meio da primeira parte, por cortar com as mãos, fora da área, um perigoso remate de Dady, ainda assim manteve em respeito a selecção cabo-verdiana, graças a uma maior maturidade e classe de alguns dos seus jogadores. Foi portanto sem surpresa que conseguiu controlar o jogo e o marcador. Cabo-Verde por seu turno nunca desistiu, lutou bastante, e pode dizer-se que só por isso mereceu bem o empate.
Resultado final: Cabo Verde 2 – Argélia 2.

sexta-feira, junho 01, 2007

A síndroma de Alvalade

Nos anos cinquenta, quando passámos dos campos para os estádios, e enquanto estes se construíam, os clubes de Lisboa realizaram alguns dos seus jogos no Estádio Nacional. Foi aí, que ainda criança, me lembro do equipamento amarelo do Sério, guarda-redes do Belenenses, como também me lembro do Travassos e dos seus violinos a apoquentar a defesa azul.
O Estádio Nacional era novo, estava à altura dos melhores que existiam por esse mundo fora, e não se sabe bem porquê, por alturas do Euro, em que (quase) toda a minha gente aproveitou para usar e abusar do dinheiro do Orçamento de Estado para reedificar estádios modernos, o estádio nacional ficou para trás, transformado em museu!
Responsáveis?! Não há.
Eu sei que neste país cada vez mais ínfimo, o que verdadeiramente interessa são o bem-estar e os bons negócios dos três clubes do estado! Eles não tinham dinheiro para a conservação e manutenção dos seus velhos estádios, vá de se organizar um campeonato europeu aqui, nada de ‘vaquinhas’ com a Espanha, orgulhosamente sós, e pronto, mataram-se uma data de coelhos com uma cajadada! Clubes do estado, construtores civis, autarquias, políticos, até o zé da bola ficou radiante. E lá se esqueceram do estádio nacional!
Quem também se esqueceu de si próprio foi o Belenenses!
Hesitante, indeciso, contou os tostões e viu que aquilo era muita areia para a sua camioneta…e não foi a jogo. Recebeu uns trocos para estar sossegado, fez umas obras de fachada e agora queremos jogar ali para a Europa e não nos deixam. Tem que ser em Alvalade! E logo num estádio onde nunca ganhamos.
O meu candidato nas últimas eleições quis trazer a questão do estádio do Restelo para a ordem do dia, mas disseram que não era oportuno, por causa da carreira da equipa de futebol! Agora pouco interessa, dirão, e de certeza que não há responsáveis para o facto de termos que ir jogar a campo alheio…não estando o Restelo em obras!!!
Pois então que se jogue no estádio nacional, no Algarve, em Aveiro, mas não em Alvalade.
Saudações azuis.

Post-scriptum: Entretanto a Direcção do Belenenses emitiu um comunicado endereçando responsabilidades à morosidade dos serviços camarários. Acredito, mas é preciso fazer alguma coisa, não podemos continuar sempre à espera, na expectativa, temos que agir e se for caso disso, denunciar os atropelos.