segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Vitória por Carlos Silva

Um minuto de silêncio por um grande jogador e por um grande belenense!
Vi-o jogar tantas vezes, tenho uma imagem na retina que deve ser a síntese do jogador que era – cheio de raça, num dia de chuva e lama, a arrancar pelo corredor central do meio campo, empurrando a equipa para a frente, em direcção à baliza adversária. No seu tempo de jogador, décadas de cinquenta e sessenta, o futebol era mais compartimentado, Carlos Silva seria aquilo a que hoje chamamos um médio todo o terreno, a desarmar e a progredir, mas mais dado a tarefas defensivas. Um trinco implacável, mas que sabia jogar à bola!

O jogo do Bonfim começou praticamente com o golo do Belenenses e que ditaria o resultado da partida, ainda não tinham passado uma dezena de minutos!
Costinha pontapeou por alto para a frente do ataque, Garcês de costas, ganhou nas alturas encaminhando a bola pelo corredor central, onde apareceu Dady a impor-se no corpo a corpo a Hugo, a isolar-se e a bater o desamparado keeper setubalense.
Descrevi o golo tal como o vi, de longe, no outro lado do estádio, bem acompanhado por mais de mil belenenses!
Mas não vou a esta hora fazer uma crónica do que se passou, vou apenas deixar alguns apontamentos que em minha opinião merecem realce:

Assistência – cerca de cinco mil espectadores, o que pode considerar-se muito bom nos tempos que correm, já que o futebol português parece organizado e destinado não ao público, mas a outros interesses! Registe-se até a curiosidade de sermos um caso único na Europa a que gostamos de pertencer – em Portugal o futebol consegue subsistir sem público! Um verdadeiro milagre económico… a pedir investigação.
Mas como disse, em Setúbal, o estádio do Bonfim estava composto, muitos belenenses acorreram entusiasmados com a capacidade da equipa – quatro vitórias fora e um empate, em oito jogos, é obra a que não estávamos habituados há muito tempo! O jogo ao Domingo à tarde também convenceu muitos, e para além disso, porque não dizê-lo, o sistema de convites também ajudou. Porque a malta anda ‘tesa’, e o futebol está muito caro.

Jogadores jovens – Ora aí está um treinador que não tem medo de arriscar, de dar oportunidade aos jovens jogadores da ‘cantera’, no caso Mano e Gonçalo Brandão, surpreendendo tudo e todos! Diga-se que estiveram bem, cumpriram, e Mano mostrou até algumas virtudes que me entusiasmaram: bons pés, indispensáveis no miolo, ligeireza de movimentos e espontaneidade no passe, um armador ‘à maneira’! O bom desempenho da equipa durante a primeira parte, também a ele se deve.

Sistema defensivo – Mais uma vez a superar as dificuldades, com os centrais em grande plano, com destaque neste jogo para Rolando!

Algum desespero – Os ‘pés rotos’ de Silas na recepção de algumas bolas, em lances que prometiam o segundo golo e o descanso geral nas hostes azuis. Vamos ter que nos habituar a Silas, capaz de um lance de génio e a seguir…deixa escapar a bola de forma infantil!
Mas estão todos de parabéns.

Resultado final: Vitória de Setúbal 0 – Belenenses 1.

Um minuto de silêncio.

Até sempre, Carlos Silva

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Novo Figurino

O ‘Belém Integral’ sempre incomodou os interesses privados que se instalaram no Clube de Futebol “Os Belenenses”, que se acham donos do Clube, que se servem dele em lugar de o servir, mas que na hora da verdade não se querem responsabilizar pelo seu sistemático declínio!
Agora que se aproxima um novo acto eleitoral, o ‘Belém Integral’ começa a incomodar cada vez mais, sabendo-se que não pertence ao grupo restrito de onde têm saído, eleição após eleição, os responsáveis pelo estado do Clube.
É por isso que começam a aparecer também os pombos-correios, alguns sem terem sequer consciência disso, avezinhas que poisam na caixa de comentários para tentar desestabilizar, na vã esperança de calar uma das poucas vozes que não baixam as orelhas, que não se conformam com a pequenez a que chegámos.
Esses comentários fazem sem o saber, o jogo dos que não têm qualquer estratégia para recuperar o estatuto que perdemos. Essa estratégia não passa por insultar os poucos sócios que restam e que ainda têm ambição, ambição que não se resume a contratar dois bons jogadores, a uma classificação no meio da tabela. Que não se resume também a insultos rascas, quer aos árbitros, quer aos adversários! Adversários que se riem de tal infantilidade, cientes que têm tudo na mão, sabedores que não serão atitudes destrambelhadas que lhes irão causar qualquer moça.
Este tipo de comportamento irá manter tudo como está, irá manter ‘as quintinhas do Restelo’ e manterá o Belenenses longe das suas legítimas ambições.
Contra isto lutamos há quase dois anos, neste espaço que tem características especiais, que criámos na convicção de acrescentar, e não diminuir, a visibilidade do Clube. Se isso foi conseguido ou não, não cuidamos agora, os leitores que façam essa análise, porque o que interessa é que continuaremos por cá, a criticar o que acharmos criticável, a elogiar o que pensamos ser elogiável, a partir de agora sem comentários. Pelo menos até Abril.
E porque é um espaço de diálogo, destinado a gente livre, fica desde hoje aberto a qualquer sócio que queira publicar aqui as suas ideias em prol do desenvolvimento do Belenenses, desde que evidentemente o faça de forma civilizada. A disponibilidade acrescenta-se ao legítimo direito de resposta de quem se sinta atingido pelas nossas críticas.
Não terminamos sem uma palavra de agradecimento aos que nos têm acompanhado neste percurso com os seus habituais e valiosos comentários, que se transformarão, estamos certos, em postais, tal a relevância até aqui demonstrada!
Saudações azuis.

domingo, janeiro 28, 2007

Quisemos ganhar

Olhos nos olhos, com a linha defensiva bem subida, correndo todos os riscos, assumindo a iniciativa do jogo, o Benfica foi obrigado a recuar! Há quanto tempo não víamos isto no Restelo!
Se calhar, se tivéssemos jogado como antigamente, à espera do adversário, para depois podermos inflingir algum golpe, talvez não tivéssemos perdido, poderíamos até ter ganho com mérito, mas prefiro assim, porque esta é que é a revolução mental que precisamos, a recuperação do nosso estatuto passa por aqui, por jogar de igual para igual contra qualquer adversário, sem pavor ou subserviência.
E os adeptos começam a sentir essa nova postura da equipa, começam a entusiasmar-se, este Belenenses começa a galvanizar!
Mas tudo isto tem um preço, não pode haver erros ou hesitações como aconteceram no primeiro golo, golo madrugador que descansou o Benfica, que desde o início optou por lançamentos compridos, fazendo valer a qualidade de passe de alguns dos seus jogadores. Fernando Santos respondia assim ao domínio azul procurando desarticular a base desse ascendente.
Mas nem com esse golo mal sofrido a nossa equipa se deixou abater, antes prosseguiu na busca de outro resultado, normalmente através de Roma, que começa a confirmar as promessas iniciais!
Mas não marcámos, e acabámos por consentir o tal golo de bola parada, especialidade encarnada e de alguns árbitros afectos ao emblema da águia. Neste caso a falta escusada de Silas sobre Karagounis existiu mesmo, o que não existiu foi o necessário movimento de Costinha para disputar o lance aéreo com Luisão! Pouco faltava para o intervalo, foi um golpe duro e imerecido. De facto chegar ao intervalo a perder por dois golos, depois da primeira parte que fizémos...soube a grande injustiça.
Para o segundo tempo saíu Roma, ligeiramente tocado, e entrou o recém-chegado Garcês, panamiano de créditos firmados no futebol internacional que, diga-se, correspondeu inteiramente às expectativas.
Mas a alteração, partiu um pouco o nosso jogo, já que a mobilidade de Roma estava a perturbar nitidamente o último reduto contrário. O nível do jogo também baixou, tornou-se algo quezilento, aproveitando os jogadores do Benfica para se atirarem para o chão por tudo e por nada. Também por aqui se registam diferenças, afinal os ‘queixosos oficiais’ também praticam anti-jogo!
Voltando ao jogo, Jorge Jesus arrisca tudo, obriga a equipa a lançar o assalto final. O Benfica contra-ataca então com muito perigo e num desses lances Nuno Gomes poderia ter feito o terceiro golo. Valeu Alvim a safar sobre a linha!
Mas o domínio era outra vez nosso, o adversário fecha-se completamente à volta de Quim, até que um passe magistral de Mancuso proporciona a Rodrigo Alvim um cruzamento a preceito, que Silas concluiu com êxito!
Já era tarde, faltavam poucos minutos para o fim do jogo, e a partir daqui o futebol acabou – o Benfica fez anti-jogo, Proença contemporizou e entreteve-se a exibir cartões amarelos aos jogadores do Belenenses! Seguiu a regra nacional – na dúvida, a favor do Benfica.
O melhor do Belenenses foi Alvim; Roma, enquanto esteve em campo, brilhou; Mancuso, sempre em jogo, cumpriu. Garcês não engana!
Saudações azuis.

sábado, janeiro 27, 2007

O jogo do campeonato

Depois de terem passado uma semana a vender os jogadores do Belenenses a toda a gente, incluindo ao Benfica, os jornais desportivos que temos, serenaram um pouco, possivelmente para fecharem mais algumas contratações a benefício dos mesmos, não vá o prazo expirar.
Muito gostaria eu de saber quem paga tudo isto!
Entretanto, confio que os nossos jogadores não se deixarão desestabilizar, já devem estar habituados a estas movimentações sempre que nos toca defrontar um dos clubes do estado.
Olhando para dentro, existem dúvidas quanto ao trinco, Sandro Gaúcho não recuperou totalmente, e por outro lado, Ruben Amorim está castigado. Quem serão portanto os eleitos para, primeiro suster, e depois, conquistar o meio campo aos encarnados! Não me vou preocupar muito com isso, Jorge Jesus saberá resolver o problema.
Acima de tudo, precisamos de serenidade e concentração, para não haver precipitação…Nada de provocarmos lances de bola parada nas imediações da nossa área, calcanhar de Aquiles no último jogo, na Luz. E como temos que ganhar, vamos marcar golos.
E Garcês? Quem sabe não se estreia e faz a festa!
Dia de céu azul, imagino que se o jogo fosse esta tarde, sem televisão, se estivéssemos um bocadinho mais chegados ao topo da classificação, e teríamos por certo uma grande assistência, o regresso dos grandes jogos! Mas não, o futebol está hoje entregue a outros interesses, não se destina ao público, àqueles que para além de gostarem dos seus clubes, gostam também de futebol. Por isso os estádios estão vazios, e não se vê a luz ao fundo do túnel!
Termino com a notícia da eleição de um novo presidente da UEFA: Michel Platini vai ocupar o lugar do sueco Lennart Johansson. O francês promete privilegiar a vertente desportiva, contrariando assim a industrialização em curso. Parecem boas notícias!
Saudações azuis.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Panos quentes…

O hábito nacional de transigir para agradar a todos, acaba sempre por dar mau resultado. Que dizer desta decisão da Comissão Disciplinar da Liga absolvendo o Gil Vicente no recurso da despromoção!
Claro que o Fiúza não se fez esperar, e reagiu – “é a prova de que temos razão”! O nosso homem está a esta hora a perorar na SIC, reafirmando as razões do Gil Vicente no processo Mateus, e invocando a seu favor esta peregrina decisão! E a verdade é que tem argumentos para o fazer.
Porquê?
Porque a Comissão Disciplinar da Liga decidiu arquivar o processo disciplinar instaurado ao Gil Vicente, devido ao recurso do clube para os tribunais comuns, das decisões da mesma CD da Liga e do Conselho de Justiça da Federação que despromoveram o clube de Barcelos à Liga de Honra!
Entendeu o douto órgão disciplinar que este recurso não incidia sobre matéria estritamente desportiva, mas sim administrativa! Com este entendimento livrou-se o Gil de ser despromovido às competições amadoras, mas ao mesmo tempo, por querer ou sem querer, reabriu-se uma porta que já estava fechada.
Bem pode o presidente da CD da Liga insistir em que esta decisão nada tem a ver com o recurso sobre a inscrição do jogador Mateus, mas sim com o facto do Gil ter apresentado uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Lisboa, porque nestas condições, a questão de fundo não pode deixar de vir ao de cima, mais tarde ou mais cedo.
Basta relembrar que o Gil Vicente sempre defendeu que a inscrição de Mateus foi um acto puramente administrativo.
E agora?
Sempre previ que isto não acabava assim. Na altura adiantei a possibilidade de um novo alargamento, aguardemos, até porque ainda falta resolver a questão das faltas de comparência do Gil Vicente em três jornadas da Liga de Honra. A haver nova condescendência, a polémica regressará, envolvendo então todas as equipas do segundo escalão que se sintam prejudicadas.
Saudações azuis.

domingo, janeiro 21, 2007

Vitória azul em Gondomar (1-4)

Eliseu fechou a contagem e o Belenenses passa à próxima eliminatória da Taça de Portugal.
A equipa está de parabéns.
Saudações azuis e aguardemos o resultado do próximo sorteio que se realiza amanhã pelas 11,30 na Sede da FPF.
Até ao Jamor!